Calculadora para Recomendação Nutricional

e cálculo de alimento de acordo com o quadro específico do seu paciente.

Conhecer

Calculadora para Recomendação Nutricional
e cálculo de alimento de acordo com o quadro específico do seu paciente.

Conhecer

Adequação de alimento gastrointestinal em gato com enteropatia crônica

Adequação de alimento gastrointestinal em gato com enteropatia crônica
Atualizado em 14 de maio de 2026
Tempo de leitura: 20min
×

Links rápidos:

Adequação de alimento gastrointestinal em gato com enteropatia crônica

Distúrbios gastrointestinais crônicos, como diarreia e êmese recorrentes, representam um desafio constante na clínica de felinos, impactando diretamente a qualidade de vida do paciente e a rotina do tutor. 

Neste artigo, apresentamos o relato do caso de Zezé, uma gata de 8 anos com histórico crônico de diarreia e êmese. Acompanhe a evolução clínica após a introdução da linha ROYAL CANIN® Gastrointestinal Hydrolysed Protein, e os resultados obtidos ao longo do acompanhamento nutricional.

Sobre os autores:

Ana Rita Carvalho Pereira | Médica-veterinária, MSc, em Ciências e Especializada em Gastroenterologia Veterinária

Graduada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em 2010, com residência em Clínica Médica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Botucatu) entre 2010 e 2012. Possui pós-graduação em Gastroenterologia pela Anclivepa-SP e mestrado em Ciências pelo Departamento de Clínica Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ/USP), concluído em 2024.

É sócia da Gastrovet-SP, coordenadora da Pós-graduação em Gastroenterologia do IEP Ranvier – SP, membro da Comparative Gastroenterology Society (CGS) desde 2019 e certificada pelo Feline VMA como Cat Friendly Veterinarian Advocate. Atua com foco em gastroenterologia veterinária, ensino e consultoria.

Fabio Alves Teixeira | Médico-veterinário, MSc, PhD, Especialista em Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos

Graduado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ/USP), com mestrado, doutorado e pós-doutorado pela mesma instituição. Concluiu residência em Nutrição e Nutrição Clínica de Cães e Gatos pela FCAV/UNESP – Jaboticabal e é titulado especialista em Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal.

Atua como professor orientador do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Clínica Veterinária da FMVZ/USP, coordenador do curso de Pós-graduação Lato Sensu em Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos da Anclivepa-SP, presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal, e membro fundador da NutricareVet.

É criador do software DietLab para formulações alimentares, diretor científico do laboratório Stonewell – Análises Gastrointestinais, responsável por atendimentos nutricionais em instituições veterinárias no Brasil e consultor na área de Pet Food.

Erika Figueiredo Pereira  | Médica-Veterinária, MSc, Especializada em Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos

Graduada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência em Clínica Médica de Cães e Gatos pela mesma instituição. Possui pós-graduação em Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos pela Anclivepa-SP e mestre em Ciências pelo Programa de Clínica Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ/USP).

Atua na área de nutrologia de pequenos animais, participando de atividades acadêmicas e de pesquisa.

 

 

Introdução 

A enteropatia crônica (EC) em felinos é uma condição com casuística crescente nas últimas duas décadas, e é mais frequentemente observada em gatos de meia idade a idosos (Marsilio et al., 2023). Essa doença é caracterizada por episódios de êmese, diarreia, apatia, hiporexia e perda de peso que duram mais de três semanas, após terem sido descartadas todas as possíveis causas extraintestinais, como doença renal crônica, hipertireoidismo, insuficiência pancreática exócrina e pancreatite, além de causas intestinais como quadros infecciosos, parasitários e neoplásicos (Miller et al., 2023). A EC pode ser classificada em responsiva a dieta, responsiva a imunossupressores e não responsiva (Marsilio et al., 2023; Miller et al., 2023). Cerca de 30 a 50% dos gatos com EC apresentam uma resposta favorável à intervenção dietética, com resolução completa das manifestações clínicas apenas com a mudança alimentar, sem uso de medicações (Bandara et al., 2023; Guilford et al., 2001). Portanto, o manejo nutricional se destaca como estratégia inicial e essencial para a triagem e tratamento de gatos com EC.

