Relato de Caso: enteropatia crônica com perda proteica em cão
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A enteropatia crônica perdedora de proteína, pode prejudicar severamente a qualidade de vida do paciente. Veja um exemplo prático de manejo terapêutico dessa enfermidade e como o alimento Royal Canin® foi decisivo no tratamento.
A enteropatia crônica com perda proteica em cães, ou enteropatia crônica perdedora de proteína, representa um dos desafios mais complexos da gastroenterologia veterinária, especialmente devido ao seu caráter multifatorial e à possibilidade de evolução para quadros graves, comprometendo a homeostase do organismo.
Confira um caso clínico ilustrativo que demonstra a importância da abordagem diagnóstica estruturada e, sobretudo, do manejo nutricional como pilar terapêutico fundamental com utilização de alimentos Royal Canin®.
O que é enteropatia crônica com perda proteica
As enteropatias inflamatórias crônicas são um grupo de doenças que resultam em sinais clínicos gastrointestinais crônicos (com duração de 3 semanas ou mais) ou recorrentes, incluindo diarreia, vômito, náusea, borborigmo, flatulência, eructação, dor abdominal, perda de peso ou uma combinação desses sinais. O diagnóstico é feito após a exclusão de distúrbios extradigestivos que causam sinais clínicos gastrointestinais, parasitoses intestinais e distúrbios infecciosos e neoplásicos digestivos (DUPOUY-MANESCAU et al., 2024).
A enteropatia crônica com perda proteica é caracterizada por inflamação persistente do trato gastrointestinal e perda de proteínas plasmáticas para o lúmen intestinal, resultando em hipoalbuminemia e, consequentemente, hipoproteinemia total.
A fisiopatogenia da afecção envolve aumento da permeabilidade da mucosa e/ou linfangiectasia secundária, levando à perda de proteínas séricas, especialmente albumina e globulinas, para o lúmen intestinal. A injúria da mucosa pode ser desencadeada por inflamação imunomediada, alterações microbiológicas, estase linfática ou dano epitelial direto (MARGREY et al., 2025).
Clinicamente, cães acometidos por essa enteropatia crônica que apresenta perda proteica podem ter diarreia crônica, vômitos intermitentes, perda de peso progressiva, hiporexia, distensão abdominal por efusão, edema periférico e, em casos avançados, sinais relacionados à hipocalcemia ou tromboembolismo. A severidade dos sinais correlaciona-se ao grau de hipoalbuminemia e à extensão da inflamação intestinal (VECCHIATO et al., 2025).
Causas da enteropatia crônica perdedora de proteína em cães
Esse espectro de enteropatias crônicas compreendem diferentes etiologias que compartilham o mesmo desfecho fisiopatológico: extravasamento proteico intestinal. Entre as principais causas destacam-se (CRAVEN & WASHABAU, 2019):
- doença inflamatória intestinal ou enteropatia inflamatória crônica (atualmente chamada apenas de enteropatia crônica, segundo Dupouy-Manescau et al., 2024): a ativação linfocitária aumenta a permeabilidade mucosa e promove liberação de citocinas pró-inflamatórias, perpetuando a lesão epitelial. Cães com falha em múltiplos testes dietéticos são frequentemente classificados nesse grupo;
- linfangiectasia intestinal: resulta da dilatação e ruptura de vasos linfáticos intestinais, levando à perda de linfa rica em proteínas, lipídios e linfócitos para o lúmen. Pode ocorrer como processo primário ou secundário à obstrução linfática, infiltração inflamatória, neoplasias ou hipertensão portal;
- infecções: infecções parasitárias (como por Giardia, Ancylostoma e Trichuris), fúngicas (como histoplasmose), virais ou bacterianas graves podem comprometer a integridade e função da parede intestinal;
- neoplasias intestinais: linfoma alimentar, adenocarcinoma e mastocitoma podem causar inflamação intensa, obstrução linfática e lesão na mucosa intestinal, culminando em perda proteica significativa;
- outras.
Cão com enteropatia crônica com perda proteica: caso clínico detalhado
A seguir, apresentaremos a história clínica do Lui, um cão macho da raça Yorkshire Terrier, de 4 anos e 4 meses, castrado, acometido por esse tipo de enteropatia crônica, que foi acompanhado pelo médico-veterinário especialista em gastroenterologia Juan Rezende, na Atuare Care – Enteroclinic, situada na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.
Confira os detalhes do caso e como alimento Royal Canin® Gastrointestinal Low Fat Small Dog foi inserido no tratamento do cão.
Anamnese
O paciente Lui foi encaminhado ao serviço especializado de gastroenterologia por uma médica-veterinária clínica geral, devido ao quadro de gastroenterite crônica, ou enteropatia crônica, que apresentava agudização com quadros de hematoquezia e colite importante.
Os exames sanguíneos de triagem realizados pela profissional que o encaminhou apontavam hipoalbuminemia importante (resultado da albumina: 1,4 – valores referência: 2,6 a 4,0g/dL), chamando a atenção para um possível diagnóstico diferencial para enteropatia perdedora de proteína.
Para completar, uma ultrassonografia abdominal apontava um espessamento em porção final do cólon, caracterizando uma colite, conforme evidenciado na figura 1.

