Gato com dor: como identificar o problema e fazer o manejo adequado

Gato com dor: como identificar o problema e fazer o manejo adequado

A presença de dor nos gatos domésticos pode representar um grande desafio ao Médico-Veterinário, pois os felinos nem sempre manifestam o sinal clínico de forma clara, dificultando a identificação e o diagnóstico. Entretanto, alguns cuidados podem contribuir para a diminuição da dor, trazendo maior conforto e qualidade de vida ao felino; saiba mais

Na vida selvagem é comum que os animais não manifestem a presença de algo errado com sua saúde. É uma questão de sobrevivência, uma vez que podem ser presas fáceis em situações de vulnerabilidade. Os antepassados selvagens dos gatos domésticos tinham que sobreviver desta forma. Mesmo com a atual domesticação dos gatos, este traço permanece até os dias atuais e esse é um dos motivos pelo qual os felinos podem esconder a dor ou não manifestar os sinais de forma clara. Muitas vezes eles não aparentam estar em situações de dor e desconforto ou mostram isso de forma muito sutil.

As mudanças de comportamento nos gatos podem ter diversas causas, mas é o principal indicativo da presença de dor. Por isso, é essencial que o tutor esteja atento a qualquer tipo de alteração no comportamento do animal (VITORINO, 2018).

A percepção da dor é uma das principais dificuldades na avaliação clínica e pode representar um grande desafio para o Médico-Veterinário e também para os tutores, já que os felinos não expressam a dor de forma semelhante aos seres humanos. Os gatos não possuem meios de verbalizar a intensidade, a localização e a extensão do seu desconforto. Com isso, essa identificação pode ocorrer de forma tardia, podendo gerar outras comorbidades, piorar o quadro clínico e causar mais prejuízos à saúde do animal.

A dor pode ter intensidade variável, podendo gerar diferentes sensações desagradáveis e de sofrimento físico ao indivíduo. A dor é mediada por estimulação das fibras nervosas que levam impulsos dolorosos ao cérebro do animal, sendo um processo multifatorial que envolve componentes sensoriais, motores e funcionais.

O diagnóstico assertivo e rápido da causa de base da dor pode fazer toda a diferença para o restabelecimento da saúde do animal, visto que é essencial para iniciar o tratamento e também para correções necessárias no manejo.

Embora identificar a presença de dor nos gatos não seja uma tarefa fácil, é dever do Médico-Veterinário realizar uma anamnese minuciosa, associada principalmente aos exames físicos. Ao identificar o local da dor, o profissional terá então a sua suspeita de diagnóstico e poderá determinar quais exames complementares podem auxiliá-lo na confirmação. Para mensurar e classificar a escala de dor nos felinos, o profissional também pode utilizar algumas ferramentas que são reconhecidas e confiáveis, como veremos neste artigo.

Assim será realizada a melhor abordagem para o tratamento, com base nas evidências e priorização do uso das modalidades terapêuticas mais eficazes de acordo com o caso.

Veja mais detalhes sobre os sinais que podem indicar a sensação de dor nos gatos!

Como saber se o gato está com dor

A dor pode ser categorizada em aguda ou crônica:

  • Dor aguda: geralmente começa de forma súbita e não se prolonga por muito tempo, podendo ter a duração média de até 3 meses. Mas, pode ocorrer durante os processos inflamatórios e durante a recuperação após ferimentos, além de diversos outros motivos como traumas, cirurgias e condições médicas graves ou diferentes doenças (VITORINO, 2018).
  • Dor crônica e/ou persistente: é o tipo de dor que possui uma durabilidade além do tempo de cura normal ou persiste em condições em que não há cura total da afecção ou cicatrização da lesão. Dentre as principais doenças associadas à dor crônica, estão as condições degenerativas, lesões dos nervos e doenças inflamatórias crônicas (VITORINO, 2018).

