Mastocitoma em cães: saiba como diagnosticar e opções de tratamento
Links rápidos:
- O que é mastocitoma?
- Classificação histológica e grau de malignidade
- Fatores predisponentes e prognóstico
- Principais sinais clínicos de cães com mastocitoma
- Diagnóstico diferencial: quais outras doenças devem ser investigadas?
- Principais exames para diagnóstico de mastocitoma em cães
- Opções de tratamento para o mastocitoma em cães
- Tire outras dúvidas sobre o mastocitoma canino
- A Royal Canin promove saúde e bem-estar aos pets há mais de 50 anos!
O mastocitoma é uma das neoplasias mais importantes na oncologia veterinária, frequentemente diagnosticada em cães. Entenda os principais detalhes e saiba como abordar um caso de mastocitoma canino!
O mastocitoma é uma neoplasia mesenquimal, potencialmente metastática, que pode acometer indivíduos de diversas espécies. Nos caninos, o mastocitoma representa até 11% de todos os tumores de pele. Porém, no Brasil, um estudo revelou uma incidência entre 20,9 e 22,4%, constatando que o mastocitoma em cães é a segunda neoplasia maligna mais presente na espécie, ficando somente atrás dos tumores mamários (NARDI et al., 2022).
É importante que o médico-veterinário esteja sempre atualizado sobre o tema, já que o reconhecimento precoce e a correta abordagem diagnóstica e terapêutica são determinantes para o prognóstico do paciente acometido.
O que é mastocitoma?
O mastocitoma é uma neoplasia originada pela proliferação de mastócitos, células hematopoiéticas envolvidas em respostas inflamatórias e reparação tecidual, consistindo em um tumor de células redondas.
Trata-se de um tumor de comportamento biológico altamente variável, cuja etiologia ainda não está totalmente elucidada.
Alguns autores sugerem que a proliferação exacerbada dos mastócitos pode ocorrer em resposta a uma inflamação crônica (ZMORZYNSKI et al., 2024). Outros relacionam o desenvolvimento de mastocitoma em cães à presença de mutações no gene c-KIT, responsável pela codificação de um receptor de tirosina quinase que se liga ao fator de células-tronco em mastócitos caninos. As mutações impulsionam a multiplicação celular descontrolada, resultando na formação e na progressão do mastocitoma (COELHO et al., 2023).
O mastocitoma canino acomete apenas a pele?
Embora o mastocitoma cutâneo em cães seja o mais comumente diagnosticado, essa neoplasia também pode afetar outros órgãos como baço, fígado e medula óssea.
Akiyoshi e equipe (2022) relataram, inclusive, a ocorrência de um mastocitoma de origem hepática em uma cadela de 11 anos de idade da raça Cocker Spaniel.
Vale ressaltar que o mastocitoma que acomete a pele é a forma mais comum, mas a apresentação visceral tende a ser mais agressiva.
Classificação histológica e grau de malignidade
Compreender a classificação histológica e o grau de malignidade do mastocitoma em cães auxilia na definição do tratamento e no prognóstico, e pode ser realizada de duas maneiras, de acordo com o sistema utilizado.
O sistema de Patnaik classifica o mastocitoma em três graus (I a III), enquanto o sistema de Kiupel categoriza em baixo ou alto grau.
Atualmente, apesar do sistema de classificação de Kiupel ser amplamente usado, a recomendação do Colégio Americano de Patologistas Veterinários e da Sociedade Veterinária do Câncer é que ambos os sistemas de classificação sejam levados em conta para a melhor classificação de um caso de mastocitoma (BERLATO et al., 2021).
Confira nas tabelas abaixo, os detalhes sobre cada método de classificação do mastocitoma canino:
Tabela 1: Sistema de Patnaik para classificação de mastocitoma em cães.

Tabela 2: Sistema de Kiupel para classificação do mastocitoma em cães.

Fatores predisponentes e prognóstico
Raças de cães como Boxer, Shar-Pei, Labrador Retriever, Bulldog Francês, Bull Terrier e Golden Retriever apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de mastocitoma (NARDI et al., 2022).
O prognóstico do paciente acometido por mastocitoma depende do grau histológico, da localização do tumor, da presença ou não de metástase e se há envolvimento sistêmico (síndrome paraneoplásica).
Principais sinais clínicos de cães com mastocitoma
O mastocitoma em cães pode se apresentar como formações de diferentes tamanhos e aspectos, que podem invadir o tecido subcutâneo. O nódulo pode ser bem delimitado, firme, macio, alopécico, pruriginoso, também podendo apresentar áreas eritematosas.
