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Complexo Granuloma Eosinofílico Felino: o que é e como tratar o paciente acometido

Complexo Granuloma Eosinofílico Felino: o que é e como tratar o paciente acometido
Atualizado em 30 de abril de 2025
Tempo de leitura: 9min
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O granuloma eosinofílico felino pode ter diversas causas e, dependendo da gravidade, afetar diretamente no bem-estar do paciente. Entenda sobre o assunto e saiba como fazer a abordagem clínica do caso.

O complexo granuloma eosinofílico felino é uma condição dermatológica relativamente comum em gatos, caracterizada por lesões inflamatórias que podem afetar a pele, a cavidade oral e as junções mucocutâneas.

A condição não apresenta predisposição racial, mas é uma enfermidade mais observada em fêmeas, quando se trata de quadros que envolvam úlceras eosinofílicas (NORSWORTHY, 2018).

O granuloma eosinofílico felino pode impactar significativamente a qualidade de vida dos animais acometidos, especialmente quando afeta regiões como a cavidade oral, interferindo na alimentação.

Portanto, compreender os detalhes sobre essa condição e saber como conduzir um caso suspeito na rotina médico-veterinária possibilita que o profissional implemente um atendimento individualizado e eficaz ao paciente.

O que é o granuloma eosinofílico felino?

O complexo granuloma eosinofílico felino é um termo que engloba um grupo de lesões dermatológicas distintas, incluindo úlcera indolente ou eosinofílica, placa eosinofílica e granuloma eosinofílico propriamente dito, que se caracteriza, microscopicamente, por infiltrado inflamatório difuso, contendo grande número de eosinófilos (CERDEIRO et al., 2014; BAJWA, 2019).

Essas lesões podem se desenvolver de forma aguda na mucosa oral, na pele e/ou nas junções mucocutâneas dos gatos, com manifestações que variam de mínimos sinais clínicos até condições graves.

Na maioria dos casos, as lesões estão localizadas em região mentoniana e cavidade oral, especialmente no palato, língua e região glossofaríngea, mas também podem acometer a face e os membros pélvicos (EHLERS et al, 2019).

Imagens de gatos com Granuloma Eosinofílico
Figura 1: Esquerda- úlcera indolente em lábio superior de felino; Direita- granuloma eosinofílico em extremidade de membro pélvico esquerdo de um gato. Fonte: FERRARA et al. (2024).
Lesões de pele em paciente com Granulona Eosinofílico Felino
Figura 2: Múltiplas placas, eritematosas e coalescentes, intensamente pruriginosa e de superfície erodida e exsudativa, secundário à placa eosinofílica em um gato macho adulto. Fonte: CERDEIRO et al. (2014).

Hopke & Sargent (2019) relatam, inclusive, uma apresentação clínica grave e agressiva de granuloma eosinofílico felino em um gato macho de 9 anos de idade, com lesões profundas em todos os quatro membros e um nódulo na orelha direita.

As lesões nos membros variaram de nódulos com superfícies necróticas a ulcerações de espessura total com exposição de músculos e tendões (Figura 3).

Lesões nos membros de pacientes com Granulona Eosinofólico Felino
Figura 3: (a) nódulo no membro anterior direito; (b) ulceração de espessura total no carpo esquerdo; (c) ulceração de espessura total no membro anterior esquerdo; (d) carpo esquerdo; (e) lesão ulcerada no jarrete direito; (f) descoloração da almofada metacarpal; (g) nódulo pinal direito. Fonte: HOPKE & SARGENT (2019).

A gravidade da afecção

A gravidade da manifestação clínica do complexo granuloma eosinofílico felino é altamente variável. As lesões podem ser únicas, concomitantes, ou ainda aparecerem de forma sucessiva no mesmo animal.

Lesões localizadas no lábio inferior, por exemplo, podem ser leves e pouco sintomáticas. Por outro lado, lesões que afetam a cavidade oral podem evoluir para ulcerações profundas, dificultando a mastigação e a deglutição, o que compromete diretamente a alimentação e, consequentemente, o estado nutricional do animal (EHLERS et al., 2019).