Caso o gato esteja doente ou sentindo dores, poderá apresentar mudanças habituais e comportamentais sutis ou significativas e, também outros sinais clínicos, como (VITORINO, 2018):

  • mudanças no temperamento, como demonstrações de agressividade;
  • hiporexia, anorexia ou apresentar uma dieta mais seletiva durante o período;
  • o animal pode retrair-se, esconder-se, ter apatia ou tendência por isolamento;
  • redução da mobilidade ou movimentação e resistência para pular ou subir em escadas, camas e etc;
  • intolerância a exercícios;
  • dificuldade para levantar, caminhar, manter-se em estação ou correr;
  • redução da autolimpeza dos pelos e higiene corporal;
  • lambedura excessiva no local da injúria ou automutilação;
  • alterações de hábitos de defecação ou micção;
  • posição retraída ou arqueada para dormir, ao invés de enrolada como ocorre geralmente;
  • maior sensibilidade ou vocalização ao toque e carícias;
  • expressões faciais, como os olhos semicerrados e testa franzida ou cabeça com pouco apoio e suspensa;
  • tensão abdominal ou respiração abdominal/forçada;
  • aumento da frequência cardíaca, respiratória e pressão sanguínea ou nos parâmetros bioquímicos;
  • respiração de boca aberta, já que o comportamento nos felinos geralmente está relacionado a presença de dor ou problemas respiratórios.

O tutor deve estar atento para identificar esses sinais e buscar orientações profissionais o quanto antes.

Escalas de dor para felinos: a importância da validação

Os Médicos-Veterinários geralmente se baseiam na observação do comportamento individual e também nas alterações dos parâmetros fisiológicos do animal, como o aumento da frequência cardíaca, respiratória e pressão sanguínea, permitindo assim a melhor identificação da presença de dor nesses pacientes. Entretanto, o reconhecimento da dor pode demorar, prolongando ainda mais o problema. Por ser uma sensação subjetiva, a dor dos gatos pode ser mal interpretada pelos tutores e profissionais envolvidos, o que pode refletir em um diagnóstico impreciso e, consequentemente, no tratamento inadequado.

Atualmente, há ferramentas validadas que identificam, avaliam e categorizam em escala a presença de dor através da expressão facial dos felinos, como por exemplo, a Feline Grimace Scale (FGS) e o Índice de Dor Musculoesquelética Felina (FMPI).

Essas ferramentas são práticas e fáceis de utilizar e implementar, sendo capazes de identificar a intensidade da dor, diferenciar os pacientes com e sem dor e também de determinar os níveis de necessidade de intervenção medicamentosa analgésica.

As escalas não identificam o local da dor, apenas a sua presença. Portanto, para o reconhecimento da dor, seu diagnóstico e definição de tratamento, o Médico-Veterinário deve se basear em um conjunto de técnicas de acordo com cada caso, sendo que uma profunda anamnese, além de exames físicos, laboratoriais e o uso das escalas de dor podem ser essenciais.

Feline Grimace Scale

Em 2018, o Médico-Veterinário Paulo Steagall desenvolveu a Feline Grimace Scale (FGS), que é atualmente uma das principais e mais confiáveis ferramentas para a avaliação da dor aguda em gatos. Ela se baseia nas características faciais dos gatos (FELINE GRIMACE SCALE©, 2019).

A FGS foi desenvolvida com a autorização dos tutores mediante assinatura do termo de consentimento e utilizou vídeos de gatos que foram atendidos no Hospital Veterinário da Université de Montréal. O comparativo foi feito com gatos com e sem dor, antes e depois da administração de analgésicos, com tratamento por técnicas Cat-Friendly.

Para utilizar a FGS, o profissional que realiza a avaliação deve observar o gato durante 30 segundos sem perturbá-lo, podendo iniciar a pontuação em seguida. Caso o gato esteja comendo, vocalizando, se lambendo ou dormindo, é necessário aguardá-lo finalizar essas ações para o início da avaliação (FELINE GRIMACE SCALE©, 2019).

