Calicivirose Felina: como o calicivírus afeta os gatos e como conduzir os casos
Links rápidos:
- O que é a Calicivirose Felina?
- Principais sinais clínicos de Calicivirose em gatos
- Calicivirose felina (FCV): exames necessários para o diagnóstico da doença
- Tratamento da Calicivirose em Felinos
- Formas de prevenção e o papel do médico veterinário nas recomendações de manejo do pet
- A ROYAL CANIN® atua há mais de 50 anos promovendo saúde e bem-estar aos pets!
A Calicivirose Felina pode impactar consideravelmente a saúde dos gatos. Saiba como abordar um caso suspeito e como agir quanto à prevenção da doença!
A Calicivirose Felina é uma doença viral contagiosa de distribuição mundial, que afeta principalmente o trato respiratório e a cavidade oral dos gatos. É causada pelo Calicivírus felino, um vírus RNA que apresenta alta mutabilidade, característica que ajuda na persistência da enfermidade dentro de populações de gatos (WEI et al., 2024).
Essa diversidade genética viral faz com que possam ser observadas manifestações clínicas variadas, que vão desde assintomáticas e leves até formas mais graves, que são incomuns, mas podem, inclusive, ser fatais. Assim, torna-se essencial a abordagem médico-veterinária para o diagnóstico preciso e o manejo terapêutico adequado do paciente. Também é papel do médico-veterinário ajudar a evitar a disseminação do vírus.
O que é a Calicivirose Felina?
A Calicivirose Felina (FCV) é uma infecção causada pelo Calicivírus felino, pertencente à família Caliciviridae. O Calicivírus felino é um vírus não envelopado, de RNA de fita simples, caracterizado por sua elevada variabilidade genética. A alta capacidade de mutação do vírus favorece a emergência de novas cepas com diferentes graus de patogenicidade.
A transmissão da Calicivirose Felina ocorre principalmente por contato direto com secreções oronasais de gatos infectados, embora a transmissão indireta por fômites também seja possível devido à resistência ambiental do patógeno.
Assim, a infecção viral pode causar quadros diversos. Há casos assintomáticos, quadros brandos de infecções respiratórias superiores e lesões orais. Mas a afecção também pode ocorrer de forma sistêmica severa. Nesse caso, é conhecida como Calicivirose Virulenta Sistêmica, que costuma ser rara, mas de alta letalidade (BECKER et al., 2020).
Fatores de risco
Diversos fatores de risco podem predispor os gatos à infecção pelo Calicivírus felino. Sendo assim, os pacientes que apresentam maior suscetibilidade à Calicivirose Felina são:
- filhotes;
- animais imunocomprometidos;
- gatos não vacinados;
- pacientes inseridos em ambientes com alta densidade populacional;
- animais expostos a fatores estressantes que podem comprometer o sistema imunológico.
Principais sinais clínicos de Calicivirose em gatos
A apresentação clínica da Calicivirose Felina é variável e depende da cepa viral envolvida e da resposta imunológica do hospedeiro. O paciente pode ser assintomático ou comumente apresentar sinais clínicos como:
- ulcerações orais: lesões ulcerativas na língua, palato, gengivas e lábios, frequentemente dolorosas, levando à sialorreia e dificuldade para se alimentar;
- sintomas respiratórios: espirros, secreção nasal serosa ou mucopurulenta e congestão nasal;
- conjuntivite: inflamação conjuntival com secreção ocular;
- febre e letargia: indicativos de resposta inflamatória sistêmica;
- claudicação transitória: artrite aguda que causa dor pode ser observada em alguns casos;
- pneumonia: em infecções mais severas, especialmente em filhotes ou animais imunossuprimidos, pode ocorrer comprometimento pulmonar.


Prognóstico e possíveis complicações
Na maioria dos casos, a Calicivirose Felina apresenta bom prognóstico, com recuperação espontânea em cerca de duas a três semanas. No entanto, casos graves podem levar a pneumonia e ulcerações extensas (BECKER et al., 2020).
Assim como dito anteriormente, algumas cepas mais virulentas do Calicivírus felino podem causar a Calicivirose Virulenta Sistêmica, caracterizada por edema facial e nas extremidades, icterícia, dermatite ulcerativa e alta taxa de mortalidade.
