Displasia coxofemoral em cães: saiba tudo sobre a alteração
Links rápidos:
- O que é a displasia coxofemoral nos cães?
- Displasia coxofemoral em cães: quais as principais raças acometidas?
- Como desconfiar que um cão possa ter displasia coxofemoral?
- Diagnóstico de displasia coxofemoral
- É possível tratar displasia coxofemoral nos cães?
- Além dos cães: como ocorre a displasia coxofemoral em felinos
- Existe alguma forma de prevenir casos de displasia coxofemoral nos cães?
A displasia coxofemoral em cães é uma condição que pode influenciar diretamente na qualidade de vida do paciente! Médico-veterinário, conheça os detalhes dessa enfermidade e saiba como conduzir o caso!
A displasia coxofemoral é uma doença articular frequentemente diagnosticada em cães, especialmente em raças de médio e grande porte. Esta condição afeta a articulação do quadril, onde uma má formação durante o crescimento leva a um encaixe inadequado entre o fêmur e o acetábulo, causando instabilidade articular.
Como resultado, o animal pode desenvolver dor crônica, perda progressiva de mobilidade e, em casos mais avançados, limitação severa dos movimentos.
Por isso, compreender os fatores que contribuem para o desenvolvimento da displasia coxofemoral, assim como diagnosticá-la precocemente, é essencial para que o médico-veterinário seja capaz de proporcionar um manejo clínico eficaz e melhorar a qualidade de vida a longo prazo dos pacientes acometidos.
O que é a displasia coxofemoral nos cães?
A displasia coxofemoral em cães é caracterizada pela formação inadequada da articulação do quadril durante a fase de crescimento, quando os tecidos moles de sustentação não se desenvolvem na mesma taxa que as estruturas ósseas, resultando em frouxidão articular e, consequentemente, na incongruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo.
Nos animais acometidos, a frouxidão articular é responsável por causar desgaste ósseo e inflamação, desenvolvendo osteoartrite e levando à degeneração progressiva da articulação coxofemoral (FEITOSA et al., 2022).
Veja a diferença entre um quadril com formação normal e com displasia coxofemoral na imagem abaixo.

A displasia é considerada uma doença congênita ou adquirida?
A displasia coxofemoral é considerada uma condição multifatorial, que pode ser influenciada por fatores genéticos, nutricionais, ambientais e comportamentais.
Segundo Carneiro et al. (2020), a patologia apresenta alta herdabilidade, porém, os fatores ambientais influenciam na expressão fenotípica e contribuem negativamente na evolução da doença e nos sinais clínicos.
Portanto, além da predisposição genética, o peso do animal, o ambiente em que ele vive (piso liso/escorregadio) e a prática de atividade física intensa também constituem causas predisponentes significativas para a displasia coxofemoral em cães.
De forma semelhante, a displasia de cotovelo é outra alteração articular comum em cães de médio a grande porte, de origem multifatorial, que compartilha os mesmos fatores predisponentes da displasia coxofemoral em cães.
Nesse caso, o desenvolvimento anormal da articulação do cotovelo também pode ser influenciado por fatores genéticos, ambientais, nutricionais, mecânicos e traumáticos (ANDRADE et al., 2020).
Displasia coxofemoral em cães: quais as principais raças acometidas?
Algumas raças apresentam maior predisposição genética para a displasia coxofemoral canina. Entre as mais acometidas estão (TILLEY, SMITH JR. 2014), entre outras:
- São Bernardo;
- Dogue Alemão
- Husky Siberiano;
- Bernese;
Como desconfiar que um cão possa ter displasia coxofemoral?
Os sinais clínicos de displasia coxofemoral em cães variam de acordo com o grau da doença e a idade do animal.
Os tutores podem perceber alterações na marcha do animal, como claudicação intermitente ou rigidez nas patas traseiras, além de relatar que o paciente está apresentando dificuldade para se deitar e/ou se levantar.
A movimentação do cão também pode ficar comprometida, com diminuição da capacidade de realizar atividades comuns, como corridas, longas caminhadas e subidas de escadas (FIRMINO et al., 2020).
Além disso, os cães afetados com displasia coxofemoral podem manifestar sinais de dor à palpação ou à manipulação da região da articulação coxofemoral.
Outro aspecto a ser considerado é a linhagem do animal. Se um cão provém de pais com displasia, a probabilidade de desenvolver a condição aumenta.
Diagnóstico de displasia coxofemoral
O diagnóstico da displasia coxofemoral em cães é realizado, principalmente, por meio de exames radiográficos, que permitem avaliar o grau da displasia e o grau de comprometimento da articulação.
Nas radiografias, podem ser utilizados vários parâmetros (Figura 1) que quantificam o desenvolvimento anormal da articulação coxofemoral, como o ângulo de inclinação ou ângulo cervicodiafisário, o índice cortical (relação entre o diâmetro da cavidade medular e a espessura da cortical), o ângulo de Norberg, mensuração do percentual de cobertura da cabeça femoral pelo acetábulo (GENUÍNO et al., 2015).

