Megaesôfago em cães e gatos: diagnóstico e abordagem do paciente

Megaesôfago em cães e gatos: diagnóstico e abordagem do paciente

Distúrbio comum de motilidade esofágica acomete com maior frequência a espécie canina e requer cuidados específicos para proporcionar qualidade de vida ao animal; saiba mais

Megaesôfago é o termo que se refere à dilatação esofágica generalizada. Nesta condição, a motilidade esofágica encontra-se diminuída ou ausente, resultando na retenção e no acúmulo de alimentos no esôfago.

O megaesôfago em cães é bem mais recorrente que em gatos. Embora existam alguns relatos da doença secundária à disfunção pilórica e à disautonomia em animais da raça Abissínio e Siamês, a afecção é de ocorrência rara na espécie felina.

Confira a seguir as principais causas desta afecção e como realizar o diagnóstico assertivo e o tratamento eficaz para o manejo da doença.

Principais causas de megaesôfago

O esôfago canino contém músculo estriado e é inervado pelo nervo vago em toda a sua extensão. O reflexo fisiológico da motilidade esofágica começa quando o alimento ingerido estimula neurônios sensoriais aferentes na mucosa do órgão, a qual manda mensagens para o centro da deglutição no tronco cerebral via nervo vago.

Depois disso, mensagens eferentes dos motoneurônios inferiores viajam pelo nervo vago e estimulam a contração dos músculos liso e estriado do esôfago.

Lesões em qualquer parte deste caminho podem resultar em hipomotilidade e distensão esofágica.

O megaesôfago pode ser um distúrbio primário ou secundário, congênito ou adquirido. O megaesôfago primário geralmente é idiopático, enquanto o secundário pode se desenvolver a partir de inúmeras outras causas que serão abordadas no decorrer deste artigo. A causa mais importante de megaesôfago adquirido é a miastenia gravis (MG). Geralmente, a forma secundária ocorre em cães entre 7 e 15 anos de idade e não há predileção sexual.

Já as raças mais predispostas a desenvolverem megaesôfago congênito, de acordo com a literatura científica, são:

  • Pastor Alemão
  • Dogue Alemão
  • Setter Irlandês
  • Labrador Retriever
  • Shar Pei
  • Terra Nova
  • Schnauzer Miniatura
  • Fox Terrier

Sinais clínicos

O megaesôfago em cães é uma das principais causas de regurgitação, que pode ocorrer logo após a refeição ou horas depois. Este é o principal motivo que faz com que os tutores levem seus animais ao consultório veterinário. A frequência da regurgitação pode variar de episódios intermitentes a múltiplos episódios diários.

Outros sinais geralmente também estão presentes, como perda de peso, tosse, dispneia, sialorreia, taquipneia, e geralmente surgem devido à desnutrição, ao refluxo nasal e à pneumonia aspirativa, sendo esta a principal causa de complicação do megaesôfago.

Polifagia pode estar presente devido a absorção inadequada de nutrientes. No exame físico também podem ser observadas caquexia, febre e crepitação à auscultação cardiopulmonar (nos casos de pneumonia aspirativa).

Vômito x Regurgitação

É frequente o relato de vômito em cães (e não regurgitação) durante a anamnese, uma vez que é bastante comum os tutores desconhecerem a diferença entre estas manifestações clínicas.

O aspecto do conteúdo evacuado auxilia na diferenciação dos sinais clínicos. A regurgitação em cães se caracteriza pela evacuação passiva retrógrada de alimento não digerido pelo esôfago, enquanto o vômito consiste em atividades coordenadas do sistema gastrointestinal, músculo esquelético e sistema nervoso, culminando na evacuação ativa de alimentos digeridos ou parcialmente digeridos.

Outro aspecto relevante é quanto tempo após a refeição o animal apresentou a evacuação do alimento. Enquanto a regurgitação acontece pouco tempo após a refeição, o vômito pode ocorrer horas após a alimentação.

Diagnóstico de megaesôfago

O diagnóstico do megaesôfago é baseado na combinação de anamnese, exame físico e exames laboratoriais. Radiografias cervicais e torácicas são necessárias para avaliar dilatação esofágica generalizada, presença de estruturas radiopacas (corpo estranho, massa), alargamento do mediastino, dilatação esofágica focal (estenose, anomalia do anel vascular) e para evidências de pneumonia por aspiração. A presença de conteúdo luminal, gases, líquidos ou sólidos (alimento) no lúmen dilatado faz com que essa alteração esofágica seja identificada.

Nos casos em que radiografias simples não confirmam o diagnóstico, radiografias de contraste (esofagograma) e imagens avançadas são frequentemente necessárias. O esofagograma permite melhor avaliação do tamanho e da forma do esôfago nos casos de megaesôfago e anomalias do anel vascular.

A avaliação endoscópica do órgão é útil na avaliação de massas, corpos estranhos, estenose e esofagite. A videofluoroscopia é usada para avaliar a motilidade durante a deglutição (dismotilidade esofágica).

