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Alopecia em gatos: principais causas e como conduzir

Alopecia em gatos: principais causas e como conduzir
Atualizado em 14 de maio de 2026
Tempo de leitura: 9min
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A alopecia é uma queixa frequente no atendimento de felinos. O sucesso do tratamento depende do correto diagnóstico da possível causa. Saiba mais!

A alopecia em gatos é uma das condições dermatológicas mais frequentemente relatadas na prática clínica veterinária, representando um desafio diagnóstico pela ampla gama de causas subjacentes.

Desde alterações cutâneas primárias até manifestações de doenças sistêmicas, identificar a origem do problema requer uma abordagem profissional criteriosa e detalhada.

Compreender as principais etiologias da alopecia felina e reconhecer os padrões clínicos associados são passos fundamentais para que o médico-veterinário conduza corretamente a abordagem diagnóstica e possa, consequentemente, adotar o manejo terapêutico mais eficaz para cada paciente.

O que é alopecia em gatos?

A alopecia em gatos refere-se à perda parcial ou total de pelos em áreas onde normalmente estão presentes. Pode ser focal, multifocal ou generalizada e, em muitos casos, está associada a outras alterações cutâneas.

De acordo com Araujo e Meneguelli (2024), a alopecia pode refletir desde problemas localizados, como infecções cutâneas, até manifestações de doenças sistêmicas mais complexas.

Isso ressalta a importância de uma avaliação clínica minuciosa para determinar a causa subjacente e iniciar o tratamento adequado.

Identificando o padrão da queda de pêlos nos gatos: alopecia ou rarefação pilosa?

Reconhecer o padrão da perda de pelos é o primeiro passo no diagnóstico da alopecia em gatos.

A primeira distinção a ser realizada refere-se à constatação se o animal está sendo acometido realmente por alopecia ou por rarefação pilosa (pelos quebradiços ou afinados).

A alopecia verdadeira é caracterizada pela ausência completa de pelos no local afetado, enquanto a rarefação pilosa se refere a uma diminuição na densidade capilar.

Adicionalmente, a área de alopecia pode ter um padrão simétrico ou assimétrico. Alopecia simétrica pode sugerir causas endócrinas ou comportamentais, enquanto a perda de pelos de forma irregular pode estar associada a doenças infecciosas, parasitárias ou dermatites alérgicas (NOLI; COLOMBO, 2020).

A inspeção cuidadosa realizada pelo profissional, exames como a tricoscopia e a histopatologia podem auxiliar na distinção entre quebra do pelo e ausência completa, direcionando o raciocínio clínico (BOETA, 2016).

Alopecia em gatos
Figura 1: Alopecia em gato. Fonte: VetFocus, 2024

Principais causas de alopecia em gatos

A alopecia em gatos pode ser agrupada em diferentes categorias, de acordo com sua etiologia. Essas categorias incluem causas dermatológicas, nutricionais, endócrinas, comportamentais e outras.

1. Causas dermatológicas

As doenças dermatológicas representam uma das principais causas de alopecia em gatos, sendo frequentemente associadas a condições que causam inflamação, prurido ou danos diretos à pele e aos folículos pilosos.

Entre as doenças alérgicas, destacam-se a dermatite atópica e a dermatite alérgica à picada de ectoparasitas (DAPE), que podem levar a um quadro severo de prurido.

O paciente acometido pode apresentar lesões características de alopecia autoinduzida, além de sinais secundários, como crostas, eritema e hiperpigmentação, resultantes do ato de lamber, morder ou arranhar as áreas afetadas (DIAZ, 2024).

As infecções fúngicas, como a dermatofitose causada por espécies do gênero Microsporum e Trichophyton, também são causas comuns de alopecia em gatos que, nesse caso, costuma ser focal ou multifocal, com áreas de descamação e bordas eritematosas bem definidas.

Ectoparasitas específicos de felinos, como Lynxacarus radovskyi, podem provocar alopecia localizada ou multifocal, especialmente em regiões onde o parasita se fixa para se alimentar. Essa infestação é mais prevalente em áreas tropicais e pode ser acompanhada por leve prurido ou sinais inflamatórios secundários (HAN et al., 2019).

Outras causas dermatológicas incluem infecções bacterianas secundárias (piodermites), distúrbios autoimunes e dermatites causadas por contato ou irritação química.

2. Causas nutricionais

As causas nutricionais de alopecia em gatos estão diretamente ligadas à qualidade da dieta e à capacidade do organismo de absorver e metabolizar os nutrientes essenciais para a saúde cutânea e pilosa.

Deficiências de ácidos graxos essenciais, como o ômega-3 e ômega-6, podem comprometer a saúde da pele e a integridade da barreira cutânea, resultando em pele ressecada, descamação e queda de pelos.

Em adição, a carência de proteínas de alta qualidade na dieta também pode levar ao enfraquecimento dos folículos pilosos, tornando os pelos mais suscetíveis à queda (BOETA, 2016).

Entre as vitaminas, a biotina desempenha um papel essencial no metabolismo dos ácidos graxos e na síntese de queratina. Sua deficiência, portanto, está associada à alopecia, dermatite esfoliativa e crescimento anormal dos pelos.

Outras vitaminas do complexo B, como a niacina, e minerais como o zinco, também são importantes na manutenção da saúde cutânea e pilosa.

Condições que prejudicam a absorção de nutrientes, como doenças gastrointestinais crônicas ou parasitismos intensos, podem predispor o gato à alopecia.

3. Causas endócrinas

As causas endócrinas de alopecia em gatos devem ser consideradas em casos de perda de pelos simétrica e não inflamatória. Essas condições geralmente estão associadas a disfunções hormonais que afetam o ciclo de crescimento dos pelos, interrompendo a fase anágena (crescimento).

