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Hérnia de disco em cães e como a nutrição pode ajudar na condição

Hérnia de disco em cães e como a nutrição pode ajudar na condição
Atualizado em 14 de maio de 2026
Tempo de leitura: 12min
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A hérnia de disco em cães pode desencadear sinais clínicos motores e neurológicos, e afeta cães de diferentes portes e raças. Saiba mais! 

Também conhecida como doença do disco intervertebral, a hérnia de disco é um dos problemas de coluna em cães que mais comumente gera lesões na medula espinhal, resultando em alterações locomotoras e neurológicas.  

Trata-se de uma complicação que pode ser diagnosticada tanto em raças condrodistróficas (Dachshund, Beagle, entre outras) quanto em raças não condrodistróficas. Entenda todos os detalhes da hérnia de disco em cães e saiba como abordar o seu paciente! 

O que é a hérnia de disco? 

Os discos intervertebrais estão localizados entre cada vértebra da coluna vertebral, com exceção dos espaços entre os corpos da primeira e da segunda vértebra 

A hérnia de disco em cães consiste em alterações degenerativas nas camadas do disco intervertebral (núcleo pulposo e anel fibroso). Elas podem ser causadas pela perda de água, necrose celular e calcificação, e resultam na deterioração das propriedades biomecânicas do disco intervertebral (que promove flexibilidade à coluna vertebral e a absorção de impactos para a medula espinhal).  

Esse evento faz com que haja protrusão ou extrusão do material interior do disco intervertebral, podendo levar à compressão da medula espinhal (mielopatia) e/ou ao aprisionamento de raízes nervosas (radiculopatia). 

A protusão de disco é o início do extravasamento do núcleo pulposo do disco intervertebral, ainda sem a ruptura do anel fibroso. Já a extrusão caracteriza-se pela ruptura do anel fibroso com consequente herniação ou extravasamento do conteúdo discal (Figura 1). 

Hérnia de disco em cães
Figura 1: A) Extrusão do disco intervertebral. B) Protrusão do disco intervertebral. Fonte: FOSSUM, 2008.

Entendendo a fisiopatogenia da hérnia de disco nos cães 

Geralmente associada às degenerações do disco intervertebral – que podem ocorrer precocemente em raças predispostas ou naturalmente pelo processo de envelhecimento – a hérnia de disco em cães pode ser classificada das seguintes formas. 

  • Hansen tipo I: caracteriza-se por degeneração condróide do núcleo pulposo, com ruptura do anel fibroso e extrusão do material do disco intervertebral para dentro do canal espinhal; 
  • Hansen tipo II: caracteriza-se pela degeneração fibrinóide do núcleo pulposo, sem ruptura do anel fibroso, com protusão gradual do disco intervertebral, provocando uma saliência para dentro do canal medular; 
  • Hansen tipo III: caracteriza-se pela extrusão traumática e não degenerativa do disco intervertebral. 

A extrusão do disco pode gerar diferentes graus de lesão na medula, decorrentes de danos agudos por concussão ou por compressão. Em contrapartida, a protrusão do disco ocasiona prejuízo progressivo à medula espinhal, uma vez que provoca trauma repetitivo por compressão. 

A localização da hérnia de disco em cães, sua classificação e a gravidade da lesão da medula irão resultar em diferentes apresentações clínicas, conforme abordaremos mais à frente.  

Predisposição racial 

A genética e o comprimento da coluna vertebral podem influenciar no aparecimento da hérnia de disco em cães.  

As raças condrodistróficas (ou seja, exemplares que interrompem prematuramente a ossificação endocondral dos ossos longos), dentre elas algumas raças que possuem coluna longa e patas curtas, são predispostas a apresentar, principalmente, extrusão de disco ou Hansen tipo I. Nesse caso, geralmente são acometidos animais jovens com idade que varia de 2 a 7 anos (MAI, 2013). 

