Exame coproparasitológico em cães e gatos: quando o médico veterinário deve recomendar?

Exame coproparasitológico em cães e gatos: quando o médico veterinário deve recomendar?
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O exame coproparasitológico em cães e gatos tem a finalidade de diagnosticar diferentes parasitas intestinais. Conheça mais detalhes!

O exame coproparasitológico nada mais é do que uma análise das características físicas e microscópicas das fezes do animal.

Pode ser realizado por meio de vários tipos de técnicas, sendo capaz de fornecer inúmeros diagnósticos de enteroparasitoses para que, posteriormente, seja prescrito o tratamento mais adequado e eficaz.

Confira maiores detalhes sobre o exame coproparasitológico veterinário e saiba a importância de sua instituição na rotina de check-ups dos seus pacientes.

O que é o exame coproparasitológico?

O exame coproparasitológico consiste em uma análise das fezes, de forma macroscópica e microscópica, com a finalidade de detectar a presença de parasitas (cistos, oocistos, ovos ou larvas). Dessa forma, é possível diagnosticar as endoparasitoses intestinais causadas por helmintos (vermes), protozoários e coccídeos em cães e gatos.

A inspeção macroscópica é realizada através da avaliação das características físicas da amostra de fezes, assim como a coloração, o odor e o aspecto. Além disso, quando o animal está sofrendo uma infestação por helmintos, a forma adulta de cestoides (vermes chatos) e nematoides (vermes redondos) pode ser visualizada a olho nu.

A coloração considerada normal para caninos e felinos é marrom, e algumas alterações podem indicar alguma intercorrência no organismo, assim como os exemplos a seguir:

  • cor avermelhada: presença de sangue fresco nas fezes (hematoquezia);
  • cor enegrecida/preta: presença de sangue digerido nas fezes (melena);
  • cinza: problemas hepáticos ou insuficiência pancreática exócrina;
  • pálida/branca: dieta com muito cálcio ou ingestão de corpo estranho.

Vale ressaltar que a presença de sangue nas fezes nem sempre é detectada na avaliação macroscópica, principalmente em situações em que há alteração na cor ou há pouca quantidade de sangue na amostra.

O odor característico pode sofrer alteração para forte/fétido ou pútrido.

Já quanto ao aspecto das fezes, pode haver variação do normal (consistente e com forma) para pastoso ou amolecido/líquido (diarreia), com a possibilidade de também apresentar muco.

Objeto de análise do exame coproparasitológico.
Figura 1: Fezes de cão. 1- Fezes com coloração e aspecto normais; 2- Diarreia com hematoquezia. Fonte: Arquivo pessoal M.V. Maithê Mello.

Complementando, a inspeção microscópica através de diferentes técnicas visa identificar e quantificar os parasitas.

Por isso, o exame coproparasitológico é uma ferramenta muito importante para o diagnóstico e o tratamento adequado de infestações por parasitas intestinais.

Tipos de análises

Para a realização de um exame coproparasitológico, são utilizados diferentes métodos de preparação da amostra para sua consequente análise, com o intuito de identificar a presença de oocistos, cistos de protozoários, ovos ou larvas de helmintos. Dentre eles, temos:

  • análise direta;
  • técnica de flutuação (Willis-Mollay);
  • técnica de sedimentação (Hoffmann, Pons & Janer);
  • técnica de coloração especial (Ziehl-Neelsen).

Coproparasitológico em cães e gatos: entenda quais doenças podem ser diagnosticadas

As infestações por endoparasitas estão entre as patogenias mais corriqueiras que acometem a saúde de cães e gatos, e algumas são caracterizadas como zoonoses (doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos). Afetam animais de todas as faixas etárias, porém filhotes são mais suscetíveis devido a vias de transmissão específicas (transplacentária e através do leite materno) e à baixa eficácia de seu sistema imune.

O exame coproparasitógico possibilita a diferenciação dos parasitas intestinais, detectando infecções isoladas ou concomitantes, e também permitindo a quantificação desses microrganismos na amostra.

Diversas enteroparasitoses podem ser diagnosticadas, incluindo verminoses, protozooses e coccidioses, já que, durante a análise da lâmina produzida a partir dos métodos de preparo do material, pode-se detectar cistos, oocistos, ovos e larvas.

Assim, podemos identificar os seguintes agentes patológicos:

  • Ancylostoma (cães e gatos);
  • Toxocara (cães e gatos);
  • Toxascaris leonina;
  • Spirocerca lupi (cães);
  • Strongyloides stercoralis (cães e gatos);
  • Dipylidium caninum (cães e gatos);
  • Echinococcus granulosus (cães);
  • Uncinaria stenosephala (cães e gatos);
  • Taenia (cães e gatos);
  • Capillaria (cães e gatos);
  • Multiceps multiceps (cães);
  • Hydatigera taeniaeformes (gatos);
  • Trichuris vulpis (cães e gatos);
  • Giardia (cães e gatos);
  • Entamoeba coli (cães e gatos);
  • Isospora (cães e gatos);
  • Cryptosporidium (cães e gatos);
  • Neospora caninum (cães).
Exemplos de ovos de parasitas encontrados no exame coproparasitológico.
Exemplos de ovos de parasitas que afetam cães e gatos. Fonte: Parasitologia Veterinária, 2017.

Portanto, devido às várias possibilidades de diagnóstico, vale ressaltar a importância do exame coproparasitológico na diferenciação das gastroenterites em cães e gatos, já que podem ser causadas tanto por parasitas intestinais quanto por doenças infecciosas.

Como o exame coproparasitológico é realizado?

