FeLV: o que você precisa saber sobre o vírus da leucemia felina

FeLV: o que você precisa saber sobre o vírus da leucemia felina

A FeLV é uma doença extremamente complexa e seu diagnóstico é um desafio ao Médico-Veterinário. Veja mais detalhes sobre esta importante afecção que acomete gatos em todo o mundo

O vírus da Leucemia Felina (FeLV) é um dos mais importantes retrovírus em gatos domésticos e, junto do vírus da FIV (Imunodeficiência Viral Felina), é responsável por grande parte dos quadros infecciosos dessa espécie em todo o mundo1. Apesar de estarem intimamente relacionados, FIV e FeLV se diferenciam em seu potencial de causar doença clínica, e o vírus da FeLV é considerado mais patogênico que o vírus da FIV 2.

Nos últimos anos, campanhas de testagem e o desenvolvimento de vacinas para FeLV contribuíram com o decréscimo da prevalência da doença em muitos países. Em 2016, teve início no Brasil a campanha “Miou, testou”, idealizada pelo Médico-Veterinário Carlos Gabriel Dias. A campanha incentiva a testagem para ambas as doenças em todos os gatos atendidos na rotina médica.

Quando pensamos em FeLV, isso é extremamente relevante, já que o curso clínico da doença pode apresentar diversas formas, tornando a identificação dos animais positivos de suma importância para a diminuição da transmissão da doença, conforme veremos a seguir.

O que é a FeLV felina?

O vírus da FeLV é um gamarretrovírus envelopado que pertence à subfamília dos oncorretrovírus e não apresenta caráter zoonótico. Ele possui capacidade de replicação em diversos tecidos, tais como a medula óssea, o epitélio respiratório e as glândulas salivares. Quando o sistema imune do animal não for eficaz após a infecção inicial, o vírus infecta os precursores hematopoiéticos na medula óssea1.

Como em todas as retroviroses, o vírus da leucemia felina necessita do aparato nuclear da célula do hospedeiro para sua replicação. Após a transcrição reversa do RNA viral em DNA, este é integrado ao genoma do gato infectado, produzindo células-filhas que também contém o DNA viral (o DNA viral integrado é chamado de “provírus”)1. Esta habilidade de se tornar parte do DNA do próprio hospedeiro é o fator mais importante para que o vírus se perpetue no organismo do gato infectado após a contaminação da medula óssea3.

Como ocorre a transmissão da FeLV entre os gatos

A FeLV é contagiosa e sua transmissão ocorre tanto de forma horizontal quanto vertical. O vírus pode ser eliminado em diversos fluídos biológicos, como saliva, secreção nasal, leite, urina e fezes4.

A forma primária de contaminação horizontal é via saliva. Ela ocorre principalmente em gatos que possuem contato próximo. Sabe-se que tanto o contato social entre gatos que vivem juntos (o compartilhamento de vasilhas de água ou de alimento e que lambem-se mutuamente, por exemplo) quanto brigas são as formas mais efetivas de transmissão do vírus. A transmissão iatrogênica via seringas contaminadas, instrumentos e por transfusão sanguínea também pode ocorrer1.

Fêmeas podem infectar suas ninhadas (transmissão vertical) por via transplacentária ou ao lamber e cuidar de seus filhotes (transmissão horizontal). Quando ocorre a infecção intrauterina, observa-se falha reprodutiva, mas até 20% dos filhotes podem sobreviver ao período neonatal e tornarem-se adultos progressivamente infectados1, 4.

Por ser um vírus envelopado, o vírus da leucemia felina é bastante lábil no ambiente, sendo inativado em alguns minutos quando fora do organismo e quando em contato com o calor ou desinfetantes1.

Existe alguma predisposição?

Os principais fatores de predisposição para o desenvolvimento da FeLV estão relacionados à maturidade da resposta do sistema imune do gato e de seu comportamento. Confira os principais abaixo1, 4:

  • contato com outros gatos (por exemplo, abrigos, casas com vários gatos);
  • machos intactos;
  • gatos mais agressivos;
  • acesso à rua;
  • animais sem raça definida: possivelmente por haver maior conscientização entre os criadores profissionais (maior testagem e vacinação), e pelos animais de raça pura geralmente serem mantidos apenas dentro de casa;
  • pressão de infecção: gatos que tiveram um contato pontual com um animal infectado apresentam um curso diferente da doença quando comparado a gatos que convivem por muito tempo com animais contaminados.

