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Dermatofitose em gatos e cães: saiba como diagnosticar e tratar

Dermatofitose em gatos e cães: saiba como diagnosticar e tratar
Publicado em 15 de dezembro de 2025
Tempo de leitura: 19min
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A dermatofitose é uma doença de caráter zoonótico que atinge diversas espécies de animais e os seres humanos. Saiba detectar essa infecção fúngica e orientar corretamente as medidas preventivas.

A dermatofitose em gatos e cães ganha destaque entre as enfermidades dermatológicas atendidas na rotina veterinária, caracterizando-se como uma doença contagiosa, mas não fatal. Essa enfermidade possui tratamento que, se realizado de forma correta, resulta em prognóstico favorável na grande maioria dos casos.

Neste artigo, abordaremos detalhadamente a dermatofitose em gatos e cães, incluindo informações sobre os agentes causadores, principais sinais clínicos e manejo dos pacientes, além de abordar a prevenção dessa importante enfermidade.

O que é Dermatofitose?

A dermatofitose é uma doença fúngica superficial altamente contagiosa que acomete cães e, principalmente, gatos, os quais podem atuar como importantes reservatórios devido à elevada proporção de portadores assintomáticos. Trata-se de uma zoonose relevante, com impacto tanto na saúde animal quanto humana, dada a rápida capacidade de disseminação dos fungos em ambientes com alta densidade populacional ou higiene inadequada (SOARES & SÉRVIO, 2022).

Os fungos que causam a enfermidade são considerados queratinofílicos, sendo capazes de colonizar estruturas ricas em queratina, como o estrato córneo da epiderme, os pelos e as unhas, caracterizando uma infecção superficial que se diferencia das micoses profundas, a exemplo da esporotricose e da criptococose (LOPES & DANTAS, 2016; HOBI et al., 2024).

A dermatofitose atinge apenas cães e gatos?

A dermatofitose não atinge somente de cães e gatos, ela pode também acometer outros mamíferos. Há evidências de que diferentes espécies de fungos dermatófitos, Microsporum e Trichophyton, infectam mamíferos domésticos, silvestres e humanos, com maior prevalência de M. canis em animais de companhia e de T. mentagrophytes e T. verrucosum em outros hospedeiros, como animais de produção (GUPTA et al., 2025).

Agentes causadores da dermatofitose em gatos, cães e outras espécies

Os principais agentes envolvidos em quadros de dermatofitose em gatos e cães são denominados de fungos dermatófitos. Esses dermatófitos pertencem à família Arthrodermataceae e são filamentosos, septados, hialinos, queratinofílicos e, consequentemente, queratinolíticos (LOPES & DANTAS, 2016; GUPTA et al., 2025).

Possuem em sua estrutura hifas que se reproduzem em condições favoráveis por meio da fragmentação, dando origem às estruturas artrósporos ou artroconídeos – o novo esporo formado pela desarticulação da hifa do fungo (SOARES & SÉRVIO, 2022).

Esses fungos invadem o tecido cutâneo dos hospedeiros e degradam a queratina que, por sua vez, será um nutriente essencial para o agente infeccioso (ALASGAROVA et al., 2024).

Recentemente, um estudo visando demonstrar a frequência de gêneros de dermatófitos isolados da pele de 200 gatos e cães clinicamente suspeitos de dermatofitose foi realizado em Jataí, município de Goiás, Brasil. A partir do exame de cultura fúngica desses animais, executados entre outubro de 2018 e junho de 2022, constatou-se a prevalência de 14,5% de Microsporum spp. e 1% de Tricophyton spp. (FIALHO et al., 2023).

Saiba mais sobre as principais espécies de dermatófitos envolvidos em quadros de dermatofitose em gatos e cães.

Microsporum canis

É um dermatófito zoofílico amplamente reconhecido como o agente etiológico mais frequente nos casos de dermatofitose em pequenos animais, especialmente em gatos, que atuam como importantes reservatórios e disseminadores do fungo.

