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Cinomose canina: conheça os principais aspectos e saiba como lidar com a doença!

Cinomose canina: conheça os principais aspectos e saiba como lidar com a doença!
Atualizado em 13 de fevereiro de 2025
Tempo de leitura: 11min
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A cinomose é uma afecção viral multissistêmica grave com alta taxa de mortalidade, que pode afetar os pets, principalmente os cães. Saiba mais! 

A cinomose é uma das enfermidades infectocontagiosas mais importantes na medicina veterinária, que apresenta distribuição geográfica mundial e é considerada endêmica no Brasil (HEADLEY, GRAÇA, 2019).  

O vírus da cinomose canina é um patógeno responsável por altas taxas de mortalidade, com letalidade inferior apenas à raiva canina (APPEL; SUMMERS, 1995). 

Essa afecção de caráter multissistêmico foi relatada primeiramente em 1746, no Peru. Posteriormente, passou a ser descrita em países europeus, como na Espanha e Inglaterra em 1760, Itália e Irlanda em 1764, e Rússia em 1770 (HEADLEY et. al., 2012).  

No Brasil, não se sabe quando ocorreu o primeiro caso, entretanto, desde 1965, estudos utilizando a necropsia como método de diagnóstico confirmatório da cinomose em cães vêm sendo realizados (SILVA et. al., 2007).  

Neste artigo, vamos aprofundar os conhecimentos sobre a cinomose canina e conhecer os métodos para o controle de sua transmissão! 

O que é a cinomose? 

Cinomose é uma doença infectocontagiosa causada pelo vírus da cinomose canina (VCC), membro da família Paramyxoviridae, gênero Morbillivirus, que acomete principalmente os caninos domésticos, não apresentando preferência por sexo, idade ou raça.  

Apesar da não predileção por alguma faixa etária, pode ser observada em maior frequência em animais jovens, com idade entre 3 e 6 meses, em decorrência da queda da imunidade passiva conferida pelos anticorpos maternos e a imaturidade da própria competência imunológica do indivíduo (janela imunológica).   

A cinomose afeta apenas os cães? 

Não. O vírus da cinomose canina pode acometer diversas espécies terrestres e marinhas, englobando as famílias Canidae, Mustelidae, Hyaenidae, Ursidae, Viverridae, Cercopithecidae, Procyonidae e Tayassuidae (LUNARDI et. al., 2018). No Brasil, por exemplo, são citados seis exemplares de canídeos silvestres, entre eles o cachorro-vinagre (Speothos venaticus), o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis), o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), o graxaim-do-campo (Pseudalopex gymnocercus) e a raposa-do-campo (Pseudalopex vetulus), como possíveis hospedeiros do VCC (CUBAS et.al., 2017). 

Assim, a cinomose também pode afetar outros animais considerados pets, como ferrets, que podem ser considerados possíveis fontes de infecção, ajudando na disseminação da enfermidade. Daí a importância em instruir a criação responsável desses animais, alertando seus tutores para mantê-los em casa, já que não existe vacina desenvolvida especificamente para essa espécie. 

Vale ressaltar, ainda, a existência da denominação popular “cinomose felina”, referindo-se à panleucopenia felina, doença também viral cujo agente etiológico possui características de resistência e contágio semelhantes ao vírus da cinomose canina.  

Entendendo a transmissão da doença 

A transmissão da cinomose ocorre através do contato com amostras contaminadas com o vírus, a exemplo de aerossóis, excretas e secreções liberados por indivíduos infectados. Portanto, qualquer cão suscetível – principalmente os que vivem em grupos – que entre em contato direto com fezes, urina, exsudatos nasal e conjuntival contaminados pode contrair a afecção. 

O vírus da cinomose canina pode começar a ser excretado pelas secreções em torno do 5º dia pós infecção, período no qual, comumente, o indivíduo contaminado ainda nem começou a apresentar sinais clínicos. Contudo, a eliminação do vírus para o ambiente pode perdurar por período entre 14 e 90 dias (TABANEZ, 2019).   