Em alguns casos, o mastocitoma cutâneo pode ser caracterizado por formações elevadas, irregulares, com ou sem ulceração.

Na consulta veterinária, é essencial realizar a inspeção minuciosa durante o exame clínico com o intuito de identificar precocemente qualquer aumento de volume ou lesão suspeita de mastocitoma canino.
Além das lesões aparentes nos casos de mastocitoma cutâneos, manifestações sistêmicas como anorexia, hematêmese, hematoquezia, melena e dor abdominal também podem ser observadas.
Diagnóstico diferencial: quais outras doenças devem ser investigadas?
O diagnóstico diferencial para mastocitoma em cães deve considerar (CHU, 2024):
- outros tumores de células redondas (linfoma cutâneo, histiocitoma, plasmocitoma, tumor venéreo transmissível etc.);
- processos inflamatórios crônicos;
- abscessos;
- granulomas.
Principais exames para diagnóstico de mastocitoma em cães
O diagnóstico rápido e assertivo do mastocitoma é essencial para o sucesso terapêutico e um bom prognóstico do cão. A investigação, portanto, deve incluir exame citológico, histopatológico e outros exames complementares.
Veja detalhes abaixo.
1. Citologia aspirativa por agulha fina (CAAF)
A citologia aspirativa por agulha fina é um exame de triagem para o diagnóstico de mastocitoma em cães rápido e pouco invasivo.
No entanto, uma citologia negativa não exclui o diagnóstico de neoplasia, exigindo confirmação histológica.
2. Histopatológico ou biópsia
O exame histopatológico é considerado o método de diagnóstico definitivo uma vez que a citologia pode ser inconclusiva (OLIVEIRA et al., 2023).
Pode ser realizado a partir de biopsia incisional, na qual só é removida uma amostra representativa do tumor, ou por biopsia excisional (exérese), a partir da remoção total do tumor juntamente à margem cirúrgica.
A exérese total do mastocitoma deve ser a primeira escolha, a não ser que o tumor seja muito grande e/ou de difícil acesso. Nesse caso, a biopsia incisional é indicada para a obtenção diagnóstica, guiando a abordagem terapêutica.
3. Outros exames complementares
Outros exames laboratoriais como hemograma, bioquímica sérica, punção aspirativa de linfonodos regionais, exames de imagem (ultrassonografia, radiografia, tomografia) podem ser importantes para o estadiamento do mastocitoma canino, a detecção de metástases, o planejamento do tratamento e a determinação do prognóstico do paciente (BUZZI et al., 2023),
Opções de tratamento para o mastocitoma em cães
Para o tratamento do mastocitoma em cães, o médico-veterinário deve considerar diversas opções, incluindo tratamento cirúrgico, tratamento farmacológico e radioterapia (ZMORZYNSKI, S. et al., 2024).
A excisão cirúrgica é a principal abordagem terapêutica, associada à linfadenectomia sempre que seja viável. Em conjunto, a eletroquimioterapia pode ser usada no período transoperatório, ou ainda como terapia adjuvante à cirurgia quando as margens estão comprometidas.
Radioterapia pode ser indicada em casos com margens comprometidas ou como protocolo paliativo para reduzir parcialmente o tamanho do tumor e controlar a dor do paciente.
A quimioterapia pode ser usada em casos nos quais a completa ressecção cirúrgica é impossível ou quando há várias metástases. Apesar de seus efeitos colaterais, a medida controla efetivamente a doença e estende o tempo médio de sobrevivência em cães com mastocitoma (ZMORZYNSKI, S. et al., 2024).
A importância do manejo nutricional para pacientes debilitados
Pacientes oncológicos, assim como os acometidos por mastocitoma, demandam suporte nutricional adequado para manutenção da massa magra, resposta imune e tolerância ao tratamento. A dieta deve ser individualizada, respeitando a condição clínica e necessidades energéticas.
A Royal Canin® Recovery é um alimento coadjuvante que oferece alta densidade de energia, permitindo atender os requerimentos energéticos enquanto ajuda a reduzir a quantidade de alimento oferecido ao paciente crítico, sendo uma possibilidade para auxiliar animais debilitados e hospitalizados, com seletividade alimentar, hiporexia ou anorexia. Além disso, possui textura que facilita a administração via seringas ou sondas, e seu alto nível proteico auxilia na manutenção da massa muscular.
Outra opção de alimentação coadjuvante é a Gastrointestinal Canine, fórmula altamente digestível com fibras balanceadas, alto teor energético e alta palatabilidade que ajuda na recuperação do estado nutricional saudável em animais convalescentes.