Sua elevada prevalência na clínica de cães e gatos está diretamente associada à alta taxa de portadores assintomáticos entre felinos, o que facilita a manutenção e circulação do agente no ambiente doméstico (SCHILDT & PÄNKÄLÄ, 2024; SOARES & SÉRVIO, 2022).

Trichophyton mentagrophytes

Outro dermatófito zoofílico de importância veterinária e também humana, frequentemente associado a pequenos mamíferos, especialmente roedores, que atuam como reservatórios naturais.

A infecção em cães e gatos ocorre principalmente por contato direto com esses animais ou com ambientes contaminados pelos seus pelos e detritos. Essa característica ecológica justifica sua ocorrência em situações específicas, sobretudo em animais com acesso a áreas externas e locais onde há circulação de roedores (GUPTA et al., 2025).

Microsporum gypseum

Esse é um exemplo de dermatófito geofílico, ou seja, que coloniza o solo, onde o fungo se desenvolve saprofiticamente em matéria orgânica rica em queratina. A transmissão ocorre quando cães, gatos ou seres humanos entram em contato direto com solo contaminado, sendo mais comum em animais que apresentam hábitos escavadores ou que vivem em ambientes externos (LOPES & DANTAS, 2016).

Embora seja menos frequente na rotina dermatológica de pequenos animais, M. gypseum mantém importância clínica, especialmente em regiões com maior exposição a solos úmidos e áreas rurais.

Estudos epidemiológicos demonstram que a ocorrência de dermatofitose em cães e gatos pode variar conforme fatores ambientais, e a presença de espécies geofílicas está diretamente associada ao comportamento do animal e ao tipo de solo presente no ambiente (FIALHO et al., 2023).

Como ocorre a transmissão da dermatofitose?

A transmissão da dermatofitose em gatos e cães ocorre principalmente por contato direto ou indireto com o agente etiológico. A persistência dos esporos fúngicos no ambiente e sua resistência a condições adversas favorecem a disseminação da afecção, tornando-a um desafio tanto na Medicina Veterinária quanto na saúde pública (já falaremos mais sobre isso).

Entre situações que podem acarretar o contágio por contato direto, temos (SCHILDT & PÄNKÄLÄ, 2024; SOARES & SÉRVIO, 2022):

  • brigas entre animais, envolvendo arranhaduras e mordeduras;
  • lambedura e ato de se esfregar em outros animais ou seres humanos;
  • contato próximo e prolongado com animais acometidos, especialmente em ambientes de alta densidade populacional, como abrigos e canis;
  • contato com animais assintomáticos.

Já a transmissão indireta da dermatofitose canina e felina pode ocorrer através de (SOARES & SÉRVIO, 2022; LOPES & DANTAS, 2016):

  • fômites: escovas, toalhas, roupas, coleiras, móveis, caixas de transporte, entre outros objetos compartilhados;
  • ambiente contaminado: camas, tapetes, pisos, paredes e solo podem atuar como fontes de infecção, especialmente em locais pouco higienizados.

A dermatofitose em cães e gatos pode, ainda, ser assintomática e sem lesões, principalmente em felinos. No entanto, mesmo diante da ausência de sinais clínicos evidentes, o hospedeiro pode transmitir a enfermidade para outros animais ou seres humanos que, por sua vez, podem desenvolver a doença (SCHILDT & PÄNKÄLÁ, 2024).

Por favorecerem o crescimento e a proliferação dos fungos dermatófitos, fatores ambientes também podem estar envolvidos com o surgimento da dermatofitose em gatos e cães, tais como (ALASGAROVA et al., 2024):

  • regiões tropicais e subtropicais, por terem temperaturas mais elevadas, favorecendo a proliferação fúngica;
  • ambientes úmidos;
  • superpopulação de animais;
  • acesso do animal a locais infectados.