Uma vez que o VCC é altamente resistente no ambiente, podendo permanecer viável por até 6 meses (APPEL, SUMMERS, 1995), os fômites contaminados (por exemplo casinhas, caminhas, cobertas, roupinhas, comedouros, bebedouros, e até mesmo o espaço físico que abrigou um animal com cinomose canina, também são importantes fontes de infecção, caracterizando um grande desafio para o controle da cinomose. 

Também pode ocorrer transmissão transplacentária, ocasionando aborto, natimortos ou resultando no nascimento de filhotes que apresentam sinais neurológicos logo nos primeiros meses de vida (TABANEZ, 2019). 

Entendendo as fases da cinomose nos cães 

Quando o vírus da cinomose canina entra em contato com o epitélio do cão suscetível, ele é fagocitado e passa a se multiplicar nos macrófagos. Dessa forma, o agente etiológico pode se disseminar para diversos órgão e tecidos, desenvolvendo uma patologia multissistêmica, que pode desencadear sinais clínicos sistêmicos incluindo manifestações oftálmicas, respiratórias, tegumentares, digestivas e neurológicas. 

Vamos detalhar as fases da cinomose e entender qual a gravidade de cada uma delas: 

  1. Fase oftálmica

O acometimento oftálmico aparece na fase aguda da cinomose, devido ao tropismo do vírus pelo epitélio conjuntival, podendo desencadear (GUIFFRIDA, 2008): 

  • ceratoconjuntivite seca;  
  • uveíte; 
  • blefaroespasmo; 
  • fotofobia; 
  • úlcera de córnea; 
  • coriorretinite. 

A conjuntivite viral pode ser agravada por infecções oportunistas de fungos e bactérias, resultando em conjuntivite purulenta bilateral. 

Quando não tratadas, as manifestações oftálmicas podem evoluir para cegueira. 

  1. Fase respiratória

A fase respiratória da cinomose, que também aparece no momento agudo, é caracterizada por tosse seca ou produtiva, presença de secreção nasal, febre, pneumonia e dificuldade respiratória. Também podem ocorrer infecções bacterianas secundárias, principalmente por Bordetella bronchiseptica 

Eguchi et.al. (2018) relatam, inclusive, um caso de pneumomediastino, pneumotórax e enfisema cutâneo associados à cinomose em um cão da raça Dachshund de 10 anos de idade (Figura 1). 

cinomose
Figura 1: Radiografias torácicas de paciente canino nas projeções laterolateral direita e ventrodorsal. A) Mediastino evidente devido à presença de ar (pneumomediastino) (seta maior) e espaço pleural delimitado por ar, diminuindo contato cardioesternal (pneumotórax) (seta menor). B) Notar campos pulmonares com padrão misto e áreas de consolidação pulmonar (setas largas). Fonte: EGUCHI et.al., 2018.

A evolução das alterações pulmonares pode ser grave, levando o animal a óbito antes do desenvolvimento de sinais clínicos gastroentéricos ou neurológicos (PANDHER et. al., 2006). 

  1. Fase tegumentar

As alterações dermatológicas podem ser vistas através de sinais clínicos como (MARIGA et al., 2022): 

  • pústulas abdominais;  
  • hiperqueratose de coxins e focinho; 
  • alopecia em região periocular; 
  • enfisema subcutâneo. 
  1. Fase digestiva

Na fase digestiva da cinomose podemos evidenciar sinais clínicos como: vômito, diarreia (eventualmente sanguinolenta), anorexia, febre, apatia e desidratação (FERREIRA, et.al., 2023)  

  1. Fase neurológica

O vírus da cinomose canina apresenta tropismo por células do sistema nervoso e pode ocasionar importante desmielinização, resultando em danos irreversíveis. Assim, na fase crônica da cinomose, podemos evidenciar manifestações neurológicas com sinais clínicos que irão variar de acordo com a localização da lesão no sistema nervoso central.  

