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Hepatite Infecciosa Canina: guia completo para conduzir os casos

Hepatite Infecciosa Canina: guia completo para conduzir os casos
Publicado em 4 de setembro de 2025
Tempo de leitura: 11min
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A hepatite infecciosa canina pode impactar severamente a saúde do paciente. Entenda todos os aspectos da doença, dos principais sinais ao tratamento, e saiba como preveni-la.

A hepatite infecciosa canina é uma das três principais doenças infecciosas que afetam os cães, junto à cinomose e à parvovirose. É uma doença viral sistêmica grave, de distribuição mundial, que afeta principalmente animais jovens, não-vacinados ou submetidos a um manejo sanitário deficiente, podendo cursar com sinais clínicos agudos ou até manifestações neurológicas e oftálmicas.

É importante que o médico-veterinário saiba como abordar um paciente suspeito e, principalmente, sobre as formas de prevenção da hepatite infecciosa canina, sendo capaz de promover saúde preventiva, longevidade e qualidade de vida ao paciente.

O que é a hepatite infecciosa canina?

A hepatite infecciosa canina (HIC) é uma doença viral altamente contagiosa, com alta taxa de mortalidade, causada pelo adenovírus canino tipo 1 (CAdV-1), pertencente à família Adenoviridae, gênero Mastadenovirus, espécie Mastadenovírus canino A.

O CAdV-1 é um vírus DNA fita dupla icosaédrico não envelopado, que apresenta tropismo por hepatócitos, células endoteliais e células do sistema reticuloendotelial. Assim, a infecção pode levar à necrose hepática, lesões endoteliais, coagulação intravascular disseminada (CID) e uveíte (DECARO, 2021).

A hepatite infecciosa canina pode acometer canídeos domésticos e selvagens. Logo, cães, coiotes, raposas e lobos podem ser hospedeiros afetados pelo CAdV-1 (MIRA et al., 2022).

Existem outros tipos de hepatite que podem afetar os cães?

Sim. Além da hepatite infecciosa canina, existem outros tipos de hepatite em cães. Dentre elas, podemos citar:

  • hepatite tóxica, induzidas por substâncias como aflatoxinas, fármacos ou toxinas ambientais;
  • hepatite infecciosa bacteriana ou fúngica;
  • hepatite autoimune;
  • hepatites crônica ou idiopática;
  • colangiohepatites.

Entenda como ocorre a transmissão da hepatite infecciosa nos cães

A transmissão da hepatite infecciosa canina ocorre por via oronasal, pelo contato direto ou indireto com secreções contaminadas, uma vez que o adenovírus canino-1 é eliminado pelas fezes, urina e secreções orais e nasais de cães infectados.

É importante ressaltar que o CAdV-1é altamente resistente no ambiente, podendo sobreviver por semanas em locais úmidos. Fômites, utensílios contaminados e superpopulações caninas também favorecem a disseminação da doença.

Principais sinais clínicos de hepatite infecciosa canina

Os sinais clínicos da hepatite infecciosa canina podem variar de acordo com o estado imunológico do animal infectado e com o grau de lesão citotóxica inicial. Portanto, o médico-veterinário poderá observar (TILLEY & SMITH JR., 2014):

  • manifestações agudas: febre, anorexia, letargia, vômitos, diarreia, dor abdominal, hepatomegalia, efusão abdominal, coagulopatias (petéquias, equimoses), CID, linfadenopatia;
  • manifestações tardias: uveíte e edema de córnea, que podem progredir para glaucoma e úlcera de córnea;
  • manifestações hiperagudas: febre, sinais neurológicos, colapso vascular, CID. Geralmente evolui para morte rapidamente.

Fatores de risco

Alguns grupos de pacientes podem apresentar um maior risco de ser acometido por hepatite infecciosa canina. São eles:

  • filhotes;
  • animais não vacinados;
  • cães imunossuprimidos;
  • animais oriundos de abrigos, criadouros ou locais com manejo sanitário precário;
  • cães com coinfecções virais ou parasitárias (BLANCO et al., 2025; GALDIOLI et al., 2023).

Possíveis complicações e prognóstico da doença

As principais complicações da hepatite infecciosa canina incluem insuficiência hepática fulminante, necrose hepática grave, coagulação intravascular disseminada e sangramentos espontâneos, uveíte, glaucoma secundário, úlcera de córnea, comprometimento do sistema nervoso central.

O prognóstico é de reservado a grave, sendo o suporte intensivo essencial para a sobrevida do paciente (SILVEIRA et al., 2023).

Como é feito o diagnóstico da hepatite infecciosa canina

O diagnóstico preciso é crucial para o manejo eficaz dos casos de hepatite infecciosa canina e deve considerar contexto epidemiológico, sinais clínicos e exames laboratoriais específicos.

