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Anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais: quando e como indicar a gatos e cães

Anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais: quando e como indicar a gatos e cães
Atualizado em 30 de março de 2026
Tempo de leitura: 17min
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Os anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais têm recomendações distintas. Saiba quando e como utilizá-los, minimizando riscos e efeitos adversos em seus pacientes felinos e caninos 

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) e os anti-inflamatórios esteroidais (AIES) constituem uma classe de fármacos muito utilizada na clínica veterinária para o tratamento de dor e inflamação.

Embora ambos sejam seguros para uso em animais, é a partir do exame clínico e da anamnese que o médico-veterinário irá determinar o melhor anti-inflamatório a ser prescrito.

Neste artigo, saiba em detalhes o que são anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) e anti-inflamatórios esteroidais (AIES), como eles agem no organismo e os cuidados no momento da prescrição, quando eles forem necessários.

O que são anti-inflamatórios?

Os anti-inflamatórios são fármacos utilizados para modular a resposta inflamatória do organismo, reduzindo sinais clínicos decorrentes de lesões ou doenças inflamatórias.

Eles podem ser classificados, principalmente, em anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), que atuam inibindo as enzimas ciclooxigenases (COX-1 e/ou COX-2) e, consequentemente, a síntese de prostaglandinas, e em anti-inflamatórios esteroidais (AIE), que exercem ação mais ampla sobre a cascata inflamatória por meio da modulação da expressão gênica (KUKANICH; BIDGOOD; KNESL, 2012; BURIKO; TINSLEY, 2025).

Os 5 sinais da inflamação

Já a inflamação é uma resposta fisiopatológica complexa de tecidos vascularizados frente a uma lesão, com o objetivo de eliminar o agente agressor, conter danos e iniciar o processo de reparo. Esse estímulo pode ter diferentes origens, incluindo danos térmicos, químicos ou físicos, isquemia, agentes infecciosos, interações antígeno-anticorpo e outros processos biológicos (PIOTTI et al., 2024).

Quando desencadeada, a inflamação apresenta cinco sinais clínicos clássicos (KUKANICH; BIDGOOD; KNESL, 2012).

  1. Dor: resulta da liberação de mediadores inflamatórios como prostaglandinas e bradicinina, que sensibilizam terminações nervosas locais, gerando desconforto e limitação funcional.
  2. Calor: causado pelo aumento do fluxo sanguíneo (hiperemia) na região afetada, consequência da vasodilatação;
  3. Rubor: vermelhidão local, também decorrente da hiperemia e da dilatação dos capilares;
  4. Edema: acúmulo de líquido no interstício devido ao aumento da permeabilidade vascular e extravasamento plasmático;
  5. Perda de função: resultado da combinação de dor, edema e alterações estruturais no tecido lesionado, podendo limitar movimentos ou comprometer o desempenho da região afetada.

O resultado desejado da resposta inflamatória é o isolamento e a eliminação do agente prejudicial para, assim, preparar a reparação do dano tecidual no local da lesão e a restauração da função (BURIKO; TINSLEY, 2025).

Como agem os anti-inflamatórios esteroidais (corticoides)?

Os anti-inflamatórios esteroidais (AIE), também conhecidos como corticoides ou corticosteroides, constituem uma classe de fármacos sintéticos que mimetizam os efeitos dos hormônios naturais produzidos pelo córtex das glândulas suprarrenais.

A secreção fisiológica desses hormônios é estimulada pelo hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), liberado pela hipófise, e regulada pelo hormônio liberador de corticotropina (CRH) do hipotálamo, compondo o eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (SAMUEL; NGUYEN; CHOI, 2017).

Os corticosteroides são divididos de acordo com sua principal função.

  • Mineralocorticoides: regulam o equilíbrio de água e eletrólitos, principalmente sódio e potássio, sendo a aldosterona o principal representante.
  • Glicocorticoides: modulam o metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, além de exercerem potentes efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores.

