Diabetes em cães: principais causas, diagnóstico e tratamento do diabetes mellitus
Links rápidos:
- O que é Diabetes Mellitus?
- Possíveis causas e fatores desencadeantes de diabetes em cães
- Principais sinais clínicos de Diabetes mellitus em cães
- Diagnóstico de Diabetes em cães: quais exames solicitar e o que fazer diante de um paciente com suspeita?
- Tratamento de Diabetes em cães: estratégias e pontos essenciais
- Complicações em cães com diabetes: como identificar e conduzir os casos mais graves?
- Royal Canin® e o compromisso contínuo com a saúde e o bem-estar dos pets
Conheça as principais causas de Diabetes em cães e entenda, em detalhes, como abordar o paciente acometido e manejar o tratamento.
O Diabetes mellitus é uma endocrinopatia frequente na clínica de pequenos animais, caracterizada pela hiperglicemia persistente. Em cães, a condição tende a ser permanente e requer controle rigoroso para evitar complicações sistêmicas graves.
Um estudo realizado no Reino Unido com objetivo de detectar a frequência e os fatores de risco do Diabetes mellitus em cães atendidos em 430 clínicas evidenciou uma prevalência anual aparente de 0,26% em animais com idade acima de 3 anos.
O aumento das chances de diagnóstico da enfermidade foi associado a fatores como: idade superior a 8 anos, cadelas inteiras, cães machos castrados, raças Border Terrier e West Highland White Terrier.
Além disso, cães que receberam tratamento prévio com glicocorticoide e aqueles com condições concomitantes (obesidade, pancreatite ou hiperadrenocorticismo) também tiveram maiores chances de diagnóstico de Diabetes mellitus (HEELEY et al., 2020).
O que é Diabetes Mellitus?
O Diabetes mellitus é definido como um distúrbio metabólico caracterizado por uma hiperglicemia persistente, decorrente da produção insuficiente de insulina pelas células pancreáticas, da resistência periférica à ação desse hormônio ou de ambos os fatores.
É uma afecção autoimune, poligênica, que cursa com quadro de inflamação crônica, em que inflamação ativa, destruição tecidual e reparação por fibrose ocorrem simultaneamente, além de uma perfusão deficiente que também dificulta a cura de possíveis lesões cutâneas (MASSARI et al., 2022).
O Diabetes em cães é comumente relacionado ao Diabetes Mellitus tipo 1, caracterizado pela destruição irreversível das células β das ilhotas pancreáticas com perda progressiva da secreção de insulina e consequente dependência de insulina exógena (O’KELL, 2023).
O quadro de Diabete em cães pode ser resultado de um Diabetes Mellitus tipo 2, apesar disso de ser mais raro. Ele é caracterizado pela produção insuficiente de insulina e pela resistência insulínica periférica que podem estar associadas a outras enfermidades, como obesidade e hiperadrenocorticismo, ou pelo uso crônico de glicocorticoides.
Os cães podem ser acometidos por outro tipo de Diabetes?
Sim! O Diabetes em cães também pode ter como causa o Diabetes insípido, uma síndrome poliúrica decorrente da deficiência na produção ou na liberação do hormônio antidiurético (ADH), no caso do Diabetes insípido central, ou pela resistência renal ao ADH, como ocorre no Diabetes insípido nefrogênico (SIMÕES, 2021).
O quadro clínico, embora compartilhe sintomas iniciais com o Diabetes mellitus, como poliúria e polidipsia, não está relacionado à hiperglicemia e exige investigação laboratorial específica.
Diabetes em cães x diabetes em gatos: conheça as principais diferenças
Diferentemente do Diabetes em cães, a maioria dos gatos diabéticos apresentam o Diabetes mellitus tipo 2, pois os felinos, geralmente, desenvolvem resistência à insulina (PITA, 2024).
Assim, o diabetes em gatos pode ser reversível com controle de peso, dieta e uso de insulina de ação intermediária. Em contrapartida, em cães a destruição é geralmente irreversível, exigindo insulinoterapia vitalícia.
Possíveis causas e fatores desencadeantes de diabetes em cães
Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento de Diabetes canina, como:
- genética: raças como Poodle, Dachshund, Schnauzer, Yorkshire terrier, Bichón Frisé, Border Terrier, West Highland White Terrier apresentam predisposição (OLIVEIRA et al., 2021; HEELEY et al., 2020);
- pancreatopatias: pancreatite crônica pode levar à destruição das células β das ilhotas pancreáticas (O’KELL, 2023);
- nutrição inadequada e obesidade: contribuem para alterações metabólicas que podem favorecer a resistência insulínica;
- hormonal: o diestro prolongado e doenças endócrinas como hiperadrenocorticismo também são fatores desencadeantes (SIMÕES, 2021).
Principais sinais clínicos de Diabetes mellitus em cães
Os sinais clínicos clássicos do cachorro diabético incluem (MARELLA & DONNELLY, 2023):
- polidipsia;
- poliúria;
- polifagia;
- perda de peso.
