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Feromônios felinos: o que são e como utilizá-los para o bem-estar dos gatos

Feromônios felinos: o que são e como utilizá-los para o bem-estar dos gatos
Atualizado em 14 de maio de 2026
Tempo de leitura: 14min
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Confira um panorama completo sobre o feromônio felino e saiba como usar o feromônio felino sintético para promover o bem-estar dos gatos.

A utilização de feromônio felino sintético para gatos pode auxiliar na modificação do estado emocional do animal, reduzindo quadros de ansiedade e estresse, eliminando algumas situações indesejadas, como mordeduras e arranhaduras, além da marcação de território. Sua utilização também pode ser benéfica para as relações sociais, reduzindo brigas e facilitando a adaptação e o convívio com outros animais.

Além disso, o uso desses análogos sintéticos para os pacientes felinos pode contribuir e ser muito vantajosa em locais de atendimento veterinário. Neste caso, o controle do estado emocional do animal facilita a realização de procedimentos e torna o momento muito menos estressante para o pet, facilitando inclusive o diagnóstico e avaliação por parte do médico-veterinário.

Abaixo, veja um guia completo sobre os feromônios – como agem, quais os tipos e como prescrevê-los – e leve ainda mais qualidade a seus atendimentos na rotina clínica. 

O que são os feromônios felinos?

Os feromônios felinos são compostos químicos biológicos e naturais, formados principalmente por ácidos graxos, que têm como principal função a comunicação entre indivíduos da mesma espécie, gerando odores específicos que sinalizam estados emocionais, sociais ou de território. Essa comunicação química é fundamental para o estabelecimento de comportamentos específicos, como territorialidade, interação social e reações a estímulos ambientais (HENZEL & RAMOS, 2018).

A liberação de feromônios pode ocorrer de forma contínua ou em momentos específicos, por diversos tipos de glândulas na pele e em certas membranas mucosas do animal. Eles podem se misturar a outros fluidos corporais, como a urina, e sua liberação provoca respostas comportamentais e fisiológicas nos animais receptores da mesma espécie (HENZEL & RAMOS, 2018).

Por exemplo, quando um gato se sente ameaçado ou em situação de estresse, como durante uma consulta veterinária, ele pode liberar feromônios de alarme, que servem para alertar outros gatos sobre a ameaça iminente. Esse tipo de feromônio felino pode gerar uma resposta emocional e fisiológica inconsciente em outros gatos que detectarem sua presença no ambiente, como alteração de comportamento e aumento da vigilância (ENDERSBY et al., 2024; TORRES-BERNAL et al., 2025).

Por outro lado, feromônios apaziguadores podem ser usados para atenuar respostas emocionais adversas. O uso de feromônio felino sintético, que imita feromônio felino natural, tem mostrado eficácia em ambientes clínicos, proporcionando sensação de segurança e calma durante o atendimento (FELINE VMA, s.d.). 

Além disso, adotar práticas de atendimento Cat Friendly®, o fornecimento de petiscos e o controle de estímulos ambientais (como sons e odores de outros animais) contribuem significativamente para minimizar o estresse dos gatos durante visitas veterinárias, criando um ambiente mais tranquilo e propício à cooperação (FELINE VMA, s.d.).

Como os feromônios agem nos gatos?

O gato percebe os feromônios felinos produzidos e expelidos por outros animais da mesma espécie que estejam presentes no ambiente através do estímulo do órgão vomeronasal, que também é conhecido como órgão de Jacobson. Trata-se de uma estrutura epitelial tubular vascularizada, localizada na parte rostral do palato duro sob o septo nasal. É conectada com a cavidade oral através do ducto incisivo (HENZEL & RAMOS, 2018).

No bulbo vomeronasal, localizado no sistema nervoso, terminam os axônios dos neurônios receptores do órgão de Jacobson, que enviam as projeções nervosas para a amígdala no sistema límbico ou “cérebro emocional” (HENZEL & RAMOS, 2018; TORRES-BERNAL et al., 2025).