É importante ressaltar que, em muitos casos, é necessário sedar o cão para obter um posicionamento adequado durante a radiografia, especialmente em raças grandes e quando o animal sente dor intensa (ESCODRO et al., 2020).
Diagnóstico diferencial: quais outras doenças podem ser investigadas?
Algumas condições de saúde podem resultar em sinais clínicos semelhantes aos da displasia coxofemoral em cães. Por isso, para um diagnóstico assertivo, é imprescindível que o médico-veterinário exclua a presença de afecções como (TILLEY, SMITH JR. 2014):
- mielopatia degenerativa;
- instabilidade lombossacra;
- doença bilateral do quadril;
- fraturas de quadril ou fêmur;
- panosteíte;
- poliartropatias.
É possível tratar displasia coxofemoral nos cães?
O tratamento para displasia coxofemoral em cães é dividido em abordagens conservativas e cirúrgicas. O manejo do quadro depende da severidade da afecção e do impacto nos movimentos e na qualidade de vida do paciente, questões que devem ser avaliadas pelo médico-veterinário, preferencialmente um especialista em ortopedia.
Tratamento conservativo
O tratamento conservador para displasia coxofemoral em cães envolve o uso de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos em momentos de crise.
Além disso, condroprotetores, suplementos ricos em condroitina, glucosamina e colágeno também podem ser recomendados, pois possuem efeitos benéficos na saúde articular, auxiliando na boa qualidade do líquido sinovial e na manutenção da cartilagem articular.
A medicina integrativa, com destaque para acupuntura, laserterapia e fisioterapia, tem mostrado benefícios significativos no alívio da dor e na melhora da função articular em cães com displasia coxofemoral (ALBUQUERQUE, CARVALHO, 2017).
Essas técnicas podem contribuir para a diminuição ou até mesmo a suspenção do uso de medicamentos, ajudando de maneira positiva na qualidade de vida do animal.
Escodro et al. (2020) relatam, ainda, um bom controle de dor e melhora dos sinais clínicos de um cão Dogo Argentino com displasia coxofemoral através do uso de uma suspensão etanólica neurolítica na região acetabular para promover a dessensibilização química.
Tratamento cirúrgico
O tratamento cirúrgico é indicado em casos graves, onde o tratamento conservador não atinge o resultado esperado e não proporciona a melhora do quadro clínico da displasia coxofemoral em cães.
Logo, procedimentos cirúrgicos como a sinfisiodese púbica juvenil e a artroplastia total de quadril podem ser opções terapêuticas, especialmente em cães de raças grandes, onde a displasia pode impactar severamente a locomoção.
Por isso, o acompanhamento com um ortopedista é fundamental para avaliar a necessidade de uma intervenção cirúrgica, o momento adequado para realizá-la, assim como escolher a técnica mais indicada para cada paciente (PEREZ NETO et al., 2021).
Além dos cães: como ocorre a displasia coxofemoral em felinos
A displasia coxofemoral também pode ocorrer em felinos, embora seja menos frequente que a displasia coxofemoral em cães. Algumas raças de gatos, como o Maine Coon e o Bengal, têm predisposição para alterações osteoarticulares, incluindo a displasia coxofemoral.
O diagnóstico da displasia coxofemoral em felinos também é feito por meio de radiografias, e é importante que seja realizado de forma precoce e assertiva, a fim de evitar a progressão da degeneração, o avanço da osteoartrite e, consequentemente, evitar a diminuição da qualidade de vida do paciente (CERNÁ et al., 2021; PERRY, 2016).
Existe alguma forma de prevenir casos de displasia coxofemoral nos cães?
A prevenção da displasia coxofemoral em cães envolve tanto a seleção genética quanto o manejo adequado dos exemplares caninos que pertençam a raças que apresentem predisposição a essa condição.
A seleção de cães livres de displasia coxofemoral para reprodução é uma prática essencial para reduzir a incidência da doença em algumas raças.
Além disso, controlar o peso do animal, oferecer uma alimentação equilibrada que já contenha nutrientes que ajudem na saúde articular, evitar atividades físicas de alto impacto e oferecer um ambiente adequado para cada indivíduo também são medidas preventivas importantes para displasia coxofemoral em cães (MOSTAFA et al., 2022).
A alimentação como aliada no controle e prevenção da doença
A alimentação é uma aliada fundamental tanto na prevenção quanto no manejo dos sinais clínicos da displasia coxofemoral em cães, uma vez que, como dito anteriormente, é uma afecção com origem multifatorial cujo desenvolvimento pode ser influenciado pela genética, condição nutricional, fatores ambientais e comportamentais.