Fatores de risco e predisposição racial

Embora possa acometer diversas espécies além de gatos e cães de todas as raças e idades, existem alguns fatores que favorecem o desenvolvimento da dermatofitose, incluindo (FIALHO et al., 2023):

  • raças de pelagem longa – observa-se a afecção com maior prevalência nos cães Yorkshire Terrier e gatos Persa que em comparação com outras raças;
  • animais com comportamento agressivo e territorialista, como os que não são castrados, pois eles podem se envolver em brigas e ter contado com lesões contaminadas de outros animais;
  • pets que frequentam parques e outros locais com outros animais, justamente pelo contato com o ambiente e com outros indivíduos que podem estar contaminados;
  • animais imunossuprimidos, filhotes ou jovens com menos de 1 ano de idade e idosos correm mais riscos, devido a fragilidade do sistema imunológico.

A dermatofitose também pode afetar seres humanos?

A dermatofitose é uma zoonose importante e pode, sim, afetar seres humanos. Os dermatófitos envolvidos na dermatofitose em gatos e cães, Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes, podem produzir esporos altamente resistentes, capazes de se disseminar no ambiente. Isso faz com que indivíduos em contato próximo com animais infectados ou ambiente/objetos contaminados tenham risco significativo de contrair a enfermidade (SOARES & SÉRVIO, 2022).

Segundo SOUZA et al, (2022), cerca de 30% da dermatofitose em seres humanos é de origem zoonótica, e o Microsporum canis é o dermatófito zoofílico mais frequente nessa transmissão.

Em relação ao sentido da transmissão, animais infectados representam a principal fonte de dermatofitose para humanos, o que reforça que o caminho predominante de contaminação é do pet para o ser humano (GUPTA et al., 2025).

Potencial zoonótico da dermatofitose

Do ponto de vista clínico, a dermatofitose em humanos geralmente se manifesta como lesões circulares eritematosas, pruriginosas e descamativas, conhecidas como Tinea ou impinge, podendo ocorrer em diferentes regiões corporais.

Dermatofitose é uma zoonose que pode atingir crianças e adultos
Figura 1: Dermatofitose por M. canis em três crianças. Fonte: Messina et al., 2021.

A identificação de sinais dermatológicos em responsáveis pelos pets ou demais moradores da casa é um dado de extrema importância para o médico-veterinário, pois esses quadros podem auxiliar na triagem do caso animal, reforçando a suspeita clínica e contribuindo com a elucidação da fonte de infecção e da extensão da contaminação ambiental (SOARES & SÉRVIO, 2022).

Saiba mais sobre as principais zoonoses em cães e gatos:

Infográfico traz detalhes da dermatofitose e outras importantes zoonoses

A importância do uso de EPIs no atendimento veterinário

Nem só os responsáveis pelos pets devem ser alertados pelo risco de contaminação da dermatofitose em gatos e cães. O médico-veterinário e sua equipe devem redobrar os cuidados ao atender um paciente acometido ou diante da suspeita de enfermidade. Afinal, o contato direto com animais suspeitos ou confirmados para dermatofitose ou outras doenças zoonóticas pode resultar na transmissão do agente etiológico para os profissionais.

Por isso, a adoção de medidas de proteção individual através do uso de EPIs (avental impermeável de mangas longas, luvas descartáveis, máscara etc) reduz significativamente o risco de contaminação cruzada entre pacientes, profissionais e responsáveis, além de minimizar a disseminação do agente no ambiente clínico (SOARES & SÉRVIO, 2022; FIALHO et al., 2023).

Principais sinais clínicos de dermatofitose em gatos e cães

Ao atender um caso de dermatofitose em gatos ou em cães, o médico-veterinário pode se deparar com pacientes com sinais clínicos mais evidentes e outros nem tanto. Isso porque existe uma parcela considerável de animais acometidos por essa zoonose que é assintomática: cerca de 17 a 80% dos gatos e de 4 a 9% dos cães (SOUZA et al., 2022).

Os animais que não são assintomáticos manifestam os sinais clínicos por volta da terceira semana após a exposição ao agente patogênico, podendo apresentar (LOPES & DANTAS, 2016):

  • lesões geográficas, irregulares, localizadas ou não;
  • lesões iridiformes ou queda de pelo em “pincel”;
  • alopecia, formação de crostas e escamas (por lesões “sujas”).
  • Lesão de dermatofitose em membro anterior
Lesão de dermatofitose em membro anterior
Figura 2: Lesão em membro anterior causada por Microsporum spp. em cão. Fonte: Arquivo pessoal M.V. Maithê Mello.M.V. Maithê Mello.