Revisão de literatura 

Atualmente na Medicina Veterinária o termo “doença inflamatória intestinal” (DII) foi substituído por EC (Dandrieux, 2016; Marsilio et al., 2023). O termo DII é utilizado na medicina humana para descrever enfermidades, como doença de Crohn e colite ulcerativa, que apresentam diferenças em relação à EC em cães e gatos, especialmente quanto ao prognóstico e tratamento. Enquanto humanos frequentemente necessitam de imunossupressores e intervenções cirúrgicas devido à gravidade da doença, cães e gatos, em sua maioria, respondem positivamente ao tratamento dietético, sem a necessidade de medicação ou cirurgias (Dandrieux, 2016; Kathrani et al., 2023).

Diferentemente dos cães, a manifestação clínica mais comum da EC em gatos não é a diarreia, mas a êmese crônica (Marsilio et al., 2023). A gravidade da doença pode variar entre os felinos. Alguns quadros podem evoluir para formas fatais, especialmente em situações de desidratação grave, sendo concentrações de albumina abaixo de 2 mg/L um indicativo de pior prognóstico (Jergens et al., 2012). 

Em felinos, a diferenciação entre EC e linfoma de pequenas células é um desafio diagnóstico, uma vez que ambas as condições apresentam manifestações clínicas semelhantes, e o linfoma é uma progressão da EC nestes pacientes. Achados no exame físico, exames laboratoriais, de imagem e até algumas características histopatológicas são comuns entre as duas doenças. Por exemplo, o aumento de linfonodos mesentéricos pode ser observado em ambas as condições. Outras manifestações, como líquido livre abdominal, perda de estratificação da parede intestinal na ultrassonografia, e peritonite também são comuns em ambos os casos, sendo possível diferenciá-los somente por histopatologia, e muitas vezes associada a outras técnicas diagnósticas como imunohistoquímica e testes de clonalidade. Além disso, o mesmo paciente pode apresentar linfoma e EC em segmentos diferentes (Marsilio et al., 2023). 

No entanto, o primeiro passo do diagnóstico é realizar a adequada triagem, descartando todas as possíveis causas extraintestinais e intestinais, por meio de exames laboratoriais, como hemograma, bioquímicas sérica [albumina, ureia, gama glutamil transferase (GGT), aspartato aminotransferase (AST), fosfatase alcalina (FA), alanina aminotransferase (ALT)], exames hormonais (dosagem de T4 total, para diferencial de hipertireoidismo), coproparasitológicos, além de exames de imagem, como ultrassonografia abdominal (Allenspach et al., 2007; Dandrieux, 2016). Para a avaliação da gravidade da doença em felinos com EC é calculado o índice de atividade da enteropatia crônica felina (FCEAI; Quadro 1), que permite a avaliação adequada da doença antes e após tratamento (Jergens et al., 2010). 

Posteriormente, a triagem alimentar deve ser realizada, a fim de diagnosticar a enteropatia crônica responsiva à dieta, a qual apresenta casuística de até 50% dos gatos com EC (Guilford et al., 2023).

 

Quadro 1 – Variáveis independentes utilizadas no cálculo do índice de atividade da enteropatia crônica felina.

Fonte: Jergens et al. (2010).

 

O manejo nutricional da EC em felinos envolve o uso de alimentos coadjuvantes hipoalergênicos (Guilford et al., 2001; Mandigers; Biourge; German, 2010a) ou gastrointestinais (Laflamme; Xu; Long, 2011; Laflamme et al., 2012; Perea et al., 2017). Estudos demonstraram que alimentos coadjuvantes gastrointestinais reduziram as manifestações clínicas em quadros de EC em gatos, por melhorar a digestibilidade e fornecer prebióticos (Laflamme et al., 2012; Perea et al., 2017). Alimentos com alta digestibilidade proporcionam digestão e absorção mais eficiente dos nutrientes (Case et al., 2011), e a inclusão de prebióticos auxilia na modulação da microbiota intestinal (Barry et al., 2010; Barry et al., 2011; Kanakupt et al., 2011; Santos et. al. 2018). 

