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Urolitíase felina: entenda as principais causas e a relação com a alimentação

Urolitíase felina: entenda as principais causas e a relação com a alimentação
Atualizado em 14 de maio de 2026
Tempo de leitura: 11min
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A urolitíase felina é um problema muito observado na rotina clínica, que pode estar relacionado com o manejo alimentar do paciente. Entenda! 

Urolitíase é uma das doenças mais relevantes que acomete o trato urinário superior e inferior dos felinos. É comumente causada pela formação de cálculos de oxalato de cálcio e estruvita, e influencia diretamente na qualidade de vida do animal, podendo gerar sinais clínicos como dor e desconforto. 

O diagnóstico do tipo de cálculo pode representar um desafio para o médico-veterinário, mas é algo essencial para promover o melhor e mais eficaz tratamento, assim como saber o que esperar como resultado de uma mudança no manejo alimentar. Conheça todos os detalhes! 

Entendendo a urolitíase e o acometimento felino 

Urolitíase felina é um termo genérico que se refere à presença de urólitos em qualquer porção do trato urinário, assim como a suas causas e consequências. Este problema não deve ser abordado como uma doença com uma causa única, mas sim como uma sequela de múltiplas anormalidades subjacentes que interagem (WESTROPP, LULICH, 2017). 

Urólito ou cálculo consiste em uma formação macroscópica que é resultado do agrupamento de um ou mais tipos de minerais na urina, devido a presença de grande quantidade desses componentes na urina (supersaturação). Isso pode decorrer de um conjunto de fatores sistêmicos que influenciam na composição química e propriedades físicas da urina, assim como de fatores congênitos ou fisiopatológicos adquiridos, além de fatores ambientais.   

Na Alemanha, a urolitíase foi observada em 7% dos animais com doença do trato urinário inferior em felinos (DTUIF) (DORSCH et.al., 2014). Em uma cidade de Minas Gerais, no Brasil, 3,5% dos gatos atendidos no Centro Clínico Veterinário do UNIPAMN, entre 2015 e 2021, foram diagnosticados com urolitíase (RAMOS, SOUZA, 2023).  

Portanto, este é um problema regularmente encontrado na rotina do médico-veterinário, que deve compreender que a urolitíase felina possui algumas diferenças fisiológicas e anatômicas, que podem implicar diretamente no tratamento e prognóstico, como veremos adiante. 

Além disso, o manejo alimentar está diretamente relacionado à urolitíase felina, uma vez que o aporte inapropriado de minerais é um dos fatores primários para formação de cálculos (GRAUER, 2015). Assim, a composição do alimento pode afetar o volume, a densidade e o pH urinário.  

A evolução da urolitíase felina ao longo dos anos 

Ao longo dos anos, tem sido relatado que os minerais oxalato de cálcio (CaOx) e estruvita são os mais comumente relacionados à urolitíase felina. A proporção de urólitos contendo CaOx foi maior do que a proporção de urólitos contendo estruvita de 1993 a 2004, mas um aumento gradual de estruvita foi observado nos últimos anos desse estudo (CANNON et.al., 2007). 

Por outro lado, um relatório das amostras submetidas à análise pelo Minnesota Urolith Center, publicado em 2009, identificou a estruvita como o tipo de mineral mais comum na composição dos cálculos urinários (OSBORNE et.al., 2009). 

Kopecny et.al. (2021) relataram, em um estudo retroativo, uma diminuição não linear significativa na proporção de urólitos contendo CaOx ao longo do tempo, de 50,1% em 2005 para 37,7% em 2018, conforme o gráfico abaixo.  

Gráfico mostra a evolução da urolitíase felina
Figura 1: Proporção de urólitos contendo oxalato de cálcio e estruvita (de todos os tipos de urólitos) a cada ano de 2005 a 2018. Fonte: Kopecny et.al., 2021.

Portanto, a modificação das incidências dos tipos de litíases pode ser influenciada pela disponibilidade de um número crescente de dietas terapêuticas veterinárias indicadas para o tratamento de doenças urinárias em gatos e pelas mudanças nas abordagens terapêuticas para urolitíase felina.  