Tire outras dúvidas sobre o mastocitoma canino
Para nos aprofundarmos ainda mais no tema, respondemos mais algumas questões relacionadas ao mastocitoma em cães.
1. O que é degranulação de mastócitos?
É a liberação de substâncias como histamina, heparina, citocinas, proteases contidas nos grânulos citoplasmáticos dos mastócitos, causando efeitos sistêmicos.
2. Qual a diferença entre o sistema de Patnaik e o de Kiupel para estadiamento do mastocitoma?
O sistema de Patnaik usa três graus de estadiamento do mastocitoma em cães, enquanto o de Kiupel propõe uma classificação binária (baixo ou alto grau).
3. Como definir margens cirúrgicas adequadas em casos de mastocitoma?
Anteriormente, preconizava-se a excisão cirúrgica ampla, com margem lateral de 3 cm e de uma camada fascial para a margem profunda. Porém, estudos recentes têm indicado diferentes abordagens relacionadas ao estadiamento clínico e graduação histopatológica (NARDI et al., 2022).
4. O mastocitoma canino pode causar metástase?
Sim. O maior risco de metástase está relacionado ao mastocitoma de grau III ou de alto grau.
5. Gatos também podem ter mastocitoma?
Sim. Embora o Mastocitoma seja mais comum em cães, também é possível detectar a forma cutânea ou visceral de Mastocitoma em gatos.
A Royal Canin promove saúde e bem-estar aos pets há mais de 50 anos!
Com atuação global, foco em ciência e inovação, a Royal Canin® é reconhecida por desenvolver soluções nutricionais específicas para cada paciente e para diferentes condições clínicas, valorizando a nutrição individual como base para promoção de saúde e longevidade aos pets.
Assim, oferecemos ao médico-veterinário uma linha de alimentos específicos para diferentes necessidades nutricionais, considerando o porte, a raça e a condição clínica dos pets. São alimentos completos e balanceados para atender as demandas nutricionais de gatos e cães em diferentes fases e estilos de vida. *
Conheça melhor o nosso portfólio e as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Utilize a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional, que tem como objetivo facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente.
Para saber mais sobre outras afecções comuns em cães e gatos e auxiliar você na rotina clínica, navegue pelo nosso Guia de Doenças.
* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade
Referências:
AKIYOSHI, M. et al. Hepatosplenic lymphoma and visceral mast cell tumor in the liver of a dog with synchronous and multiple primary tumors. Vet. Clinical Pathology, v.51, n.3, 2022. Acesso em: 24 jun. 2025.
BERLATO, D. et al. Value, Limitations, and Recommendations for Grading of Canine Cutaneous Mast Cell Tumors: A Consensus of the Oncology-Pathology Working Group. Vet. Pathol., v.58, n.5, 2021. Acesso em: 25 jun. 2025.
BUZZI, G. et al. Cytological Quantification of Nodal Mast Cells in Dogs Affected by Non-Neoplastic Condition and Mast Cell Tumor Using Different Sample Preparation Techniques: An Explorative Study. Animals, v.13, n.16, 2023. Acesso em: 24 jun. 2025.
CHU, C.P. Citologia de tumores de células redondas em cães. Vetfocus, 2024. Acesso em: 24 jun. 2025.
COELHO, Y.N.B. et al. Tyrosine kinase inhibitors as an alternative treatment in canine mast cell tumor. Front. Vet. Sci., v.10, 2023. Acesso em: 24 jun. 2025.
NARDI, A.B. et al. Diagnosis, Prognosis and Treatment of Canine Cutaneous and Subcutaneous Mast Cell Tumors. Cells, v.11, n.4, 2022. Acesso em: 24 jun. 2025.
OLIVEIRA, A.E.T. et al. Mastocitoma cutâneo em cão da raça Dachshund: Relato de caso. Brazilian Journal of Animal and Enviromental Research, v.6, n.1, 2023. Acesso em: 24 jun. 2025.
SILVEIRA, B.C.C.; RODRIGUES, G.Z.P.; TAVARES, H.J. Mastocitoma cutâneo canino grau III. Pubvet, v.18, n.02, 2024. Acesso em: 24 jun. 2025.
TURQUETE, P.B.S.R. Avaliação prognóstica do status nodal em cães com mastocitoma cutâneo. UFMG, 2024. Acesso em: 24 jun. 2025.
ZMORZYNSKI, S. et al. Genetic Changes in Mastocytes and Their Significance in Mast Cell Tumor Prognosis and Treatment. Genes, v.15, n.1, 2024. Acesso em: 24 jun. 2025.