Já os alimentos hipoalergênicos também são indicados para pacientes com EC, como forma de triagem para enteropatia responsiva a dieta (ERD) (Makielski et al., 2019). Eles podem ser à base de proteína inédita ou hidrolisada. Os alimentos hipoalergênicos à base de proteína hidrolisada têm se mostrado eficazes no manejo da EC em gatos (Mandigers; Biourge; German, 2010a; Waly, et al., 2010). A principal característica do alimento hipoalergênico de proteína hidrolisada é a utilização de uma única fonte proteica de pequenos polipeptídeos obtidos por hidrólise, com objetivo de impedir o reconhecimento imunológico nos pacientes já sensibilizados à proteína intacta (Cave, 2006).

A triagem alimentar também pode ser realizada utilizando uma única fonte de proteína inédita. No entanto, selecionar uma proteína inédita, ou seja, com a qual o animal nunca tenha tido contato é difícil, pois os responsáveis pelos pets frequentemente oferecem ampla variedade de alimentos comerciais, petiscos e alimentos destinados para consumo humano. Além disso, há a possibilidade de reatividade cruzada entre as proteínas alergênicas (Jackson; Dembele, 2024). Estudos que analisaram alimentos comerciais, propostos como fontes de proteínas inéditas, identificaram ingredientes não declarados no rótulo em 33% a 83% dessas dietas. Em contrapartida, os alimentos hidrolisados analisados não apresentaram contaminantes alimentares (Olivry; Mueller, 2018). Por isso, alimentos comerciais de proteína inédita não são recomendados para a fase diagnóstica.

O tratamento da EC felina envolve uma abordagem multimodal, com o manejo nutricional sendo um dos pilares principais (Guilford et al., 2001). Gatos com ERD apresentam melhora em curto período após a mudança alimentar, em torno de duas semanas, embora a resposta completa possa levar até 8 semanas (Laflamme et al., 2012; Perea et al., 2017; Mandigers; Biourge; German, 2010a; Waly, et al., 2010). No entanto, em casos nos quais a EC não é responsiva ao tratamento nutricional, pode ser necessário o uso de medicamentos imunossupressores para controle do quadro (Jergens, 2012). Além disso, a suplementação de cobalamina, pode ser indicada se houver redução da sua concentração sérica (Simpson et al., 2011). O transplante fecal também tem se mostrado uma opção terapêutica promissora, auxiliando em casos não responsivos (Winston et al., 2024). O tratamento das EC em felinos deve ser individualizado, levando em consideração a resposta do paciente e a gravidade da condição.

Esse trabalho tem como objetivo relatar uma paciente felina que, apesar de estar consumindo alimento coadjuvante gastrointestinal, apenas apresentou melhora completa do quadro após prescrição nutricional mais adequada para seu caso clínico.

Relato de caso 

Um paciente felino, fêmea, sem raça definida, pelo curto, castrada, de 8 anos de idade e 3 kg, foi atendido em um hospital particular na cidade de São Paulo, com quadro crônico de diarreia e êmese há pelo menos dois anos. As fezes continham muco, sem sangue, com escore fecal 3,5/5 (Imagem 1) (Moxham, 2001), ocorrendo de forma intermitente, intercalada com momentos de constipação. Em relação a êmese, ocorria com e sem a presença de bola de pelo, uma a três vezes por semana. O FCEAI no primeiro atendimento foi 4. 

 

Imagem 1: Sistema de Escore Fecal para Gatos

Fonte: Royal Canin

 

A paciente possui um contactante, felino, fêmea, castrada, de 9 anos de idade. Ambos os animais apresentavam resultados sorológicos negativos para leucemia e imunodeficiência felina. A dieta de ambos já consistia em um alimento coadjuvante seco extrusado comercial (Royal Canin Gastrointestinal Fibre Response Feline; tabela 1), prescrito anteriormente para tratamento da diarreia crônica. A resposta ao alimento foi parcial, com melhora do escore fecal para 3/5. Além do alimento seco extrusado eram oferecidos atum em lata, pelo menos uma vez ao dia, alimento comercial úmido de pedaços ao molho sabor frango, e petiscos para gatos de diversas marcas em livre demanda. 

Ao exame físico, paciente apresentava parâmetros dentro da normalidade, escore de massa muscular 3/3 (Imagem 2) (Michel et al., 2011) e escore de condição corporal 5/9 (Imagem 3) (Laflamme, 1997). As avaliações laboratoriais incluíram hemograma e bioquímica sérica (albumina, ureia, GGT, AST, FA e ALT) dentro da referência do laboratório. A creatinina apresentou valor acima do superior de normalidade (2,10 mg/dL; referência 0,60 a 1,60 mg/dL). Foi descartado hipertireoidismo, com dosagem de T4 total 2,89μg/dL (referência 1,2 a 4 μg/dL). Na ultrassonografia abdominal não foram evidenciados espessamentos das paredes do trato gastrointestinal ou alterações nos demais órgãos abdominais. 

