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Fibras na alimentação de gatos e cães: entenda sua função para a saúde digestiva

Fibras na alimentação de gatos e cães: entenda sua função para a saúde digestiva
Atualizado em 19 de fevereiro de 2025
Tempo de leitura: 8min
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Entenda a diferença entre as fibras solúveis e insolúveis e conheça a importância delas para a saúde digestiva. 

Entender as diferenças entre os tipos de fibra é importante quando o médico-veterinário implementa de fibras na alimentação de pequenos animais, como forma de suplementação. 

Isso porque gatos e cães podem apresentar problemas gastrointestinais que podem ser tratados através de dietas com diferentes teores de fibra, ou mesmo através da prescrição de suplementos que contenham níveis e tipos específicos de fibra – e é preciso entender o funcionamento destes elementos para uma orientação efetiva para o paciente. 

Qual a função das fibras no organismo dos cães e dos gatos? 

As fibras são carboidratos complexos que possuem diferentes características de acordo com a fonte, o tipo de processamento, a capacidade de fermentação e a solubilidade no trato gastrointestinal. 

Apesar das fibras não serem consideradas nutrientes obrigatórios, elas são importantes para a saúde do trato gastrointestinal e têm como principais benefícios: 

  • diluição energética do alimento; 
  • efeito de saciedade; 
  • regulação do trânsito gastrointestinal; 
  • melhora da consistência das fezes; 
  • contribuição para integridade da mucosa intestinal; 
  • melhora da resistência insulínica; 
  • regulação do índice glicêmico. 

O equilíbrio entre os diferentes tipos de fibras é importante, já que há uma velocidade ideal para que ocorra o trânsito intestinal e um nível adequado de fibras alimentares ajuda a otimizar o tempo do trânsito intestinal. 

A velocidade ideal desse trânsito deve ser lenta o suficiente para permitir a absorção eficiente de nutrientes, mas não tão lenta que impeça a absorção de água e promova quadros de constipação.  

Entendendo a diferença entre as fibras solúveis e insolúveis 

As fibras diferem dos amidos porque resistem à digestão enzimática no intestino delgado e, como resultado, a microbiota do cólon geralmente as fermenta.  

Entre os elementos de sua composição, as fibras incluem celulose, hemicelulose, pectina e gomas, e podem ser consideradas únicas, tanto pelos tipos de açúcares que contém quanto pelas ligações químicas que promove. 

Conforme introduzido anteriormente, diferentes fontes e formas de fibras possuem diferentes classificados, conforme exposto a seguir. 

  • Por solubilidade: é associada a capacidade de se dispersar em água, sendo classificada como solúvel ou insolúvel; 
  • Por fermentabilidade: está relacionada a capacidade da fibra na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) através da ajuda de microrganismos, sendo classificadas como fermentáveis ou não-fermentáveis. 

Apesar de haver diferentes definições para as fibras na alimentação, elas possuem semelhanças, uma vez que muitas fibras solúveis também tendem a ser altamente fermentáveis.  

Entre as principais fontes de fibras alimentares de origem vegetal, podemos citar: 

  • polpa de beterraba; 
  • celulose; 
  • alfafa; 
  • gomas; 
  • pectina; 
  • frutooligossacarídeo (FOS); 
  • mananoligossacarídeo (MOS); 
  • lignina; 
  • hemicelulose; 
  • casca de ervilha.

As diferentes formas de classificação das fibras permitem destacar e compreender as suas importantes funções fisiológicas e seus diversos efeitos no organismo dos animais. 

  1. Fibras Solúveis

As fibras solúveis, como pectinas e gomas, são os tipos de fibra que melhor absorvem água, e geralmente também são altamente fermentáveis.  

A fermentação é o processo químico de digestão enzimática feito pela microbiota intestinal, o que significa que as bactérias convertem as fibras rapidamente em AGCC. Os ácidos graxos de cadeia curta são fonte de energia para os colonócitos.  

A adição de fibra solúvel pode promover a saúde do colón e a função imunológica no intestino grosso. No entanto, o aumento da fibra solúvel – seja através de suplementos ou selecionando uma dieta rica em fibra solúvel – deve ser feito lenta e gradativa para permitir a adaptação da microbiota intestinal à nova quantidade de material fermentável. 

O psyllium e o mananoligossacarídeo (MOS) são exemplos de fibras que possuem características diferente do descrito acima, sendo classificadas como fibras solúveis, porém, não-fermentáveis.  

O psyllium promove a formação de uma mucilagem viscosa ao entrar em contato com a água, e essa massa gelatinosa retarda o tempo de esvaziamento gástrico, contribuindo para a saciedade. Além disso, o psyllium melhora a consistência das fezes, evitando a constipação e contribuindo para evitar a formação de tricobezoares em felinos.   

Já o mananoligossacarídeo é uma fibra derivada da parede celular de leveduras que age como um prebiótico, diminuindo a adesão de bactérias patogênicas oportunistas ao epitélio intestinal.  