O paciente havia sido internado 2 dias antes do primeiro atendimento realizado pelo médico-veterinário Juan. Na internação, recebeu medicação de suporte (ondansetrona ; citrato de maropitant ; sucralfato ; dipirona ; escopolamina ; suplemento à base de probióticos, prebióticos e zinco ; 3 dias de sulfadiazina+trimetoprim).
O animal também tinha sido vermifugado recentemente (há 15 dias), estava com as vacinas em dia (últimos reforços realizados há 2 meses) e apresentava histórico de cirurgias (castração e profilaxia periodontal).
Além disso, foi relatado que Lui convive eventualmente com um cão da raça Border Collie, que não possui histórico de patologias.
Vale ainda ressaltar que, no momento do atendimento, o paciente apresentava 2,8kg e escore de condição corporal (ECC) 4/9.
Mudança na dieta
Diante de todas as informações obtidas na anamnese e tomando como base o exame previamente realizado, a conduta clínica adotada pelo profissional gastroenterologista foi indicar a troca da alimentação do paciente para a fórmula Royal Canin® Gastrointestinal Low Fat Small Dog e solicitar exame de endoscopia após uma semana da troca da dieta, além de novos exames pré-anestésicos.
Assim, o paciente apresentou boa resposta clínica à troca alimentar e teve melhora nos exames realizados posteriormente (resultado da albumina: 2,34 – valores referência: 2,6 a 4,0g/dL).
Resultados dos exames
Foi, então, realizada a endoscopia, cujo laudo mostrou uma gastrite enantemática discreta e não erosiva e duodenite discreta.

O exame histopatológico das amostras coletadas do estômago e intestino através da endoscopia do paciente evidenciou:
- corpo/fundo gástrico dentro da normalidade;
- Duodeno com discreta duodenite linfoplasmocitária.
Manutenção da nova dieta
O paciente apresentou boa resposta a troca alimentar e melhora clínica relacionada às queixas do primeiro atendimento. Portanto, foi indicado manter a alimentação restrita com a Gastrointestinal Low Fat Small Dog e solicitado um acompanhamento com novos exames em 3 meses.
Conclusão do caso
Após três meses, todos os exames de acompanhamento do paciente Lui apresentaram melhora significativa, conforme podemos evidenciar nas figuras 3 e 4.


O paciente Lui, que antes da intervenção dietética apresentava vômitos, diarreias, prostração, paladar seletivo e escore corporal baixo (ECC 4/9), agora é um cão brincalhão e ativo, com ótima aceitação alimentar, saúde digestiva e escore corporal ideal (ECC 6/9).

A importância da dieta para pacientes acometidos por enteropatia crônica com perda proteica
A nutrição desempenha papel central tanto no manejo quanto no prognóstico dos pacientes com enteropatia crônica com perda proteica. Dietas adequadas podem auxiliar na redução da inflamação, na restauração da barreira intestinal, no controle de disbiose e na redução da perda proteica (KATHRANI, 2021).
Buscando promover qualidade de vida e longevidade aos pets através de uma alimentação individualizada de acordo com o porte, idade e estado de saúde de cada animal, a Royal Canin® desenvolveu uma gama de produtos baseados em evidências científicas.
O alimento Gastrointestinal Low Fat Small Dog, citado nesse relato de caso, faz parte da linha veterinária Gastrointestinal da Royal Canin®. Ele é indicado para cães adultos de pequeno porte. Há ainda o alimento Gastrointestinal Low Fat Canine, nas versões seca e úmida, para cães adultos.
São soluções nutricionais com baixo teor de gordura, justamente para auxiliar o manejo nutricional de cães com distúrbios gastrointestinais que necessitem de uma dieta com baixos níveis desse nutriente, e conteúdo balanceado de fibras, para permitir o fornecimento de níveis de energia de manutenção, apesar da restrição de gordura. Também são fórmulas altamente digestíveis que, além das fibras balanceadas, incluem prebióticos, visando favorecer a saúde digestiva e o trânsito intestinal dos cães.

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* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.
Referências:
CRAVEN, M.D.; WASHABAU, R.J. Comparative pathophysiology and management of protein-losing enteropathy. J. Vet. Intern. Med., v.33, n.2, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30762910/. Acesso em: 05 nov. 2025.
DUPOUY-MANESCAU, N. et al. Updating the Classification of Chronic Inflammatory Enteropathies in Dogs. Animals, v.14, n.5, 2024. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-2615/14/5/681. Acesso em: 17 nov. 2025.
KATHRANI, A. Dietary and Nutricional Approaches to the Management of Chronic Enterophaty in Dogs and Cats. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v.51, n.1, 2021. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195561620301030?via%3Dihub. Acesso em: 17 nov. 2025.
MARGREY, C. et al. Characteristics, Nutritional Recommendations, and Medical Interventions of 58 Dogs With Protein-Losing Enteropathy Presenting to a Veterinary Nutrition Service. Journal of Veterinary Internal Medicine, v.39, n.5, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40988353/. Acesso em: 05 nov. 2025.
VECCHIATO, C.G. et al. Serum 25(OH)D reflects clinical characterization in dogs with chronic enteropathies. Front. Vet. Sci., 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41180246/. Acesso em: 05 nov. 2025.