Assim, podemos destacar predisposição racial à hernia de disco em cães nas raças: 

A relação entre a hérnia de disco canina e o sobrepeso e obesidade 

Conforme dito anteriormente, os discos intervertebrais são estruturas que garantem flexibilidade à coluna vertebral e absorção de impactos para a medula espinhal, atuando como amortecedores entre as vértebras.  

Com o aumento do peso corporal do animal, há uma sobrecarga mecânica exacerbada sobre a coluna vertebral. Este estresse adicional causado por sobrepeso ou obesidade pode acelerar o desgaste dos discos intervertebrais, tornando-os mais suscetíveis a danos e degenerações e, consequentemente, acarretando a hérnia de disco em cães ou até mesmo piorando o quadro de pacientes já acometidos.  

Sobrepeso e obesidade podem trazer dores e complicações em casos de hérnia de disco

Possíveis sinais clínicos em casos de hérnia de disco 

Os sinais clínicos apresentados nos casos de hérnia de disco em cães são variáveis e dependem da localização da lesão (se cervical cranial, cervicotorácica, toracolombar ou lombossacra), da classificação do prolapso (extrusão/protrusão) e da durabilidade da compressão medular, podendo se desenvolver de forma aguda ou progressiva. 

Podemos, então, evidenciar dor, alterações ortopédicas e alterações neurológicas. Daí a importância de o médico-veterinário realizar exame clínico ortopédico e neurológico minuciosos com o intuito de localizar a lesão, avaliando marcha, reações posturais, propriocepção, força, tônus muscular e reflexos espinhais. (Tabela 1). 

Tabela 1: Localização da região da lesão medular causada por hérnia de disco em cães. Fonte: KISTEMACHER, 2017. 

Localização da Lesão Função Motora Reflexos dos Membros Torácicos e Tônus Muscular Reflexos dos Membros Pélvicos e Tônus Muscular 
Cervical Cranial 

(entre C1 e C5) 

Tetraparesia, tetraplegia Normais a aumentados Normais a aumentados 
Cervicotorácica 

(entre C6 e T2) 

Tetraparesia, tetraplegia e ataxia dos membros torácicos Diminuídos a ausentes Normais a aumentados 
Toracolombar 

(entre T3 e L3) 

Paraparesia e paraplegia Normais Normais a aumentados 
Lombossacra 

(entre L4 e S3) 

Paraparesia e paraplegia Normais Diminuídos a ausentes 

Por fim, os sinais clínicos detectados também serão importantes para a classificação do grau da hérnia de disco em cães, conforme exposto a seguir. 

  • Grau I: dor em região toracolombar leve, moderada ou intensa, sem acometimento neurológico; 
  • Grau II: pequena incoordenação motora, dor recorrente, déficit de propriocepção, reflexos espinhais normais ou aumentados;
  • Grau III: bastante incoordenação motora, falta de sustentação do corpo, déficit de propriocepção, reflexos espinhais normais ou aumentados; 
  • Grau IV: ausência de função motora, ausência de propriocepção, reflexos espinhais normais ou aumentados; 
  • Grau V: grau IV + incontinência urinária e ausência de dor profunda. 

Diagnóstico de hérnia de disco em cães 

O conjunto de informações obtido na anamnese, exame físico, ortopédico e neurológico irá elucidar quais as suspeitas diagnósticas e os exames complementares a serem solicitados. 

Para a suspeita de hérnia de disco em cães, é importante incluir alguns diagnósticos diferenciais como: 

  • trauma por fratura ou luxação; 
  • discoespondilite; 
  • neoplasia; 
  • meningite; 
  • mielopatia degenerativa. 

O diagnóstico precoce e preciso da hérnia de disco em cães permite a intervenção médico-veterinária antes que ocorram lesões irreversíveis e é de extrema importância devido às implicações significativas para a saúde, qualidade de vida e prognóstico dos animais afetados. 

