Calculadora para Recomendação Nutricional

e cálculo de alimento de acordo com o quadro específico do seu paciente.

Conhecer

Calculadora para Recomendação Nutricional
e cálculo de alimento de acordo com o quadro específico do seu paciente.

Conhecer

Saiba tudo sobre a Cardiomiopatia Restritiva Felina

Saiba tudo sobre a Cardiomiopatia Restritiva Felina
Publicado em 20 de novembro de 2025
Tempo de leitura: 10min
×

Links rápidos:

A cardiomiopatia restritiva felina é uma doença grave, que pode estar presente mesmo quando não há anormalidades na auscultação cardíaca. Entenda os detalhes sobre a enfermidade!

As cardiomiopatias felinas representam um grupo heterogêneo de doenças miocárdicas que resultam em alterações estruturais e funcionais do coração, levando à disfunção diastólica e, ocasionalmente, à falência sistólica. Entre as formas reconhecidas, a cardiomiopatia restritiva felina destaca-se por sua natureza silenciosa e complexa, sendo uma das principais causas de insuficiência cardíaca congestiva em gatos adultos e idosos (FUENTES et al., 2020; KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

A cardiomiopatia restritiva em gatos é frequentemente subdiagnosticada devido à ausência de sopros audíveis e à necessidade de exames de imagem para sua identificação. Por isso, é importante que o médico-veterinário conheça a doença e saiba como abordar o paciente acometido.

O que é a cardiomiopatia restritiva?

A cardiomiopatia restritiva felina (CMR) é caracterizada por disfunção diastólica do ventrículo esquerdo devido à fibrose endocárdica, subendocárdica ou miocárdica. Essa rigidez impede o relaxamento adequado do ventrículo durante a diástole, elevando as pressões de enchimento atrial e predispondo à dilatação atrial bilateral — um achado ecocardiográfico típico (FUENTES et al., 2020; SUZUKI et al., 2021).

Geralmente, a função sistólica está preservada. No entanto, a disfunção miocárdica sistólica tem sido ocasionalmente relatada em associação com ou devido a cardiomiopatia restritiva (KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

A cardiomiopatia restritiva felina pode apresentar duas variantes morfológicas principais:

  1. Forma endomiocárdica, na qual há fibrose densa do endocárdio, frequentemente acometendo o septo interventricular e as paredes ventriculares;
  2. Forma miocárdica, em que há fibrose intersticial difusa sem espessamento endocárdico evidente (Saito et al., 2021).

Exame de um gato com cardiomiopatia restritiva felina
Figura 1: Amostra patológica macroscópica de um coração de um gato com a forma endomiocárdica de cardiomiopatia restritiva felina. Há tecido fibroso (material branco no ventrículo esquerdo [LV]) conectando o septo interventricular, a parede livre do ventrículo esquerdo e os músculos papilares. LA = átrio esquerdo. Fonte: KITTLESON & CÔTÉ, 2021.
Estudos recentes sugerem que alterações na expressão de proteínas de junção intercelular, como a connexin 43 (Cx43), podem estar implicadas na fisiopatogenia da cardiomiopatia restritiva em gatos, afetando a condução elétrica e a contratilidade do miocárdio (OLEYNIKOV, 2025).

A cardiomiopatia restritiva acomete apenas os felinos?

A cardiomiopatia restritiva também acomete os cães, mas de forma mais rara que em felinos. Porém, em cães, quadros com fisiologia restritiva geralmente decorrem de processos infiltrativos ou inflamatórios secundários, e não de uma cardiomiopatia primária, como nos felinos (KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

Szaluś-Jordanow et al. (2025), por exemplo, relatam um caso de pericardite constritiva-efusiva e epicardite como causa de cardiomiopatia restritiva associada à infecção por Dirofilaria repens em uma cadela de 5 anos de idade sem-raça-definida, que apresentava fraqueza generalizada progressiva e anorexia como queixa clínica.

Cardiomiopatia restritiva x hipertrófica: entenda a diferença

Na cardiomiopatia hipertrófica felina (CMH) ocorre espessamento concêntrico do miocárdio ventricular esquerdo, reduzindo o volume diastólico e alterando o relaxamento ventricular (KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

Já na cardiomiopatia restritiva felina (CMR), a espessura do miocárdio é geralmente normal, mas a complacência ventricular está severamente reduzida devido à fibrose e rigidez.

Além disso, enquanto na cardiomiopatia hipertrófica a obstrução dinâmica do trato de saída do ventrículo esquerdo é um achado comum, na cardiomiopatia restritiva o problema principal é o enchimento limitado, resultando em dilatação atrial bilateral acentuada e pressão diastólica elevada (FUENTES et al., 2020).

Em síntese:

  • CMH → Espessamento do miocárdio, disfunção diastólica, possível obstrução.
  • CMR → Miocárdio de espessura normal, rigidez e fibrose, enchimento restrito.