Uma das principais doenças endócrinas relacionadas à alopecia em gatos é o hiperadrenocorticismo, comumente levando à apresentação de alopecia bilateral simétrica, especialmente no tronco, além de pele fina, com tendência a hematomas.

4. Causas comportamentais

A alopecia em gatos pode ter origem psicogênica, caracterizando uma condição frequentemente observada em pacientes que vivenciam situações que comprometem seu bem-estar psicológico, levando ao estresse crônico e à ansiedade.

Entre os fatores desencadeantes mais comuns estão: falta de enriquecimento ambiental, mudanças de residência, introdução de novos animais ou pessoas, convivência com outros animais dominantes ou espaços inadequados para se refugiar, e até mesmo a ausência prolongada do tutor.

Esse tipo de alopecia é resultado de um comportamento compulsivo de super-higienização, no qual o animal lambe, mastiga ou arranca os pelos de maneira excessiva, levando à alopecia autoinduzida (GRIFFITHS, 2024).

5. Outros motivos que causam a alopecia felina

Outras causas incluem reações medicamentosas, condições autoimunes e alopecia hereditária. A exposição a toxinas também deve ser considerada no diagnóstico diferencial.

Casos raros incluem alopecia paraneoplásica associada a tumores internos, como neoplasias pancreáticas e plasmocitomas hepatoesplênicos.

Essa forma de alopecia é caracterizada por perda de pelos de forma abrupta e progressiva, geralmente acompanhada de lesões cutâneas brilhantes e sem pelos, principalmente na face ventral do corpo (CAPORALI et al., 2016).

Diagnóstico do gato com alopecia

Uma abordagem diagnóstica minuciosa é essencial para identificar a causa subjacente da alopecia em gatos, incluindo o histórico e exame físico detalhado do paciente – avaliando o tempo duração da condição, o padrão de distribuição da perda de pelo, a presença ou ausência de prurido e a presença de possíveis lesões cutâneas secundárias.

Exames laboratoriais como citologia, culturas microbiológicas e testes parasitológicos são fundamentais para detectar infecções, inflamações ou ectoparasitas. Além disso, exames de imagem e biópsias cutâneas podem ser necessários para excluir causas internas ou neoplásicas.

Segundo Griffiths (2021), uma abordagem estruturada como essa reduz significativamente a chance de diagnósticos equivocados e tratamentos ineficazes.

Alopecia felina: afinal, existe tratamento?

O tratamento da alopecia em gatos depende inteiramente da resolução da causa subjacente através do diagnóstico correto e do manejo personalizado do paciente acometido.

Para condições dermatológicas, a abordagem terapêutica pode incluir antiparasitários, antifúngicos e o manejo adequado para o controle de alergias. Já em casos endócrinos, o tratamento da disfunção hormonal é indispensável.

O manejo da alopecia psicogênica deve incluir estratégias para reduzir o estresse do animal, a ansiedade e restabelecer sua sensação de segurança.

Isso pode envolver a introdução de enriquecimento ambiental, o estabelecimento de locais tranquilos e seguros para descanso, o uso de feromônios sintéticos. Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de medicamentos ansiolíticos (GRIFFITHS, 2021).

O manejo de casos de alopecia em gatos causada por deficiência nutricional inclui a correção das deficiências nutricionais por meio de dietas adequadas, suplementação de nutrientes e/ou tratamento das condições subjacentes que comprometem a absorção.

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Referências:

ARAUJO, D.R.; MENEGUELLI, M. Psychogenic alopecia in felines: Literature review. Research, Society and Development, v.13, n.10, 2024. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/47196. Acesso em: 28 nov. 2024.

BOETA, A.M.R. Diagnosis of Alopecia in dogs and cats. Zaragoza: Servet, 2016.

CAPORALI, C. et al. Two cases of feline paraneoplastic alopecia associated with a neuroendocrine pancreatic neoplasia and a hepatosplenic plasma cell tumour. Veterinary Dermatology, v.27, n.6, 2016. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/vde.12375. Acesso em: 28 nov. 2024.

DIAZ, S. Como abordar…a síndrome cutânea atópica felina. VetFocus, 2024. Disponível em: https://vetfocus.royalcanin.com/pt/cientifico/how-i-approach-feline-atopic-skin-syndrome. Acesso em: 28 nov. 2024.

GONÇALVES, B.A.L.; VIANNA, L.R.; ANDRADE, C.C. Alopecia psicogênica em gato tratada com Terapia Neural: Relato de caso. PUBVET, v.13, n.12, 2019. Disponível em: https://vethealing.com.br/wp-content/uploads/2020/02/alopecia-psicogenica-e-TN.pdf. Acesso em: 28 nov. 2024.

GRIFFITHS, K. How I approach… Overgrooming in cats. VetFocus, n.26.2, 2021. Disponível em: https://vetfocus.royalcanin.com/en/scientific/overgrooming-in-cats. Acesso em: 28 nov. 2024.

HAN, H.S.; CHUA, H.L.; NELLINATHAN, G. Self-induced, noninflammatory alopecia associated with infestation with Lynxacarus radovskyi: a series of 11 cats. Veterinary Dermatology, v.30, n.4, 2019. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/vde.12749. Acesso em: 28 nov. 2024.

NOLI, C.; COLOMBO, S. Alopecia. Feline Dermatology. Berlim: Springer. 2020.

SCHILDT, K.J.M.; PÄNKÄLÄ, L.E. Doenças cutâneas em filhotes felinos. VetFocus, 2024. Disponível em: https://vetfocus.royalcanin.com/pt/cientifico/skin-diseases-in-kittens. Acesso em: 28 nov. 2024.

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