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Principais tipos de diarreia em cães e seus mecanismos

Principais tipos de diarreia em cães e seus mecanismos
Atualizado em 30 de abril de 2025
Tempo de leitura: 8min
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Definida como uma alteração na frequência, consistência ou volume das evacuações, a diarreia pode ser um sinal clínico de diferentes patologias e complicações 

Tida como uma complicação que comumente leva os pets às clínicas veterinárias, a diarreia em cães e gatos pode significar uma simples alteração intestinal pontual. No entanto, o sinal clínico de tipos de diarreia em cães também pode ser o primeiro indicativo de um problema mais complexo, fazendo parte de um conjunto de ocorrências que levam ao diagnóstico de diferentes problemas simultâneos que sobrecarregam a capacidade compensatória do intestino. 

Cabe ao médico-veterinário, portanto, saber reconhecer as sutilezas entre os diferentes tipos de diarreia em animais para que, dessa forma, tome as medidas mais adequadas para diagnosticar a causa da diarreia e tratar qualquer complicação associada. 

Principais tipos de diarreia em cães 

Cães podem manifestar diferentes tipos de quadros de diarreia e por diferentes motivos, estando as hemoparasitoses (como babesiose ou erliquiose, por exemplo) entre os principais e mais comuns motivadores.  

 Os tipos de diarreia frequentemente são classificados de acordo com: 

  • o local de origem: diarreia de intestino grosso ou delgado; 
  • a duração: aguda (até duas semanas do início do processo) ou crônica (período superior a 15 dias). 

A classificação de acordo com a fisiopatologia também auxilia na compreensão da causa da diarreia, podendo ser definida como: 

  • diarreia osmótica; 
  • diarreia secretora; 
  • diarreia resultante de aumento da permeabilidade; 
  • e diarreia resultante de perturbação da motilidade.  

Vale ressaltar que mais de um dos mecanismos listados pode ocorrer simultaneamente em um paciente, sendo necessário identificar o tipo de diarreia para que o médico-veterinário possa determinar a abordagem clínica, diagnóstica e terapêutica mais apropriadas. 

Diarreia por má absorção 

A diarreia por má absorção ocorre quando há lesões ou mesmo deterioramento das vilosidades intestinais, havendo dificuldade na absorção de água e nutrientes. 

Com a perda da integridade da mucosa e comprometimento das vilosidades, os enterócitos são altamente estimulados a secretar água além do que o organismo é capaz de absorver. 

As principais causas da diarreia por má absorção são: 

  • hipersensibilidade alimentar; 
  • doença inflamatória intestinal (em cães ou gatos);  
  • enterotoxinas (Escherichia coli). 

Fezes pastosas 

Animais que apresentam quadros de diarreia osmótica apresentam fezes mais pastosas, que podem variar no volume defecado.  

A consistência das fezes se modifica devido ao aumento de solutos não absorvidos nas fezes, causando um aumento no conteúdo de água fecal. Isso ocasiona um maior aporte de água na mucosa do duodeno, podendo influenciar a difusão de sódio com a água e fazer com que ainda mais água seja atraída para o lúmen. 

Entre as causas da diarreia osmótica, podemos citar: 

  • alimentação excessiva; 
  • mudanças repentinas na dieta; 
  • dumping gástrico (fluxo repentino de ingesta para o duodeno); 
  • má assimilação (insuficiência pancreática exócrina); 
  • alergia ou intolerância alimentar (em cães ou gatos). 

Diarreia com muco 

Quando o animal apresenta quadro de diarreia com muco, este está associado a alterações na secreção por parte das células epiteliais intestinais – já que a mucosa gastrointestinal é naturalmente coberta por uma camada de muco.  

A estimulação dos enterócitos das criptas resulta na secreção de volumes de líquido que excedem a capacidade de absorção do intestino. Uma característica que distingue a diarreia com muco da diarreia secretora é a sua persistência apesar do jejum – que se deve a anomalias no transporte iónico não relacionadas com a alimentação.  

Ao identificar que o animal possui diarreia com muco, o médico-veterinário deve considerar as seguintes causas: 

  • colite; 
  • contaminação por enterotoxinas (campilobacteriose, erliquiose);  
  • contaminação por protozoários (giardíase);  
  • verminoses (ancilostomose).  

Diarreia com sangue (hematoquezia ou melena) 

Por ser um sinal que normalmente causa ansiedade em quem vive com o pet, é importante que o médico-veterinário converse com o tutor e o informe a respeito da presença de sangue nas fezes do pet, já que, apesar de ser impressionante, este sinal pode não representar, necessariamente, um distúrbio que ponha o animal em risco de vida. 

A primeira medida tomada pelo profissional deve ser localizar a origem do sangue e a gravidade da hemorragia. Isso porque, por ser um sinal inespecífico, pode estar associado a inúmeras condições.  

Vale citar que os animais podem apresentar quadros de hematoquezia ou melena, e diferenciar os dois é igualmente importante.  

Hematoquezia é quando o animal apresenta sangue vivo nas fezes, o que indica uma provável alteração no intestino grosso do paciente. Já a melena é a presença de sangue digerido nas fezes, o que geralmente provoca fezes com uma coloração muito escura.  