Vale ressaltar que os gatos que se recuperam do quadro clínico de Calicivirose podem se tornar portadores crônicos, excretando o vírus de forma intermitente e servindo como fonte de infecção para outros felinos.
Calicivirose felina (FCV): exames necessários para o diagnóstico da doença
Para o diagnóstico definitivo da Calicivirose Felina, o médico-veterinário deve fazer uma combinação entre anamnese, sinais clínicos e exames laboratoriais específicos.
Para isso, os principais métodos diagnósticos laboratoriais incluem (HOFMANN-LEHMANN et al., 2022):
- reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa (RT-PCR): detecta o RNA viral em amostras de swab orofaríngeo, nasal ou conjuntival, sendo altamente sensível e específico;
- isolamento viral em cultura celular: detecta o Calicivírus felino em amostras de swab orofaríngeo, nasal ou conjuntival. Embora seja um método preciso, requer infraestrutura laboratorial especializada, transporte adequado do material e tempo prolongado para obtenção dos resultados;
- sorologia: detecta anticorpos específicos em amostra sanguínea. Pode auxiliar no diagnóstico, porém não distingue entre infecção ativa e exposição prévia ou vacinação.
Diagnóstico diferencial: quais outras doenças devem ser descartadas?
Ao atender um gato com suspeita de Calicivirose felina, o médico-veterinário deve considerar outras doenças no diagnóstico diferencial dessa afecção, dada a semelhança dos sinais clínicos. São elas:
- Rinotraqueíte;
- Clamidiose;
- Bordetelose;
- Micoplasmose;
- entre outras.
A diferença entre o calicivírus felino (FCV) e o herpesvírus felino -1 (HVF-1)
Tanto o Calicivírus felino (FCV) quanto o Herpesvírus felino-1 (HVF-1) podem acometer o sistema respiratório dos gatos. Porém, esses agentes patogênicos apresentam diferenças notáveis na morfologia, latência e reativação viral, assim como nos sinais clínicos por eles causados.
Como já mencionamos, o Calicivírus felino é um vírus de RNA não envelopado, frequentemente responsável por lesões orais, como ulcerações. Também pode causar claudicação e quadros respiratórios mais leves.
A infecção por esse vírus tende a gerar portadores crônicos, que podem continuar a excretá-lo de forma contínua ou intermitente, mesmo sem apresentar sinais clínicos evidentes. Isso torna o controle da disseminação do FCV mais desafiador, uma vez que gatos aparentemente saudáveis podem ainda ser fontes de infecção.
Em contrapartida, o HVF-1 é um vírus de DNA envelopado, possuindo uma camada lipídica que confere maior resistência. Está mais associado a manifestações clínicas como conjuntivite severa, ceratite ulcerativa e sintomas respiratórios superiores intensos.
O Herpesvírus felino-1ainda possui a característica marcante de permanecer latente nos gânglios nervosos do gato após a infecção inicial, podendo se reativar durante períodos de estresse, como mudanças no ambiente, viagens ou outros fatores.
Tratamento da Calicivirose em Felinos
Não existe um antiviral específico aprovado para o tratamento da Calicivirose Felina. Portanto, a abordagem terapêutica é principalmente de suporte e visa aliviar os sinais clínicos, prevenir infecções secundárias e manter o bem-estar do animal.
Assim, é importante que o médico-veterinário monitore o paciente acometido, fazendo a manutenção da hidratação e reposição de eletrólitos por meio de fluidoterapia, especialmente em casos de anorexia ou desidratação. A detecção de infecções oportunistas deve ser tratada com antibioticoterapia.
Pode, ainda, ser necessário a implementação de medicamentos para o controle da dor e da inflamação associadas às ulcerações orais. Além disso, o profissional pode instituir uma alimentação úmida/pastosa, altamente palatável, para promover o suporte nutricional, ajudando o paciente a restabelecer a ingestão adequada de nutrientes.
Formas de prevenção e o papel do médico veterinário nas recomendações de manejo do pet
Existem diversas medidas preventivas para a Calicivirose Felina que são essenciais para minimizar a disseminação do agente etiológico, contribuindo para a saúde do paciente.
Falaremos, a seguir, sobre as principais.
