Conheça as principais causas de convulsão em cães e saiba como conduzir o caso
Links rápidos:
As causas de convulsão em cães podem ser diversas, e podem ou não estar relacionadas a enfermidades. Entenda melhor!
A convulsão canina é um evento neurológico que pode passar despercebido por muitos tutores, especialmente quando ocorre na ausência do responsável ou se manifesta como convulsão focal, menos representativa do que a generalizada.
A maioria dos pacientes com a queixa de “possíveis convulsões” não está convulsionando ativamente durante a consulta. Esse fato estabelece um desafio ao médico-veterinário, que deve saber distinguir quadros de convulsões verdadeiras de atividades não convulsivas que podem ser confundidas pelos tutores, como síncope, doença vestibular, tremores e distúrbios do movimento.
Por isso, reconhecer e diferenciar os tipos de convulsão em cães é fundamental para que o profissional possa fazer uma abordagem precisa, proporcionando um diagnóstico assertivo e estabelecendo um protocolo terapêutico adequado.
Tipos de convulsão em cães
Convulsão é uma manifestação clínica de uma atividade elétrica anormal excessiva ou hiper sincrônica no cérebro, cujo aspecto depende da extensão e da localização dessa hiperatividade.
A convulsão em cães pode ser classificada em dois tipos principais: generalizada e focal, sendo que cada apresentação possui características distintas e está associada a diferentes causas subjacentes, exigindo uma abordagem diagnóstica e terapêutica específica.
Convulsão generalizada
A convulsão em cães generalizada envolve ambos os hemisférios cerebrais e, geralmente, se manifesta por perda de consciência, movimentos tônicos e clônicos dos membros, salivação excessiva, e, em alguns casos, micção e defecação involuntárias (DEWEY, COSTA, 2015).
Este tipo de convulsão é mais facilmente reconhecido pelo tutor devido a sua significativa representação durante o evento. O paciente pode, inclusive, se machucar, tornando importante a conscientização do tutor sobre como agir para proteger seu animal e evitar lesões adicionais durante o episódio.
Convulsão focal
A convulsão focal em cães, também conhecida como convulsão parcial, por outro lado, envolve apenas uma parte do cérebro, resultando inicialmente em sinais assimétricos, e pode não resultar em perda de consciência (NELSON, COUTO, 2015).
Os sinais clínicos incluem:
- movimentos ou posturas anormais, como virar a cabeça para um lado;
- contrações rítmicas dos músculos dos membros ou faciais;
- estalos de lábios ou movimentos de mastigação;
- alterações comportamentais súbitas e inexplicáveis, como agressividade ou desorientação.
Devido à sua apresentação sutil, essas convulsões podem ser facilmente ignoradas ou confundidas com outros problemas comportamentais. Além disso, as convulsões focais podem evoluir para convulsões generalizadas.
Principais causas de convulsão em cães
A convulsão em cães pode ter diversas etiologias, que variam entre condições intracranianas (anomalias congênitas, inflamação, neoplasia, infarto, trauma), extracranianas (intoxicação, distúrbios metabólicos e endócrinos) e idiopáticas.
Segundo Nelson e Couto (2015), as causas idiopáticas são as que mais comumente provocam convulsão em cães. Já as intracranianas são responsáveis por convulsões em aproximadamente 35% dos cães. As causas extracranianas, por sua vez, ocorrem com menos frequência.
Causas de convulsão em cães por doenças congênitas
Entre as causas congênitas, as doenças inflamatórias são particularmente relevantes. Um exemplo notável é a meningoencefalite granulomatosa (MEG), uma condição inflamatória idiopática que afeta o sistema nervoso central.
A MEG é mais comum em raças de pequeno porte, e pode ocorrer de três formas: focal, disseminada e ocular. Os sinais clínicos estão diretamente relacionados à forma da doença e à região neuro anatômica acometida.
Outra condição inflamatória que pode desencadear convulsão em cães é a encefalite necrosante, inflamação única e não supurativa única do cérebro que ocorre em raças específicas de cães, incluindo Pug, Maltês e Yorkshire Terrier (AMUDE et al., 2019).
2. Doenças adquiridas
Doenças adquiridas que podem levar à convulsão em cães incluem neoplasias intracranianas, traumatismos cranianos e encefalites infecciosas.
Os traumas cranianos podem ser decorrentes de acidentes, pancadas, quedas, entre outros. Já entre as encefalites infecciosas, podemos ressaltar as que resultam de afecções como:
- cinomose;
- criptococose;
- babesiose;
- febre maculosa;
- neosporose.
Tumores cerebrais, em particular, são uma causa importante de convulsão em cães adultos e idosos. Esses tumores podem ser primários, originados no próprio tecido cerebral, ou metastáticos, provenientes de outros locais. A presença de um tumor pode causar compressão ou invasão do tecido cerebral, resultando em convulsões.
3. Distúrbios metabólicos e nutricionais
Distúrbios metabólicos como hipoglicemia, alterações renais e hepáticas também caracterizam causas de convulsão em cães.
A encefalopatia urêmica pode ser decorrente da uremia causada por quadros de insuficiência renal, manifestando convulsões devido aos efeitos das toxinas. A gravidade dos sinais neurológicos está relacionada com a progressão da azotemia.
Por sua vez, a encefalopatia hepática é uma complicação que pode resultar em quadros de convulsão em cães com doença hepática grave, principalmente desvios porto-sistêmicos, insuficiência hepática aguda e cirrose.