A ação do manejo nutricional na composição da urina também pode resultar em alterações no risco e na composição dos urólitos que podem ser documentados de acordo com a população avaliada. 

Urolitíase felina: principais formas de acometimento 

Raça, idade, sexo, excesso de peso, alimentação e infecções do trato urinário são reconhecidos como fatores predisponentes para certos tipos de litíases em gatos (RAMOS, SOUZA, 2023).  

Conforme descrito anteriormente, a urolitíase felina é mais frequentemente causada por urólitos radiopacos de estruvita e de oxalato de cálcio. Então, vamos abordar mais detalhes desses dois tipos de minerais. 

  • Estruvita 

Os urólitos de estruvita, compostos por fosfatos de amônio magnesiano hexahidratado, desenvolvem-se em urina com altos níveis de fosfato, amônio e magnésio, tipicamente em um pH acima de 6,5. Sendo assim, os cristais de estruvita são solúveis em pH inferior a 6,5, sendo que a cristalização raramente ocorre em pH menor que 6,3.  

Na urolitíase felina, é importante notar que uma parcela significativa dos cálculos de estruvita são estéreis, ao contrário do que acontece nos cães. Porém, infecções urinárias também podem induzir a formação desses urólitos no trato urinário dos gatos, embora seja uma causa menos comum. 

Urólitos de estruvita
Figura 2: Urólitos de estruvita. Abordagem nutricional de urolitíases em gatos e cães que vcs compartilharam. Material informativo. Royal Canin

Outro fator responsável pelo desenvolvimento de litíases de estruvita em gatos é a alimentação, uma vez que dietas ricas em fósforo aumentam sua excreção na urina, resultando em uma supersaturação urinária com magnésio, amônio e fosfato. 

  • Oxalato de cálcio 

Os urólitos de oxalato de cálcio (CaOx) levam o nome de seu componente, normalmente possuem superfície irregular, e sua formação geralmente é decorrente da alta concentração de cálcio e oxalato na urina do animal – resultado de um aumento da ingestão alimentar desse mineral associado à baixa ingestão hídrica e retenção urinária prolongada. 

Urólitos de oxalato de cálcio
Figura 3: Urólitos de oxalato de cálcio. Abordagem nutricional de urolitíases em gatos e cães que vcs compartilharam. Material informativo. Royal Canin

A urolitíase felina por oxalato de cálcio geralmente afeta animais de meia idade a idosos. Segundo Kopecny et.al. (2021), aproximadamente 66,5% dos gatos que apresentaram esse tipo de urólitos tinham idade entre 7 e 15 anos.  

A importância em diagnosticar o tipo de cálculo 

O diagnóstico preciso do tipo de cálculo presente na urolitíase felina, seja estruvita ou oxalato de cálcio, é importante para determinar o tratamento mais eficaz e para prevenir recorrências. Cada tipo de cálculo apresenta características distintas em termos de formação, manejo alimentar e abordagem terapêutica, o que ressalta a necessidade da correta identificação. 

Assim, após a junção do histórico detalhado do paciente, seu exame físico, exames laboratoriais (hemograma, bioquímico, urinálise, urocultura e antibiograma, entre outros) e exames de imagem (radiografia, ultrassonografia), é necessário fazer a análise do urólito. 

Vale ressaltar que a cristalúria nem sempre está relacionada à existência de litíases, o tipo de cristal pode ser diferente à composição do urólito, e, ainda, a presença de urólitos nem sempre está relacionada a sinais clínicos.  

Principais sinais clínicos apresentados por gatos com urolitíases 

Os sinais clínicos que podem ser observados em pacientes com urolitíase felina incluem: 

  • hematúria; 
  • polaciúria; 
  • disúria; 
  • estranguria; 
  • micção inapropriada (fora da caixa sanitária, incontinência); 
  • desconforto/vocalização; 
  • obstrução uretral parcial ou completa. 