Diagnóstico diferencial com outras afecções

Assim que o megaesôfago for detectado, é necessário diferenciá-lo entre primário ou secundário. O esofagograma também contribui para diferenciar a doença de outras causas de dilatação esofágica, como, por exemplo, obstruções por corpo estranho ou anomalia vascular (persistência do arco aórtico).

Um exame neurológico completo é necessário para avaliar a presença de déficits neurológicos ou disfunção neuromuscular, que pode ocorrer em doenças como miastenia gravis ou miopatias inflamatórias.

O hemograma e o perfil bioquímico completos também devem ser realizados. Leucocitose com ou sem desvio à esquerda pode indicar pneumonia por aspiração. A creatinoquinase e a aspartato transaminase podem estar elevadas na polimiosite. A dosagem de anticorpo anti-receptor acetilcolina é realizada para diagnóstico da miastenia gravis. O resultado, no entanto, pode ser demorado e, por isso, pode ser realizado também o teste de estímulo com cloridrato de edrofônio (Tensilon®) para detecção da doença.

Outros diagnósticos diferenciais incluem esofagite, hérnia hiatal, hipotireoidismo, hipoadrenocorticismo, disautonomia, toxicidade ao chumbo, polimiopatias, lupus eritematoso sistêmico e neoplasias.

Para filhotes que apresentam regurgitação, o principal diagnóstico diferencial é a persistência do arco aórtico. O prognóstico para megaesôfago congênito é reservado.

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Tratamento e manejo do paciente

O paciente diagnosticado com megaesôfago necessitará de cuidados específicos para o resto da vida. O tratamento de suporte é ponto-chave para o manejo da afecção, que embora não possa ser curada, pode ser amenizada por meio de estratégias específicas de manejo.

As principais adaptações a serem introduzidas pelos tutores em casa são:

  • Introduzir dieta com alimentação pastosa (lata ou sachê);
  • Oferecer a quantidade diária fracionada em pequenas e múltiplas refeições;
  • Utilizar dieta com alta densidade calórica para atender às exigências nutricionais diárias com menor volume de alimento;
  • Posicionar o animal em posição bipedal no momento da refeição para facilitar a passagem do alimento pelo esôfago;
  • Manter o animal na posição bipedal por pelo menos 20 minutos;
  • Se necessário, oferecer o alimento na mão do tutor para que o animal possa ingerir com mais facilidade.

Os alimentos úmidos da linha GASTROINTESTINAL® da ROYAL CANIN® são ótimas opções alimentares para o manejo do megaesôfago, pois são formulados com ingredientes rigorosamente selecionados que garantem a alta qualidade nutricional e que fornecem nutrientes específicos para a manutenção da saúde intestinal, como:

  • Proteínas de altíssima digestibilidade
  • Ômega-3
  • Antioxidantes
  • FOS
  • MOS
  • Mix de fibras

alimentos úmidos da linha gastrointestinal para cães

Além do manejo alimentar, o uso de fármacos específicos podem colaborar para promover maior qualidade de vida ao paciente.

Um estudo conduzido por Quintavalla e colaboradores (2017) avaliou a eficácia do uso de sildenafil na dose de 1 mg/kg BID para melhorar o tônus muscular e auxiliar o esvaziamento gástrico em cães diagnosticados com megaesôfago. Os autores concluíram que houve melhora dos sinais clínicos no grupo testado em comparação com o grupo controle. Os animais que receberam o fármaco apresentaram diminuição significativa da frequência de regurgitação e ganho de peso após 14 dias de estudo.

Mais estudos são necessários para que se possa consolidar o uso de medicamentos como forma de tratamento do megaesôfago em pets.

Como facilitar o manejo alimentar em casa

Além das adaptações já sugeridas, algumas instruções podem ser passadas aos tutores para auxiliar na rotina de cuidados com o paciente, como:

  • Manter uma rotina de alimentação e oferecer refeições em horários específicos;
  • Na impossibilidade de se oferecer alimento úmido, misturar a ração seca com água e bater no liquidificador para obter uma consistência mais adequada;
  • Preparar com antecedência a alimentação a ser fornecida ao animal;
  • Orientar todas as pessoas do convívio do animal para que não ofereçam outros tipos de alimento de forma diferente da orientada pelo médico-veterinário.

Quais são as possíveis complicações do megaesôfago?

A principal complicação do megaesôfago geralmente é a pneumonia aspirativa, pois muitos pacientes apresentam regurgitações persistentes e, como consequência, aspiram parte do conteúdo. O manejo correto do paciente, no entanto, tem como objetivo evitar este tipo de problema.

Outra condição comum é a desnutrição, que ocorre devido à incapacidade do esôfago de transportar nutrientes ao estômago.

A ROYAL CANIN® oferece em seu portfólio alimentos úmidos em latas e sachês que contribuem para o manejo alimentar adequado do paciente diagnosticado com megaesôfago. Nossos alimentos se diferenciam pelos ingredientes de altíssima qualidade e digestibilidade e pelas fórmulas balanceadas que oferecem a máxima precisão nutricional, proporcionando mais qualidade de vida, bem-estar e longevidade aos pets.

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