Já em relação ao estágio de vida, os filhotes possuem maior risco de se tornarem progressivamente infectados. Com a maturidade, os gatos tendem a desenvolver uma maior resistência, desenvolvendo as formas regressiva ou abortiva da doença. Porém, alguns estudos demonstraram que adultos também podem ser infectados de forma natural ou experimental

A patogenia ou fases da FeLV

Os gatos geralmente adquirem o vírus pela contaminação oronasal e também por mordidas de animais contaminados. O vírus é primeiramente encontrado nos linfonodos locais e, após atingir linfócitos e monócitos, causa uma viremia primária e pode atingir a medula óssea. Então, pode ocorrer uma nova fase de viremia (viremia secundária), com leucócitos e plaquetas contaminados por FeLV aparecendo na corrente sanguínea1, 4.

As diferentes apresentações clínicas da FeLV

Uma nova classificação dos possíveis desfechos da doença foi definida com base em estudos moleculares. Na tabela abaixo, você poderá identificar a classificação atual e a anterior1, 4:

Classificação atual Classificação anterior
Infecção abortiva Infecção regressiva / Gato regressivo
Infecção progressiva Viremia persistente
Infecção regressiva Infecção latente, com ou sem viremia transitória
Infecção focal ou atípica Infecção atípica

Cabe ressaltar que tais cursos da doença foram bem caracterizados em estudos experimentais, mas a progressão do quadro nas infecções naturais pode se comportar de forma diferente e, em algumas vezes, confusa1. Veja mais detalhes sobre estes possíveis desfechos clínicos da FeLV a seguir.

Infecção abortiva

Gatos com infecção abortiva desenvolvem uma resposta imune humoral e celular eficientes após a replicação inicial nos linfonodos locais da orofaringe, inibindo a replicação viral. Estes gatos nunca se tornarão virêmicos.

Acredita-se que aproximadamente um terço dos gatos desenvolvam esse tipo de infecção. Os resultados de testes que detectam o vírus diretamente sempre serão negativos, e o único sinal da exposição ao vírus será a presença de anticorpos específicos.

A infecção abortiva possivelmente ocorre em casos de baixa pressão de exposição ao vírus da FeLV, e não há redução da expectativa de vida dos gatos com este curso clínico. Estes animais desenvolvem uma resposta imune eficiente que pode protegê-los por muitos anos e apresentam uma vida normal1, 5.

Infecção progressiva

Este quadro é caracterizado por uma ineficiência do sistema imune. A infeção inicial não é contida pelo sistema imunológico, ocorrendo uma intensa replicação viral primeiramente nos linfonodos e, então, na medula óssea e na mucosa e nas glândulas de tecidos epiteliais. A infecção mucosa e glandular está associada à alta eliminação de vírus infectante.

Nestes quadros, há viremia persistente (por mais de 12 semanas) e esses animais têm potencial de infectar outros por toda a sua vida. Gatos com infecção progressiva geralmente desenvolvem doenças associadas ao vírus, que diminuem sua expectativa de vida e possuem prognóstico ruim1, 5. O quadro progressivo é caracterizado por uma imunidade FeLV-específica insuficiente, e esses gatos apresentam níveis baixos ou indetectáveis de anticorpos neutralizantes1.

Infecção regressiva

Gatos com infecção regressiva apresentam uma resposta imune eficiente, e a replicação viral e a viremia são controladas antes ou logo após a contaminação da medula óssea. Nesses animais, ocorre a integração do provírus ao genoma do gato, tornando-os infectados por toda a vida (carreadores do provírus FeLV). Apesar disso, não há produção ativa do vírus. Antes, esses animais eram classificados como “latentes”, pois apresentavam culturas virais positivas de amostras medulares ou de outros tecidos, mas não sanguíneas1.

Os resultados dos testes sorológicos podem variar significativamente e seu prognóstico é melhor – não necessariamente esses gatos vêm a óbito por causas relacionadas à FeLV5. Contudo, nesses animais há a possibilidade de reativação do vírus e a viremia pode acontecer, especialmente em gatos imunossuprimidos. Nesses casos, o vírus pode voltar a ser eliminado pela saliva e o animal pode desenvolver doenças relacionadas à FeLV. A reativação da infecção regressiva também pode acontecer durante a gestação e a lactação1.

Infecção focal ou atípica

Gatos com infecção focal ou atípica são considerados raros em circunstâncias de infecção natural. Experimentalmente, observa-se que este quadro ocorre em até 10% dos animais infectados.