Leia mais: Principais aspectos da Cardiomiopatia Hipertrófica em Felinos

Sinais clínicos em felinos com cardiomiopatia restritiva

Os sinais clínicos da cardiomiopatia restritiva felina são variáveis e inespecíficos, dependendo do estágio da doença. Muitos gatos permanecem assintomáticos por longo período, sendo diagnosticados apenas em fases avançadas, quando demonstram:

  • dispneia;
  • taquipneia;
  • letargia;
  • anorexia;
  • intolerância ao exercício;
  • cianose (KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

Outros achados incluem episódios tromboembólicos, especialmente na artéria ilíaca distal, resultando em paralisia súbita de membros posteriores — a chamada síndrome do “saddle thrombus” (FUENTES et al., 2020).

Em casos agudos, pode haver derrame pleural ou efusão pericárdica, enquanto o exame físico pode revelar ritmo de galope e bulhas cardíacas abafadas (SAITO et al., 2021).

Afinal, todo gato com alteração cardíaca apresenta sopro em ausculta?

Não. Diferentemente dos cães, muitos gatos com cardiomiopatia não apresentam sopros audíveis à ausculta. Isso ocorre porque o fluxo sanguíneo pode permanecer laminar, mesmo diante de disfunção diastólica grave (FUENTES et al., 2020).

De acordo com Kittleson & Côté (2021), a ausência de sopro não exclui a presença de cardiopatia significativa, sendo essencial a realização de exames cardiológicos de check-up, especialmente ecocardiografia e avaliação de biomarcadores cardíacos (NT-proBNP, troponina I), em gatos adultos e idosos, mesmo aparentemente saudáveis.

Essa prática é fundamental, pois a detecção precoce de alterações estruturais ou funcionais cardíacas permite o manejo clínico antes da progressão para insuficiência congestiva ou tromboembolismo.

Diagnóstico de cardiomiopatia restritiva em felinos

O diagnóstico da cardiomiopatia restritiva felina baseia-se na anamnese, no exame físico e, principalmente, em exames de imagem. A ecocardiografia bidimensional e Doppler é o método de escolha, permitindo observar dilatação atrial bilateral acentuada com ventrículos de tamanho normal e função sistólica preservada (FUENTES et al., 2020; SUZUKI et al., 2021).

Há ainda a nova técnica do two-dimensional speckle-tracking echocardiography (2D-STE), que tem se mostrado promissora na detecção precoce de disfunções sutis de relaxamento e deformação miocárdica em felinos, tanto em ventrículo esquerdo quanto direito (SUZUKI et al., 2021).

Radiografia torácica e ecocardiograma auxiliam na avaliação de congestão pulmonar e efusões cavitárias, enquanto exames laboratoriais (NT-proBNP, troponina I) contribuem para diferenciar cardiopatias de causas respiratórias (KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

Diagnóstico diferencial com outras doenças

A cardiomiopatia restritiva felina deve ser diferenciada principalmente de outras cardiopatias, como:

  • cardiomiopatia hipertrófica;
  • cardiomiopatia dilatada;
  • miocardite (FUENTES et al., 2020).

Doenças sistêmicas como hipertireoidismo, hipertensão e insuficiência renal também devem ser excluídas, visto que podem induzir alterações cardíacas secundárias com fisiologia restritiva (KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

Tratamento para cardiomiopatia restritiva felina

Não há tratamento curativo para a cardiomiopatia restritiva em gatos. Portanto, o manejo visa controlar os sinais de insuficiência cardíaca congestiva, prevenir tromboembolismo e melhorar a qualidade de vida (FUENTES et al., 2020).

Os principais medicamentos incluem:

  • diuréticos (furosemida) para controle de congestão;
  • inibidores da ECA (enalapril, benazepril) para reduzir a pós-carga;
  • anticoagulantes ou antiagregantes (clopidogrel, heparina) para profilaxia tromboembólica.

Manejo nutricional

Gatos internados ou inapetentes podem necessitar de um suporte nutricional com uma dieta altamente palatável e de alta densidade de energia, que permita atender os requerimentos energéticos enquanto ajuda a reduzir a quantidade de alimento oferecido ao paciente crítico, assim como Royal Canin® Recovery.

Além disso, o alimento Recovery ainda possui alto nível de proteína para ajudar a manter a massa muscular durante a hospitalização e convalescença, e textura que facilita a administração via sondas ou seringas.

Animais com cardiomiopatia restritiva felina necessitam de um alimento com alta densidade de energia

Prognóstico e expectativa de vida do gato com cardiomiopatia restritiva

O prognóstico da cardiomiopatia restritiva felina é de reservado a desfavorável, com sobrevida variável conforme a gravidade da fibrose e a resposta ao tratamento (FUENTES et al., 2020).