Geralmente há ausência de prurido. Porém, esse sinal pode ocorrer, principalmente caso haja outra infecção concomitante ((SCHILDT & PÄNKÄLÄ, 2024).

A intensidade dessas manifestações clínicas é variável, de acordo com o agente envolvido e fatores do próprio indivíduo acometido. Também pode haver outros sinais clínicos caso existam outros agentes ou outras enfermidades concomitantes (HOBI et al., 2024; ALASGAROVA et al., 2024).

Por fim, vale destacar que Hobi et al. (2024) descreve, ainda, casos extracutâneos da enfermidade em felinos com dermatofitose nodular e pseudomicetomas associados a M. canis, indicando que a capacidade patogênica dos dermatófitos pode ser mais ampla do que apenas causar lesões superficiais em cães e gatos. Esse reconhecimento clínico contribui para a compreensão do potencial infectivo e da diversidade de manifestação em diferentes espécies.

Diagnóstico de dermatofitose em gatos e cães

Como em todas as doenças que afetam os pets, a anamnese se faz essencial para levantar o histórico do animal e direcionar a suspeita de dermatofitose em gatos e cães. Além disso, é essencial que sejam realizados o exame físico completo do paciente e exames complementares.

Já os exames específicos capazes de identificar a dermatofitose em gatos e cães são (LOPES & DANTAS, 2016; SOUZA et al, 2022):

  • microscopia direta: o exame é muito utilizado na rotina dermatológica também como forma de triagem para identificação de outros possíveis problemas de pele. A identificação microscópica de macronídeos com mais de 5 ou 6 divisões em sua estrutura indicam Microsporum canis;
  • cultura fúngica: o exame possibilita o diagnóstico da dermatofitose em gatos e cães. A amostra para análise (pelos) deve ser retirada da borda da lesão. Com o resultado positivo, espera-se que ocorra o crescimento do fungo dentro do período médio de 3 semanas.

A técnica de carpete ou teste de mackenzie podem ser aplicadas para a coleta do material para cultura fúngica (SOUZA et al., 2022).

Outro método que pode auxiliar é a lâmpada de Wood, pois com ele é possível identificar facilmente a presença de M. Canis, direcionando o médico-veterinário quanto ao local mais apropriado para a coleta do material que será analisado (mas poderá haver interferência caso tenha resíduos de substâncias com derivados de mercúrio ou iodo, álcool e éter) (LOPES & DANTAS, 2016).

Vale lembrar que a lâmpada de Wood não consegue identificar os demais agentes causadores de dermatofitose, como o M. Gypseum e T. Mentagrophytes e, portanto, não deve ser usada como método diagnóstico, apenas como auxílio (SOARES & SÉRVIO, 2022).

Teste com a lâmpada de Wood para diagnosticar dermatofitose
Figura 3: Fluorescência verde-maçã sob luz ultravioleta (lâmpada de Wood) evidenciando M. canis em um gato. Fonte: SCHILDT & PÄNKÄLÄ, 2024.

Um diagnóstico ágil e assertivo da dermatofitose canina e felina é fundamental para a implementação do tratamento correto, reduzindo o risco de transmissão zoonótica e de contaminação de outros animais.

Além disso, a diferenciação entre dermatofitose e outras dermatopatias com sinais clínicos semelhantes evita terapias inadequadas e melhora o prognóstico do paciente, como veremos a seguir.

Além da dermatofitose: quais outras doenças podem ser investigadas?

Algumas afecções podem, sim, apresentar manifestações clínicas semelhantes à dermatofitose em cães e gatos. Por isso, para se obter o diagnóstico assertivo, o médico-veterinário deve considerar outras doenças no diagnóstico diferencial, como (SCHILDT & PÄNKÄLÄ, 2024):

Como tratar dermatofitose em gatos e cães?