Nestes animais, a infecção fica restrita a alguns tecidos, como glândulas mamárias, bexiga, olhos, baço, linfonodos ou intestino delgado, onde a replicação local ocorre de forma persistente. Há relatos de transmissão do vírus por via transmamária por uma gata aos seus filhotes mesmo quando seus resultados sorológicos foram negativos1.

Síndromes clínicas associadas o vírus da Leucemia Felina

As síndromes clínicas mais observadas em gatos com FeLV progressiva são o surgimento de neoplasias (principalmente linfoma), a supressão da medula óssea (principalmente anemia) e imunossupressão (surgimento de infecções secundárias). Outras alterações como neuropatias, alterações reprodutivas e doenças imunomediadas também podem ocorrer.

Contudo, nem sempre é possível determinar se o surgimento de uma doença é decorrente da infecção pelo vírus da FeLV. Além disso, gatos progressivamente infectados podem ter uma vida saudável por vários anos, apesar da redução da sua expectativa de vida geral1.

Gatos com infecção regressiva não apresentam redução na sua expectativa de vida, a menos que a infecção seja reativada e se tornem virêmicos. Nestes casos, esses animais apresentam os mesmos riscos de desenvolverem as síndromes clínicas que acometem gatos progressivamente infectados. Ainda a supressão de medula óssea e o surgimento de linfoma podem ocorrer em gatos com infecção regressiva. Nessas situações, o próprio provírus pode causar uma alteração no mecanismo celular ou ter uma ação oncogênica, levando ao desenvolvimento de tumores sem a replicação do vírus1.

Como diagnosticar o vírus da Leucemia Felina

A forma mais importante de controlar doenças como a FeLV (e também a FIV) é a identificação e a segregação de gatos positivos para a doença. Por essa razão, é recomendada a testagem de todos os animais assim que vierem para a primeira consulta com o Médico-Veterinário, antes de serem vacinados quando filhotes, após potenciais exposições a gatos FeLV positivos ou quando surgirem sinais clínicos suspeitos1.

Conforme visto anteriormente, o diagnóstico da FeLV pode variar significativamente de acordo com o curso da infecção e o momento da vida do animal. Os resultados serão negativos enquanto o vírus não estiver circulante (infecção regressiva ou “latência”) e potencialmente positivos em quadros de infecção progressiva e infecção regressiva reativada (secundária ao estresse ou imunossupressão). Justamente por essa transição entre as fases, uma única testagem não deve ser considerada suficiente em casos suspeitos1.

Nos gatos em que a resposta imune for mais robusta, haverá menores níveis de provírus e de antígenos FeLV. Já animais que desenvolverem resposta imune mais fraca, estes níveis serão maiores. As principais formas de diagnóstico na prática clínica são os testes que buscam o antígeno FeLV p27 (testes sorológicos de ELISA e alguns testes rápidos), o RNA viral (RT-PCR), ou o DNA do provírus (PCR), conforme veremos a seguir.

Detecção sorológica de antígenos FeLV p27

Recomenda-se que o status da FeLV de todos os gatos sejam avaliados, e esta é a forma mais comum de diagnóstico da doença. Os seguintes cenários deve ser especialmente investigados6:

  • na suspeita de infecção pelo vírus;
  • gatos doentes que forem levados para avaliação clínica;
  • gatos saudáveis antes de serem vacinados;
  • gatos com histórico de FeLV desconhecido;
  • para a detecção de gatos disseminadores (locais com múltiplos gatos);
  • antes de introduzir um novo animal num lar com outros gatos

A interpretação do resultado positivo6

Resultados positivos ou questionáveis devem ser confirmados imediatamente, principalmente se houver pouca prevalência ou se o risco de exposição for baixo (suspeita de resultado falso-positivo). Para a confirmação, é preferível que um outro método diagnóstico seja utilizado (teste antígeno p27 de outro laboratório ou RT-PCR em saliva, sangue para busca de provírus por PCR, são exemplos).

Se o resultado for positivo, o gato apresenta antigenemia e tem potencial de transmissão do vírus no momento do teste. O teste deve ser repetido após 6 semanas e, se ainda for FeLV positivo, ser testado novamente em mais 6 semanas para determinar se a infecção é progressiva com antigenemia/viremia persistente, ou se se trata de uma infecção regressiva com antigenemia/viremia transitória. Gatos FeLV positivos devem ser sempre separados de gatos FeLV negativos até que se tornem negativos, eventualmente.