Em adição, o quadro clínico do paciente também pode variar quanto à intensidade dolorosa das lesões e quanto à presença ou não de prurido.

Outra característica do granuloma eosinofílico felino é a ocorrência de manifestações clínicas crônicas e recorrentes quando a origem subjacente não é identificada e tratada corretamente (SANTOS et al., 2024).

Principais causas do Granuloma Eosinofílico em felinos

O complexo granuloma eosinofílico felino pode ser causado por uma variedade de fatores, mas é mais comumente considerado uma manifestação cutânea da doença alérgica felina (HOPKE & SARGENT; 2019).

Veja, abaixo, quais são as principais causas de granuloma eosinofílico felino e saiba o que investigar durante o atendimento de um quadro suspeito.

1. Reação de hipersensibilidade (alergias)

O complexo granuloma eosinofílico felino está frequentemente associado a reações de hipersensibilidade, que podem incluir dermatite alérgica a picadas de ectoparasitas (DAPE), dermatite alérgica a picadas de insetos, hipersensibilidade de contato e alergias alimentares.

A resposta imune exacerbada a alérgenos é um dos principais gatilhos para a inflamação com infiltração de eosinófilos e formação de úlcera indolente, placa eosinofílica e/ou granuloma eosinofílico.

2. Atopia

A dermatite atópica é outra causa significativa do granuloma eosinofílico felino e envolve a predisposição genética do paciente em desenvolver reações de hipersensibilidade do tipo I a alérgenos ambientais, como ácaros, pólen, mofo ou substâncias presentes no ambiente doméstico (OMELCHENKO et al., 2023).

Nesse caso, para confirmar a atopia como causa da manifestação clínica do complexo granuloma eosinofílico felino, é necessário que o médico-veterinário descarte todas as condições alérgicas anteriormente citadas.

3. Outras possíveis causas

Embora as reações de hipersensibilidade sejam predominantes, o granuloma eosinofílico felino também pode estar associado a condições imunomediadas ou idiopáticas.

Além disso, retroviroses, como o vírus da leucemia felina (FeLV) e o vírus da imunodeficiência felina (FIV) podem predispor à ocorrência de lesões, devido ao impacto imunossupressor desses patógenos (HOPKE & SARGENT, 2019).

Como é feito o diagnóstico do granuloma eosinofílico nos gatos?

O diagnóstico do complexo granuloma eosinofílico felino é baseado principalmente em achados clínicos e histopatológicos (CRIVELLENTI & BORIN-CRIVELLENTI, 2023).

É importante que o médico-veterinário faça um levantamento completo do histórico do paciente e, ao identificar as lesões típicas sugestivas da enfermidade no exame clínico, solicite exames complementares que possam ajudar a confirmar o diagnóstico e a descartar condições que manifestam sinais clínicos similares.

O hemograma, por exemplo, poderá apresentar eosinofilia discreta a moderada, enquanto os testes bioquímicos e a urinálise geralmente demonstram resultados dentro da normalidade.

A citologia da lesão pode revelar infiltração por eosinófilos, sendo uma ferramenta diagnóstica de fácil acesso e baixo custo (NOGUEIRA, 2021). Porém, a biopsia da lesão e o histopatológico confirmam o diagnóstico, especialmente em casos atípicos.

Além disso, os testes alérgicos são uma boa opção para identificação de alérgenos específicos. Por sua vez, exames sorológicos ou PCR podem ser utilizados para descartar doenças infecciosas como FeLV e FIV.

Diagnóstico diferencial: quais outras doenças devem ser descartadas?

Ao se deparar com um caso de granuloma eosinofílico felino na rotina clínica veterinária, é importante que o profissional descarte outras condições como:

  • dermatofitose;
  • piodermite bacteriana;
  • infecções fúngicas profundas;
  • demodicose;
  • pododermatite felina;
  • neoplasias (principalmente carcinoma espinocelular).

