Linfoma em gatos: saiba como diagnosticar e conduzir os casos
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O linfoma é considerado um dos principais tipos de neoplasias malignas em gatos. Entenda os detalhes dessa enfermidade e saiba como conduzir o caso!
O linfoma é uma neoplasia maligna, caracterizada pela proliferação de linfócitos atípicos, que pode ocorrer em diversos tecidos e órgãos. Sua apresentação clínica é altamente variável, sendo influenciada por fatores como o subtipo histológico, o grau de diferenciação celular e a localização anatômica da lesão.
Em felinos, o linfoma é a neoplasia mais frequentemente diagnosticada, com especial destaque para a forma alimentar, que acomete, predominantemente, o trato gastrointestinal.
Essa complexidade clínica torna o linfoma em gatos um desafio diagnóstico significativo. Porém, o reconhecimento precoce da enfermidade, aliado a uma abordagem diagnóstica criteriosa e a um plano terapêutico integrado, é essencial para melhorar os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes felinos acometidos.
O que é o linfoma?
Linfoma é uma neoplasia maligna de tecido linfocitário, pertencente ao grupo dos linfoproliferativos, que pode se manifestar em qualquer local com presença de tecido linfoide, como linfonodos, medula óssea, trato gastrointestinal, sistema nervoso central, pele, entre outros (MASON; PITTAWAY, 2022).
A classificação do linfoma em gatos baseia-se em aspectos morfológicos, imunofenotípicos e no grau de diferenciação celular, podendo ser de células T ou B, e de baixo, intermediário ou alto grau.
Particularidades do linfoma felino
O linfoma em gatos destaca-se como a neoplasia mais comum, especialmente em pacientes adultos e idosos. Uma das particularidades da espécie é a associação frequente entre a presença de retroviroses, como o vírus da leucemia felina (FeLV) e o vírus da imunodeficiência felina (FIV), e o desenvolvimento do linfoma (SILVA et al., 2022).
A resposta imunológica peculiar dos gatos e a maior longevidade propiciada pelo manejo doméstico também podem ser consideradas como outros fatores que favorecem o surgimento de processos neoplásicos nesses animais.
Principais tipos de linfoma em gatos
O linfoma em gatos pode ser categorizado de acordo com sua localização anatômica. Dessa forma, os principais tipos de linfoma em gatos são (PAULIN et al., 2018):
- linfoma mediastinal;
- linfoma multicêntrico (envolvendo múltiplos linfonodos periféricos e/ou viscerais);
- linfoma extranodal (como o nasal, ocular ou renal);
- linfoma alimentar, linfoma gastrointestinal ou linfoma intestinal.
Compreendendo o Linfoma alimentar em gatos
O linfoma alimentar em gatos, também denominado linfoma intestinal ou linfoma gastrointestinal, representa o tipo de linfoma mais frequentemente diagnosticado nos animais dessa espécie (IRVING et al., 2019).
Essa forma clínica caracteriza-se pelo acometimento predominante do trato digestivo, sobretudo o intestino delgado, embora outras porções do trato gastrointestinal, como o estômago e o cólon, também possam ser afetadas. O envolvimento de estruturas associadas, como linfonodos mesentéricos e fígado, pode ocorrer, especialmente nos casos de maior agressividade biológica.
Histologicamente, o linfoma intestinal em gatos é classificado, principalmente, em dois subtipos: o linfoma de baixo grau ou de pequenas células e o linfoma de alto grau ou de grandes células.
O linfoma gastrointestinal de pequenas células representa 36–75% de todos os casos de linfoma intestinal felino, afetando principalmente gatos mais velhos, com uma idade média de 12,3–14 anos. Apresenta curso clínico indolente, com evolução lenta, e, normalmente, prognóstico favorável (WRIGHT et al., 2018).
Por outro lado, o linfoma de grandes células exibe comportamento mais agressivo, com sinais clínicos agudos e progressivos, e geralmente com prognóstico reservado a ruim (ALMEIDA et al., 2024).
Principais causas de linfoma alimentar em felinos
A etiologia do linfoma intestinal em gatos é considerada multifatorial. Fatores ambientais e infecciosos podem contribuir para o aumento do risco de desenvolvimento dessa neoplasia. Dentre eles, os mais citados são (KRICK & SORENMO, 2017):
- retroviroses, como o vírus da imunodeficiência felina (FIV) e o vírus da leucemia felina (FELV);
- fumaça do tabaco;
- doença inflamatória intestinal;
- disbiose e dieta inadequada.
Possíveis sinais clínicos de linfoma intestinal em gatos
Os sinais clínicos do linfoma alimentar em gatos são inespecíficos e comumente associados a distúrbios gastrointestinais crônicos. Entre os principais, incluem-se:
- vômitos e/ou diarreia crônica;
- perda de peso progressiva;
- hiporexia ou anorexia;
- distensão abdominal, dor ou massas palpáveis;
- letargia;
- desidratação.
Diagnosticando o linfoma felino
O diagnóstico do linfoma alimentar felino exige uma abordagem multimodal. Inicialmente, exames laboratoriais (hemograma, bioquímica e sorologia para FeLV/FIV) devem ser realizados. A ultrassonografia abdominal pode evidenciar espessamento parietal intestinal, linfonodomegalia mesentérica e perda da estratificação da parede (TANAKA et al., 2021).