Diagnóstico de Diabetes em cães: quais exames solicitar e o que fazer diante de um paciente com suspeita?
Após anamnese e exame físico completos, quando há suspeita de um caso de Diabetes em cães, o médico-veterinário deve solicitar exames laboratoriais como hemograma completo, bioquímica sérica, urinálise e mensuração da glicemia de jejum.
Um paciente com diabetes canina pode apresentar:
- glicemia de jejum persistente >200 mg/dl em ao menos duas aferições;
- glicosúria;
- elevação de ALT e colesterol;
- presença de cetonas na urinálise.
Testes adicionais para doenças endócrinas concomitantes (como hipotiroidismo e o hiperadrenocorticismo em cães) também podem ser indicados, mas devem ser adiados até que algum controle do Diabetes mellitus em cães seja alcançado, uma vez que a doença não controlada pode afetar os resultados dos testes (PITA, 2024).
A importância da dosagem de frutosamina nos exames de rotina do pet
A dosagem de frutosamina fornece uma estimativa média da glicemia do paciente nas últimas 2 a 3 semanas e é uma ferramenta essencial no diagnóstico de Diabetes em cães, pois valores aumentados podem comprovar uma hiperglicemia persistente.
Sendo assim, diferente da glicose sérica, que pode variar, por exemplo, por estresse, a frutosamina auxilia na diferenciação entre hiperglicemia transitória e persistente. Porém, a acurácia da frutosamina para o diagnóstico de Diabetes mellitus em cães foi de 84,4%, segundo pesquisadores (OIKONOMIDIS et al., 2023).
Por outro lado, um estudo realizado para determinar o desempenho diagnóstico da hemoglobina glicada (HbA1c) para Diabetes em cães determinou que a hemoglobina glicada teve 100% de precisão diagnóstica (OIKONOMIDIS et al., 2023).
Diagnóstico diferencial: quais outras doenças devem ser descartadas?
Quando o médico-veterinário estiver diante de um caso suspeito de Diabetes em cães, ele ainda deve considerar outras condições no diagnóstico diferencial, e dentre elas podemos citar:
- hiperadrenocorticismo;
- diabetes insipidus;
- pancreatite crônica;
- acromegalia;
- neoplasias pancreáticas;
- hiperglicemia induzida por estresse.
Tratamento de Diabetes em cães: estratégias e pontos essenciais
A distinção entre as diferentes formas de Diabetes em cães é essencial para a adoção de estratégias terapêuticas eficazes e individualizadas. No caso da Diabetes mellitus canina tipo 1, o manejo baseia-se na administração exógena de insulina, monitoramento glicêmico e suporte nutricional. (SIMÕES, 2021; GHIZZO et al., 2022).
O objetivo do tratamento do Diabetes em cães é minimizar ou cessar os sinais clínicos do paciente, assim como evitar que ocorram complicações relacionadas à enfermidade. A abordagem terapêutica exige, então, a insulinoterapia, o monitoramento glicêmico e o manejo dietético.
As insulinas disponíveis no mercado são classificadas de acordo com o início e duração da ação em insulina de curta, intermediária e longa ação.
Para o tratamento do Diabetes em cães utiliza-se insulina de ação intermediária (Caninsulin® ou NPH), na maioria dos casos a cada 12 horas e menos frequentemente a cada 24 horas. A aplicação de insulina a cada 12 horas leva a um melhor controle da glicemia ao longo do dia e reduz o risco de hipoglicemias. A dose inicial sugerida pela literatura é de 0,25 U/kg/BID (para cães com peso corpóreo superior a 10kg) a 0,5 U/kg/BID (para cães com peso corpóreo inferior a 10kg).
Da mesma forma, o manejo alimentar mais adequado consiste na administração das refeições a cada 12 horas, no mesmo horário em que são realizadas as aplicações de insulina. Veremos mais detalhes no tópico sobre o manejo nutricional do cachorro diabético.
Quanto ao controle glicêmico em casos de Diabetes em cães, o paciente será considerado saudável se não apresentar sinais clínicos, estiver em bom estado geral, com peso corporal estável e se os valores de glicemia estiverem entre 100 e 250 mg/dL na maior parte do dia.
É ideal que se faça a mensuração da glicemia em jejum, antes da aplicação da insulina (cães com bom controle apresentam glicemia de jejum de no máximo 300 mg/dL) e a mensuração da glicemia no pico (seis a oito horas após aplicação da insulina – cães com bom controle apresentam glicemia no pico de ação da insulina entre 70 e 160 mg/dL).
Manejo nutricional adequado para o cão diabético
O manejo nutricional é um componente fundamental no controle glicêmico em quadros de Diabetes em cães, visando limitar a flutuação glicêmica e minimizar a hiperglicemia pós-prandial.