As causas para a presença de sangue nas fezes dos animais podem incluir, entre outros fatores: 

  • uso de fármacos; 
  • doenças metabólicas e sistêmicas);  
  • alterações do TGI (gastrite ou úlcera gástrica); 
  • infecções parasitárias; 
  • neoplasias (sistêmicas ou gástricas); 
  • eventos isquêmicos; 
  • infecções fungais; 
  • infecções bacterianas; 
  • infecções virais (parvovirose); 
  • lesões; 
  • trauma anal-retal;
  • alergia ou intolerância alimentar. 

Quais as principais consequências dos quadros de diarreia nos cães? 

O trânsito gastrointestinal, quando em funcionamento normal, tem a água absorvida através do trato gastrointestinal (GI) para o uso do corpo do animal. Quando com diarreia, no entanto, esse trânsito se apresenta acelerado e o excesso de água é expelido junto com os resíduos.   

Quando o animal apresenta um quadro brando de diarreia, geralmente não há consequências para a saúde do animal, já que o quadro é autolimitante. Porém, os quadros crônicos envolvem alguns sinais que o médico-veterinário deve considerar, como:  

  • desidratação; 
  • anorexia; 
  • letargia; 
  • translocação bacteriana/sepse; 
  • coagulação intravascular disseminada; 
  • perda grave de proteínas intestinais; 
  • desequilíbrio hidroeletrolítico (hipercalemia e hiponatremia). 

Tipos de diarreia: a importância do diagnóstico para o tratamento adequado 

Uma boa anamnese, exames clínicos e exames complementares são importantes para o diagnóstico e tratamento de diferentes tipos de diarreia.  

O médico-veterinário deve sempre ter em mente que a diarreia é um sinal clínico e não deve ser visto com um diagnóstico final. Isso porque, para que o tratamento dos animais com quadros de diarreia seja eficaz, a causa subjacente deve ser encontrada.  

A avaliação laboratorial ajuda a classificar diagnósticos diferenciais, bem como avaliar a gravidade da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos, e pode incluir: 

  • hemograma: alterações que podem ser identificadas são eosinofilia, anemia; neutrofilia periférica, linfopenia; 
  • bioquímica sérica: níveis de ureia e creatinina aumentados; relação entre nitrogênio ureico e creatinina (BUN) elevados;  

Além dos exames do hemograma e bioquímica séricas, outros exames laboratoriais possibilitam o diagnóstico de causas base das diarreias como: 

  • imunorreatividade sérica semelhante à tripsina a insuficiência pancreática exócrina (IPE);
  • cortisol basal para excluir o  hipoadrenocorticismo.

Dentre as opções de diagnóstico por imagem, o profissional pode optar entre a radiografia, radiografia contrastada e ultrassom. Cada tipo de exame permite a detecção de possíveis causas para o quadro diarreico, conforme exposto a seguir: 

  • radiografia em quadros diarreia crônica: para a detecção de padrões líquido-gás sugestivos de obstrução mecânica por corpos estranhos, intussuscepções ou massas; 
  • radiografia contrastada (principalmente do trato gastrointestinal superior): utilizada para avaliar anormalidades da mucosa, como úlceras e defeitos de enchimento. Vale citar que o procedimento tem limitações e lesões sutis são facilmente ignoradas; 
  • ultrassonografia abdominal: para identificar neoplasia gastrointestinal, intussuscepção e doença infiltrava mural difusa. Durante o exame é possível realizar a biópsia percutânea guiada e aspiração de massas ou de linfonodos mesentéricos aumentados.  A biopsia guiada é um procedimento diagnóstico eficaz. 

A partir dos resultados dos exames realizados, o veterinário poderá instituir a terapia mais adequada. Como quadros de diarreia possuem sintomática inespecífica, pode incluir uma ou mais implementações da lista abaixo, a depender do resultado dos exames: 

  • alteração no manejo nutricional; 
  • vermifugação;  
  • administração de antidiarreico; 
  • administração de antiemético e/ou gastroprotetor; 
  • probiótico; 
  • antimicrobiano; 
  • fluidoterapia; 
  • medicações de acordo com causa base identificada nos exames. 

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Como tratado anteriormente, os diferentes tipos de diarreia podem ser quadros agudos ou crônicos, e a prescrição de alimentos balanceados é importante para animais com problemas do trato gastrointestinal.  

Formulados com o objetivo de auxiliar na redução de distúrbios agudos de absorção intestinal, na recuperação do estado nutricional saudável em animais convalescentes, na regulação do metabolismo e auxiliar na redução de distúrbios gastrointestinais, as opções disponibilizadas pela Royal Canin® contam com ingredientes de qualidade e alta digestibilidade. 

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Referências Bibliograficas 

Armstrong, P. J. Approach to Diagnosis and Therapy of the Patient with Acute Diarrhea. Today’s Veterinary Practice, 2013. Acesso em: 12/03/2024. 

Chandler, et.al. Small Animal Gastroenterology. Saunders Solutions in Veterinary Practice. 2011. 

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Nelson, R. W., & Couto, C. G. Small Animal Internal Medicine, 6th ed. Elsevier – Health Sciences Division, 2019.  

Marks, S.L. Diarrhea. In Canine and Feline Gastroenterology. 2013 

Unterer, S & Busch, K. Acute Hemorrhagic Diarrhea Syndrome in Dogs. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 51, n. 1, 2021. Acesso: 18/03/2024 

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