Entre os benefícios das fibras solúveis para a saúde animal, podemos citar: 

  • diminuição do tempo de esvaziamento gástrico; 
  • aumento da viscosidade do volume fecal; 
  • redução da digestibilidade de nutrientes e energia; 
  • melhora na fermentação; 
  • aumento do conteúdo de água fecal.
  1. Fibras Insolúveis

As fibras insolúveis são fermentadas pela flora intestinal de maneira muito precária e são excretadas, em grande parte, intactas. Entre os efeitos das fibras insolúveis no trato gastrointestinal, encontramos: 

  • aumento da produção fecal; 
  • estímulo ao peristaltismo;  
  • regulação do tempo de trânsito intestinal;  
  • redução do conteúdo energético da dieta com efeito mínimo na digestibilidade de gordura e proteína;  
  • melhora na consistência ao bolo fecal. 

Além disso, as fibras insolúveis promovem o desenvolvimento da mucosa do íleo e do cólon, intensificando a proteção contra infecções bacterianas. 

O médico-veterinário deve ficar atento quando há ingestão de grandes quantidades de fibras insolúveis, pois o excesso pode alterar a digestibilidade dos nutrientes. Por terem um impacto direto no bolo digestivo, elas provocam uma sensibilidade maior durante a passagem, podendo causar a inflamação das microvilosidades do cólon.  

É necessário, ainda, ter atenção em relação a ingestão hídrica, pois se não houver equilíbrio entre a ingestão de água e de fibras insolúveis, há aumento na possibilidade de constipação. 

Como as fibras podem ser incluídas na dieta de cães e gatos? 

As fibras na alimentação podem ser incluídas de diferentes formas, com diferentes objetivos e fontes – e podem ser fornecidas tanto a partir da dieta quanto através de suplementação. 

A partir do histórico médico e dietético do paciente, o profissional veterinário poderá identificar se o quadro apresentado está relacionado ao intestino grosso ou delgado; o que pode ajudar na definição da indicação de fibras. 

Em geral, as doenças que afetam o intestino grosso (como colite, glândula anal ou doença do saco) podem ser melhor tratadas através da tentativa de dietas ricas em fibras insolúveis, enquanto as doenças que afetam o intestino delgado (como enterite crónica e insuficiência pancreática exócrina) podem se beneficiar com a adição de fibras solúveis na alimentação.  

Se não estiver claro qual tipo de fibra pode ser útil, uma dieta mista e moderada de fibras pode ser implementada para um teste inicial.  

A Royal Canin atua há mais de 50 anos promovendo saúde e bem-estar aos pets! 

Os alimentos da Royal Canin® são formulados com diferentes níveis de fibras solúveis e insolúveis, fermentáveis e não-fermentáveis, em quantidades e proporções adequadas para promover qualidade de vida e ótima saúde intestinal para gatos e cães.  

Os mixes balanceados de fibras na alimentação – solúveis e insolúveis – estão presentes tanto nos alimentos coadjuvantes como na linha direcionada para animais saudáveis, com destaque para: 

Além disso, a marca disponibiliza os alimentos da linha Gastrointestinal. 

Gastrointestinal High Fibre

Formulado para ajudar os gatos e cães com função digestiva que impede o beneficiamento pela absorção dos nutrientes, os alimentos Gastrointestinal Fibre Response Feline e Gastrointestinal High Fibre Canine oferecem fibras na alimentação dos pets e suporte digestivo por meio de uma fórmula que promove uma microbiota intestinal equilibrada e níveis de energia adequados, composta por: 

  • ingredientes altamente digestíveis; 
  • níveis adaptados de eletrólitos; 
  • EPA + DHA; 
  • complexo sinérgico de antioxidantes; 
  • e prebióticos. 

Não deixe de acessar a nossa Calculadora para Recomendações. Na ferramenta gratuita, você consegue selecionar o melhor alimento para atender as diferentes demandas de fibras do seu paciente.  

Referências Bibliográficas 

Borges, F.M.O, Salgarello, R.M., Gurian, T.M. Recentes avanços na nutrição de cães e gatos. UFPEL, 2011. Acesso em: 20/03/2024.  

Coupe, P. What is the impact of dietary fibre and prebiotics on the microbiome and gastrointestinal health? InFocus, Improve Veterinary Practice, 2023. Acesso em: 19/03/2024. 

Chandler, M. Importance of fibre in diet. VetTimes 2016. Acesso em: 19/03/2024 

Grandjean, D., Merrill, R., Buckley, C., Morris, P., Charlton, C., Stevenson, A. WALTHAM® Pocketbook of essential nutrition for cats and dogs – Carbohydrates. 2009. Acesso em: 06/03/2024 

Gross, K.L., Jewell, D.E., Yamka, R.M., Schoenherr, W.D., Khoo, C., Debraekeleer, J., Friensen, K. G., Zicker, S. C. Macronutrients In: Small Animal Clinical Nutrition, 5th edition. Acesso em 20/03/2024 

Linder, D. E. Featuring Fiber: Understanding Types of Fiber & Clinical Uses. TVPJournal, 2017. Acesso em: 20/03/2024.  

Rudinsky, A. J. Dietary fiber: the clinician’s secret weapon. VetFocus, n. 33 v. 1. Acesso em 18/03/2024 

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