A interpretação do resultado negativo6

Um resultado negativo no teste de antígeno p27 é bastante confiável em países com baixa prevalência de FeLV. Isso significa ausência de antigenemia no momento do teste e pode indicar que o gato não foi exposto ao vírus, que é imune ao vírus (pela proteção vacinal, por exemplo), que é um caso de infecção regressiva (seu sistema imune debelou a doença), que apresenta infecção abortiva, ou que não se tornou ainda positivo por ter tido contato recente com o vírus.

A detecção de antígenos FeLV no sangue periférico após a infecção leva de 3 a 6 semanas para ocorrer. Se a exposição recente ao vírus não puder ser absolutamente excluída, um novo teste deve ser realizado em 6 semanas. Até esta nova testagem, o gato suspeito deve ser mantido em isolamento.

Detecção molecular de RNA viral FeLV (RT-PCR) em saliva

Gatos positivos por antígeno p27 são geralmente positivos também para RNA viral em amostras de saliva. Por essa razão, este método indica a presença de antigenemia no momento do teste, e suas indicações são as mesmas da pesquisa de antígeno p27 descritas anteriormente.

O grande diferencial é que o RT-PCR salivar pode ser útil na fase inicial da infecção, pois o RNA viral pode ser detectado aproximadamente 2 semanas antes que o antígeno p27 (especialmente em amostras sanguíneas). Além disso, as amostras salivares podem ser usadas para testar colônias, fazendo um pool de amostras de vários animais.

Porém, cabe ressaltar que o RT-PCR salivar é pouco usado no Brasil, pois seu custo é mais alto quando comparado à pesquisa sorológica de antígeno p27.

A interpretação do resultado positivo6

Caso o gato seja FeLV positivo em amostras de saliva submetidas ao RT-PCR, considera-se que o gato apresenta antigenemia e que é um transmissor do vírus.

Nas amostras positivas obtidas de um pool de animais, todos ao gatos devem ser testados individualmente para detecção do animal disseminador.

A interpretação do resultado negativo6

Resultados negativos significam que não há antigenemia no momento do teste, e podem indicar que o gato não foi exposto ao vírus, que é imune ao vírus (p. ex. pela proteção vacinal), que é um caso de infecção regressiva (seu sistema imune debelou a doença), que apresenta infecção abortiva, ou que não se tornou ainda positivo por ter tido contato recente com o vírus.

Detecção molecular de DNA proviral FeLV (PCR) no sangue

Gatos contaminados que desenvolvem a infecção progressiva e regressiva carreiam em seu DNA a inserção do provírus FeLV. Isso serve como uma “tatuagem” no DNA do hospedeiro, uma marcação que indica que esse gato ou está infectado ou já se infectou com o vírus. Este teste é muito importante para detectar as infecções regressivas pelo vírus, e para confirmar animais realmente negativos em casas com múltiplos gatos. Além disso, deve ser usado para triar gatos doadores de sangue, pois há possibilidade de transmissão do vírus via transfusão sanguínea em doadores com provírus.

A interpretação do resultado positivo6

Um gato positivo para DNA proviral FeLV indica uma infecção ativa ou regressiva. Alguns laboratórios quantificam a carga de provírus da amostra e, se esta for acima do limite de corte, possivelmente o animal apresenta infecção progressiva e antigenemia. Nestes casos, a pesquisa do antígeno p27 deve ser conduzida para a distinção entre a infecção progressiva e a regressiva.

A interpretação do resultado negativo6

Resultados negativos indicam que o gato não possui provírus integrado em seu genoma e não é progressivamente nem regressivamente infectado. Portanto o gato pode não ter sido exposto ao vírus, pode apresentar infecção focal ou abortiva ou estar numa fase muito inicial de infecção. A janela entre a infecção e a detecção do provírus no sangue é de apenas 1-2 semanas.

Tratamento do paciente FeLV positivo

A expectativa de vida de gatos atendidos com infecção progressiva e que não foram eutanasiados próximo ao diagnóstico foi de 2 a 4 anos4. Gatos FeLV positivos devem receber avaliações clínicas frequentes (a cada 6 meses), visando detectar quaisquer alterações em sua saúde. Recomenda-se que o hemograma completo seja feito a cada 6 meses (pelo risco de alterações hematológicas relacionadas ao vírus), e um check-up bioquímico completo e a avaliação da urina devem ser realizados anualmente4.