 

Imagem 2: Escore de Massa Muscular

Fonte: WSAVA. Diretrizes para a Avaliação Nutricional. 2010

 

Imagem 3: Escore de Condição Corporal de Gatos

Fonte: Royal Canin

Foi prescrito alimento seco extrusado gastrointestinal com proteína hidrolisada (Royal Canin Gastrointestinal Hydrolysed Protein), por 6 semanas, para ambos os animais, com a suspensão de todos os extras alimentares. No retorno, após 45 dias, o paciente apresentou melhora de 100% dos episódios de diarreia e êmese, com FCEAI 0 e escore fecal 2,5/5. 

 

Tabela 1 – Perfil nutricional dos alimentos coadjuvantes gastrointestinais recebidos pelo paciente felino com enteropatia crônica (em matéria natural).

Discussão 

Até 50% dos felinos com EC apresentam resposta terapêutica à dieta (Guilford et al., 2023). Dietas com proteína hidrolisada são as mais indicadas para felinos com EC e suspeita de ERD. Tais fontes proteicas passam por hidrólise enzimática para atingirem tamanho insuficiente para ser reconhecida e estimular o sistema imune, condição diretamente relacionada à etiologia das ECs. Suspeita-se que esses processos inflamatórios na ERD possam ser secundários a resposta imune anormal a antígenos da dieta (Makielski et al., 2019; Lenox, 2021). Além disso, as dietas à base de proteínas hidrolisadas possuem alta digestibilidade, se comparado com proteínas inéditas, que possuem peptídeos maiores (Lenox, 2021). Isso pode justificar o porquê o paciente em questão apresentou melhora com a mudança do alimento coadjuvante gastrointestinal para o de proteína hidrolisada. Dietas com proteína hidrolisada também são indicadas em casos de tríade felina, quadros nos quais o paciente apresenta inflamação intestinal crônica concomitante a processos inflamatórios no pâncreas e fígado (Lenox, 2021).

A resposta terapêutica dos felinos com EC pode ser avaliada por meio do FCEAI (Jergens et al., 2010). No caso em questão, a paciente apresentou melhora nesse índice e nas manifestações clínicas de êmese e diarreia, sendo classificado como resposta completa ao manejo alimentar.

A presença de fibras nas dietas voltadas para pacientes com alterações gastrointestinais crônicas é de grande importância, melhorando desde o escore fecal à microbiota do paciente (Lenox, 2021). A quantidade, o tipo e qualidade da fibra são cruciais para garantir que haja os benefícios desse nutriente, sem afetar a digestibilidade da dieta (Lenox, 2021). No alimento prescrito a esse paciente, Royal Canin Gastrointestinal Hydrolysed Protein, há polpa desidratada de beterraba e casca de psyllium, ingredientes que sabidamente agregam benefícios à saúde intestinal (Bueno et al., 2000; Singh, 2007). A polpa de beterraba é considerada mescla de fibras solúveis e insolúveis, com moderado potencial fermentativo, resultando na produção dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que servem como fonte de energia para os colonócitos e, consequentemente, auxiliam na manutenção da integridade da barreira intestinal (Bueno et al., 2000; Rochus; Janssens; Hesta, 2014; Moreno et al., 2022). Já o psyllium, uma fibra não fermentável solúvel, isto é, com capacidade de se dissolver em água, contribui para a formação de um gel viscoso no trato gastrointestinal, proporcionando a formação de fezes mais macias e com formato adequado, o que é especialmente benéfico em casos de diarreia (NRC, 2006; Singh, 200; Lenox, 2021). Quando combinadas, essas fibras criam ambiente intestinal equilibrado, melhorando a consistência fecal e contribuindo de forma significativa para o manejo das enteropatias crônicas em felinos (Moreno et al., 2022). Além disso, a inclusão de prebióticos, como os frutooligossacarídeos (FOS) e mananoligossacarídeos (MOS) no alimento, também auxiliam na saúde intestinal, promovendo a multiplicação de bactérias benéficas e a produção de metabólitos fermentativos favoráveis como os AGCCs (Barry et al., 2010; Barry et al., 2011; Kanakupt et al., 2011; Santos et. al. 2018).

