Gatos que vivem em ambientes internos precisam de cuidados especiais?

Gatos que vivem em ambientes internos precisam de cuidados especiais?

Gatos indoor devem ter espaço e estímulos para exteriorizar seu etograma normal, além de atenção especial à alimentação. Saiba quais cuidados essenciais e orientações que podem ser dadas ao tutor para trazer bem-estar e qualidade de vida a esses felinos

O estilo de vida do gato está se desenvolvendo de forma sequencial com o de seres humanos. O fato da população brasileira estar mais concentrada nas grandes cidades, o estilo de vida urbano, a ocupação de todos os membros da família e a dificuldade de retornar para casa na hora do almoço, passando cada vez menos tempo em casa, são características sociais que vão ao encontro com o atual estilo de vida dos gatos. Isso significa que esse animal está se tornando cada vez mais urbano e sedentário.

Etograma felino

Mesmo com a domesticação, os gatos devem contar com um ambiente que permita que eles exteriorizem seu etograma normal: comer, dormir e brincar, bem como ter a oportunidade de se esconder e de ficar em posição de recuo ou retirada em caso de estresse.

Entretanto, hoje os tutores de gatos, preocupados com a segurança e conforto, mantém seu animal, na maior parte do tempo, vivendo num ambiente interno (“indoor”) e limitado em diversos sentidos. Isso pode trazer consequências para a qualidade de vida e bem-estar do pet.

Impacto do estilo de vida indoor em gatos

Em muitos casos, este ambiente interno não é adaptado e enriquecido, por isso, os gatos que vivem nele têm dificuldade para expressar seus comportamentos naturais e suas necessidades. Geralmente, o gato fica mais sedentário (dorme de 18 a 19 horas por dia), tem 40% maior risco de sobrepeso, gasta 30% de seu tempo se lambendo (se lambe de 3 a 4 horas por dia), apresenta tempo de trânsito gastrintestinal mais lento, além de tendência a cistites e cálculos urinários.

Veja em detalhes do impacto de cada condição muito comumente observada em gatos que vivem em um ambiente indoor:

1. Castração

A maioria dos gatos indoor é castrada e, consequentemente, fica mais sedentária. Estudos mostram que um gato castrado pode viver até duas vezes mais do que um gato não castrado, além de sair menos de casa e, portanto, ser menos suscetível a doenças infecciosas contraídas na rua, acidentes, traumatismos, intoxicações e maus tratos.

Porém, a castração aumenta a taxa de incidência de obesidade: os gatos castrados têm uma probabilidade 3,4 vezes maior de ser obesos do que os não castrados. Acredita-se que os hormônios sexuais influenciem a ingestão alimentar e o peso corporal, seja por via direta ou indireta.

A castração altera o comportamento alimentar: após a realização desse procedimento, os gatos parecem menos capazes de regular seu consumo alimentar. Por essa razão, eles tendem a comer mais e, consequentemente, a ganhar peso. Assim, é importante ajustar a quantidade de alimento oferecida com densidade calórica adaptada ao gato para auxiliar na prevenção do ganho de peso.

2. Sobrepeso

Um gato que não tem acesso a ambientes externos gasta pouca energia. Consequentemente, esse gato precisa consumir menos calorias para manutenção da sua temperatura corporal, já que ele vive em um ambiente protegido. Os gatos que vivem em um ambiente interno têm uma incidência de obesidade superior a 40%, comparados com aqueles que têm acesso a ambientes externos.

Um dos segredos para evitar o sobrepeso em gatos é garantir que eles tenham vidas plenas e ativas. Mesmo os gatos que vivem em ambientes internos devem ser estimulados com brincadeiras diariamente. Isso contribui com o bem-estar físico e mental e também ajuda a gastar energia, contribuindo para a manutenção do peso ideal.

