Asma felina: saiba como o problema pode influenciar na saúde dos gatos
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A asma felina é uma afecção comum nos gatos domésticos e pode ser confundida com outras doenças respiratórias. Conheça os detalhes sobre essa condição e saiba como conduzir o caso!
A asma felina é uma importante enfermidade crônica das vias aéreas dos gatos. Estima-se que afete aproximadamente 1% a 5% da população felina. Embora a idade média de apresentação seja em animais de 4 a 5 anos de vida, muitos pacientes demonstram sinais clínicos crônicos muito antes (TRZIL, 2019).
O diagnóstico definitivo pode constituir um grande desafio para o médico-veterinário, uma vez que os sinais clínicos e o padrão radiográfico evidenciado em exames de imagem dos casos de asma em gatos são bastante semelhantes a outras afecções respiratórias.
O que é a asma felina?
A asma felina é uma das afecções do trato respiratório inferior mais diagnosticadas na medicina felina. Caracteriza-se pela inflamação eosinofílica das vias aéreas decorrente de uma hipersensibilidade tipo I, responsiva a alérgenos ambientais, como ácaros, pólen, odores, novo substrato para a caixa sanitária e produtos de limpeza, entre outros, que levam a uma broncoconstrição reversível.
Essa resposta individual exacerbada gera um processo inflamatório, com o aumento da produção de muco, edema da mucosa e na contração da musculatura lisa dos brônquios.
A longo prazo, a inflamação, a reação hiper-responsiva a substâncias alérgenas e a limitação do fluxo de ar resultante da broncoconstrição podem levar ao remodelamento e à obstrução permanente das vias aéreas dos pacientes acometidos (TRZIL, 2019).
Asma felina e bronquite felina são a mesma coisa?
Assim como a asma felina, a bronquite felina também está entre as principais doenças respiratórias que afetam os gatos.
Apesar de apresentarem sinalização clínica semelhante, essas duas afecções são vistas como doenças distintas, com diferentes patogêneses, cada uma com o seu próprio perfil inflamatório e sua resposta ao tratamento empregado (GROTHEER et al. 2019).
Enquanto a asma felina se caracteriza por uma inflamação com a detecção de maior quantidade de eosinófilos em amostra de lavado bronco alveolar, conforme já citado anteriormente, a bronquite felina destaca um processo inflamatório com predominância neutrofílica.
Principais causas e fatores predisponentes de asma em gatos
A fisiopatologia da asma felina ainda não foi totalmente compreendida, mas já é constatado que a causa do desenvolvimento da doença é uma resposta inflamatória decorrente de uma reação de hipersensibilidade I, a partir do estímulo de linfócitos T helper 2, que se inicia após a exposição a determinados alérgenos (CRIVELLENTI e CRIVELLENTI, 2023).
O sexo do animal não é um fator predisponente para asma em gatos. Felinos jovens a meia-idade são os mais afetados (NELSON e COUTO, 2019). Vale ressaltar, ainda, que todas as raças de gatos são potencialmente suscetíveis a asma felina, embora exista uma possível predisposição da raça Siamês (REINERO, 2022).
Sinais clínicos de asma em felinos
Os sinais clínicos constituem os primeiros achados para o diagnóstico da asma felina e são resultado da broncoconstrição ocasionada. Dentre eles, podemos citar:
- tosse (que pode ser intermitente);
- respiração ruidosa, com sibilos;
- dispneia;
- ortopneia;
- intolerância ao exercício;
- taquipneia com esforço inspiratório;
- respiração com a boca aberta;
- cianose.
O gato acometido pode, ainda, apresentar apatia e episódios de êmese após as crises de tosse.
Compreendendo as causas de tosse em gatos e em cães
A tosse em animais de companhia é uma manifestação clínica que pode estar associada a uma variedade de condições patológicas e a etiologia pode diferir significativamente entre espécies.
Em cães, a tosse frequentemente está relacionada a doenças cardíacas, como a insuficiência cardíaca, resultante de patologias como a doença valvar mitral e a cardiomiopatia dilatada. Essas condições podem levar ao aumento da pressão venosa pulmonar e ao edema pulmonar, resultando em irritação das vias aéreas e tosse como um dos sinais clínicos.
Nos gatos, por outro lado, a tosse é mais comumente associada a doenças respiratórias primárias, como a asma felina, bronquite crônica e infecções respiratórias. Diferentemente dos cães, os gatos com cardiopatias, como a cardiomiopatia hipertrófica, raramente apresentam tosse como um sintoma clínico significativo.
As etapas do diagnóstico da asma felina
O diagnóstico definitivo da asma felina pode ser desafiador devido às características clínico-patológicas que se sobrepõem a outros distúrbios das vias aéreas inferiores, e à ausência de um teste padrão-ouro (DECIAN, 2019).
Portanto, a investigação de um caso de asma em gatos deve ser baseada em anamnese e exame clínico detalhados do paciente, em conjunto com exames complementares.