A hipoglicemia pode ser uma condição decorrente de neoplasias (insulinoma), síndrome paraneoplásica, da administração de doses equivocadas de insulina, ou pode ser resultado de um distúrbio nutricional que possa levar ao jejum prolongado. É particularmente preocupante em filhotes, por serem potencialmente afetados pela tríade neonatal (hipotermia, hipoglicemia e hipovolemia).
Nesses casos, é primordial monitorar a glicemia e outros parâmetros bioquímicos para evitar ou tratar rapidamente essas condições.
4. Intoxicação
A intoxicação é outra causa significativa de convulsão canina. Substâncias como organofosforados, piretroides, chocolate, xilitol, certos medicamentos humanos (como paracetamol, antidepressivos e anti-hipertensivos) e até mesmo algumas plantas são neurotóxicos e podem desencadear crises de convulsão em cães.
5. Outras possíveis causas de convulsão canina
Outras causas de convulsão em cães incluem doenças autoimunes que afetam o sistema nervoso, como o lupus eritematoso sistêmico, e a epilepsia idiopática, que é caracterizada por episódios convulsivos recorrentes sem uma causa identificável.
A importância do diagnóstico e acompanhamento especializado
O médico-veterinário tem papel fundamental no atendimento inicial e emergencial dos casos de convulsão em cães. Durante a crise, é primordial garantir a segurança do animal e realizar intervenções emergenciais, como administração de anticonvulsivantes, para estabilizar o paciente.
Contudo, uma vez estabilizado, o encaminhamento para um neurologista veterinário é essencial. O especialista poderá esmiuçar o caso, solicitando exames avançados (ressonância magnética, tomografia computadorizada, análise de líquido cefalorraquidiano), para determinar a causa subjacente das convulsões e ajustar o protocolo terapêutico de forma personalizada.
Além disso, o acompanhamento contínuo e a revisão periódica da abordagem terapêutica desse paciente são pontos chaves para o manejo eficaz dos cães com convulsão.
Entendendo a nutrição como aliada à saúde dos pets
A nutrição desempenha um papel fundamental na saúde e bem-estar dos pets, influenciando diretamente em sua qualidade de vida e longevidade. Uma alimentação balanceada e adequada às necessidades específicas de cada animal é essencial para a manutenção da homeostase e para o bom funcionamento do sistema imune, prevenindo doenças e auxiliando no tratamento de diversas condições clínicas.
Quadros de convulsão em cães de origem nutricional e/ou metabólica podem exigir a recomendação de alimentos específicos que sejam coadjuvantes no tratamento da causa base.
Por exemplo, animais que tenham encefalopatia hepática como causa das crises convulsivas, podem requerer a recomendação de uma dieta especialmente desenvolvida com o objetivo de auxiliar na função do fígado e na redução do acúmulo de cobre, e para este caso específico o alimento Hepatic Canine, pode auxiliar, pois possui teor adaptado de proteínas vegetais altamente digestíveis para ajudar a minimizar os sinais associados à insuficiência hepática, baixo teor de cobre para auxiliar na redução do seu acúmulo nas células hepáticas e alto teor energético para reduzir a quantidade de alimento oferecida por refeição, diminuindo assim a carga intestinal.
Confira aqui todos os alimentos Royal Canin® e utilize nossa ferramenta Recomendação Nutricional para prescrever um plano nutricional individualizado para cada paciente.
Referências
AMUDE, A.M. et al. Leucoencefalite necrosante em um cão Yorkshire do Brasil. Semina: Ciência Agrárias, v.40, n.6Supl2, 2019. Acesso em: 21 agosto 2024.
BERENDT, M. et al. International veterinary epilepsy task force consensus report on epilepsy definition, classification and terminology in companion animals. BMC Veterinary Research, v.11, n.182, 2015. Acesso em: 20 agosto 2024.
CUNHA, J.C. et al. Encefalopatia urêmica em um cão – relato de caso. XXXI CIC UFPEL, 2022. Acesso em: 21 agosto 2024.
DEWEY, C. W.; COSTA, R. C. A Practical Guide to Canine and Feline Neurology. New Jersey: Wiley-Blackwell, 3 ed., 2015.
DUARTE, R.; USHIKOSHI, W.S. Encefalopatia hepática em cães. Bol. Med. Vet. UNIPINHAL, v.01, n.01, 2005. Acesso em: 21 agosto 2024.
LIMA, J.B. et al. Estudo da epilepsia como afecção neurológica em cães. Brazilian Journal of Development, v.9, n.10, 2023. Acesso em: 20 agosto 2024.
MUNGUIA, G.G. et al. Emergency Approach to Acute Seizures in Dogs and Cats. Veterinary Sciences, v.11, i.6, 2024. Acesso em: 20 agosto 2024.
NASCIMENTO, F.T.B. et al. Epilepsia idiopática em cães: Novos tratamentos e impactos sobre os animais e tutores. PUBVET, v.16, n.11, 2022. Acesso em: 20 agosto 2024.
NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. Rio de Janeiro: Elsevier, 5 ed., 2015.
PIRES, D.A.; SOUSA, K.P.; BARROS, A.L. Intoxicação de cães por venenos de anuros: prevalência, danos aos animais e protocolos clínicos. Revista Ciência Animal, v.32, n.4, 2022. Acesso em: 20 agosto 2024.
WOLMEISTER, A.K. Achados clínicos e patológicos em cães com meningoencefalite granulomatosa. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017. Acesso em: 20 agosto 2024.
