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Geriatria felina: saiba como o manejo e outros fatores influenciam na saúde do gato idoso

Geriatria felina: saiba como o manejo e outros fatores influenciam na saúde do gato idoso
Atualizado em 25 de fevereiro de 2025
Tempo de leitura: 12min
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A evolução da Medicina Felina aliada aos cuidados dos tutores com seus pets tem colaborado para o aumento da expectativa de vida dos gatos. Confira os principais detalhes sobre a geriatria felina e saiba como conduzir o acompanhamento do seu paciente!

O aumento da expectativa de vida dos gatos é um reflexo dos avanços na Medicina Veterinária, especialmente do desenvolvimento da especialidade em Medicina Felina, reconhecendo e aprimorando técnicas para os pacientes felinos.

Assim, a geriatria felina tem se tornado uma área de extrema relevância, exigindo do médico-veterinário um conhecimento aprofundado sobre os cuidados preventivos, diagnósticos precoces e manejos específicos para essa faixa etária.

A abordagem correta, consultas regulares e exames preventivos são essenciais para promover o bem-estar do gato geriátrico. A atenção aos detalhes e a personalização dos cuidados veterinários fazem toda a diferença na longevidade e qualidade de vida desses pacientes.

Quando considerar um gato geriátrico?

Segundo as Diretrizes para Cuidados com Gatos Idosos da AAFP (2021), levando-se em consideração raças felinas com predisposições genéticas ou que possivelmente apresentam sinais de envelhecimento mais precocemente, pode-se considerar um gato como idoso a partir de 8 anos de vida. Porém, um gato é considerado um paciente geriátrico a partir dos 12 anos de idade.

Comparativamente, os gatos envelhecem de forma distinta dos cães, possuindo uma expectativa de vida mais longa, especialmente quando são criados em ambientes controlados e protegidos, como ocorre com gatos que vivem exclusivamente dentro de casa (indoor).

Essa diferença reforça a necessidade de um acompanhamento específico na geriatria felina, voltado a atender as demandas características do envelhecimento dessa espécie (ROYAL CANIN, 2024).

Confira na tabela abaixo as fases de vida dos gatos:

FASES DE VIDA DOS GATOS IDADE 
Crescimento 0-12 meses 
Adulto Jovem 1 – 7 anos 
Adulto Maduro 7-12 anos 
Geriatra +12 anos 

 

Principais doenças e demais alterações que podem acometer os gatos idosos

Embora não sejam condições que acometam exclusivamente pacientes da geriatria felina, os gatos idosos estão predispostos a uma série de afecções que impactam sua saúde, podendo levar a significativa redução da qualidade de vida (RAY et al., 2021).

São elas, entre outras:

Principais pontos de atenção na consulta de rotina do gato geriátrico

Na geriatria felina, a consulta de rotina deve ser minuciosa, considerando os aspectos únicos dessa faixa etária. Embora essas condutas já devam ser incluídas em qualquer consulta felina, em gatos idosos elas ganham relevância adicional por possibilitarem a triagem de doenças, avaliação de níveis de estresse e monitoramento geral da saúde.

A seguir, são destacados os principais pontos de atenção na conduta médico-veterinária na geriatria felina.

1. Informações sobre manejo

O manejo adequado de gatos geriátricos requer avaliação do ambiente e comportamento. Por isso, é recomendado que o médico-veterinário saiba sobre as características da rotina de cada paciente, como:

  • caixas de areia: deve haver uma caixa de areia para cada gato, mais uma extra. A localização deve ser de fácil acesso, especialmente para gatos com mobilidade reduzida;
  • alimentação e hidratação: potes de comida e fontes de água devem ser colocados em locais tranquilos e acessíveis;
  • interação social: avaliar se o gato vive sozinho ou em grupo e identificar possíveis conflitos ou estresse relacionado à interação com outros animais;
  • estilo de vida: identificar se o gato vive exclusivamente indoor, em ambientes externos (outdoor) ou em regime misto. Gatos com acesso ao ambiente externo devem ser monitorados quanto ao risco de acidentes, infecções e parasitoses.

2. Alimentação

Assim como em todas as fases de vida dos pets, na geriatria felina a alimentação também desempenha um papel essencial na manutenção da saúde, colaborando para a longevidade e qualidade de vida do paciente.

Logo, a consulta de rotina de um gato geriátrico deve incluir um levantamento sobre:

  • tipo de dieta: investigar se o gato consome apenas ração seca, sachê, alimentos naturais ou petiscos. Dietas exclusivas de ração seca podem ser complementadas para estimular a hidratação do paciente;
  • variedade e consistência: a alteração frequente ou repentina da alimentação pode causar desconfortos gastrointestinais;
  • necessidades especiais: doenças como insuficiência renal crônica ou outras condições podem exigir o fornecimento de uma ração específica, que contenha nutrientes em níveis adequados para cada caso.

3. Ambiente

Outro importante aspecto a ser levado em consideração durante uma consulta de geriatria felina é a segurança do ambiente em que o gato vive e os estímulos que ele recebe.