Em média, gatos diagnosticados em fase de insuficiência congestiva têm sobrevida de 3 a 12 meses, podendo haver variações individuais (KITTLESON & CÔTÉ, 2021).

Complicações frequentes da afecção incluem edema pulmonar recorrente, efusões pleurais e tromboembolismo arterial, que reduzem significativamente a qualidade e expectativa de vida.

A importância do acompanhamento multidisciplinar

Devido à natureza progressiva da cardiomiopatia restritiva felina, é fundamental o acompanhamento multidisciplinar, envolvendo cardiologistas veterinários, clínicos gerais e equipe de suporte intensivo.

Os tutores devem ser orientados sobre a necessidade de reavaliações periódicas, pois muitos gatos podem agudizar em um curto intervalo, necessitando de internação emergencial (FUENTES et al., 2020).

A comunicação entre profissionais garante ajuste terapêutico individualizado, melhor controle dos sintomas e maior conforto ao paciente acometido.

Perguntas frequentes sobre a cardiomiopatia restritiva felina

A cardiomiopatia restritiva felina é uma doença comum?

Não. A cardiomiopatia restritiva não é comumente diagnosticada, mas representa uma causa importante de insuficiência cardíaca em gatos adultos e idosos.

Os cães também podem ter cardiomiopatia restritiva?

Raramente. Nos cães, a fisiologia restritiva geralmente é secundária a processos inflamatórios ou infiltrativos, e não a uma cardiomiopatia primária, como nos felinos.

Como tratar a cardiomiopatia restritiva felina?

O tratamento da CMR visa melhorar sinais e levar mais qualidade de vida aos felinos. Ele consiste no uso de diuréticos, inibidores da ECA e anticoagulantes, além de cuidados intensivos em ambiente de internação durante episódios de descompensação.

Qual exame faz o diagnóstico da cardiomiopatia restritiva felina?

O diagnóstico da cardiomiopatia restritiva felina é feito, principalmente, por ecocardiografia bidimensional e Doppler, que evidenciam dilatação atrial bilateral e rigidez ventricular.

Qual a expectativa de vida de um gato com cardiomiopatia restritiva?

O prognóstico é reservado, com sobrevida média entre 3 e 12 meses após o diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva.

Ciência, tradição e cuidado definem a trajetória de mais de 50 anos da Royal Canin®

Há mais de meio século, a Royal Canin® se dedica a transformar a saúde e o bem-estar de cães e gatos por meio da nutrição científica de precisão. Nossa trajetória é marcada pela busca contínua por conhecimento, pela colaboração com especialistas do mundo todo e pelo compromisso de oferecer soluções nutricionais que respeitam a fisiologia e promovem a longevidade dos pets, unindo tradição, ciência e cuidado em cada fórmula.

Assim, oferecemos uma linha de alimentos específicos para diferentes necessidades nutricionais. São alimentos completos e balanceados para atender as demandas nutricionais de gatos e cães em diferentes fases e estilos de vida.

Conheça melhor o nosso portfólio e as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Utilize a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional, que tem como objetivo facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente*.

* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.  

Referências:

FUENTES, V.L. et al. ACVIM consensus statement guidelines for the classification,
diagnosis, and management of cardiomyopathies in cats. Journal of Veterinary Internal Medicine, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32243654/. Acesso em: 22 out. 2025.

KITTLESON, M.D.; CÔTÉ, E. The Feline Cardiomyopathies. Journal of Feline Medicine and Surgery, v.23, 2021. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/1098612X211030218. Acesso em: 22 out. 2025.

OLEYNIKOV, D. Myocardial expression of connexin 43 in cats with hypertrophic and restrictive cardiomyopathy phenotype. Open Vet. J., v.15, n.3, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40276190/. Acesso em: 22 out. 2025.

SAITO, T. et al. Early detection of myocardial dysfunction in a cat that gradually progressed to endomyocardial form of restrictive cardiomyopathy. BMC Vet. Res., v.17, n.1, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34391430/. Acesso em: 22 out. 2025.

SUZUKI, R. et al. Left and Right Myocardial Functionality Assessed by Two-Dimensional Speckle-Tracking Echocardiography in Cats with Restrictive Cardiomyopathy. Animals, v.11, n.6, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34071192/. Acesso em: 22 out. 2025.

SZALUŚ-JORDANOW, O. et al. Constrictive-effusive pericarditis and epicarditis as a cause of restrictive cardiomyopathy associated with Dirofilaria repens infection in a dog. BMC, 2025. Disponível em: https://bmcvetres.biomedcentral.com/counter/pdf/10.1186/s12917-025-05061-8.pdf. Acesso em:22 out. 2025.

O conteúdo do Portal VET da Royal Canin® é destinado à profissionais de saúde veterinária.