A citologia aspirativa com agulha fina pode ser sugestiva, mas frequentemente é necessária uma biópsia endoscópica ou cirúrgica para confirmação histopatológica e classificação do grau do linfoma (IRVING et al., 2019).
Testes de imunohistoquímica e PCR para rearranjo de genes receptores de anticorpos (PARR) ajudam a diferenciar o linfoma da doença inflamatória intestinal (MASON & PITTAWAY, 2022).
Diagnóstico diferencial: quais outras doenças devem ser descartadas?
No diagnóstico diferencial do linfoma intestinal em gatos, o médico-veterinário deve considerar:
- doença inflamatória intestinal (DII);
- alergia alimentar;
- linfangiectasia intestinal;
- adenocarcinoma intestinal;
- infecções parasitárias ou bacterianas crônicas.
Vale ressaltar que a distinção entre linfoma de pequenas células e doença inflamatória intestinal, em especial, é um desafio diagnóstico considerável. Ainda não está claro se essas duas afecções representam dois processos de doenças distintos, dado que existe a possibilidade de a DII progredir para linfoma em gatos ao longo do tempo (MARSILIO, 2021).
Tratamento de linfoma alimentar em gatos: como conduzir o caso?
O tratamento de linfoma em gatos deve ser definido com base no tipo histológico da neoplasia. A condução dos casos deve sempre contar com a atuação de um médico-veterinário oncologista, profissional que irá instituir o protocolo mais seguro e eficaz para o paciente acometido, conforme a gravidade, a localização e as comorbidades envolvidas.
Segundo Moore & Frimberger (2023), para o caso de linfoma de pequenas células, a combinação de clorambucil e prednisolona apresenta bons resultados e é bem tolerada. Já o linfoma de grandes células requer protocolos quimioterápicos mais intensivos, como o protocolo CHOP ou VAPC (vincristina, doxorrubicina, prednisona e ciclofosfamida).
Durante o tratamento, é imprescindível realizar o acompanhamento periódico do paciente, uma vez que os quimioterápicos podem causar diferentes efeitos colaterais, como sinais gastrointestinais (êmese/diarreia), mielossupressão e mioclonia.
A importância do manejo alimentar em felinos com linfoma gastrointestinal
O suporte nutricional é fundamental em casos de linfoma gastrointestinal em gatos, especialmente considerando o risco elevado de caquexia neoplásica. Além disso, a perda de peso pode estar correlacionada à piora do prognóstico.
Nos casos de hiporexia grave ou durante a quimioterapia, pode ser necessário que o médico-veterinário recomende o uso de dietas hipercalóricas e com alto nível proteico, como o alimento Royal Canin® Recovery, especialmente em ambiente hospitalar e em pacientes que estejam recebendo alimentação via sonda esofágica.

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Referências:
ALMEIDA, G.B. et al. Linfoma alimentar de pequenas células em felinos – relato de caso. Pubvet, v.18, n.3, 2024. Acesso em: 07 abril 2025.
IRVING, J.; DOBROMYLSKYJ, M.J.; HOLMES, E. Feline alimentary lymphoma: a guide to cytological and histopathological diagnosis for the general practitioner. UK-VET Companion Animal, v.24, n.9, 2019. Acesso em: 07 abril 2025.
KRICK, E.L., SORENMO, K.U. Uma revisão e atualização sobre o linfoma gastrointestinais nos gatos. In: LITTLE, S.E. Medicina interna de felinos. Elsevier Saunders, 2017.
MARSILIO, S. Differentiating Inflammatory Bowel Disease from Alimentary Lymphoma in Cats: Does It Matter? Veterinary Clinics of North America: Animal Practice, v.51, n.1, 2021. Acesso em: 07 abril 2025.
MASON, S.; PITTAWAY, C. Feline lymphoma: diagnosis, staging and clinical presentations. In Practice, v.44, n.1, 2022. Acesso em: 07 abril 2025.
MOORE, A.S.; FRIMBERGER, A.E. Treatment of feline intermediate to high-grade alimentary lymphoma: A retrospective evaluation of 55 cats treated with the VAPC combination chemotherapy protocol (2017–2021). Veterinary and Comparative Oncology, v.22, n.1, 2023. Aceso em: 07 abril 2025.
PAULIN, M.V. et al. Feline low-grade alimentary lymphoma: an emerging entity and a potential animal model for human disease. BMC Vet Res., v.14, n.1, 2018. Acesso em: 09 abril 2025.
SILVA, D.H.L. et al. Classificação do linfoma em gatos e sua relação com a detecção do DNA pró-viral do vírus da leucemia felina. Pesq. Vet. Bras. – Small Animal Diseases, v.42, 2022. Acesso em: 07 abril 2025.
TANAKA, T. et al. Preliminary study of CT features of intermediate- and high-grade alimentary lymphoma and adenocarcinoma in cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, v.24, n.10, 2021. Acesso em: 07 abril 2025.
WRIGHT, K.Z. et al. Feline large-cell lymphoma following previous treatment for small-cell gastrointestinal lymphoma: incidence, clinical signs, clinicopathologic data, treatment of a secondary malignancy, response and survival. Journal of Feline Medicine and Surregy, v.21, n.4, 2018. Acesso em: 07 abril 2025.