Vamos conferir maiores detalhes a seguir:

1. Histórico e anamnese

É importante que o médico-veterinário realize uma anamnese minuciosa, verificando status vacinal do paciente, idade, histórico de exposição a outros cães, acesso a ambientes potencialmente contaminados e presença de sinais clínicos sistêmicos relacionados à hepatite infecciosa em cães (anorexia, letargia, vômitos, diarreia).

2. Exame físico e avaliação do paciente

Ao exame físico completo, o profissional deve investigar febre, dor abdominal, hepatomegalia, icterícia, petéquias, linfadenopatia, alterações oftálmicas e/ou opacidade ocular, sinais neurológicos e alterações hemodinâmicas.

3. Exames complementares

Após as etapas anteriores, ao estabelecer a suspeita diagnóstica para hepatite infecciosa canina, o médico-veterinário solicitará exames complementares como hemograma, testes bioquímicos, urinálise e testes diagnósticos.

O hemograma pode mostrar leucopenia inicial, seguida de leucocitose com linfocitose, trombocitopenia. Já a bioquímica sérica pode revelar elevação de ALT, AST e bilirrubina total. Na urinálise, pode ter proteinúria, cilindros granulares e bilirrubinúria.

Exame de imagem como ultrassonografia abdominal também pode complementar a investigação diagnóstica, evidenciando fígado aumentado, com parênquima hipoecóico (padrão multifocal ou difuso) e efusão.

Por fim, a sorologia para anticorpos contra o adenovírus canino-1 ou a PCR são usadas para fechar o diagnóstico para hepatite infecciosa canina. Porém, deve-se atentar à sorologia em animais vacinados, pois a técnica não é capaz de diferenciar anticorpos induzidos pela vacinação dos induzidos pela doença.

Diagnóstico diferencial com outras doenças também é fundamental

Ainda quando falamos sobre a busca pelo diagnóstico assertivo, é essencial considerar outras doenças que podem causar manifestações clínicas semelhantes à hepatite infeciosa em cães e descartá-las. Exemplos de afecções que podem ser levadas em conta nesse momento são:

Lembre-se: o erro diagnóstico pode levar a condutas médicas inadequadas e ao aumento da mortalidade (DECARO, 2021).

Existe tratamento para a hepatite infecciosa nos cães?

Não existe um fármaco antiviral específico para o CAdV-1, agente causador da hepatite infecciosa canina. Portanto, o tratamento é sintomático e de suporte intensivo, incluindo:

  • fluidoterapia com correção eletrolítica e controle de hipoglicemia;
  • antieméticos, hepatoprotetores e analgésicos;
  • antibióticos de amplo espectro, devido ao risco de translocação bacteriana;
  • monitoramento constante dos parâmetros hepáticos e hemostáticos (FURUSATO et al., 2025; SILVEIRA et al., 2023).

Manejo nutricional em pacientes com hepatite infecciosa canina

Pacientes com anorexia ou hiporexia acometidos por afecções que afetam o fígado, assim como a hepatite infecciosa canina, necessitam do restabelecimento de um manejo nutricional eficaz, que ajude a fornecer energia e nutrientes para auxiliar no combate à enfermidade.

Alimentos balanceados, altamente digestíveis, ricos em energia e proteínas de alta qualidade e que sejam muito palatáveis podem ajudar na estratégia de nutrição nesses casos.

Sendo assim, Royal Canin Recovery® é um alimento úmido que pode ser indicado para pacientes críticos. É uma excelente opção para estimular a ingestão voluntária ou alimentação enteral assistida, por possuir uma textura que permite administração via seringas ou sondas.

A Royal Canin Gastrointestinal® também é uma alternativa eficaz para suporte digestivo durante a convalescença, pois tem alto teor energético, alta palatabilidade e croquetes que podem ser facilmente reidratados. Além disso, possui uma apresentação específica para atender todas as necessidades de cães filhotes.

Alimentos da linha gastrointestinal que podem ser indicados em casos de hepatite infecciosa canina

Alguns animais acometidos pela hepatite infecciosa canina podem desenvolver hepatite crônica e fibrose hepática, necessitando de um aporte nutricional especificamente adequado para tal condição, assim como acontecer com pacientes que desenvolvem encefalopatia hepática (DECARO, 2021).

Para esses casos, a Royal Canin® Hepatic Canine, em suas versões seca e úmida, pode ser uma indicação. O alimento possui teor adaptado de proteínas vegetais altamente digestíveis para ajudar a minimizar os sinais associados à insuficiência hepática, baixo teor de cobre e alto teor energético para reduzir a quantidade de alimento oferecida por refeição, diminuindo assim a carga intestinal.