O lúmen do órgão vomeronasal é ativado quando ocorre a percepção do feromônio felino. A vasoconstrição possibilita a abertura do lúmen para a passagem de ar, geralmente realizada pela “reação de Flehmen”. Essa reação resume-se ao movimento de levantar os lábios após identificar um cheiro não reconhecido, visando direcionar o odor para o órgão de Jacobson e, assim, facilitar sua identificação (HENZEL & RAMOS, 2018).

Após a percepção do feromônio reconhecido, o animal apresenta uma resposta emocional inconsciente que se manifesta independente de quem tenha liberado ou detectado o feromônio de gato. Também não depende de nenhum conhecimento prévio que o animal já possa ter adquirido anteriormente. Trata-se de respostas alarmantes ou apaziguadoras, como já comentamos, ou ainda reprodutivas. Todas já são pré-programadas para a espécie (HENZEL & RAMOS, 2018; ENDERSBY et al., 2024).

 

Tipos e funções dos feromônios felinos

Os feromônios felinos apresentam funções sociais, sexuais e reprodutivas e de território que são essenciais na comunicação intraespecífica entre os animais da mesma espécie (HENZEL & RAMOS, 2018).

A urina, a secreção vaginal, as fezes e alguns tipos de glândulas representam importantes fontes de liberação de feromônios. Veja mais detalhes sobre as glândulas que liberam que feromônio felino e suas funções.

Área facial

Nos gatos, as glândulas periorais que estão localizadas nos lábios, queixo, vibrissas e bochechas são responsáveis por expelir secreções com feromônio felino facial.

Os felinos possuem cinco feromônios faciais diferentes, nomeados como F1, F2, F3, F4 e F5, isolados das secreções sebáceas das bochechas. Já nos cães, há também glândulas ceruminosas do ducto auditivo e algumas glândulas sebáceas da orelha (HENZEL & RAMOS, 2018).

O gato pode fazer marcações em outros indivíduos ou pontos específicos dos seus locais favoritos esfregando o rosto contra a superfície e liberando os feromônios. Eles também podem realizar essas marcações para detectar e atrair as fêmeas no cio, além de reconhecer os locais por onde passa (ENDERSBY et al., 2024).

Complexo podal

Nos membros torácicos e pélvicos de gatos e cães estão localizadas as glândulas podais. Ou seja, através dos coxins e da pele da região interdigital, os animais secretam o suor emitido durante as reações de medo.

Sendo assim, o complexo podal é essencial para a marcação territorial e produção de feromônio felino alarmante (HENZEL & RAMOS, 2018).

Complexo periana

Na área perianal dos gatos estão localizadas as glândulas (HENZEL & RAMOS, 2018):

  • supracaudais: permanecem ativas durante o ano inteiro e são mais desenvolvidas nos gatos quando comparado aos cães. Também são essenciais nos comportamentos reprodutivos e podem estar envolvidas na comunicação social entre os pets;
  • circum-anais: são mais desenvolvidas nos cães que nos gatos, estando localizadas ao redor do ânus. Esse grupo também inclui as glândulas de suor modificadas e sebáceas, que desempenham funções essenciais na vida social dos animais. A coloração da região pode potencializar a eficácia do sinal semioquímico;
  • sebáceas dos sacos anais: são mais desenvolvidas em cães. Também são essenciais nos comportamentos reprodutivos e na comunicação social entre os pets.

No complexo perianal, através das fibras musculares presentes no saco anal, também ocorre a liberação de feromônios felinos originados pela fermentação de bactérias anaeróbias e aeróbias.

Complexo genital

O complexo genital inclui as glândulas sebáceas do prepúcio nos machos e da vulva nas fêmeas, além das glândulas mucosas uretrais ou genitais associadas. 

Pesquisas apontam que nos cães os feromônios produzidos no complexo genital estão envolvidos nos comportamentos sociais e principalmente reprodutivos. Portanto, nas cadelas, a produção de metildihidroxibenzoato no período de estro gera uma grande atração nos machos não castrados e, também, aumenta a receptividade da fêmea ao macho (HENZEL & RAMOS, 2018).