A FGS possui 5 itens/reações a serem avaliados, sendo: posição das orelhas, abertura dos olhos, tensão do focinho, posição dos bigodes e posição da cabeça. Cada uma pode ser pontuada de 0 a 2 (FELINE GRIMACE SCALE©, 2019):

  • Pontuação 0: as orelhas do gato estão voltadas para frente, olhos abertos, focinho relaxado em formato redondo, bigodes soltos e curvos e cabeça acima da linha do ombro. Neste caso, a reação está ausente e portanto significa que o gato está sem dor ou possui alguma dor leve.
  • Pontuação 1: as orelhas do gato estão ligeiramente afastadas, olhos parcialmente abertos, focinho ligeiramente tenso, bigodes ligeiramente retos ou curvos e cabeça alinhada com a linha do ombro. Neste caso, a reação à dor está moderadamente presente ou há incerteza sobre sua presença, significa que o gato possivelmente possa estar com dor leve a moderada.
  • Pontuação 2: as orelhas do gato estão achatadas e posicionadas para fora, olhos semicerrados, focinho tenso em formato elíptico, bigodes retos e avançando para a frente e cabeça abaixo da linha dos ombros ou inclinada para baixo com o queixo em direção ao peito. Neste caso, a reação está nitidamente presente e portanto significa que o gato está com dor moderada a severa. Ou seja, a pontuação máxima obtida na avaliação poderá chegar até 10.

Uma pontuação acima de 4 recomenda que o Médico-Veterinário avalie a possível necessidade do uso de fármacos analgésicos. Caso a pontuação obtida seja até 4 ou o profissional fique em dúvida quanto ao resultado, o gato poderá ser reavaliado após 10 a 15 minutos (FELINE GRIMACE SCALE©, 2019).

A FGS está disponível no site e aplicativo, junto com um manual de treinamento para a sua correta utilização e interpretação.

FMPI: Índice de Dor Musculoesquelética Felina

O Índice de Dor Musculoesquelética Felina (FMPI) foi desenvolvido pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual da Carolina do Norte e é um instrumento de metrologia clínica que mensura as características de agilidade, mobilidade e disposição do felino e que estejam associadas a um distúrbio musculoesquelético crônico (PAINFREECATS.ORG, 2018).

A escala FMPI se baseia em um questionário para avaliar, diagnosticar e monitorar o grau de dor crônica felina decorrente dos distúrbios articulares degenerativos (PAINFREECATS.ORG, 2018).

O questionário é preenchido pelo tutor e deve ser devolvido ao profissional para a realização do cálculo das notas. As pontuações variam entre 0 e 4 para cada pergunta, totalizando 17 perguntas, sendo que 0 representa a opção mais distante e 4 representa a opção mais afetada (PAINFREECATS.ORG, 2018).

Caso o tutor não identifique a situação, deve selecionar a opção “não aplicável” e nenhuma pontuação será atribuída a essa pergunta (PAINFREECATS.ORG, 2018).

As questões 18 até 21 são pontuadas de forma diferente. Neste caso o tutor deverá responder “sim” ou “não”, sendo que os escores representarão “0” para “não” e “1” para “sim” (PAINFREECATS.ORG, 2018).

Para compor a nota final, as pontuações de todas as questões serão somadas. Sendo que, a pontuação máxima possível na avaliação será 72 (PAINFREECATS.ORG, 2018).

As recomendações para uso da FMPI estão disponíveis, junto às instruções para interpretação do instrumento.

Causas comuns de dor em felinos

A dor tem a função de preservação da vida e da integridade física do animal. Por isso, possui grande relevância nos processos fisiológicos. Entretanto, ela pode ser duradoura e exacerbada, gerando grandes desconfortos para o animal.

Assim como em todos os demais animais e seres humanos, nos felinos a dor pode ser aguda ou crônica. Inicialmente podemos classificá-la de acordo com um critério temporal, podendo ter origem somática, visceral, inflamatória ou neuropática.