Sendo assim, o médico-veterinário deve recomendar (MASSARI et al., 2022):
- uso de alimentação coadjuvante específica para paciente diabético, com altos teores de proteínas e fibras, moderados teores de energia e baixo teor de carboidrato;
- manutenção de um cronograma regular e consistente de fornecimento de alimentos, a cada 12 horas, próximo ao horário em que são realizadas as aplicações de insulina.
O alimento Diabetic Canine da Royal Canin® possui uma formulação específica para ajudar a diminuir as variações da glicemia pós-prandial dos cães diabéticos, contendo fonte de carboidratos com baixo índice glicêmico e baixo teor de carboidrato de rápida absorção.

Acompanhamento com o endocrinologista veterinário também é importante
O endocrinologista veterinário possui papel central na estabilização dos quadros de Diabetes em cães, na prevenção de crises hipoglicêmicas e nos ajustes finos na insulinoterapia. A atuação conjunta com o clínico geral favorece melhores resultados terapêuticos e evita complicações graves.
Complicações em cães com diabetes: como identificar e conduzir os casos mais graves?
Os casos de Diabetes em cães que não recebem o tratamento adequado, que apresentam falhas terapêuticas ou que tenham doenças associadas podem desenvolver certas complicações devido à hiperglicemia persistente. Logo, o Diabetes mellitus em cães possui prognóstico reservado.
Entre as principais complicações da Diabetes em cães, destacam-se:
1. Hipoglicemia severa
Hipoglicemia severa pode ocorrer em cachorros diabéticos submetidos à administração de insulina em jejum, aplicação de insulina sem aferição da glicemia ou por superdosagem acidental.
Sinais como letargia, vômito, tremores, desorientação e convulsões podem ser observados. A conduta diante de quadros de hipoglicemia inclui intervenção emergencial para administração imediata de uma infusão contínua de dextrose intravenosa e estabilização do paciente (PITA, 2024).
2. Cetoacidose diabética
A cetoacidose diabética trata-se de uma complicação aguda grave, com elevada taxa de mortalidade que pode ocorrer em casos de Diabetes em cães. A doença se caracteriza por hiperglicemia severa, cetonemia, acidose metabólica, desidratação e alterações neurológicas.
Essa condição exige internação imediata, fluidoterapia intensiva, correção eletrolítica e insulinoterapia em bomba de infusão contínua (MARELLA; DONNELLY, 2023).
3. Outras complicações
São também citadas outras complicações decorrentes do Diabetes em cães, como: uveíte, catarata, pancreatite crônica, infecções recorrentes (pele, trato urinário e cavidade oral) e hipertensão.
Neuropatia periférica, glomerulopatia, retinopatia, insuficiência pancreática exócrina, paresia gástrica e diarréia crônica são incomuns, mas também podem surgir.
Royal Canin® e o compromisso contínuo com a saúde e o bem-estar dos pets
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Referências:
GHIZZO, J.; KUSER, G.J.; GHIZZO, J.B. Diabetes insípido central em cão da raça Yorkshire terrier: Relato de caso. Pubvet, v.16, n.03, 2022. Acesso em: 21 maio 2025.
HEELEY, A.M. et al. Diabetes mellitus in dogs attending UK primary-care practices: frequency, risk factors and survival. Canine Medicine and Genetics, v.7, n.6, 2020. Acesso em: 21 maio 2025.
HULSEBOSCH, S.E. et al. Ultra-long-acting recombinant insulin for the treatment of diabetes mellitus in dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine, v.36, n.4, 2022. Acesso em: 21 maio 2025.
MARELLA, S.; DONNELLY, E. Cetoacidose diabética em cães. Vetfocus, n.32.3, 2023. Acesso em: 21 maio 2025.
MASSARI, C.H.A.L. et al. Manejo nutricional em cães diabéticos: revisão. Pubvet, v.16, n.01, 2022. Acesso em: 21 maio 2025.
OIKONOMIDIS, I.L. et al. Diagnostic performance of glycated haemoglobin (HbA1c) for diabetes mellitus in dogs. The Veterinary Journal, v.294, 2023. Acesso em: 21 maio 2025.
O’KELL, A.L. Etiology and Pathophysiology of Diabetes Mellitus in Dogs. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v.53, n.3, 2023. Acesso em: 21 maio 2025.
OLIVEIRA, N.M.C. et al. Estudo multicêntrico retrospectivo de diabetes mellitus em cães de Manaus, Amazonas (2016-2018). Brazilian Journal of Development, v.7, n.1, 2021. Acesso em: 21 maio 2025.
PITA, M.T.C.O.S. Clínica e cirurgia de animais de companhia: revisão comparada da Diabetes Mellitus no cão e no gato. Universidade de Évora, 2024. Acesso em: 21 maio 2025.
SIMÕES, A.I.A. Abordagem clínica à Diabetes insipidus em cães e gatos. Escola Universitária Vasco da Gama, 2021.