Já o alimento anterior, apesar de ser coadjuvante gastrointestinal, por ter foco na ação das fibras, com alto teor de Psyllium, torna a sua indicação voltada a pacientes com constipação. Para o caso em questão, o mais indicado seria o alimento de maior digestibilidade e menos fibra para que ocorresse absorção otimizada dos nutrientes, além da proteína hidrolisada responsável por minimizar a antigenicidade alimentar e reduzir as manifestações clínicas nos pacientes com reação adversa ao alimento.

No primeiro momento, a ausência de biópsia do trato gastrointestinal para avaliação histológica e confirmação de inflamação pode parecer uma limitação do estudo. No entanto, estudos sugerem que a resposta do paciente à dieta é suficiente para diagnóstico final de ERD, não sendo necessária avaliação histológica (Kathani et al., 2023). Além disso, os achados histológicos não são capazes de determinar qual resposta terapêutica o paciente terá, sendo então este exame indicado somente em casos de não resposta à dieta, para diagnóstico diferencial de neoplasias, processos infecciosos como histoplasmose, e para determinação da gravidade da lesão inflamatória e grau de fibrose (Dandrieux, 2016; Jergens et al., 2012; Makielski et al., 2019; Dupouy-Manescau et al., 2024). 

 

Considerações finais

Dietas de alta digestibilidade, de proteína hidrolisada, com combinação equilibrada de fibras e prebióticos benéficos para a saúde intestinal são indicadas como primeira opção no tratamento de felinos com EC. A triagem diagnóstica de ERD deve ser realizada antes do tratamento medicamentoso, pois a maior parte dos felinos com EC respondem a dieta. A grande vantagem do alimento utilizado é a combinação de ambos os benefícios descritos na literatura: suporte da saúde intestinal, associada à redução de alérgenos.

 

Benefícios do Alimento Gastrointestinal Hydrolysed Protein da Royal Canin

O alimento Gastrointestinal Hydrolysed Protein da Royal Canin é uma solução nutricional especialmente formulada para gatos com sensibilidades alimentares e problemas gastrointestinais.

Proteína hidrolisada de soja:
A proteína hidrolisada de soja presente na fórmula é reconhecida por sua alta digestibilidade, característica fundamental para ajudar a reduzir o risco de sensibilidades alimentares que podem causar sinais gastrointestinais recorrentes em gatos. Ao optar por proteínas hidrolisadas, o alimento minimiza a exposição a componentes que podem desencadear reações adversas, promovendo maior segurança alimentar.

Alta energia:
Sua fórmula possui um alto teor energético, permitindo que a quantidade de alimento oferecida por refeição seja reduzida. Isso contribui para diminuir a sobrecarga intestinal, facilitando o processo digestivo e proporcionando mais conforto ao animal, especialmente em casos de distúrbios gastrointestinais.

Suporte digestivo:
O alimento apresenta uma composição altamente digestível, com fibras balanceadas e a inclusão de prebióticos. Esses elementos favorecem a saúde digestiva, auxiliam no equilíbrio da microbiota intestinal e promovem um trânsito intestinal adequado, contribuindo para o bem-estar geral do pet.

Ao escolher o Royal Canin Gastrointestinal Hydrolysed Protein, você oferece ao seu gato uma nutrição avançada, desenvolvida para apoiar a saúde digestiva e reduzir riscos de sensibilidades alimentares, garantindo mais qualidade de vida e segurança.

Para saber mais, acesse: Royal Canin Gastrointestinal Hydrolysed Protein

 

Referências

ALLENSPACH, K.; WIELAND, B.; GRÖNE, A.; GASCHEN, F. Chronic Enteropathies in Dogs: Evaluation of Risk Factors for Negative Outcome. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 21, n. 4, p. 700–708, 2007.

BANDARA, Y. et al. Outcome of chronic inflammatory enteropathy in cats: 65 cases (2011‐2021). Journal of Small Animal Practice, v. 64, n. 3, p. 121-129, 2023.

BARRY, K. A. et al. Dietary cellulose, fructooligosaccharides, and pectin modify fecal protein catabolites and microbial populations in adult cats. Journal of animal science, v. 88, n. 9, p. 2978-2987, 2010.