Em pacientes com tendência a sensibilidade articular, o médico-veterinário pode recomendar um alimento que contenha nutrientes que auxiliem na saúde das articulações, como o Joint Care – Cuidado Articular da Royal Canin, indicado para cães adultos e maduros de porte grande (peso entre 26 e 44 kg) e formulado para fornecer nutrientes específicos, incluindo colágeno, para ajudar a apoiar as cartilagens durante o processo de envelhecimento e manter ossos e articulações saudáveis.
Essa fórmula também tem menor teor calórico, apoiando a manutenção de um peso saudável, limitando, assim, a sobrecarga sobre as articulações.

Como mencionado anteriormente, o controle de peso é essencial para minimizar a sobrecarga nas articulações, pois o excesso de peso aumenta o estresse mecânico, acelerando o desgaste e agravando os sintomas clínicos.
Quando o paciente tem sobrepeso, é recomendado a mudança da dieta, instituindo-se um alimento formulado para auxiliar na redução do excesso de peso, como a linha Satiety Support Weight Management Canine.
A Satiety foi especialmente desenvolvida para ajudar na perda de peso segura, reduzindo o risco de recuperação do peso (97% dos cães perderam peso em 3 meses). Além disso, seu alto teor de fibras naturais mantém os cães satisfeitos entre as refeições, auxiliando no controle do comportamento de implorar por alimento.
Sua alta taxa de proteína ajuda, ainda, na perda de peso saudável, mantendo a massa muscular.

No caso da displasia coxofemoral em gatos, a alimentação para pacientes de raças mais propensas a desenvolver a condição pode já conter benefícios como a adição de EPA/DHA e outros ingredientes que auxiliem na manutenção de ossos e articulações saudáveis.
Nesse caso, a fórmula Maine Coon da Royal Canin é composta por nutrientes que ajudam no suporte às articulações, além de contribuir com a manutenção de um coração saudável, auxiliar na manutenção da saúde da pele e da pelagem, e ajudar na manutenção da saúde do trato urinário dos gatos dessa raça.
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Referências
ALBUQUERQUE, L. CARVALHO, Y. Emprego da acupuntura veterinária na displasia coxofemoral em cães. Enciclopédia Biosfera, v.14, n.26, 2017. Acesso em: 28 outubro 2024.
ANDRADE, F.V. et al. Uso de artrotomia convencional para correção de displasia de cotovelo em cão. Ciência Animal, v.30, n.2, 2020. Acesso em: 29 outubro 2024.
CARNEIRO, R.K.; BING, R.S.; FERREIRA, M.P. Avaliação radiográfica da displasia coxofemoral em cães. Ciência Animal, v.30, n.4, 2020. Acesso em: 28 outubro 2024.
CERNÁ, P. et al. The Prevalence of Feline Hip Dysplasia, Patellar Luxation and Lumbosacral Transitional Vertebrae in Pedigree Cats in The Czech Republic. Animals, v.11, n.9, 2021. Acesso em: 28 outubro 2024.
ESCODRO, P.B. et al. Neurólise química acetabular em um cão com displasia coxofemoral. Clínica Veterinária, v.25, n.144, 2020. Acesso em: 28 outubro 2024.
FEITOSA, M.C. et al. Células-tronco mesenquimais para tratamento de displasia coxofemoral em cão. Acta Scientiae Veterinariae, v.50, 2022. Acesso em: 28 outubro 2024.
FIRMINO, F P. et al. Comparação da sintomatologia da displasia coxofemoral entre cães obesos e não-obesos. Brazilian Journal Development, v.6, n.7, 2020. Acesso em: 28 outubro 2024.
GENUÍNO, P.C. et al. Parâmetros radiográficos de displasia coxofemoral na raça Rottweiler. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.67, n.4, 2015. Acesso em: 28 outubro 2024.
MAGALHÃES, L.A.; SOUZA, J.A.; RIBEIRO, L.F. Displasia coxofemoral em cães. GETEC, v.16, 2024. Acesso em: 28 outubro 2024.
MOSTAFA, A.A. et al. Modified FCI (Fédération Cynologique Internationale) Scoring of the Coxofemoral Joint in Labrador Retrievers Without and With Hip Dysplasia. Front. Vet. Sci., 2022. Acesso em: 28 outubro 2024.
PEREZ NETO, D.M.G. et al. Sinfisiodese púbica juvenil associada à miectomia do pectíneo para tratamento de displasia coxofemoral em cão. Acta Scientiae Veterinariae, v.49, 2021. Acesso em: 28 outubro 2024.
PERRY, K. Feline hip dysplasia: A challenge to recognise and treat. Journal of Feline Medicine and Surgery, 2016. Acesso em: 28 outubro 2024.
TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies canina e felina. São Paulo: Manole, 5 ed., 2014.
VANDEKERCKHOVE, L.M.J. et al. Development and validation of a device to measure the force applied to the coxofemoral joint during stress radiography for early diagnosis of canine hip dysplasia. Medical Engineering & Physics, v.112, 2023. Acesso em: 28 outubro 2

