Deficiências nutricionais podem estar associadas à cardiomiopatia dilatada em cães?

Deficiências nutricionais podem estar associadas à cardiomiopatia dilatada em cães?

Alguns estudos apontam que a deficiência de determinados nutrientes pode ser fator predisponente à cardiomiopatia dilatada em cães; saiba mais sobre a relação da alimentação e essa enfermidade

Diversas suspeitas acerca de enfermidades cardíacas e tipo de alimento consumido estão em ascensão nos últimos anos. Pesquisadores procuram, por exemplo, se há uma associação entre a alimentação e a cardiomiopatia dilatada canina (CMD).

Alguns cardiologistas veterinários começaram a suspeitar que a disfunção sistólica ventricular que observavam em alguns de seus pacientes caninos estava relacionada à dieta e devido a dois fatores principais:

1. Uma avaliação subjetiva de que um maior número de cães de raças que normalmente não desenvolvem CMD estavam sendo diagnosticados com essa condição, e muitos deles consumiam alimentos com ingredientes semelhantes.

2. Muitos dos cães acometidos apresentaram melhora ou resolução da CMD quando a terapia farmacológica foi associada a uma mudança na dieta.

Essas observações incitaram os esforços em pesquisa para auxiliar na elucidação da relação potencial entre nutrição e DMC. Entre as hipóteses mais citadas estão as que envolvem alimentos com baixos teores de taurina e de aminoácidos essenciais e/ou dietas livres de grãos e ricas em leguminosas sem o balanceamento correto de nutrientes.

Deficiência de taurina

Kaplan e colaboradores (2018) avaliaram 24 cães da raça Golden Retriever e observaram uma associação estatisticamente significativa entre uma baixa concentração de taurina e a dieta que estava sendo consumida por 15 dos 24 animais participantes da pesquisa. Além disso, eles relataram que 23 dos 24 cães com diagnóstico de deficiência de taurina e CMD foram alimentados com dietas sem grãos, ricas em leguminosas ou uma combinação desses dois fatores.

Com isso, os autores concluíram que certos alimentos e características da dieta foram associados ao desenvolvimento de deficiência de taurina. Eles também observaram que tal deficiência e a cardiomiopatia dilatada em Golden Retrievers são provavelmente multifatoriais, incluindo uma associação de fatores dietéticos, metabólicos e genéticos.

Portanto, o fornecimento de um alimento completo e balanceado, que atenda às necessidades nutricionais particulares dos Golden Retrievers, principalmente em relação ao requerimento de taurina, é fundamental para auxiliar na manutenção da saúde desses cães.

Dietas livres de grãos e a relação com a cardiomiopatia dilatada

Recentemente, uma correlação entre dietas com características específicas (tais como contendo leguminosas, sem grãos, novas fontes de proteína e ingredientes), e cães com CMD foi avaliada por pesquisadores acadêmicos e pelo Food and Drug Administration (FDA).

Um estudo retrospectivo realizado em 2019 por Adin e colaboradores demonstrou a ocorrência da CMD associada com algumas dietas livres de grãos. Os autores também relataram que o manejo nutricional incluindo a mudança da dieta pode melhorar a condição.

Contudo, no momento, as informações distribuídas à comunidade veterinária e ao público em geral são sinopses abreviadas de estudos de caso, com múltiplas variáveis ​​e tratamentos, informações médicas incompletas e dados médicos conflitantes, além de opiniões de influenciadores da nutrição veterinária. Portanto, é impossível tirar conclusões definitivas, nesses casos, vinculando dietas ou ingredientes específicos à CMD.

Alimentação rica em leguminosas

Em julho de 2018, o FDA alertou sobre uma possível relação entre a CMD em cães e o consumo de alimento industrializado formulado com batatas e outras leguminosas. Isso porque alguns animais que apresentavam CMD eram alimentados com dietas ricas em leguminosas e tinham baixos níveis séricos de taurina.

Quando legumes ou outros ingredientes são fornecidos em excesso, a dieta pode se tornar desequilibrada. Se o formulador de alimentos para animais de estimação não levar em consideração o desequilíbrio potencial ajustando o tipo e/ou a quantidade de outros nutrientes na dieta, pode ocorrer uma deficiência de um ou mais nutrientes.

Apesar disso, até o momento, a relação entre dietas ricas em leguminosas e a predisposição à CMD permanece incerta. Essa é apenas uma das hipóteses que pode estar relacionada ao alerta recebido pela FDA (para saber mais, acesse o artigo da FDA que sobre a relação de certas dietas com a cardiomiopatia dilatada em cães).

Como conclusão, vale ressaltar que a CMD é uma condição médica multifatorial com muitas etiologias comprovadas e causas potenciais que contribuem para o desenvolvimento da doença. Portanto, estudos prospectivos investigando não apenas a dieta, mas também infecções, metabolismo e envolvimento genético, devem ser realizados.

Alimentos ROYAL CANIN®

O perfil nutricional do alimento oferecido deve atender às necessidades dietéticas relacionadas a espécie, raça, idade e condições fisiológicas. Sendo assim, ao desenvolver um alimento, a ROYAL CANIN® tem como base as pesquisas científicas mais recentes e os guias nutricionais mundialmente recomendados como FEDIAF e NRC.

Sabe-se que para atingir a variedade de nutrientes essenciais para cães a fórmula do alimento deve envolver diversos ingredientes de maneira equilibrada. Isso porque cada um deles fornece uma quantidade e tipo de nutriente diferente ao cão.

Por exemplo, garantir as concentrações apropriadas de todos os aminoácidos, incluindo metionina e cisteína, é crucial para assegurar a síntese endógena adequada de taurina e atender às demandas metabólicas dos cães. Para isso, o alimento deve conter o perfil de aminoácidos completo e em níveis adequados para a espécie.

Sendo assim, a ROYAL CANIN®, marca com alimentos coadjuvantes mais recomendados por médicos-veterinários em 2019, desenvolveu alimentos formulados com diversos ingredientes que, juntos, fornecerão ao cão o perfil nutricional adequado. Saiba mais sobre a linha completa de alimentos da ROYAL CANIN®.

Referências bibliográficas

Adin D, DeFrancesco TC, Keene B, et al. Echocardiographic phenotype of canine dilated cardiomyopathy differs based on diet type. J Vet Cardiol. 2019 Feb;21:1-9. doi: 10.1016/j.jvc.2018.11.002.

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