O tratamento para dermatofitose em gatos e cães consiste na terapia medicamentosa, podendo ser realizada a administração de antifúngicos de ação tópica, sistêmica ou a combinação de ambas, conforme a gravidade do caso (SOUZA et al., 2022).

Dessa forma, animais com sinais clínicos podem ser tratados com medicamentos sistêmicos, como o itraconazol. Já os animais assintomáticos ou fêmeas prenhes devem ser tratados com fármacos tópicos, podendo ser recomendado banhos com substâncias à base de clorexidine e miconazol 2% associados (LOPES & DANTAS, 2016; SOARES & SÉRVIO, 2022).

Para os animais de pelo longo, a tricotomia também pode ser considerada uma possibilidade, conforme avaliação do profissional (LOPES & DANTAS, 2016).

O médico-veterinário deverá avaliar o caso de forma individual e recomendar as doses e frequências mais adequadas para cada paciente. Além disso, deve-se investigar outras enfermidades concomitantes para que o tratamento seja mais eficaz (SOUZA et al., 2022).

Além das terapias convencionais, novas alternativas farmacológicas vêm sendo investigadas. Sun et al. (2025), por exemplo, destaca que o uso da licocalcona A, substância extraída de plantas utilizando solventes eutéticos profundos, demonstrou potencial atividade antifúngica promissora contra dermatófitos, podendo, futuramente, representar uma opção terapêutica complementar.

A importância da alimentação em cães e gatos com dermatofitose

Animais que apresentem sensibilidades cutâneas podem exigir uma nutrição com formulação adequada, como as linhas Royal Canin® Hair and Skin e Royal Canin® Hypoallergenic​. Embora esses alimentos não contemplem o tratamento da dermatofitose, eles auxiliam na manutenção da barreira cutânea e contribuem para algumas sensibilidades.

Hair and Skin é um alimento completo seco e balanceado para gatos adultos, recomendado para apoiar a saúde da pele e pelagem, formulado com minerais balanceados para manter ainda a saúde do trato urinário.

Já a linha Hypoallergenic é formulada com proteína hidrolisada com baixo peso molecular e fontes de carboidratos selecionada, visando auxiliar no suporte à barreira protetora natural da pele, para uma ótima saúde cutânea.

Alimentos Royal Canin que favorecem a barreira cutânea e podem ajudar animais com dermatofitose

Formas de prevenção e recomendações aos responsáveis

Já falamos sobre o quanto a dermatofitose é contagiosa e os riscos que isso pode representar para responsáveis pelos pets e profissionais da Medicina Veterinária. Diante disse, faz se ainda mais necessário pensar em prevenção.

As principais medidas preventivas para a dermatofitose em gatos e cães incluem (FIALHO et al., 2023; SOUZA et al., 2022; SCHILDT & PÄNKÄLÄ, 2024):

limpeza dos objetos do pet e do ambiente em que ele circula e vive para evitar a disseminação dos esporos e reinfecções. Os itens podem ser higienizados com água e detergente neutro, além de desinfetantes de uso pet, como aqueles à base de amônia quaternária;

  • evitar o livre acesso do pet às ruas;
  • evitar a superpopulação de animais;
  • a castração também é importante, pois pode prevenir e diminuir brigas decorrentes dos comportamentos territorialistas e, consequentemente, reduzir a transmissão de diversas doenças;
  • evitar banhos, natação e a umidade excessiva no ambiente no qual o pet vive.

Para evitar a contaminação do ser humano, é recomendado que o responsável leve o animal para consulta com o médico-veterinário caso identifique lesões de pele no pet. Consultas de rotina também são essenciais para identificar problemas de forma precoce, prevenindo a evolução de diversas patologias, incluindo a dermatofitose (SOARES & SÉRVIO, 2022; GUPTA et al., 2025).

Caso o responsável pelo pet identifique lesões em sua própria pele, ele deverá buscar um médico dermatologista e informar que o seu animal está sob tratamento para dermatofitose. Assim, o médico poderá avaliar o caso e recomendar o tratamento adequado.

Perguntas frequentes sobre a dermatofitose em cães e gatos

A dermatofitose acomete mais os gatos do que os cães?