BARRY, K. A. et al. Adaptation of healthy adult cats to select dietary fibers in vivo affects gas and short-chain fatty acid production from fiber fermentation in vitro. Journal of animal science, v. 89, n. 10, p. 3163-3169, 2011.

BUENO, A. R. et al. Feline colonic microbes and fatty acid transport: Effects of feeding cellulose, beet pulp and pectin/gum arabic fibers. Nutrition research, v. 20, n. 9, p. 1319-1328, 2000.

CASE, L.; HAYEK, M.; DARISTOTLE, D.; DARISTOTLE, M. Canine and feline nutrition: a resource for companion animal profissionals. 3. ed. Missouri: Elsevier, p. 542, 2011.

CAVE, N. J. Hydrolyzed protein diets for dogs and cats. Veterinary Clinics: Small Animal Practice, v. 36, n. 6, p. 1251-1268, 2006.

DANDRIEUX, J. R. S. Inflammatory bowel disease versus chronic enteropathy in dogs: are they one and the same? Journal of Small Animal Practice, v. 57, n. 11, p. 589-599, 2016.

DUPOUY-MANESCAU, N. et al. Updating the Classification of Chronic Inflammatory Enteropathies in Dogs. Animals, v. 14, n. 5, p. 681, 2024.

GUILFORD, W. G. J. B. R.; MARKWELL, P. J.; ARTHUR, D. G.; COLLETT, M. G.; HARTE, J. G. Food sensitivity in cats with chronic idiopathic gastrointestinal problems. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 15, n. 1, p. 7–13, 2001.

JACKSON, H. A.; DEMBELE, V. Conducting a successful diet trial for the diagnosis of food allergy in dogs and cats. Veterinary Dermatology, v. 35, n. 5, p. 586-592, 2024.

JERGENS, A. E.; CRANDELL, J. M.; EVANS, R.; ACKERMANN, M.; MILES, K. G.; WANG, C. A Clinical Index for Disease Activity in Cats with Chronic Enteropathy. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 24, n. 5, p. 1027–1033, 2010.

JERGENS, A. E. Feline idiopathic inflammatory bowel disease: what we know and what remains to be unraveled. Journal of feline medicine and surgery, v. 14, n. 7, p. 445-458, 2012.

KANAKUPT, K. et al. Effects of short-chain fructooligosaccharides and galactooligosaccharides, individually and in combination, on nutrient digestibility, fecal fermentative metabolite concentrations, and large bowel microbial ecology of healthy adults cats. Journal of animal science, v. 89, n. 5, p. 1376-1384, 2011.

KATHRANI, A. et al. The effects of a hydrolyzed protein diet on the plasma, fecal and urine metabolome in cats with chronic enteropathy. Scientific Reports, v. 13, n. 1, p. 79, 2023.

LAFLAMME, D. R. P. C. Development and validation of a body condition score system for cats: a clinical tool. Feline Practice, v. 25, n. 5/6, p. 13-18, 1997.

LAFLAMME, D. P.; XU, H.; LONG, G. M. Effect of Diets Differing in Fat Content on Chronic Diarrhea in Cats. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 25, n. 2, p. 230– 235, 2011.

LAFLAMME, D. P.; XU, H.; CUPP, C. J.; KERR, W. W.; RAMADAN, Z.; LONG, G. M. Evaluation of canned therapeutic diets for the management of cats with naturally occurring chronic diarrhea. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 14, n. 10, p. 669–677, 2012.

LENOX, C. E. Nutritional management for dogs and cats with gastrointestinal diseases. Veterinary Clinics: Small Animal Practice, v. 51, n. 3, p. 669-684, 2021.

MAKIELSKI, K. et al. Narrative review of therapies for chronic enteropathies in dogs and cats. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 33, n. 1, p. 11-22, 2019.

MANDIGERS, P. J. J.; BIOURGE, V.; GERMAN, A. J. Efficacy of a commercial hydrolysate diet in eight cats suffering from inflammatory bowel disease or adverse reaction to food. Tijdschrift voor diergeneeskunde, v. 135, n. 18, p. 668–72,  2010a.

MANDIGERS, P. J. J. et al. A randomized, open‐label, positively‐controlled field trial of a hydrolyzed protein diet in dogs with chronic small bowel enteropathy. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 24, n. 6, p. 1350-1357, 2010b.