Tratando o granuloma eosinofílico felino

O tratamento do complexo granuloma eosinofílico felino deve ser direcionado à eliminação ou controle da causa subjacente.

Sendo assim, se o médico-veterinário determinar que a causa da condição é alérgica, pode ser necessário adotar medidas como:

  • controle de infestação de ectoparasitas;
  • controle ambiental de insetos;
  • suspensão do acesso ou eliminação do contato a substâncias alérgicas ao paciente;
  • uso de dietas hipoalergênicas em casos de alergias alimentares.

A terapia farmacológica geralmente emprega o uso de corticosteroides, obtendo-se bons resultados. Porém, em casos refratários, a ciclosporina pode ser indicada. Já em quadros clínicos com lesões dolorosas, é essencial implementar analgesia adequada (OMELCHENKO et al., 2023).

O prognóstico do paciente com granuloma eosinofílico felino é bom quando a causa base é identificada e quando o manejo terapêutico é realizado corretamente (NORSWORTHY, 2018).

A importância do manejo nutricional para a imunidade e saúde dos pets

Uma alimentação equilibrada desempenha um papel crucial no suporte imunológico e na saúde geral dos felinos. Por isso, é importante garantir que o paciente tenha sempre acesso a uma dieta de excelente qualidade, especialmente formulada para a espécie, que atenda todas as exigências nutricionais de cada faixa etária.

Além disso, o manejo nutricional adequado para cada indivíduo evita deficiências nutricionais e colabora para a manutenção de um peso corporal saudável, evitando o sobrepeso e o consequente desenvolvimento de outras condições a ele associadas.

Vale ressaltar, ainda, que gatos acometidos por granuloma eosinofílico, especialmente aqueles com lesões na cavidade oral, podem apresentar dificuldade para se alimentar, o que pode exigir que o profissional recomende alimentos de fácil mastigação ou ingestão e alta palatabilidade.

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Referências:

BAJWA, J. Feline indolent ulcers and their significance. Can. Vet. J., v.60, n.9, 2019. Acesso em: 08 jan. 2025.

CERDEIRO, A.P.; FAM, A.L.P.D.; FARIAS, M.R. Complexo granuloma eosinofílico em felinos domésticos. MedVep Dermato, v.3, n.11, 2014. Acesso em: 07 jan.2025.

CRIVELLENTI, L.Z.; BORIN-CRIVELLENTI, S. Casos de Rotina em Medicina Veterinária de Pequenos Animais. MedVet, 3ed., 2023.

EHLERS, L.P. et al. Epidemiologic and pathologic aspects of feline eosinophilic granuloma complex. Acta Scientiae Veterinariae, v.47, 2019. Acesso em: 07 jan. 2025.

FERRARA, N.C. et al. Apresentações clínicas do complexo granuloma eosinofílico: Relato de casos. Pubvet, v.18, n.02, 2024. Acesso em: 07 jan. 2025.

HOPKE, K.P.; SARGENT, S.J. Novel presentation of eosinophilic granuloma complex in a cat. Jornal of Feline Medicine and Surgery Open Reports, 2019. Acesso em: 07 jan. 2025.

NOGUEIRA, T.Q. Estudo retrospectivo de lesões da cavidade oral de gatos no Distrito Federal (2016–2020). Universidade de Brasília, 2021. Acesso em: 07 jan. 2025.

NORSWORTHY, G.D. The Feline Patient. Willey-Blackwell, 5ed., 2018.

OMELCHENKO, H. et al. Some aspects of the diagnosis and treatment of eosinophilic granuloma in cats. Journal of Veterinary Research, v.67, n.4, 2023. Acesso em: 07 jan. 2025.

SANTOS, A.O. et al. Complexo granuloma eosinofílico em felinos: etiologia, sinais clínicos, diagnóstico e opções terapêuticas. Revista CPAQV, v.16, n.3, 2024. Acesso em: 07 jan. 2025.

TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies canina e felina. São Paulo: Manole, 5 ed., 2014.

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