Sim. Gatos, especialmente filhotes e animais de pelo longo, são mais afetados que cães devido à maior suscetibilidade e facilidade de disseminação, pois a maioria dos felinos são portadores assintomáticos.

Qual exame diagnostica a dermatofitose em gatos e cães?

Os principais exames incluem cultura fúngica (padrão-ouro) e teste de Mackenzie, além da lâmpada de Wood como auxílio e técnicas como fita adesiva para análise microscópica.

Quais raças de cães e gatos são mais predispostas a desenvolver dermatofitose?

Raças de pelo longo, como Persa e Yorkshire Terrier apresentam maiores chances de contrair dermatofitose.

A dermatofitose é considerada uma zoonose?

Sim. A dermatofitose é uma doença é zoonótica, podendo ser transmitida de animais para humanos, especialmente quando há contato próximo.

Como a dermatofitose é transmitida aos cães e gatos?

A transmissão da dermatofitose ocorre pelo contato direto com animais infectados ou superfícies contaminadas com esporos presentes no ambiente, objetos e materiais de uso do pet.

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Referências:

ALASGAROVA, N.; OMAROV, A.M.; NAGHIYEVA, I.N. Studying the blood virtues of animals spontaneously infected with Microsporum spp. and the scheme in the treatment of the fungal disease Microsporum spp. Annual Research & Review in Biology, v.39, n.1, 2024. Disponível em: https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=4710346. Acesso em: 2 dez. 2025.

FIALHO, A.L.S. et al. Frequência, distribuição espacial e análise de risco de dermatofitose em cães e gatos no município de Jataí, Goiás. Revista Interação Interdisciplinar, v.5, n.1, 2023. Disponível em: https://publicacoes.unifimes.edu.br/index.php/interacao/pt_BR/article/view/2835. Acesso em: 2 dez. 2025.

GUPTA, A.K. et al. Global Dermatophyte Infections Linked to Human and Animal Health: A Scoping Review. Microorganisms, v.13, n.3, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-2607/13/3/575. Acesso em: 2 dez. 2025.

HOBI, S. et al. Microsporum canis causes cutaneous and extracutaneous feline dermatophytic pseudomycetomas: molecular identification and clinicopathological characteristics. J. Fungi, v.10, n.8, 2024. Disponível em: https://www.mdpi.com/2309-608X/10/8/576. Acesso em: 2 dez. 2025.

LOPES, C.A.; DANTAS, W.M.F. Dermatofitose em cães e gatos – revisão de literatura. Anais VIII SIMPAC, v.8, n.1, 2016.

MESSINA, F. et al. Tinea capitis: aspectos clínicos y alternativas terapéuticasTinea capitis: clinical features and therapeutic alternatives. Revista Argentina de Microbiología, v.53, n.4, 2021. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0325754121000110?via%3Dihub. Acesso em: 2 dez. 2025.

SCHILDT, K.J.M.; PÄNKÄLÄ, L.E. Doenças cutâneas em filhotes felinos. Royal Canin Academy, 2024. Disponível em: https://academy.royalcanin.com/pt/veterinary/skin-diseases-in-kittens. Acesso em: 2 dez. 2025.

SOARES, S.O.C.; SÉRVIO, C.M.S. Dermatofitose em cães e gatos e sua importância na saúde pública. Rev. Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE, v.8, n.10, 2022. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/7534. Acesso em: 2 dez. 2025.

SOUZA, C.C.N. et al. Dermatofitose em cães e gatos: uma revisão e ocorrência no hospital veterinário da Universidade Federal da Amazônia. Scientific Electronic Archives, v.15, n.8, 2022. Disponível em: https://scientificelectronicarchives.org/index.php/SEA/article/view/1576. Acesso em: 2 dez. 2025.

SUN, C. et al. Efficient extraction of Licochalcone a with deep eutectic solvent: A promising drug for the treatment of dermatophytosis. Bioorganic Chemistry, v.160, 2025. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0045206825003438?via%3Dihub. Acesso em: 2 dez. 2025.

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