Entretanto, ainda não existem muitos estudos que mostrem como ocorre o funcionamento dessas glândulas nos gatos e quais são as suas funções exatas.

Complexo mamário

Já é descrito que, logo após o parto, a gata produz feromônios que são secretados pelas glândulas sebáceas dos sulcos mamários. A substância pode auxiliar os neonatos a se orientarem, locomoverem e identificarem a fonte de alimento primário, ou seja, a amamentação (HENZEL & RAMOS, 2018).

Urina e fezes

Tanto a urina quanto as fezes são fontes complexas de feromônios nos animais e, portanto, podem servir para a marcação de território. Porém, a liberação de urina com essa finalidade ocorre com uma frequência muito maior (HENZEL & RAMOS, 2018). 

Nesse caso, a marcação territorial é realizada através da pulverização de pequenas quantidades de urina em superfícies, geralmente verticais, para sinalizar a presença de determinado indivíduo de forma eficiente a outros animais da mesma espécie.

Tal comportamento é mais comum em gatos não-castrados e pode estar associado a outros comportamentos territorialistas, como arranhaduras no chão.

 

Como funcionam os feromônios sintéticos (artificiais)?

Os feromônios felinos sintéticos são análogos químicos desenvolvidos para mimetizar feromônios felinos naturalmente produzidos. Esses compostos não possuem odor perceptível para humanos e também atuam por meio da estimulação do órgão vomeronasal, desencadeando respostas comportamentais e emocionais semelhantes às induzidas pelos feromônios naturais, sem exercer ação farmacológica direta. Dessa forma, promovem modulação comportamental baseada em mecanismos neurobiológicos próprios dos gatos (HENZEL & RAMOS, 2018).

Estudos experimentais demonstram que a exposição a feromônios felinos sintéticos faciais está associada à redução de indicadores fisiológicos e comportamentais de medo em gatos, como alterações térmicas periféricas e respostas autonômicas, evidenciando seu efeito modulador sobre estados emocionais negativos (TORRES-BERNAL et al., 2025).

 

Quando e como prescrever feromônios para os felinos?

Na prática clínica, a utilização de feromônio felino sintético pode ser recomendada pelo médico-veterinário como terapia complementar nos seguintes casos (ENDERSBY et al., 2024):

  • marcação urinária ou territorial;
  • arranhadura em locais inadequados, como móveis, tapetes, sofás e camas;
  • período de convalescência ou hospitalização, que pode gerar desequilíbrio emocional, ansiedade e estresse;
  • idas ao pet shop e clínicas veterinárias;
  • transporte para passeios e viagens, idas à clínica veterinária ou mudanças de residência;
  • ambiente que possua outros animais, como clínicas e hospitais veterinários, bem como os abrigos e gatis;
  • introdução de um novo gato na casa ou adaptação do gato antigo;
  • introdução e adaptação de filhotes no novo ambiente;
  • agressividade entre gatos que compartilham e vivem no mesmo território/casa;
  • cistite intersticial ou outras doenças e problemas de saúde;
  • quadros de estresse e ansiedade, como a ansiedade da separação;
  • medo de tempestades, trovões e fogos de artifício;
  • processo de adestramento, sendo mais comum para cães.

A importância dos feromônios na internação de gatos

A internação hospitalar representa um fator de estresse significativo para gatos, uma vez que envolve a exposição a estímulos desconhecidos, como novos odores, sons, manipulação frequente e presença de outros animais. Nessas condições, ocorre ativação de respostas emocionais negativas, como medo e ansiedade, que podem interferir no bem-estar, na recuperação clínica e no comportamento do paciente felino. 

O uso de feromônio felino sintético surge como uma estratégia não farmacológica relevante para modular essas respostas emocionais, promovendo maior sensação de segurança e estabilidade emocional durante o período de internação (HENZEL & RAMOS, 2018).

Do ponto de vista clínico, evidências indicam que o uso contínuo de feromônios sintéticos pode reduzir comportamentos problemáticos durante a hospitalização, como agitação, vocalização excessiva, agressividade e tentativas de fuga (ENDERSBY et al., 2024).

