A nutrição na pancreatite felina

A nutrição na pancreatite felina

Introdução

Pancreatite é uma inflamação no tecido pancreático com consequente lesão nas células deste órgão e atrofia acinar. O que ocorre é uma ativação das enzimas pancreáticas e a autodigestão do pâncreas. Em animais saudáveis estas enzimas são ativadas somente quando chegam no lúmen intestinal.

A pancreatite pode ocorrer na sua forma aguda ou crônica, sendo esta última a mais comum em gatos. Em casos mais graves a lesão pode ocasionar hemorragia e necrose, elevando a mortalidade.

Quais os sinais clínicos?

A pancreatite em gatos frequentemente é uma doença silenciosa. Os sinais mais comumente encontrados incluem anorexia, letargia, desidratação, diarreia e perda de peso. Dor abdominal e vômitos ocorrem apenas em 50% dos casos. Raramente, encontramos massa abdominal palpável.

A diabetes mellitus pode aparecer secundariamente à pancreatite, com consequente aparecimento de polidipsia, poliúria e mais uma vez a perda de peso. A pancreatite está associada à doença inflamatória intestinal em 50% dos casos. Também podemos observar a presença da tríade: pancreatite, colangite e doença inflamatória intestinal em gatos.
Para gatos em quadros de pancreatite crônica, os sinais clínicos são de mais difíceis diagnóstico ainda, pois na maioria das vezes incluem apenas perda de peso e baixo escore de condição corporal.

Como a nutrição pode ajudar?

Podemos destacar alguns pontos nutricionais importantes:

PROTEÍNA: Apesar da necessidade reduzida de proteínas na dieta, recomenda-se o fornecimento de quantidade suficiente para recuperação e reposição de tecidos danificados pela inflamação e auxiliar na prevenção da perda de massa muscular. Além disso, alguns estudos mostram que em dietas muito restritivas em proteína há menor ingestão dos aminoácidos arginina e metionina, limitando a síntese de lipoproteína pelo fígado, aumentando as chances do animal desenvolver lipidose hepática.

GORDURA: Gatos possuem alta capacidade de digerir e utilizar elevadas quantidades de gordura. O mais importante é a qualidade e digestibilidade da gordura do que o seu baixo teor no alimento para esta espécie. A gordura na dieta não aparenta ser um fator importante de manejo nutricional do paciente felino com pancreatite. Recomenda-se o consumo de níveis moderados de gordura pela dieta.

ENERGIA: Adequada para a manutenção dos processos fisiológicos. Gatos podem desenvolver lipidose hepática caso a quantidade de calorias fornecida não esteja adequada para o quadro do animal.

ANTIOXIDANTES: Utilização de antioxidantes como Vitamina C, Vitamina E e Vitamina A auxiliam na diminuição do estresse oxidativo das células aumentando a proteção tecidual, auxiliando também no combate da inflamação.

Sobre a autora:

M.V. Larissa Lima, Coordenadora de Comunicação Científica – Royal Canin

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