A dor pode ocorrer por diferentes causas, devendo ser investigada pelo profissional, pois pode estar associada a diversas doenças, como por exemplo, problemas gastrointestinais, articulares e ortopédicos, traumas, neoplasias, recuperação pós-cirúrgica e outros motivos.

A seguir, abordaremos em detalhes algumas das principais causas da dor em gatos.

Causas gastrointestinais

O gato pode ter maior sensibilidade no trato gastrointestinal. Entretanto, as causas podem ser diversas, como por exemplo:

Além dessas afecções, muitas outras podem acometer os gatos e causar dor.

A ROYAL CANIN® possui no portfólio o alimento Gastrointestinal Fibre Response Feline, que é indicado para gatos adultos com alguns distúrbios gastrointestinais agudos ou crônicos e que necessitam de um aporte específico de fibras, além de indicação para quadros de megacólon sem origem obstrutiva.

embalagem do alimento Gastrointestinal Fibre Response

Dores articulares e ortopédicas

As dores articulares e ortopédicas crônicas são comuns nos pacientes geriátricos e afetam significativamente a qualidade de vida, mas também podem acometer animais jovens por fatores genéticos ou hereditários. A dor ortopédica também pode ser aguda, principalmente quando relacionada a traumas.

Entre as diversas causas de dores articulares e ortopédicas nos gatos estão:

  • lesões de coluna: pela diminuição dos espaços intervertebrais, hérnias de disco, presença de osteófitos, entre outro;
    displasia coxofemoral;
  • lesões de joelho: como deslocamento patelar ou ruptura do ligamento cruzado cranial;
  • sobrepeso: gera sobrecarga nas articulações, além de outros problemas de saúde e comorbidades associadas à obesidade, como a resistência insulínica, doenças do trato urinário inferior e lipidose hepática.

Para auxiliar na prevenção do sobrepeso e da obesidade nos gatos, o Médico-Veterinário deve estar atento para orientar o tutor sobre as formas de manejo do animal. Nesses casos, os cuidados com a alimentação e as brincadeiras ou atividades físicas são essenciais para a perda e manutenção do peso ideal para o pet.

A ROYAL CANIN® possui no portfólio os alimentos Satiety Support Weight Management Feline, na versão seca e, Satiety Weight Management Feline Wet, na versão úmida. Ambos são coadjuvantes ao tratamento de gatos com obesidade e indicados para a manutenção do peso.

Alimentos Satiety para gatos

A ROYAL CANIN® também produz alimentos de acordo com as fases de crescimento dos animais (filhotes de 0 a 1 anos, adultos de 1 a 7 anos, maduros de 7 a 11 anos e idosos com idade superior a 11 anos). As versões com ômega 3 visam uma maior proteção no desgaste natural das articulações e consequentemente auxiliam na prevenção de problemas articulares.

Outras causas

Diversos outros problemas podem gerar dor ou incômodo nos gatos, como por exemplo, insuficiência renal, problemas hepáticos, problemas cardíacos e demais afecções.

Manejo e tratamento do gato com dor

Tratar a dor é de suma importância para proporcionar maior conforto e qualidade de vida ao animal. Caso contrário, outros problemas secundários relacionados à dor podem surgir, como a taquicardia, hipertensão, taquipnéia, prostração, hiporexia e anorexia, alterações imunológicas e da cascata de coagulação, dentre outros.

Na ausência do tratamento adequado, a dor pode desencadear diversos transtornos e comprometer a saúde geral do paciente, podendo causar danos nos processos fisiológicos, já que algumas alterações envolvendo mecanismos neuroendócrinos estarão presentes no quadro de dor, como o aumento da glicemia, a liberação de adrenalina, além de outros processos álgicos.

Os casos de dores agudas não tratadas ou tratadas de forma inadequada também podem evoluir para quadros de dores crônicas e persistentes.