Para isso, podem ser necessários exames de imagem como radiografia, mielografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. 

Exames de imagem 

Na radiografia simples, os sinais radiográficos de hérnia de disco em cães são: estreitamento de espaço intervertebral, opacificação do forame intervertebral e cuneiformização dos corpos vertebrais contíguos. Por isso, as extrusões de disco podem ser bem visíveis nesse método. 

A mielografia – que somente deve ser realizado após um raio-x simples – consiste no exame radiográfico de contraste para avaliar a medula espinhal, evidenciando regiões de compressão. 

Raio-X de hérnia de disco em cães
Figura 2: Incidência lateral direita de mielografia cervicotorácica de um cão, notando-se deslocamento dorsal da coluna de contraste medular ventral (seta). Fonte: ALVES, 2018.

Exames de imagem avançada 

A tomografia computadorizada (TC) é um exame complementar sensível para hérnia de disco em cães, com capacidade de oferecer imagens de vários planos (dorsal, sagital e transversal) em três dimensões, permitindo a identificação de hérnia com material do disco intervertebral não mineralizado ou de baixa densidade mineral. 

Já a ressonância magnética (RM) é considerada o melhor exame complementar para detecção das degenerações no disco intervertebral e, consequentemente, da hérnia de disco em cães, já que é capaz de evidenciar extrusões e protrusões. 

Hérnia de disco em cães
Figura 3: RM em plano sagital. A) Imagem em T2 de um cão SRD, com paralisia não ambulatória, demonstrando deslocamento dorsal do trajeto medular, compatível com protrusão discal. B) Imagem em T1 de um Poodle, apresentando paraparesia. Nota-se a presença de material de baixa intensidade de sinal entre L2-L3 (seta tracejada) deslocando a medula dorsalmente, compatível com extrusão discal. Fonte: ALVES, 2018.

A importância do tratamento multidisciplinar 

O tratamento multidisciplinar consegue abordar a complexidade da hérnia de disco em cães, não apenas tratando os sinais clínicos presentes, mas também promovendo a recuperação a longo prazo e a prevenção de recidivas, o que melhora a qualidade de vida dos cães afetados. 

Tratamento medicamentoso 

O tratamento medicamentoso para hérnia de disco em cães pode incluir o uso de anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), analgésicos, corticosteroides e relaxantes musculares. Estes medicamentos têm como objetivo reduzir a dor e a inflamação, melhorar a mobilidade e minimizar o desconforto do animal. 

Vale ressaltar que deve haver uma colaboração entre o médico-veterinário clínico geral e o ortopedista, pois enquanto o clínico inicia o manejo da crise e estabiliza o paciente, o ortopedista realiza um acompanhamento detalhado, ajustando e adequando o tratamento conforme necessário. Essa conduta assegura um manejo eficaz da dor e inflamação para promover qualidade de vida ao animal. 

Medicina integrativa e fisioterapia 

A medicina integrativa – que combina o tratamento convencional a técnicas como fisioterapia, acupuntura e homeopatia  otimiza os resultados clínicos e promove o bem-estar geral do paciente acometido pela hérnia de disco. 

Para tal, é necessário o acompanhamento contínuo do animal pelos profissionais da equipe multidisciplinar, ajustando as técnicas e progredindo, em conjunto, para a estabilização do quadro de hérnia de disco em cães.   

Adequação do manejo nutricional 

A relação entre a hérnia de disco em cães e o sobrepeso/obesidade destaca a importância de manter uma condição corporal ideal para minimizar o agravamento da afecção. O manejo alimentar adequado envolve o fornecimento de uma dieta balanceada que atenda às necessidades energéticas e nutricionais do cão sem promover ganho de peso.  

A escolha da dieta adequada deve, inclusive, levar em consideração a condição corporal do paciente, pois pode ser necessária a implementação de uma alimentação específica para emagrecimento. Por isso, o acompanhamento do médico-veterinário é imprescindível, proporcionando um suporte especializado para implementação de um plano nutricional personalizado, que pode ser ajustado sempre que necessário.   