Com isso, um animal acometido com a doença pode passar a apresentar: 

  • vocalização; 
  • convulsões focais ou generalizadas;  
  • andar compulsivo/andar em círculos; 
  • contração rítmica persistente de um ou mais grupos musculares, inclusive enquanto dorme; 
  • hiperestesia; 
  • ataxia dos membros pélvicos; 
  • paresia; 
  • tetraparesia;  
  • nistagmo; 
  • mioclonia; 
  • cabeça pêndula. 

A fase neurológica normalmente é a que apresenta maior letalidade (TABANEZ, 2019).   

Como diagnosticar a doença nos cães 

Ao se deparar com um caso cuja anamnese e exame clínico façam o médico-veterinário suspeitar de cinomose canina, o profissional deve compreender em que fase da doença o paciente se encontra para interpretar corretamente os resultados dos exames laboratoriais.  

O diagnóstico de cinomose pode ser confirmado pela identificação de corpúsculos de inclusão intracitoplasmático (Corpúsculo de Lentz) em células associadas a exsudato, em células epiteliais e em neutrófilos. O corpúsculo de Lentz caracteriza a multiplicação viral, porém, não o detectar não exclui a contaminação pelo vírus da cinomose canina. 

cinomose canina
Figura 2: Corpúsculo de Lentz. Fonte: Laboratório de Análises Clínicas Veterinárias da Universidade Guarulhos, 2018.

Já a técnica da reação em cadeia pela polimerase precedida de transcrição reversa (RT-PCR) vem sendo empregada com sucesso na detecção do vírus da cinomose canina em diferentes tipos de amostras biológicas provenientes de cães com sinais clínicos sistêmicos e neurológicos (GEBARA et.al., 2004). 

Existe tratamento para a cinomose canina? 

Não existe tratamento específico para cinomose que seja diretamente empregado para a morte do vírus. Logo, o tratamento inclui a abordagem terapêutica relacionada aos sinais clínicos e infecções secundárias, com o intuito de minimizar a mortalidade devido às alterações sistêmicas (hipovolemia, hipoglicemia, sepse etc.) e de controlar as alterações neurológicas. 

Formas de prevenção 

A vacinação é a principal forma de prevenção da cinomose. O protocolo vacinal deve ser implementado de acordo com os critérios estabelecidos pelo médico-veterinário, podendo ser iniciado a partir da sexta a oitava semana de idade do filhote. A vacinação contra o vírus da cinomose é recomendada para todos os cães. 

Além disso, o isolamento dos cães acometidos pela enfermidade e o controle populacional, evitando grandes aglomerações em abrigos e/ou canis, são importantes formas de controlar a disseminação da cinomose. 

Lembre-se, ainda, de instruir o tutor sobre os cuidados com pets exóticos não vacinados (ferrets), mantendo-os dentro de casa e evitando, assim, que sejam contaminados e se tornem uma fonte de infecção. 

Para finalizar, é crucial realizar uma cuidadosa desinfecção ambiental da casa onde um pet teve cinomose, incluindo todos os objetos a que o animal teve contato com produtos eficazes para matar o vírus, como a amônia quaternária.  

Mesmo assim, para assegurar a introdução de um novo animal não vacinado nesse ambiente, ainda é necessário esperar no mínimo 6 meses, com o objetivo de eliminar completamente o vírus da cinomose canina do ambiente. 

A Royal Canin atua há mais de 50 anos promovendo mais saúde e bem-estar aos pets! 

Há mais de cinco décadas, a Royal Canin® tem aprimorado seu comprometimento em promover saúde e bem-estar aos pets. Acreditamos firmemente que uma nutrição adequada desempenha um papel fundamental na qualidade de vida dos animais de estimação, tanto para aqueles que estão saudáveis quanto para aqueles que necessitam de cuidados especiais. 

Para um cão saudável, uma dieta balanceada desenvolvida com nutrientes de excelente qualidade, que atenda às necessidades específicas de cada fase da vida do animal, é essencial para manutenção das funções orgânicas e do bom funcionamento do sistema imunológico. 