O profissional deve investigar se há contactantes, incluindo animais de outras espécies, a fim de avaliar os riscos de infecções cruzadas. Por exemplo, gaiolas de aves posicionadas acima de potes de comida de gatos podem ser fontes de contaminação.

Também pode ser de grande valia levantar informações sobre o estilo de vida do gato geriátrico, se vive em apartamento ou casa, sem ou com acesso a áreas externas. Afinal, felinos que frequentam jardins e áreas externas devem ser monitorados quanto a doenças infecciosas como FeLV e FIV, além de parasitas.

Além disso, oferecer ambientes estimulantes, com arranhadores, brinquedos e áreas de escalada, são essenciais para manter a saúde mental e física, colaborando para a diminuição do estresse. Por isso, o enriquecimento ambiental é recomendado, inclusive, ao gato idoso.

4. Histórico de saúde

Na geriatria felina, um dos principais pontos de atenção na consulta é conhecer o histórico médico e a rotina de cuidados veterinários que o paciente recebe.

Sendo assim, o profissional deve investigar condições pré-existentes, de doenças crônicas ou agudas, e os respectivos tratamentos realizados.

Outra informação necessária é a avaliação da carteira de vacinação e o controle de parasitas, verificando se o protocolo vacinal e a prevenção contra ectoparasitas está em dia.

Adicionalmente, o médico-veterinário deve saber sobre a frequência de consultas do paciente e se está de acordo com sua faixa etária, podendo estabelecer, junto ao tutor, uma rotina ideal para o acompanhamento adequado do gato geriátrico – realizando checkups, mesmo na ausência de sinais clínicos.

5. Exame físico

Uma consulta de geriatria felina exige atenção minuciosa do profissional durante o exame físico, incluindo:

  • inspeção geral: avaliar condição corporal, pelagem, postura e comportamento;
  • palpação: verificar linfonodos, abdome e articulações;
  • cavidade oral: avaliar dentes e gengivas com intuito de detectar sinais de doença periodontal, complexo gengivite-estomatite, granuloma eosinofílico, úlceras, entre outros;
  • olhos e ouvidos: observar sinais de catarata, glaucoma ou infecções;
  • auscultação: detectar sopros cardíacos e arritmias. Vale ressaltar que paciente felinos tendem a não apresentar sopro, sendo sempre necessário solicitar o exame ecodopplercardiograma no check-up de gatos idosos;
  • inspeção da glândula adanal.

6. Exames complementares

Os checkups do gato atendido em consultas de geriatria felina devem envolver a solicitação de diversos exames complementares, assim como ocorre na medicina humana – inclusive em animais que aparentam estar saudáveis.

Sendo assim, vamos abordar quais exames são necessários para o gato geriátrico e devem ser requisitados pelo médico-veterinário.

Exames hematológicos: quais solicitar no check-up de um gato geriátrico?

Dentre os exames hematológicos, é importante ter em mente que o checkup de um gato geriátrico pode incluir:

  • hemograma: essencial para avaliar alterações hematológicas, como anemia, leucocitose ou leucopenia etc.;
  • ALT e GGT: importantes para a avaliação hepática;
  • T4 total e livre: detectar ou descartar hipertireoidismo;
  • albumina e proteínas totais: indicadores de função hepática e estado nutricional;
  • frutosamina e glicose: avaliação glicêmica, principalmente em felinos com suspeita de diabetes;
  • colesterol total e frações, triglicérides: indicadores de dislipidemias;
  • testes para FIV e FeLV: indispensáveis para gatos que ainda não tenham sido testados ou que convivam com outros animais. Além disso, os testes para FIV e FeLV devem ser repetidos em animais que tenham sido testados somente uma vez, pela possibilidade de terem tido um resultado falso-negativo, dependendo do período da doença no qual o teste foi realizado.

Exames de imagem: o ultrassom e ecodopplercardiograma como aliados à saúde

Na geriatria felina, a ultrassonografia abdominal se faz fundamental no checkup dos pacientes, assim como nos seres humanos, possibilitando que seja feita uma avaliação detalhada de órgãos internos e permitindo a detecção precoce de alterações renais, hepáticas e neoplásicas.

Além disso, o ecodopplercardiograma é indispensável em gatos idosos, mesmo quando não há alterações na ausculta. Isso porque é possível que o paciente apresente cardiomiopatia na ausência de sopro cardíaco, sendo, portanto, este exame crucial para um diagnóstico precoce da enfermidade.

Urinálise

A urinálise fornece importantes informações sobre a condição do trato urinário do paciente, como a presença de alterações na densidade e pH urinários, cristalúria e infecções urinárias, entre outros.

Além disso, os marcadores hematológicos para avaliação renal são tardios, o que torna a urinálise essencial no checkup de rotina do paciente da geriatria felina. A análise da relação proteína/creatinina urinária deve ser incluída para uma investigação renal detalhada, auxiliando na detecção precoce da doença renal crônica.