Atuação dos corticoides na cascata da inflamação

Os anti-inflamatórios esteroidais atuam diretamente na inibição da fosfolipase A₂, reduzindo a liberação de ácido araquidônico da membrana celular, e, consequentemente, diminuindo a síntese de prostaglandinas e leucotrienos. Também reduzem a produção de citocinas pró-inflamatórias, interleucinas, moléculas de adesão e enzimas proteolíticas, como a colagenase, limitando o recrutamento e a ativação de células inflamatórias, e, assim, interrompendo toda a cascata inflamatória (SAMUEL; NGUYEN; CHOI, 2017).

Essa ação ampla torna os AIE eficazes contra os cinco sinais da inflamação já mencionados. Contudo, a sua eficácia generalizada não significa que sejam sempre indicados, sendo necessário avaliar cuidadosamente os riscos e os benefícios para cada paciente (BURIKO; TINSLEY, 2025).

Quando utilizar anti-inflamatórios esteroidais em gatos e cães?

A principal indicação dos anti-inflamatórios esteroidais envolve o manejo de doenças alérgicas ou imunomediadas, nas quais a inflamação é um componente central da patogênese. Entre as condições mais comuns destacam-se:

  • dermatoses pruriginosas, como a dermatite atópica canina e a dermatite alérgica a picadas de ectoparasitas;
  • doenças alérgicas respiratórias, incluindo bronquite alérgica crônica e asma felina;
  • doenças gastrointestinais de base imunológica, como enteropatias crônicas inflamatórias, especialmente nos casos que não respondem ao manejo dietético.

Além disso, o uso de corticoide pode abranger:

  • doenças autoimunes, como anemia hemolítica imunomediada, trombocitopenia imunomediada e poliartrite imunomediada;
  • situações emergenciais no ambiente hospitalar, como edema cerebral, choque refratário— desde que avaliados os riscos e os benefícios (BURIKO; TINSLEY, 2025; SAMUEL; NGUYEN; CHOI, 2017).

Efeitos adversos mais comuns dos anti-inflamatórios esteroidais (AIEs) em cães e gatos

O uso de anti-inflamatórios esteroidais, como prednisolona, dexametasona e metilprednisolona, está associado a uma ampla gama de efeitos adversos, sendo os mais comuns:

  • poliúria, polidipsia e polifagia decorrentes da interferência no metabolismo hídrico e no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal;
  • aumento transitório das enzimas hepáticas (principalmente fosfatase alcalina) sem necessariamente indicar lesão hepática estrutural.

Como e quando realizar o desmame de corticoide

O desmame gradual dos anti-inflamatórios esteroidais é um procedimento fundamental para prevenir a ocorrência de insuficiência adrenal secundária à supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, levando a um hipoadrenocorticismo iatrogênico.

Portanto, o desmame deve ser feito através da redução progressiva da dose, geralmente reduzindo 25 a 50% da dose a cada 3 a 7 dias, em casos de tratamentos anti-inflamatórios que ultrapassem 3 dias de uso consecutivos e de protocolos imunossupressores de média ou longa duração (BURIKO; TINSLEY, 2025).

Contraindicações no uso de corticoides em gatos e cães

Existem situações em que o uso dos anti-inflamatórios esteroidais é contraindicado ou deve ser criteriosamente ponderado devido ao risco de agravamento do quadro clínico. Dentre elas, podemos citar:

  • síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo): a administração exógena agrava o excesso de cortisol já presente, potencializando efeitos adversos como imunossupressão, perda muscular, obesidade e alterações metabólicas (BURIKO; TINSLEY, 2025);
  • diabetes mellitus e outras condições hiperglicemiantes: em pacientes diabéticos, os corticoides podem induzir a resistência insulínica e elevar a glicemia, dificultando o controle da doença. Também devem ser evitados em outras condições predisponentes à hiperglicemia, como pancreatite ou obesidade grave (SANTIS et al., 2022);
  • traumatismo cranioencefálico (TCE): o uso desse medicamento não demonstrou benefício na melhora da sobrevida ou recuperação neurológica. Além disso, seu uso pode agravar edema, hiperglicemia e imunossupressão (BURIKO; TINSLEY, 2025);
  • doenças renais ou hepáticas graves: nesses casos, a depuração e o metabolismo dos glicocorticoides podem estar comprometidos, aumentando a toxicidade e o risco de efeitos adversos severos (SANTIS et al., 2022).

