Fibras na alimentação de gatos e cães: entenda sua função para a saúde digestiva
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Entenda a diferença entre as fibras solúveis e insolúveis e conheça a importância delas para a saúde digestiva.
Entender as diferenças entre os tipos de fibra é importante quando o médico-veterinário implementa de fibras na alimentação de pequenos animais, como forma de suplementação.
Isso porque gatos e cães podem apresentar problemas gastrointestinais que podem ser tratados através de dietas com diferentes teores de fibra, ou mesmo através da prescrição de suplementos que contenham níveis e tipos específicos de fibra – e é preciso entender o funcionamento destes elementos para uma orientação efetiva para o paciente.
Qual a função das fibras no organismo dos cães e dos gatos?
As fibras são carboidratos complexos que possuem diferentes características de acordo com a fonte, o tipo de processamento, a capacidade de fermentação e a solubilidade no trato gastrointestinal.
Apesar das fibras não serem consideradas nutrientes obrigatórios, elas são importantes para a saúde do trato gastrointestinal e têm como principais benefícios:
- diluição energética do alimento;
- efeito de saciedade;
- regulação do trânsito gastrointestinal;
- melhora da consistência das fezes;
- contribuição para integridade da mucosa intestinal;
- melhora da resistência insulínica;
- regulação do índice glicêmico.
O equilíbrio entre os diferentes tipos de fibras é importante, já que há uma velocidade ideal para que ocorra o trânsito intestinal e um nível adequado de fibras alimentares ajuda a otimizar o tempo do trânsito intestinal.
A velocidade ideal desse trânsito deve ser lenta o suficiente para permitir a absorção eficiente de nutrientes, mas não tão lenta que impeça a absorção de água e promova quadros de constipação.
Entendendo a diferença entre as fibras solúveis e insolúveis
As fibras diferem dos amidos porque resistem à digestão enzimática no intestino delgado e, como resultado, a microbiota do cólon geralmente as fermenta.
Entre os elementos de sua composição, as fibras incluem celulose, hemicelulose, pectina e gomas, e podem ser consideradas únicas, tanto pelos tipos de açúcares que contém quanto pelas ligações químicas que promove.
Conforme introduzido anteriormente, diferentes fontes e formas de fibras possuem diferentes classificados, conforme exposto a seguir.
- Por solubilidade: é associada a capacidade de se dispersar em água, sendo classificada como solúvel ou insolúvel;
- Por fermentabilidade: está relacionada a capacidade da fibra na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) através da ajuda de microrganismos, sendo classificadas como fermentáveis ou não-fermentáveis.
Apesar de haver diferentes definições para as fibras na alimentação, elas possuem semelhanças, uma vez que muitas fibras solúveis também tendem a ser altamente fermentáveis.
Entre as principais fontes de fibras alimentares de origem vegetal, podemos citar:
- polpa de beterraba;
- celulose;
- alfafa;
- gomas;
- pectina;
- frutooligossacarídeo (FOS);
- mananoligossacarídeo (MOS);
- lignina;
- hemicelulose;
- casca de ervilha.
As diferentes formas de classificação das fibras permitem destacar e compreender as suas importantes funções fisiológicas e seus diversos efeitos no organismo dos animais.
Fibras Solúveis
As fibras solúveis, como pectinas e gomas, são os tipos de fibra que melhor absorvem água, e geralmente também são altamente fermentáveis.
A fermentação é o processo químico de digestão enzimática feito pela microbiota intestinal, o que significa que as bactérias convertem as fibras rapidamente em AGCC. Os ácidos graxos de cadeia curta são fonte de energia para os colonócitos.
A adição de fibra solúvel pode promover a saúde do colón e a função imunológica no intestino grosso. No entanto, o aumento da fibra solúvel – seja através de suplementos ou selecionando uma dieta rica em fibra solúvel – deve ser feito lenta e gradativa para permitir a adaptação da microbiota intestinal à nova quantidade de material fermentável.
O psyllium e o mananoligossacarídeo (MOS) são exemplos de fibras que possuem características diferente do descrito acima, sendo classificadas como fibras solúveis, porém, não-fermentáveis.
O psyllium promove a formação de uma mucilagem viscosa ao entrar em contato com a água, e essa massa gelatinosa retarda o tempo de esvaziamento gástrico, contribuindo para a saciedade. Além disso, o psyllium melhora a consistência das fezes, evitando a constipação e contribuindo para evitar a formação de tricobezoares em felinos.
Já o mananoligossacarídeo é uma fibra derivada da parede celular de leveduras que age como um prebiótico, diminuindo a adesão de bactérias patogênicas oportunistas ao epitélio intestinal.
Entre os benefícios das fibras solúveis para a saúde animal, podemos citar:
- diminuição do tempo de esvaziamento gástrico;
- aumento da viscosidade do volume fecal;
- redução da digestibilidade de nutrientes e energia;
- melhora na fermentação;
- aumento do conteúdo de água fecal.
Fibras Insolúveis
As fibras insolúveis são fermentadas pela flora intestinal de maneira muito precária e são excretadas, em grande parte, intactas. Entre os efeitos das fibras insolúveis no trato gastrointestinal, encontramos:
- aumento da produção fecal;
- estímulo ao peristaltismo;
- regulação do tempo de trânsito intestinal;
- redução do conteúdo energético da dieta com efeito mínimo na digestibilidade de gordura e proteína;
- melhora na consistência ao bolo fecal.
Além disso, as fibras insolúveis promovem o desenvolvimento da mucosa do íleo e do cólon, intensificando a proteção contra infecções bacterianas.
O médico-veterinário deve ficar atento quando há ingestão de grandes quantidades de fibras insolúveis, pois o excesso pode alterar a digestibilidade dos nutrientes. Por terem um impacto direto no bolo digestivo, elas provocam uma sensibilidade maior durante a passagem, podendo causar a inflamação das microvilosidades do cólon.
É necessário, ainda, ter atenção em relação a ingestão hídrica, pois se não houver equilíbrio entre a ingestão de água e de fibras insolúveis, há aumento na possibilidade de constipação.
Como as fibras podem ser incluídas na dieta de cães e gatos?
As fibras na alimentação podem ser incluídas de diferentes formas, com diferentes objetivos e fontes – e podem ser fornecidas tanto a partir da dieta quanto através de suplementação.
A partir do histórico médico e dietético do paciente, o profissional veterinário poderá identificar se o quadro apresentado está relacionado ao intestino grosso ou delgado; o que pode ajudar na definição da indicação de fibras.
Em geral, as doenças que afetam o intestino grosso (como colite, glândula anal ou doença do saco) podem ser melhor tratadas através da tentativa de dietas ricas em fibras insolúveis, enquanto as doenças que afetam o intestino delgado (como enterite crónica e insuficiência pancreática exócrina) podem se beneficiar com a adição de fibras solúveis na alimentação.
Se não estiver claro qual tipo de fibra pode ser útil, uma dieta mista e moderada de fibras pode ser implementada para um teste inicial.
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- EPA + DHA;
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