A importância da prevenção 

A prevenção da hérnia de disco em cães envolve um conjunto de práticas que incluem consultas veterinárias de rotina, manutenção do peso corporal ideal e prática de exercícios regulares. O foco deste conjunto é o de identificar precocemente quaisquer sinais de problemas, reduzir o risco de degenerações do disco intervertebral e promover a saúde geral do pet, assegurando uma melhor qualidade de vida e longevidade. 

A Royal Canin® oferece uma linha completa de alimentos para cães saudáveis e outra linha de nutrição veterinária, formuladas de acordo com as exigências e especificidades de cada animal, pois acredita que a nutrição deve ser única!  

Quando, por exemplo, o médico-veterinário estiver lidando com um paciente com hérnia de disco que tenha tendência a apresentar sobrepeso/obesidade, indicamos a utilização dos nossos alimentos da linha Light (Mini, Medium, Maxi ou Light Weight úmido), que, a partir de uma combinação de alto teor de proteína, baixo teor de gordura e L-carnitina, ajudam na manutenção de um peso saudável. Além disso, sua fórmula enriquecida com fibras contribui para a redução da sensação de fome entre as refeições. 

linha Light da Royal Canin

Por outro lado, quando já é um caso de sobrepeso/obesidade, o alimento Satiety Support Weight Management é o mais recomendado por auxiliar na perda de peso segura (mantendo a massa muscular), reduzir o risco de recuperação do peso e ajudar a controlar o comportamento de implorar por alimento. 

Linha Satiety para cães

Utilize nossa ferramenta Calculadora para Recomendações para facilitar na sua rotina de prescrições. 

Referências bibliográficas 

ALVES, L.S. Diagnóstico por imagem de hérnia discal Hansen tipo I, II e III em cães. RVZ, v.25, n.1, 2018. Acesso em: 24 maio 2024. 

BURGESE, L.F. Radiologia convencional e tomografia computadorizada na avaliação de cães portadores de discopatia cervical: estudo comparativo. Portal Regional da BVS, 2006. 

FOSSUM, T. Princípios fundamentais da neurocirurgia. In: FOSSUM, T. Cirurgia de Pequenos Animais. Saint Louis: Elsevier, 2008.  

GUIDI, A.R. et.al. Diagnósticos e tratamentos empregados em casos de hérnias de disco em cães: Revisão. PUBVET, v.15, n.10, 2021. Acesso em: 24 maio 2024. 

KISTEMACHER, B.G. Tratamento fisioterápico na reabilitação de cães com afecções em coluna vertebral: Revisão de literatura. LUME – UFRGS, 2017. Acesso em: 24 maio 2024. 

LONDOÑO, S.C.S. Doença do disco intervertebral em cães – aspectos fisiopatológicos e reabilitação. UNICEPLAC, 2020. Acesso em: 24 maio 2024. 

MAI, W. Magnetic resonance imaging and computed tomography features of canine and feline spinal cord disease. In: THRALL, D.E. Textbook of veterinary diagnostic radiology. Saint Louis: Elsevier, 6 ed., 2013. 

NELSON, R.; COUTO, C. Medicina Interna de Pequenos Animais. Saint Louis: Elsevier, 2015. 

NETO, R.T. et.al. A utilização da ozonioterapia aliada a acupuntura no tratamento de um cão com hérnia de disco: relato de caso. Arq. Bras. Med. Vet. FAG, v.4, n.1, 2021. Acesso em: 25 maio 2024. 

SANTOS, D.; BALSAMO, R. Hérnia de disco em cães: relato de caso (Veterinária). Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa – ICESP, v.2, n.1, 2023. Acesso em: 24 maio 2024. 

TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies canina e felina. São Paulo: Manole, 5 ed., 2014.  

 

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