O primeiro exame complementar solicitado em qualquer quadro respiratório em gatos é a radiografia torácica. Nos casos de asma felina, podem ser evidenciadas lesões broncocêntricas com padrão brônquico ou broncointersticial (Figura 1).
É importante salientar que a ausência de anormalidades radiográficas não exclui a asma felina, pois as radiografias podem ser normais em até 23% dos casos (TRZIL, 2020).

Posteriormente, o lavado broncoalveolar, realizado através da técnica cega ou por broncoscopia para posterior análise citológica e cultura, é amplamente recomendado para ajudar na confirmação da asma felina.
A visualização de eosinofilia pode sugerir asma ou doenças parasitárias, daí a necessidade em realizar o diagnóstico diferencial, descartando uma etiologia parasitária.
A tomografia computadorizada torácica em gatos com doenças das vias aéreas inferiores pode revelar anomalias como espessamento das paredes brônquicas, padrões alveolares irregulares e presença de bronquiectasias.
Embora essas descobertas não sejam exclusivas de animais acometidos com asma felina, este exame de imagem é uma ferramenta valiosa para detectar lesões sutis que podem passar despercebidas em radiografias convencionais.
A broncoscopia fornece informações adicionais através da avaliação direta das vias aéreas. Assim, a visualização de hiperemia, o acúmulo de muco ou a irregularidade do epitélio brônquico são alterações que podem ser usadas para apoiar o diagnóstico de asma felina (SERAFIM, 2020).
Porém, esta técnica é totalmente contraindicada para pacientes que apresentem doenças obstrutivas das vias aéreas anteriores ou posteriores que não podem ser estabilizadas, afecções graves de parênquima pulmonar ou com comprometimento da ventilação ou perfusão (DECIAN, 2019).
Vale ressaltar que, devido à hiper responsividade das vias aéreas e o estado frágil do gato, a manipulação para realizar qualquer exame pode gerar estresse respiratório grave. Cautela e o conhecimento prático de técnicas para receber pacientes felinos e realizar sua contenção são extremamente necessários nessa situação (RECHE JUNIOR e CASSIANO, 2015).
Diagnóstico diferencial: quais outras afecções devem ser descartadas?
No diagnóstico diferencial da asma felina, o médico-veterinário deve considerar e descartar:
- bronquite felina;
- pneumonia infecciosa: toxoplasmose, pneumonia intersticial felina, pneumonia bacteriana, histoplasmose;
- dirofilariose;
- parasitas pulmonares primários: Aelurostrongylus abstrusus, Capillaria aerophilia, Paragonimus kellicotti;
- neoplasias pulmonares primárias ou metastáticas.
Como é feito o tratamento da asma felina?
O tratamento da asma felina consiste em utilizar broncodilatores para diminuir a broncoconstrição das vias aéreas e diminuir a inflamação contínua/crônica com anti-inflamatórios corticosteroides. Em crises agudas, pode ser necessário a suplementação de oxigênio.
O médico-veterinário deve manter uma comunicação clara com o tutor, orientando para o fato de que a asma em gatos é uma doença crônica e que o animal necessita de um acompanhamento periódico e pode requerer tratamento prolongado.
O tratamento terapêutico pode, inclusive, ser utilizado como método diagnóstico, a partir da avaliação direta da melhora dos sinais clínicos apresentados pelo paciente acometido.
A importância da adequação de manejos no paciente felino com asma
O manejo apropriado de pacientes com asma felina é extremamente importante para minimizar a frequência e a gravidade das crises, além de melhorar a qualidade de vida desses animais. As intervenções devem englobar ajustes no ambiente, alimentação adequada e estratégias para redução do estresse, dado que esses fatores desempenham um papel significativo no desencadeamento ou na exacerbação dos sinais clínicos dos asmáticos.
Portanto, o tutor deve tentar reduzir ou eliminar alérgenos potenciais do ambiente em que o gato vive, pois poeira, ácaros, mofo, fumaça de cigarro, fragrâncias, produtos de limpeza, entre outros, podem agravar a reação hiper-responsiva, inflamando as vias aéreas e desencadear crises asmáticas.
O fornecimento de uma alimentação balanceada, rica em ácidos graxos ômega 3 e ômega 6, pode ter efeitos antioxidantes, ajudando a reduzir a resposta inflamatórias nas vias aéreas.
Além disso, sabemos que o estresse é um fator que também pode iniciar ou piorar as crises de asma em gatos. Por isso, criar um ambiente tranquilo e seguro, assim como instituir o uso de técnicas de enriquecimento ambiental, pode ajudar a reduzir os níveis de estresse e, consequentemente, os episódios clínicos de asma felina.
Além disso, o uso de feromônios sintéticos e catnip pode ser benéfico para promover uma sensação de segurança e calma.
Referências bibliográficas
ALMEIDA, R.V. et al. Aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos da asma felina: Revisão de literatura. Research, Society and Development, v.13, n.1, 2024. Acesso em: 24 junho 2024.
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