Propondo um tratamento eficaz para o felino com urolitíases 

A eficácia do tratamento estará diretamente relacionada à identificação da composição dos cálculos envolvidos na urolitíase felina. Afinal, é a partir desse conhecimento que o médico-veterinário será capaz de adotar as medidas terapêuticas indicadas para cada quadro. 

A saturação urinária, influenciada pelo pH, volume de urina e concentração de íons minerais, é um fator comum a todos os tipos de urólitos, porém, cada tipo possui o seu próprio valor de RSS (Supersaturação Relativa Urinária).  

Quanto menor este número, menos saturada está a urina e menos predisposto é o gato à formação de cálculos. Quando se consegue promover uma subsaturação de minerais, instala-se a capacidade de dissolução do cristal. 

Assim, urólitos estéreis de estruvita podem ser dissolvidos através de uma dieta que promova o aumento de volume de urina e um pH menor que 6,4. Ao diagnosticar uma infecção urinária concomitante, deve-se combinar a antibioticoterapia baseada em cultura e antibiograma realizados a partir de uma amostra obtida por cistocentese. 

Para litíases de oxalato de cálcio, a alimentação só consegue promover uma saturação urinária metaestável, sob a qual não ocorre cristalização nem dissolução. Nesses casos ou em outros nos quais a dissolução não obteve êxito, pode ser indicada a remoção cirúrgica dos urólitos. 

Anti-inflamatórios e analgésicos podem ser necessários para melhorar o desconforto. O estado geral do paciente também pode exigir uma terapia de suporte. Além disso, quadros obstrutivos devem receber abordagem adequada para restituir o fluxo urinário. 

A ROYAL CANIN®, juntamente com os maiores especialistas em Urologia Veterinária do Brasil do Colégio Brasileiro de Nefrologia e Urologia Veterinárias, preparou a Jornada do Conhecimento da Saúde do Trato Urinário, uma capacitação intensiva e gratuita com importantes temas sobre as doenças do trato urinário inferior dos gatos e cães.  

Confira uma aula detalhada sobre tratamento e manejo das urolitíases, apresentada em dois capítulos:

A importância do manejo nutricional em todas as fases da vida 

O manejo nutricional desempenha um importante papel em todas as fases da vida do felino, influenciando diretamente sua saúde, vitalidade e longevidade. O fornecimento de um alimento que contenha ingredientes de excelente qualidade, em suas adequadas proporções, é capaz de garantir uma nutrição equilibrada que atinja todas as necessidades específicas dos gatos. 

A urolitíase felina pode ser controlada e prevenida através de mudanças na dieta do animal. Uma alimentação que promova o aumento na ingestão hídrica, com consequente aumento do débito urinário, e contenha níveis seguros de minerais, como o fósforo, pode promover a diluição da urina, além de estabelecer um ambiente com baixo RSS, prevenindo e dissolvendo urólitos de estruvita e prevenindo urólitos de oxalato de cálcio.  

Assista ao vídeo a seguir, que também faz parte da Jornada de Conhecimento promovida pela Royal Canin®, para saber mais sobre o manejo nutricional de pacientes com urolitíase: 

Ao prescrever a dieta para o gato com essa afecção, o médico-veterinário pode optar pelos alimentos da linha Urinary S/O Feline, nas versões seca e úmida. São soluções nutricionais coadjuvante ao tratamento indicados também para casos de urolitíase felina, capazes de controlar o pH urinário (mantendo-o entre 5.8 e 6.5), com o objetivo de auxiliar na dissolução de cálculos urinários de estruvita e oferecer um manejo nutricional para urólitos de estruvita e oxalato de cálcio recorrentes. Essa alimentação é recomendada por, no mínimo, 4 semanas, mas pode ser utilizada pelo tempo que o médico-veterinário julgar necessário. 

Urinary para gatos

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Referências bibliográficas 

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WESTROPP, J.L.; LULICH, J.  Medical management of urolithiasis. BSAVA Manual of Canine and Feline Nephrology and Urology, 3ed., 2017. 

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