Coproparasitológico

Apesar de subestimado, o exame coproparasitológico é relevante para o controle de parasitas que podem comprometer a saúde e a absorção de nutrientes, sendo fundamental em um checkup preventivo do paciente da geriatria felina.

Complementando os pontos de atenção na consulta de rotina do gato geriátrico, é importante que o médico-veterinário tenha ciência das mudanças associadas ao envelhecimento e que podem ser observadas com frequência durante a avaliação de gatos idosos aparentemente saudáveis, como demonstrado na figura 1.

Representação gráfica mostra as mudanças associadas ao envelhecimento e à geriatria felina
Figura 1: Mudanças associadas ao envelhecimento (e observadas com frequências em gatos idosos aparentemente saudáveis). Fonte: RAY et al., 2021

Além disso, vale ressaltar que a escolha dos exames específicos deve ser feita pelo profissional responsável pelo paciente com base na avaliação clínica individualizada, considerando fatores como histórico de saúde, idade e ambiente.

A nutrição como aliada à saúde do gato geriátrico

A dieta é uma aliada fundamental na manutenção da saúde e na longevidade do gato idoso. Uma nutrição adequada deve levar em conta a idade, a condição corporal, o nível de atividade e a presença de doenças preexistentes.

Durante a fase geriátrica, as demandas energéticas podem variar significativamente devido a condições como hipertireoidismo, doenças crônicas, perda de massa muscular e alterações metabólicas associadas ao envelhecimento.

Além disso, fatores como diminuição do apetite ou dificuldade em mastigar devido a problemas dentários devem ser considerados no manejo nutricional.

Uma dieta balanceada, ajustada às necessidades metabólicas de cada fase de vida e às condições clínicas do felino, desempenha papel crucial na manutenção do peso corporal adequado, no controle de doenças preexistentes e na promoção de uma qualidade de vida superior.

A Royal Canin® dispõe de alimentos especialmente formulados para cada fase da vida dos felinos.

Considerando os pacientes de geriatria felina, nossa recomendação é o alimento Idosos Castrados 12+ e Ageing 12+ Pedaços ao Molho, indicados para gatos a partir dos 12 anos de idade.

Eles ajudam a manter a saúde articular, graças ao alto nível de ácidos graxos EPA/DHA, possuem o complexo envelhecimento saudável – limitando as consequências do envelhecimento sobre a função cognitiva, mobilidade e estresse oxidativo – e são formulados para auxiliar na manutenção da saúde do trato urinário dos gatos.

Além disso, o Castrados 12+ oferece nível moderado de gordura para manter o peso ideal, tendo sua fórmula enriquecida com L-carnitina.

Imagens das embalagens dos alimentos Idosos Casdatrados12+ e Ageing 12+ Pedaços ao Molho

Para gatos saudáveis adultos maduros, os alimentos Indoor 7+ e Castrados 7+ são as indicações.

Embalagens de alimentos indicados para gatos maduros saudáveis

Indoor 7+ é um alimento seco indicado para gatos maduros, a partir de 7 anos de idade, que vivem em ambientes internos.  Contém um conteúdo adaptado de fósforo, contribuindo para a manutenção da função renal, ajuda na redução da quantidade e odor das fezes, e é formulado com um balanço adequado de vitaminas e minerais, enriquecido com nutrientes que contribuem para um envelhecimento saudável.

Castrados 7+ é um alimento seco completo para gatos castrados, a partir de 7 anos de idade. Possui um complexo vitalidade que contribui para um envelhecimento saudável, contém um conteúdo adaptado de fósforo, contribuindo para a manutenção da função renal, e ajuda a limitar o risco de aumento excessivo de peso, graças a um teor de gordura moderado e com o fornecimento de uma quantidade diária de alimento adequada.

Como sugestão de alimento úmido para a faixa etária de gatos maduros a partir de 7 anos de vida, temos a Instinctive 7+ Pedaços ao Molho, uma opção para ajudar na hidratação do paciente, que ajuda a manter a vitalidade graças a um exclusivo complexo de antioxidantes.

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* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.

Referências

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KOZAT, S.; SEPEHRIZADEH, E. Methods of Diagnosing in Liver Diseases for Dog and Cats. Turkish Journal of Scientific Reviews, v.10, n.2, 2017. Acesso em: 25 nov. 2024. 

LIDBURY, J.A.; COOK, A.K.; STEINER, J.M. Hepatic encephalopathy in dogs and cats. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, v.26, n.4, 2016. Acesso em: 25 nov. 2024. 

OLIVEIRA, H.E.V.; MARCASSO, R.A.; ARIAS, M.V.B. Doenças cerebrais no cão idoso. MedVep, v.12, n.45, 2016. Acesso em: 25 nov. 2024. 

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SALGADO, M.; CORTES, Y. Hepatic Encephalopathy: Etiology, Pathogenesis, and Clinical Signs. Vetlearn Compendium, 2013. Acesso em: 25 nov. 2024. 

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