1. Vacinação
A vacinação múltipla felina através da vacina quádrupla (V4) é a principal forma de prevenção da Calicivirose Felina, proporcionando proteção abrangente contra o Calicivírus felino. Também protege contra Herpesvírus felino tipo 1, Panleucopenia felina e Clamidiose (WEI et al., 2024).
O protocolo vacinal deve ser personalizado pelo médico-veterinário de acordo com a idade, o estilo de vida e o risco epidemiológico de cada gato, orientando a quantidade de doses necessárias e os intervalos ideais para manter o paciente protegido ao longo da vida.
2. Controle populacional
A superpopulação de ambientes facilita a disseminação do Calicivírus felino, aumentando o risco de surtos.
Portanto, medidas de manejo sanitário adequado, como evitar a superlotação de felinos em um mesmo ambiente, é fundamental para reduzir a propagação do vírus e melhorar a saúde coletiva dos felinos (CADETIO; VARZIM, 2023).
3. Quarentena para novos animais
A quarentena para novos gatos é outra medida essencial para prevenir a disseminação da Calicivirose Felina e de outras doenças infecciosas, como FIV e FeLV.
Antes da introdução ao grupo, os animais devem passar por um período de observação, além de serem submetidos a exame clínico e exames laboratoriais para garantir que não sejam portadores assintomáticos de agentes infecciosos (HOFMANN-LEHMANN et al., 2022).
4. Redução de fatores estressantes
O estresse crônico impacta negativamente o sistema imunológico dos gatos, elevando sua susceptibilidade a infecções, incluindo a Calicivirose Felina.
Logo, instruir aos tutores a adoção de estratégias como o enriquecimento ambiental, a manutenção de uma rotina previsível e a redução de fatores estressores no ambiente são essenciais para promover saúde e qualidade de vida aos felinos.
5. Manejo nutricional
Uma alimentação balanceada, composta por nutrientes essenciais e de alta qualidade, é fundamental para fortalecer o sistema imunológico dos felinos, auxiliando na resistência a infecções e na recuperação de doenças.
A ROYAL CANIN® atua há mais de 50 anos promovendo saúde e bem-estar aos pets!
A ROYAL CANIN® é uma empresa referência no mercado de nutrição animal, cujo objetivo é promover saúde e bem-estar aos pets. Nosso compromisso é desenvolver alimentos que atendam às necessidades específicas de cada espécie e condição de saúde.
Os pacientes acometidos por Calicivirose Felina podem apresentar lesões ulcerativas orais, que são extremamente dolorosas e podem comprometer a ingestão de alimentos, afetando também o estado nutricional do paciente.
Para esses casos, o médico-veterinário pode orientar o uso dos nossos alimentos úmidos especialmente desenvolvidos para gatos, auxiliando na manutenção de uma nutrição adequada até a recuperação do quadro clínico.*

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* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.
Referências:
BECKER, A.S. Calicivirose. LABVIR UFPEL. Acesso em: 26 fev. 2025.
BECKER, A.S. et al. Calicivirose sistêmica: uma enfermidade emergente associada ao Calicivírus felino. Science and Animal Health, v.8, n.1, 2020. Acesso em: 24 fev. 2025.
CADETIO, G.; VARZIM, F.L.S.B. Complexo respiratório felino e principais agentes infecciosos: revisão bibliográfica. UNIFEOB, 2023. Acesso em: 24 fev. 2025.
FRIEDRICH, D.S. Caracterização clínica e epidemiológica do Calicivírus felino, região metropolitana do Rio Grande do Sul. Universidade FEEVALE, 2021. Acesso em: 24 fev. 2025.
HOFMANN-LEHMANN, R. et al. Calicivirus infection in cats. Viruses, v.14, n.5, 2022. Acesso em: 24 fev. 2025.
KULENKOVA, J.V. et al. A comparative study of the effectiveness of regimens for the treatment of Calicivirus infection in cats – a comparative study. Veterinary Practitioner, v.21, n.1, 2020. Acesso em: 24 fev. 2025.
RIZELO, P. Alimentos Úmidos para Gatos: Palatabilidade e Preferências individuais. Royal Canin.
WEI, Y. et al. Update on feline Calicivirus: viral evolution, pathogenesis, epidemiology, prevention and control. Front. Microbiol., v.15, 2024. Acesso em: 24 fev. 2025.