Através de uma minuciosa anamnese e avaliação clínica, o Médico-Veterinário irá verificar parâmetros como a temperatura corporal, frequência cardíaca e respiratória, a pressão arterial do animal e outros. Os exames laboratoriais podem ser solicitados após a avaliação inicial do paciente para complementar a investigação, bem como o uso de ferramentas, como a FGS e o FMPI, para diagnóstico e definição do melhor tratamento para o paciente.

O prognóstico dependerá do diagnóstico obtido e do quadro geral do animal. Portanto, o diagnóstico e a intervenção terapêutica quando necessária devem ser realizados em tempo hábil para aumentar as chances de sucesso no tratamento. Dependendo do caso, o tratamento poderá incluir equipes multidisciplinares, envolvendo diferentes especialidades médicas como clínica médica, ortopedia, fisioterapia, acupuntura e outros.

Medicamentos

O uso de fármacos pode ser indicado para o manejo clínico dependendo de cada caso. A alopatia é utilizada para tratar diversos tipos de dores, entretanto, o diagnóstico é extremamente importante para que o Médico-Veterinário identifique qual é a melhor opção para tratamento analgésico.

A avaliação do espécime deve ser feita de forma individual, pois o animal pode ter alguma restrição no uso de certos fármacos ou alguma particularidade que o impeça de receber certos tipos de medicações.

O tratamento pode incluir analgésicos sistêmicos para tratar a dor, além de anti-inflamatórios para controlar a inflamação, e antibióticos caso seja identificada alguma infecção bacteriana secundária.

Os grupos de fármacos utilizados para o controle da dor inclui (FLECKNELL, P., 2008):

  • AINES: anti-inflamatórios não esteroidais.
  • Corticoides: anti-inflamatórios esteroidais, que são dose-dependentes e portanto devem ser prescritos em baixas dosagens quando o objetivo é a ação anti inflamatória, já que doses altas tem poder imunossupressor, podendo gerar inclusive pioras no quadro. O uso de corticóides tende a causar mais efeitos adversos quando o uso é prolongado, sendo recomendado o desmame do fármaco para evitá-los.
  • Opióides: alguns possuem ações mais sedativas e menos analgésicas e, alguns inibem a ação de outros fármacos do mesmo grupo pela ação nos receptores Mu e Kappa, por exemplo. Portanto, o profissional deve conhecer o fármaco que está utilizando, para que o efeito desejado seja obtido com sucesso.
  • Gabapentina: é um anticonvulsivante que pode ser prescrito para tratamento de dores crônicas. A ação inicial leva de 10 a 15 dias, podendo ser necessária inicialmente a associação com outro fármaco de ação mais rápida, mas que será descontinuado assim que a ação da Gabapentina iniciar.

Terapias complementares

As terapias complementares também podem contribuir para o manejo da dor nos gatos (ROCHA, 2020), como:

  • acupuntura, moxabustão, Ozonioterapia, laserterapia e outras;
  • óleos essenciais e aromaterapia;
  • florais de Bach;
  • hormonioterapia (através dos feromônios sintéticos);
  • fitoterapia;
  • dietoterapia;
  • cromoterapia;
  • musicoterapia;
  • fisioterapia;
  • outros.

Entre as terapias complementares mais atuais, a medicina canábica vem crescendo muito ultimamente, podendo ser eficaz como tratamento alternativo de doenças crônicas para humanos e animais. O fármaco geralmente possui como princípio ativo o CBD (canabidiol) e o THC (tetra-hidrocanabinol) , tendo suas doses reguladas de acordo com cada caso e espécie. A terapia possui propriedades ansiolíticas, anti-inflamatórias e analgésicas (ROCHA, 2020).

Entretanto, embora estudos demonstrem sua eficácia para diversos casos, a utilização do Canabidiol terapêutico ainda é incerta para algumas afecções, principalmente por que ainda faltam estudos relacionando ao uso de canabinóides em felinos. Seu uso pode ser prescrito por um profissional que seja capacitado e com conhecimentos na área (ROCHA, 2020).