As diretrizes de atendimento Cat Friendly® reforçam que a utilização de feromônio felino sintético deve integrar um manejo multimodal durante a internação, associado a controle de estímulos sensoriais, redução de odores de outros animais, técnicas de contenção de baixo estresse e previsibilidade da rotina hospitalar. Essa abordagem integrada contribui para melhorar a experiência do gato no ambiente clínico, favorecendo a cooperação durante procedimentos e impactando positivamente o prognóstico e o tempo de recuperação (FELINE VMA, s.d.).

 

Exemplos de feromônios felinos sintéticos

Existem três tipos de correspondentes naturais de feromônios sintéticos para gatos disponíveis no mercado (HENZEL & RAMOS, 2018):

  • facial F3 felino: disponível em spray e difusor. É destinado para gatos e pode ser indicado nas situações de marcação de território por urina, arranhadura excessiva ou inapropriada, casos de hospitalização, cistite intersticial, estresse e adaptação a novos ambientes e animais;
  • maternal apaziguador felino: disponível em spray e difusor. É destinado para gatos e pode ser indicado nas situações de conflitos entre gatos que dividem o mesmo território;
  • interdigital felino (FIS): disponível na forma líquida, em ampolas. É destinado para gatos e pode ser indicado nas situações de arranhaduras em locais inapropriados.

O médico-veterinário deve escolher o feromônio artificial e a melhor apresentação de acordo com cada caso, de forma individualizada. Além disso, esses produtos podem ser usados de forma isolada ou associados com outras técnicas, como o uso de fármacos psicotrópicos e adequações no manejo.

Vale ressaltar que o uso de feromônio felino sintético apresenta baixa incidência de eventos adversos, reforçando seu perfil de segurança quando utilizados conforme recomendação veterinária, inclusive em uso prolongado (ENDERSBY et al., 2024).

 

Perguntas frequentes sobre feromônios felinos

Tire suas dúvidas sobre os feromônios felinos e seu uso na clínica veterinária. 

Feromônios sintéticos substituem terapias comportamentais ou medicamentosas?

Não. Os feromônios felinos sintéticos atuam como terapia complementar, auxiliando na modulação emocional e na redução do estresse.

Qual o melhor feromônio sintético felino?

Não existe um melhor feromônio universal. A escolha depende do objetivo clínico e deve ser feita de forma individualizada pelo médico-veterinário.

Quanto tempo leva para observar efeitos dos feromônios em gatos?

Os efeitos podem ser observados progressivamente, variando conforme o indivíduo, o tipo de feromônio e a forma de apresentação.

Existem contraindicações ou efeitos adversos associados ao uso de feromônios felinos?

Os feromônios felinos sintéticos apresentam baixo risco de efeitos adversos, com boa tolerabilidade mesmo em uso prolongado, desde que utilizados conforme orientação veterinária.

 

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Referências: 

ENDERSBY, S.; BILLY, C.; JEAGER, X.D. Efficacy of a pheromone-impregnated collar in controlling feline problem behaviors, and an assessment of adverse events associated with collar use. Front. Vet. Sci., 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39748873/. Acesso em: 15 dez. 2025.

FELINE VMA. Cat Friendly Practice® Program. Feline Veterinary Association. Disponível em: https://catvets.com/cat-friendly/cfp/. Acesso em: 15 dez. 2025.

HENZEL, M.; RAMOS, D. O uso dos feromônios sintéticos na clínica veterinária comportamental. São Paulo: APAMVET, v. 9, 2018. Disponível em: https://publicacoes.apamvet.com.br/PDFs/Artigos/75.pdf. Acesso em: 15 dez. 2025.

TORRES-BERNAL, F. et al. Infrared Thermography and Physiological Variables as Methods for Recognizing Fear in Domestic Cats (Felis catus) Using Three Pharmacological Models: Cannabidiol, Gabapentin, and Synthetic Facial Pheromones. Vet. Sci., v.12, n.6, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40559760/. Acesso em: 15 dez. 2025.

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