3. Auto-higienização

A lambedura ajuda na remoção dos pelos mortos e também desempenha um papel de termorregulação, além de uma função social quando dois animais lambem um ao outro. A auto-higienização também é usada como um mecanismo regulador de estresse nos gatos. A duração e a qualidade de sua auto-higienização podem ser bons indicadores do estado emocional do gato.

Um gato de vida doméstica dedica em torno de 30% de seu tempo lambendo sua pelagem e, portanto, é mais propenso à formação das bolas de pelos. Durante o dia, um gato pode ingerir espontaneamente 2/3 dos pelos perdidos (liberados) por ele. Esses pelos podem se aglomerar no trato gastrointestinal e formar os tricobezoares.

Essas concreções pilosas potencialmente levam à obstrução parcial ou total do segmento intestinal e, consequentemente, à necessidade de intervenção clínico-cirúrgica. De acordo com dados internos da ROYAL CANIN (2004), 52% dos médicos-veterinários já tiveram de tratar alguma obstrução intestinal causada por bolas de pelos e 43% foram obrigados a realizar cirurgia.

Tendo em vista todas as potenciais alterações comportamentais e alimentares às quais os gatos indoor estão submetidos, é importante que o tutor se atente, principalmente, ao enriquecimento ambiental e às estratégias de alimentação, a fim de garantir a saúde e bem-estar do seu animal.

Adaptação do ambiente

Quando a mobília da casa onde o gato vive é integrada e o ambiente bem arrumado, ele terá pouquíssimos lugares para se esconder em caso de perigo. Em consequência disso, o gato se encontra exposto e vulnerável. É preciso, portanto, que o tutor pense em mudanças no ambiente.

O local deve ser constante e previsível para o gato, tanto em termos de estrutura física como de odores. O acesso a plataformas de repouso em locais altos e seguros diminui o risco do animal apresentar comportamentos de escape, visando aliviar a ansiedade, tal como o excesso de auto-higienização e a superalimentação.

Se todos os móveis da casa estiverem integrados, será conveniente fixar prateleiras ou estantes ou mesmo esvaziar uma parte de um armário ou prateleira a fim de oferecer um espaço ao gato para que ele se sinta seguro.

Outra atitude que deve ser conversada com o tutor é sobre estimular brincadeiras e atividade física pode ajudar os animais a conter o tédio, fazendo com que eles diminuam o gesto de se lamber. Um ambiente que estimule as brincadeiras, exercícios físicos e a interação do proprietário são importantes para diminuir o estresse.

Os brinquedos costumam ser empregados na tentativa de enriquecer o ambiente de um gato. A escovação diária nos gatos ainda ajuda a remover os pelos mortos, evitando que grandes quantidades sejam ingeridas.

Estratégia nutricional

Devido a todas as considerações descritas acima, é importante escolher um alimento e uma estratégia alimentar que se igualem ao gasto energético restrito do gato em virtude do baixo nível de atividade. A escolha de um alimento com densidade calórica adaptada ao gato e ao seu gasto energético é o segredo para auxiliar na prevenção de obesidade.

alimento gato indoor

Além disso, a eliminação natural dos pelos pode ser facilitada estimulando a digestão. O objetivo é evitar a estagnação dos pelos no estômago ou no intestino e, por fim, sua aglomeração. Para obter esse resultado, a dieta precisa ser enriquecida, entre outras nutrientes, com fibras.

Uma relação balanceada entre fibras fermentáveis e não fermentáveis ajuda a evitar a formação das bolas de pelos. Os gatos com pelagem longa devem receber alimentos específicos que ofereçam o benefício do auxílio na prevenção de bolas de pelos.
A ROYAL CANIN®, a empresa com maior força de marca em 2019 na opinião de médicos-veterinários, tem uma linha completa de alimentos que são indicados considerando as condições específicas dos gatos, como tendência de ganho de peso e formação de bolas de pelo e que, portanto, são adaptados ao estilo de vida indoor desses animais. Saiba mais sobre os alimentos da ROYAL CANIN®.