MARKS, S. L.; LAFLAMME, D. P.; MCALOOSE, D. Dietary trial using a commercial hypoallergenic diet containing hydrolyzed protein for dogs with inflammatory bowel disease. Vet Ther, v. 3, n. 2, p. 109-18, 2002.

MARSILIO, S.; FREICHE, V.; JOHNSON, E.; LEO, C.; LANGERAK, A. W.; PETERS, I.; ACKERMANN, M. R. ACVIM consensus statement guidelines on diagnosing and distinguishing low-grade neoplastic from inflammatory lymphocytic chronic enteropathies in cats. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 37, n. 3, p. 794–816, 2023.

MICHEL, K. E.; ANDERSON, W.; CUPP, C.; LAFLAMME, D. P. Correlation of a feline muscle mass score with body composition determined by dual-energy X-ray absorptiometry. British Journal of Nutrition, v. 106, n. S1, p. S57–S59, 2011.

MILLER, J.; ŻEBROWSKA-RÓŻAŃSKA, P.; CZAJKOWSKA, A.; SZPONAR, B.; KUMALA-ĆWIKŁA, A.; CHMIELARZ, M.; ŁACZMAŃSKI, Ł. Faecal microbiota and fatty acids in feline chronic enteropathy. BMC Veterinary Research, v. 19, n. 1, p. 1–11, 2023.

MORENO, A. A. et al. Dietary fiber aids in the management of canine and feline gastrointestinal disease. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 260, n. S3, p. S33-S45, 2022.

MOXHAM, G. Waltham feces scoring system – a tool for veterinarians and pet owners: how does your pet rate? Focus, v. 11, n. 2, p. 24-25, 2001.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL (NRC). Nutrient requirements of dogs and cats. Washington: National Academies Press, p. 398, 2006.

OLIVRY, T.; MUELLER, R. Critically appraised topic on adverse food reactions of companion animals (5): discrepancies between ingredients and labeling in commercial pet foods. BMC veterinary research, v. 14, p. 1-5, 2018.

PEREA, S. C.; MARKS, S. L.; DARISTOTLE, L.; KOOCHAKI, P. E.; HAYDOCK, R. Evaluation of Two Dry Commercial Therapeutic Diets for the Management of Feline Chronic Gastroenteropathy. Frontiers in Veterinary Science, v. 4, p. 69, 2017.

ROCHUS, K.; JANSSENS, G. P. J.; HESTA, M. Dietary fibre and the importance of the gut microbiota in feline nutrition: a review. Nutrition research reviews, v. 27, n. 2, p. 295-307, 2014.

SANTOS, J. P. F. et al. Effects of dietary yeast cell wall on faecal bacteria and fermentation products in adult cats. Journal of animal physiology and animal nutrition, v. 102, n. 4, p. 1091-1101, 2018.

SIMPSON, K. W.; FYFE, J.; CORNETTA, A.; SACHS, A.; STRAUSS-AYALI, D.; LAMB, S. V.; REIMERS, T. J. Subnormal Concentrations of Serum Cobalamin (Vitamin B12) in Cats with Gastrointestinal Disease. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 15, n. 1, p. 26, 2001.

SINGH, B. Psyllium as therapeutic and drug delivery agent. International journal of pharmaceutics, v. 334, n. 1-2, p. 1-14, 2007.

TORESSON, L. et al. Oral cobalamin supplementation in dogs with chronic enteropathies and hypocobalaminemia. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 30, n. 1, p. 101- 107, 2016.

TORESSON, L. et al. Oral cobalamin supplementation in cats with hypocobalaminaemia: a retrospective study. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 19, n. 12, p. 1302-1306, 2017.

WALY, N. E. et al. Use of a hydrolysed soya isolate-based diet in the management of chronic idiopathic inflammatory bowel disease and dietary hypersensitivity in cats. Assiut Veterinary Medical Journal, v. 56, n. 127, p. 158-169, 2010.

WINSTON, J. A. et al. Clinical Guidelines for Fecal Microbiota Transplantation in Companion Animals. Advances in Small Animal Care, v. 5, n. 1, p. 79-107, 2024.

O conteúdo do Portal VET da Royal Canin® é destinado à profissionais de saúde veterinária.