Alimentos da linha Hepatic que podem ser indicados em casos de hepatite infecciosa canina

A importância da prevenção

A vacinação é a principal medida de prevenção para a hepatite infecciosa canina. A vacina contra CAdV-2, amplamente utilizada, confere imunidade cruzada eficaz contra o CAdV-1, com menor risco de efeitos colaterais.

Segundo as Diretrizes da AAHA (ELLIS et al., 2024), a vacina contra hepatite infecciosa canina é considerada essencial. O filhote deve iniciar a vacinação no período entre 6 e 8 semanas de idade, e receber doses de reforço a cada 2-4 semanas até completar 16 semanas de vida. Além disso, os cães devem ser submetidos ao reforço vacinal anual.

Outras medidas preventivas para a doença incluem:

  • controle populacional e sanitário em abrigos e criadouros;
  • evitar o contato de cães não vacinados com animais não vacinado, que não se sabe a procedência;
  • utilizar vacinas de procedência confiável e armazenamento adequado;
  • consultas veterinárias para check-ups regulares para possibilitar o rastreamento precoce de qualquer alteração (BLANCO et al., 2025; GALDIOLI et al., 2023).

Perguntas e respostas sobre a hepatite infecciosa canina

Agora, confira algumas das principais dúvidas sobre a hepatite infecciosa canina.

1. A hepatite infecciosa canina tem cura?

Sim, a hepatite infecciosa canina pode ser controlada, desde que o diagnóstico seja precoce e o suporte clínico seja instituído de forma adequada e imediata.

2. Cães vacinados podem desenvolver hepatite infecciosa?

Sim. Apesar da vacinação ser a principal forma de prevenção para hepatite infecciosa canina, existem situações em que animais vacinados podem apresentar a doença, tais como: falha na soroconversão, vacinas de má procedência, esquemas vacinais incompletos ou desatualizados, imunossupressão.

3. A hepatite infecciosa canina é considerada uma zoonose?

Não. O agente etiológico adenovírus canino tipo 1 é espécie-específico e não infecta humanos.

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Referências:

BLANCO, J.L. et al. Serum antibody titers against distemper, parvovirus and infectious hepatitis in dogs from Central Spain. Veterinary Vaccine, v.4, n.2, 2025. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2772535925000046. Acesso em: 14 jul. 2025.

DECARO, N. Infectious Canine Hepatitis and Feline Adenovirus Infection. Greene’s Infectious Diseases of the Dog and Cat (Fifth Edition), 2021. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/B9780323509343000239. Acesso em: 21 jul. 2025.

ELLIS, J. et al. 2022 AAHA Canine Vaccination Guidelines (2024 Update). JAAHA, v.60, n.6, 2024. Disponível em: https://meridian.allenpress.com/jaaha/article/60/6/1/503802/2022-AAHA-Canine-Vaccination-Guidelines-2024. Acesso em: 21 jul. 2025.

FURUSATO, S. et al. A Case of Canine Hepatitis with Hepatocellular Attack by Non-Neoplastic Perforin-Laden Lymphocytes. Vet. Sci., v.12, n.3, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/2306-7381/12/3/211. Acesso em: 21 jul. 2025.

GALDIOLI, L. et al. Antibody seroprevalence against canine distemper virus, parvovirus, and adenovirus in dogs from a brazilian animal Shelter. Bras. Med. Vet. Zootec., v.75, n.6, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abmvz/a/J9hqw9Gcs5dgc7yNsTBXTgg/?lang=en. Acesso em: 14 jul. 2025.

MIRA, F. et al. Study on the Canine Adenovirus Type 1 (CAdV-1) Infection in Domestic Dogs in Southern Italy. Pathogens, v.11, n.11, 2022. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-0817/11/11/1254. Acesso em: 21 jul. 2025.

MOURA, A.A. Perfil de imunização e ocorrência de enfermidades infecciosas e parasitárias de cães atendidos no Hospital Veterinário-UFPB no período de 2018 e 2021. Universidade Federal da Paraíba, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/21972. Acesso em: 14 jul. 2025.

SILVEIRA, G.C.N. et al. Hepatite infecciosa canina. Revista Universo Belo Horizonte, v.1, n.9, 2023. Disponível em: https://revista.universo.edu.br/index.php?journal=3universobelohorizonte3&page=article&op=view&path%5B%5D=13353. Acesso em: 14 jul. 2025.

TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta veterinária em 5 minutos: Espécies canina e felina. Barueri: Manole, 5 ed., 2014.

O conteúdo do Portal VET da Royal Canin® é destinado à profissionais de saúde veterinária.