Alguns cães acometidos pela cinomose podem se tornar convalescentes e são beneficiados pelo uso de uma dieta com proteínas de alta digestibilidade, alta densidade energética e com textura que permite uma fácil administração, como a Recovery, que auxilia no fortalecimento do sistema imunológico e no restabelecimento do paciente.  

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Referências: 

ALENCAR, C.L.M.; RANNO, I.L. Diagnóstico de cinomose canina por teste rápido no Hospital Veterinário FAG. Anais do Congresso Nacional de Medicina Veterinária FAG, v.1, n.1, 2018. Acesso em: 11 maio 2024. 

APPEL, M.J.G.; SUMMERS, B.A. Pathogenicity of morbilliviruses for terrestrial carnivores. Veterinary Microbiology, v.44, p.187-191, 1995. 

BRITO, H.F.V. et.al. Tratamento de sequelas neurológicas em cães, causadas por infecção pelo vírus da cinomose, através do transplante alogênico de células mononucleares de medula óssea. MedVep, v.8, n.24, 2010.  

CUBAS, Z.S; SILVA, J.C.R; CATÃO-DIAS, J.L. Tratado de Animais Selvagens. São Paulo: Roca, 2ª ed., 2017. 

EGUCHI, G.U. et.al. Pneumomediastino, pneumotórax e enfisema subcutâneo em cão com pneumopatia e infecção pelo vírus da cinomose: relato de caso. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.70, n.05, 2018. Acesso em: 11 maio 2024. 

FERREIRA, A.C.N. et.al. The action of distemper virus on the nervous system of dogs: Literature review. Research, Society and Development, v.12, n.13, 2023. Acesso em: 10 maio 2024. 

GEBARA, C.M.S. et.al. Lesões histológicas no sistema nervoso central de cães com encefalite e diagnóstico molecular da infecção pelo vírus da cinomose canina. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.56, n.2, 2004. Acesso em: 11 maio 2024. 

GUIFFRIDA, R. Avaliação da microbiota ocular fúngica e bacteriana de cães com conjuntivite viral por cinomose. UNOESTE, 2008. Acesso em: 14 maio 2024. 

HEADLEY, S.A. et.al. Epidemiological features and the neuropathological manifestations of canine distemper virus-induced infections in Brazil: a review. Semina: Ciências Agrárias, v.33, n.5, 2012. Acesso em: 10 maio 2024. 

HEADLEY, S.A.; GRAÇA, D.L. Canine distemper: epidemiological findings of 250 cases. Braz. J. Vet. Res. Anim., v.37, i.2, 2000. Acesso em: 10 maio 2024. 

JUCÁ, F.M.; LIMA, B.M.C.; CHAVES, R.N. Cinomose em canídeos silvestres no Brasil. Ciência Animal, v.32, n.2, 2022. Acesso em: 10 maio 2024. 

LUNARDI, M. et.al. Canine distemper virus active infection in order Pilosa, family Myrmecophagidae, species Tamandua tetradactyla. Veterinary Microbiology, v.220, n.1, 2018. Acesso em: 10 maio 2024. 

MARIGA, C. et.al. Perfil clínico de caninos positivos para cinomose. PUBVET, v.16, n.01, 2022. Acesso em: 11 maio 2024. 

PANDHER, K. et. al. Interstitial pneumonia in neonatal canine pups with evidence of canine distemper virus infection. J. Vet. Diagn. Invest., v.18, 2006. 

SILVA, M.C. et.al. Aspectos clinicopatológicos de 620 casos neurológicos de cinomose em cães. Pesquisa Veterinária Brasileira, v.27, n.5, 2007. Acesso em: 10 maio 2024. 

SOUZA, H.N. Uso da ribavirina associada ao DMSO na fase neurológica da cinomose: revisão bibliográfica. UNICEPLAC, 2021. Acesso em: 14 maio 2024. 

TABANEZ, P. Cinomose: há algo de novo? Boletim Técnico Boehringer Ingelheim, 2019. Acesso em: 14 maio 2024. 

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