Diarreia aguda e crônica em cães: como abordar esses pacientes

Diarreia aguda e crônica em cães: como abordar esses pacientes

As diarreias são causas frequentes de visitas ao médico-veterinário e podem indicar uma ampla variedade de etiologias. Saiba mais

Distúrbios gastrointestinais são uma grande preocupação na prática clínica de pequenos animais, devido sua alta casuística e multiplicidade de possíveis causas que podem resultar em manifestações clínicas semelhantes.

A diarreia é uma das principais queixas clínicas obtidas na anamnese de cães com algum tipo de comprometimento em trato gastrointestinal. A diarreia é causada pela grande quantidade de água nas fezes, cujo escore fecal é classificado como 1 na escala de 1 a 5 (fezes líquidas).

As diarreias podem ter origem em intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) ou intestino grosso (ceco, cólon e reto). Alguns sinais são bastante característicos da porção do intestino que foi afetada e podem contribuir para um diagnóstico assertivo e uma terapia eficaz. Confira na Tabela 1 as principais diferenças entre diarreias de intestino delgado e de intestino grosso:

Tabela 1: Classificação do tipo de diarreia segundo a localização anatômica.

Fonte: DUARTE, R. Diarreias crônicas. Vets Today. Royal Canin, 2011.

As figuras abaixo são imagens características de cada tipo de diarreia, conforme classificação apresentada acima:

Fonte: DUARTE, R. Diarreias crônicas. Vets Today. Royal Canin, 2011.

Após identificar a origem da diarreia, é importante determinar se ela é de caráter agudo ou crônico.

As principais causas de diarreia aguda em cães são:

  • Endoparasitoses
  • Imprudência alimentar
  • Ingestão de corpo estranho
  • Ingestão de toxinas bacterianas
  • Gastroenterites infecciosas
  • Desordens tóxicas
  • Alterações em motilidade

A diarreia é considerada crônica quando permanece por mais de três semanas. As principais causas de diarreia crônica podem ser classificadas entre primárias ou secundárias, conforme tabela abaixo:

Fonte: STEINER, J. Uma abordagem passo a passo para cães e gatos com diarreia crônica. Royal Canin, 2015.

Além da presença de diarreia, o cão pode apresentar desde sintomas mais leves, até complicações mais sérias (dependendo da gravidade do caso), como:

  • Anorexia
  • Prostração
  • Sensibilidade abdominal
  • Tenesmo
  • Vômitos
  • Desidratação
  • Perda de peso
  • Febre

O diagnóstico das alterações tanto agudas quanto crônicas deve associar informações detalhadas obtidas no histórico do paciente, manifestações clínicas, exame físico minucioso, testes laboratoriais, exame coproparasitológico e exames de imagem.

Em pacientes com diarreia aguda, os procedimentos de suporte é o quesito mais importante, dependendo da gravidade da condição e de quaisquer complicações sistêmicas que possam estar presentes. A abordagem terapêutica geralmente inclui uso de fármacos e, em casos mais graves, hospitalização. Os pacientes com diarreia crônica representam um grande desafio diagnóstico, considerando-se a ampla variedade de possíveis causas e a necessidade de se realizar diagnósticos diferenciais. O tratamento deverá ser conduzido de acordo com a etiologia e quadro clínico apresentado pelo paciente.

Manejo dietético

A dieta exerce grande influência na saúde intestinal. Algumas estratégias nutricionais devem ser adotadas nestes casos. Confira abaixo os principais pontos relacionados à nutrição como tratamento coadjuvante das diarreias em cães.

  1. Recuperação da mucosa intestinal

Em casos mais graves nos quais o paciente possa necessitar de hospitalização e apresente vômito e/ou anorexia, o tratamento de suporte deve incluir administração de fluidos para reverter a desidratação e de fármacos antieméticos. É recomendado que o paciente receba nutrição enteral assim que possível, pois a falta de nutrientes no intestino pode levar à atrofia de vilosidades intestinais, aumento da permeabilidade da mucosa e maiores chances de translocação bacteriana. Caso o paciente não aceite o alimento voluntariamente na quantidade adequada e suficiente para a manutenção do peso, pode-se fazer uso de uma sonda nasogástrica para tal finalidade. A quantidade de alimento deve ser calculada com base no animal em repouso, e dependendo de quantos dias a anorexia estiver presente, é indicado realizar a reintrodução alimentar gradual ao longo de alguns dias, com o fornecimento da quantidade total diária fracionada em diversas pequenas refeições. A alimentação forçada via seringa é uma prática em desuso e atualmente é contraindicada.

  1. Perfil nutricional do alimento

A escolha da dieta deve considerar alguns pontos importantes:

  • Alta energia para atender às necessidades nutricionais em menor volume de alimento, auxiliando na menor sobrecarga e distensão do trato gastrointestinal;
  • Alta digestibilidade para favorecer a digestão e o aproveitamento dos nutrientes ingeridos, e limitar a passagem de resíduos alimentares não digestíveis para o intestino grosso, no qual poderão sofrer fermentação e causar piora da diarreia;
  • Teor moderado de fibras para não comprometer a digestibilidade e a palatabilidade do alimento. O tipo de fibra deve ser criteriosamente selecionado para promover efeito benéfico ao paciente. O uso de Psyllium é um importante aliado nos quadros de diarreia devido suas propriedades solúveis e não fermentáveis, que contribuem para a captura de água e a formação do bolo fecal.
  • Inclusão de prebióticos que auxiliem na saúde e na recuperação da mucosa intestinal, como o FOS (frutooligossacarídeo), que é substrato para a microbiota intestinal e também fonte de energia para o epitélio colônico, e o MOS (mananoligossacarídeo) que impede a adesão de bactérias patogênicas ao epitélio intestinal.
  • Em alguns casos de diarreia crônica causados por reação adversa ao alimento ou doença inflamatória intestinal, pode ser necessário o uso de dieta com proteínas hidrolisadas, que são mais facilmente digeridas e absorvidas nestes pacientes.

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Referências bibliográficas

CAVE, N. Nutritional management of gastrointestinal diseases. In: Applied Veterinary Clinical Nutrition. 2012.

DUARTE, R. Diarreias crônicas. Vets Today. Royal Canin, 2011.

GERMAN, A.; ZENTEK, J. The most common digestive diseases: the role of nutrition. In: PIBOT, P. et al. Encyclopedia of canine clinical nutrition. Royal Canin, 2006.

STEINER, J. Uma abordagem passo a passo para cães e gatos com diarreia crônica. Royal Canin, 2015.