Após a coleta e entrega das fezes no laboratório veterinário, o material será preparado para a realização das análises descritas anteriormente.

Dessa forma, pode-se dar sequência à análise direta, que consiste na diluição de uma pequena quantidade de fezes em água, a partir da qual é feito um esfregaço em uma lâmina de microscópio.

Em seguida, essa lâmina será examinada com intuito de identificar parasitas adultos, ovos, larvas e cistos, distinguindo características como forma, tamanho, estruturas internas ou movimentos. Uma desvantagem dessa técnica é detectar somente infestações relativamente intensas, devido à pequena quantidade de material utilizada.

O método de flutuação para realziação do exame coproparasitológico, também conhecido como técnica de Willis-Mollay, é utilizado para detectar ovos de parasitas com densidade mais leve que uma solução saturada de açúcar ou cloreto de sódio, por exemplo. Uma amostra de fezes é misturada à solução escolhida e colocada para descansar. Então, a parte flutuante é coletada e examinada. Este tipo de análise aumenta a sensibilidade do exame coproparasitológico, concentrando os ovos e facilitando sua identificação.

A técnica de sedimentação, ou método de Hoffmann, Pons & Janer, é realizada a partir da filtração por uma gaze cirúrgica de uma solução homogeneizada de fezes e água. O líquido filtrado é mantido em repouso no cálice de Hoffmann. Então, uma pequena alíquota é pipetada do fundo do cálice e observada em microscópio. Assim, ovos pesados, cistos e larvas podem ser encontrados com maior facilidade, o que faz com que essa técnica seja a mais utilizada rotineiramente em laboratórios.

Já o método de coloração especial de Ziehl-Neelsen pode ser utilizado para identificar determinados parasitas específicos, como oocistos do Cryptosporidium. Nele, uma lâmina de microscópio é preparada a partir de uma solução concentrada de amostra fecal e, em seguida, é submetida à coloração com o corante fucsina fenicada. Posteriormente, a lâmina é lavada com uma solução ácida para remover o excesso de corante. Quando presentes, oocistos serão visualizados em vermelho/rosa.

Apesar de todo o cuidado com a coleta e o preparo da amostra de fezes, o exame coproparasitológico pode fornecer um resultado falso negativo, ou seja, o animal pode estar infectado, mas não ser observada nenhuma forma parasitária na análise. Essa situação pode ser decorrente da eliminação parasitária intermitente e, por isso, pode ser indicada a realização de um exame seriado, ou seja, coletando-se três amostras em dias intercalados.

Cuidados com a amostra de fezes

As fezes que serão destinadas ao exame coproparasitológico devem ser coletadas logo após o momento de defecação do animal e armazenadas em um frasco coletor universal estéril. Não se deve coletar fezes misturadas com terra e outras sujidades, evitando a contaminação do material.

A amostra poderá ser mantida sob refrigeração (em geladeira) e deverá ser levada ao laboratório dentro do período de 24 horas.

Existe frequência ideal para a realização do exame?

A frequência ideal para realizar exame coproparasitológico em animais de companhia é variável e depende de vários fatores como a idade do animal, o histórico de infecções parasitárias e o ambiente em que vive ou tem acesso.

Para filhotes, recomenda-se a realização de exames mensais ou a cada dois meses, devido a maior suscetibilidade às infecções parasitárias.

Para cães e gatos adultos saudáveis, que vivem em um ambiente controlado e têm baixo risco de exposição/contaminação, é recomendado realizar exames coproparasitológicos pelo menos uma vez por ano como parte de uma avaliação de rotina da saúde.

No entanto, alguns casos podem exigir uma frequência maior de exames coproparasitológicos solicitados pelo médico-veterinário, assim como:

  • animais que vivem ou são expostos a ambientes de alta incidência de enteroparasitoses;
  • pacientes que tiveram contactantes sabidamente contaminados;
  • cães e gatos que apresentam sinais clínicos de infecção por parasitas intestinais, como diarreia persistente, perda de peso ou anemia;
  • animais que viajam frequentemente ou utilizam creches/hotéis.

Assim, deve-se fazer uma constante investigação de parasitoses intestinais através do exame coproparasitológico, garantindo um adequado manejo e tratamento do paciente, caso infectado. Afinal, o uso desordenado de fármacos parasiticidas como medida profilática pode acarretar o desenvolvimento de resistência medicamentosa, assim como trazer inúmeras consequências para a saúde do animal.

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REFERÊNCIAS

DE PAULA, M.M.A. et al. Avaliação das endoparasitoses intestinais que acometem cães e gatos mantidos em um abrigo. ARS VETERINARIA, Jaboticabal, São Paulo, v.37, n.4, 2021. Disponível em: https://arsveterinaria.org.br/index.php/ars/article/view/1414/1412 . Acesso em: 13 maio 2023.

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KATAGIRI, S. Avaliação de duas técnicas coproparasitológicas convencionais e de um kit comercial na investigação da epidemiologia de parasitas gastrintestinais de cães no Estado de São Paulo. UNESP Botucatu – Programa de Pós-Graduação. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/89304/katagiri_s_me_botfmvz.pdf?sequence=1 . Acesso em: 13 maio 2023.

LABRUNA, M.B. et. al. Prevalência de endoparasitas em cães da área urbana do município de Monte Negro, Rondônia. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.73, n.2, abr./jun., 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/aib/a/YtX5tr57PnKTWsTJZ9GwVGP/?format=pdf&lang=pt . Acesso em: 13 maio 2023.

TAYLOR, M.A., COOP, R.L., WALL, R.L. Parasitologia Veterinária. Guanabara Koogan, 4. ed., 2017.