As retroviroses podem contribuir com qualquer doença, tanto de forma direta quanto pela imunossupressão causada nestes quadros. Gatos infectados pelo vírus da FeLV apresentam maior risco de desenvolverem neoplasias (principalmente linfoma), supressão de medula óssea, doença neurológica, doença inflamatória oral grave e infecções secundárias4.

O tratamento de suporte deve ser instituído conforme as manifestações clínicas do paciente. Medicações que agem diretamente no retrovírus, como as usadas em humanos infectados pelo vírus do HIV, não demonstraram ainda resultados animadores, tanto por questões de eficácia quanto por questões de custos, toxicidade e prazo de utilização. Contudo, o AZT é um dos poucos antivirais utilizados em pacientes com FIV e FeLV e pode reduzir a carga viral e melhorar o status clínico e imunológico de alguns pacientes. Estudos avaliando o uso de interferon ainda não comprovaram benefícios aos pacientes4.

Manejo alimentar

O fornecimento de um ótimo suporte nutricional é fundamental para a manutenção da saúde de gatos com FeLV, mesmo quando eles ainda estão clinicamente saudáveis. O tutor deve ser orientado a evitar alimentos crus pelo maior risco de contaminação por parasitas e bactérias, já que estes gatos tendem à imunossupressão. Portanto, o fornecimento de um alimento balanceado e completo, adaptado à fase de vida do gato, deve ser recomendado4.

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Para gatos em quadros convalescentes, recomenda-se a instituição de nutrição adequada precocemente, evitando o surgimento/agravamento de caquexia. Devemos lembrar que o metabolismo do paciente crítico está alterado, por isso ele necessita de alimentação específica. Alimentos caseiros (como a canja de frango) não atendem, da melhor maneira, a estas necessidades nutricionais.

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Principais recomendações ao tutor

É muito importante que o tutor seja orientado sobre como cuidar de um gato com FeLV. Ele deve ter ciência de que gatos positivos precisam ser acompanhados de perto pelo Médico-Veterinário, com check-ups a cada 6 meses, para a detecção de quaisquer alterações no seu quadro clínico. O gato positivo para a doença deve viver num ambiente livre de fatores de estresse, receber uma ótima nutrição e ser observado sempre pelo tutor4. É fundamental também orientar sobre o risco aumentado de surgimento das afecções secundárias ao vírus e à imunossupressão causada por ele, conforme descrito anteriormente.

Gatos com infecção regressiva podem reativar a doença a qualquer momento e tornarem-se transmissores para outros gatos1. Gatos FeLV positivos confirmados pela detecção de antígenos p26 não devem receber sentença de morte se as circunstâncias permitirem sua separação física dos demais gatos6. Ressalta-se que estes animais não devem ter acesso à rua4.

O status de FeLV de todos os gatos deve ser conhecido. A quarentena de novos gatos antes de sua introdução ao bando deve ser realizada, considerando a necessidade de novas testagens até que seu status seja definido. O maior erro acontece quando o teste tem resultado negativo sem considerar que o gato pode ter se infectado recentemente, e que ainda é muito cedo para que surja o resultado positivo6.

Referências bibliográficas

  1. HARTMANN, K.; HOFMANN-LEHMANN, R. What’s New in Feline Leukemia Virus Infection. Veterinary Clinics – Small Animal Practice. v. 50, p. 1013–1036, 2020.
  2. HARTMANN, K. Clinical Aspects of Feline Retroviruses: A Review. Viruses. v. 4, p. 2684-2710, 2012.
  3. GREENE, C. E. Infectious diseases of the dog and cat. 3. ed. St. Luis: Sauders Elsevier, 2006. p. 108-109.
  4. LITTLE, S. et al. 2020 AAFP Feline Retrovirus Testing and Management Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery. v. 22, p. 5-30, 2020.
  5. GERALDO JR, C. A. Novo guideline de doenças retrovirais AAFP 2020 – Parte 1 – FIV e FeLV. Artigo de site Zoetis Brasil. 01 de fev. de 2021. Disponível em: https://www.zoetis.com.br/prevencaocaesegatos/posts/gatos/novo-guideline-de-doencas-retrovirais-aafp-2020-parte-1-fiv-e-felv.aspx. Acesso em 28 de mar. de 2022.
  6. HOFMANN-LEHMANN, R.; HARTMANN, K. Feline leukaemia virus infection – a practical approach to diagnosis. Journal of Feline Medicine and Surgery. v. 22, p. 831-846, 2020.