Como agem os AINES (anti-inflamatórios não esteroidais)?

Os anti-inflamatórios não esteroidais são os anti-inflamatórios mais utilizados na Medicina Veterinária. Eles possuem como principais efeitos terapêuticos a redução da dor, da febre e da inflamação.

Atuação dos AINES na cascata da inflamação

Quando há lesão celular, a cascata da inflamação é responsável pela liberação de ácido araquidônico (AA), ativação das enzimas ciclooxigenases (COX) e produção de prostaglandinas (PG), desencadeando os sinais de inflamação (dor, calor e rubor, por exemplo).

E para entender a fundo a ação dos anti-inflamatórios não esteroidais é importante também detalhar a relação desses fármacos com as enzimas ciclooxigenases (COX).

A COX-1 é a isoenzima fisiológica. Ela produz prostaglandinas (PGD 2, PGE 2), prostaciclinas (PGI 2) e tromboxanos (TxA 2), importantes para processos fisiológicos normais. A COX-1 desempenha ainda funções desejáveis de serem mantidas ativas durante o uso do anti-inflamatório, incluindo:

  • proteger o revestimento do estômago e dos intestinos ao inibir a secreção gástrica de ácido clorídrico, aumentando a secreção de muco pela mucosa gástrica – PGE2 ;
  • ajudar a manter o fluxo sanguíneo gastrointestinal e renal – PGD2, PGE2 ;
  • apoiar a função plaquetária – TxA 2;
  • estimular vasodilatação – PGD 2, PGE 2, PGI2 (FDA, 2022).

Já a COX-2 é a isoenzima induzível que produz prostaciclinas (PGI 2) e prostaglandinas (PGE 2) em resposta a mediadores inflamatórios (citocinas – interleucinas; fator de crescimento, endotoxinas). A COX-2 está diretamente associada aos quadros de dor, calor, aumento do fluxo sanguíneo relacionado ao rubor e ao edema associados à inflamação.

Os anti-inflamatórios não esteroidais podem inibir diferentes isoenzimas da COX. Dependendo de qual ciclooxigenase é inibida, os AINES são definidos como: seletivos e não- seletivos para COX-2.

Os AINES não seletivos atuam bloqueando as 2 isoenzimas – COX –1 e COX-2. São anti-inflamatórios que possuem ação antipirética, analgésica e anti-inflamatória desejada a partir da inibição da COX-2. Porém há os efeitos colaterais indesejáveis, devido a inibição da COX-1. Dentre esses efeitos temos gastrite, disfunção plaquetária, comprometimento renal e broncoespasmo (KUKANICH et al., 2012).

Já os anti-inflamatórios não esteroidais seletivos atuam com a inibição somente a COX-2, e permitem que a COX-1 continue atuando com a ação fisiológica. Dessa forma, são fármacos com menor propensão a resultar em efeitos colaterais indesejáveis.

Quando utilizar um AINE em gatos e cães?

Os anti-inflamatórios não esteroidais constituem uma das classes farmacológicas mais indicadas para o manejo da dor inflamatória aguda e crônica em cães e gatos. Logo, as principais indicações do uso de AINEs são:

  • controle da dor pós-operatória, incluindo procedimentos ortopédicos, de tecidos moles e odontológicos (FDA, 2022);
  • tratamento da dor musculoesquelética crônica, como na osteoartrite;
  • afecções inflamatórias agudas, como entorses, contusões e lesões traumáticas, sem o comprometimento da mucosa gastrointestinal ou da função renal;
  • controle de dor e inflamação associadas a neoplasias em protocolos multimodais.