Outros tratamentos

Outros tratamentos podem ser necessários dependendo do caso. Algumas afecções ou doenças, como o complexo gengivite-estomatite felina e outras, podem necessitar de intervenção cirúrgica.

Caso o gato possua dores persistentes e dependendo do estágio da doença e prognóstico, os cuidados paliativos podem ser uma abordagem complementar para os felinos que não respondem aos tratamentos de cura.

Mas, vale ressaltar que é de extrema importância identificar a causa de base da dor no animal para oferecer um tratamento adequado e que seja efetivo para a melhoria da qualidade de vida do pet e também para o controle das dores.

Orientações ao tutor do animal

O tutor convive e conhece o temperamento do seu pet, mas as mudanças no comportamento do animal podem ser sutis e, até mesmo, passar despercebidas, podendo ser ignoradas ou confundidas com outros problemas como as mudanças humorais.

Mas as mudanças comportamentais podem indicar que o animal esteja sentindo algum tipo de dor. Para evitar o problema e identificar com maior facilidade a presença da dor no gato, alguns cuidados são essenciais, como:

  • o tutor deve estar atento e observar mudanças sutis ou abruptas no comportamento do animal;
  • disponibilizar dieta adequada de acordo com a idade e as necessidades individuais do pet;
  • cuidados com o ambiente, como evitar manter o animal com livre acesso a locais com escadas em casos de problemas ortopédicos ou articulares;
  • observar se o gato tende a ficar isolado ou em locais que não costuma ficar geralmente;
  • estar atento às expressões faciais do felino, com base na ferramenta FGS, por exemplo.

As dores agudas tendem a ser mais repentinas e fáceis de identificar, pois as mudanças de comportamento do gato geralmente são mais abruptas neste caso. Mas, as dores crônicas também podem estar ocorrendo e é muito importante que o animal passe em consultas de rotina para avaliação.

A ROYAL CANIN® tem como compromisso o bem-estar e a qualidade de vida animal, mantendo seu portfólio atualizado e cada vez mais completo. Acesse a Calculadora para Prescrições para obter auxílio nas recomendações aos seus pacientes.

Referência bibliográfica

VITORINO, Leticia. Reconhecimento e mensuração clínica da dor aguda nos felinos domésticos: revisão da literatura. 2018, p. 1-39. Dissertação (UNIVERSIDADE DE BRASILIA) – Bacharel em Medicina Veterinária – Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Brasília, 2018. Disponível em: https://bdm.unb.br/bitstream/10483/21297/1/2018_LeticiaVitorino_tcc.pdf. Acesso em: 13 jun. 2022.

ROCHA, Rebeca da Silva. Medicina complementar e alternativa na cistite intersticial felina. 2020, p. 9-42. Dissertação (UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA) – Bacharel em Medicina Veterinária – Centro de Ciências Agrárias, Areia, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/20476/1/RSR23072021-MV299.pdf. Acesso em: 13 jun. 2022.

FELINE GRIMACE SCALE©. 2019. Disponível em: https://pt.felinegrimacescale.com/about#:~:text=A%20Feline%20Grimace%20Scale%20demonstra,da%20dor%20aguda%20em%20gatos. Acesso em: 12 jun. 2022.

PAINFREECATS.ORG. The Feline Musculoskeletal Pain Index (FMPI). 2018. Disponível em: https://painfreecats.org/the-fmpi/. Acesso em: 12 jun. 2022.

FLECKNELL, P. Analgesia from a veterinary perspective. 2008, p.123. Comparative Biology Centre, The Medical School, University of Newcastle, Newcastle-upon-Tyne NE2 4HH, UK, 2008. Disponível em: https://www.bjanaesthesia.org/action/showPdf?pii=S0007-0912%2817%2934276-9