Entre os fármacos mais utilizados pelos médicos-veterinários podemos mencionar:

  • meloxicam: em cães, pode ser utilizado por períodos prolongados sob monitoramento; em gatos, a recomendação é de uso por até 4 dias em dor aguda, devido ao risco aumentado de nefrotoxicidade (TAYLOR et al., 2024);
  • carprofeno: aprovado para uso prolongado em cães, com monitoramento hepático e renal;
  • firocoxib: indicado para osteoartrite e dor pós-operatória em cães;
  • robenacoxib: aprovado para uso em cães e gatos, sendo seguro para administração por até 3 dias consecutivos em gatos no pós-operatório (TAYLOR et al., 2024).

Principais efeitos adversos do uso de AINES em cães e gatos

Como os anti-inflamatórios não esteroidais podem interferir na produção de algumas prostaglandinas que possuem função positiva, o seu uso pode causar efeitos colaterais que afetam, principalmente, o trato digestivo, os rins e o fígado.  São eles:

  • vômito;
  • diminuição/ ausência de apetite;
  • diminuição do nível de atividade;
  • diarreia.

Outros efeitos colaterais mais graves em cães e gatos incluem úlceras no estômago e nos intestinos, perfurações no estômago e nos intestinos, insuficiência renal, insuficiência hepática e até óbito, em alguns casos.

Contraindicações no uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para gatos e cães

É amplamente reconhecido que os anti-inflamatórios não esteroidais devem ser usados com cautela em gatos, devido à baixa capacidade da espécie em realizar a glicuronidação hepática – o principal mecanismo de metabolização e excreção dos AINEs (FDA, 2022).

Além disso, o uso de AINE para analgesia pós-operatória em procedimentos ortopédicos deve ser cuidadoso, pois esse fármaco pode inibir a consolidação óssea, afetando a fase inflamatória da cicatrização e levando a uma resposta de cura descoordenada (GALLAHER, 2019).

AINE ou AIE: saiba como tomar a decisão na hora de indicar um medicamento

A escolha entre anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais no manejo da dor e inflamação em cães e gatos exige uma abordagem individualizada. É importante que o médico-veterinário se atente a alguns pontos na hora de prescrição.

1. Identifique a queixa principal e respeite as particularidades de cada espécie

A farmacocinética e a tolerância aos fármacos variam entre cães e gatos, o que torna essencial respeitar as particularidades de cada espécie e a condição-alvo antes de qualquer prescrição de AINE e AIE.

2. Faça uma anamnese e tenha o máximo de dados do histórico do paciente

O histórico do paciente direciona não apenas a escolha entre anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais, mas também a via, a formulação e a frequência de administração.

Por isso, a coleta de informações do histórico do animal deve incluir dados sobre:

  • doenças prévias, como doença renal crônica (DRC), hepatopatias, endocrinopatias;
  • histórico de medicações: uso prévio de AINEs e corticoides, assim como outros fármacos que possam interagir e aumentar risco de efeitos adversos;
  • condições de manejo: considerar se o paciente aceita medicação a cada 12 horas (BID) ou se é preferível optar por protocolos a cada 24 horas (SID) para melhor adesão.

3. Lembre-se da avaliação física

Já o exame físico do paciente orienta o profissional sobre a segurança e a viabilidade do uso de anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais. Portanto, deve-se avaliar:

  • hidratação, pois a desidratação aumenta o risco de nefrotoxicidade associada a AINEs;
  • sinais sugestivos de doença renal crônica ou insuficiência renal aguda, por exemplo, a halitose intensa associada a dor vertebral pode indicar uremia e doença renal avançada. Nestes casos, o uso de AINE e AIE deve ser evitado ou postergado até investigação diagnóstica (SANTIS et al., 2022);
  • ausculta cardíaca, pois a presença de sopros ou arritmias pode contraindicar ou limitar certos protocolos.

Em situações de suspeita de alterações orgânicas graves e ausência de exames laboratoriais, pode ser prudente iniciar analgesia multimodal sem anti-inflamatórios, priorizando a segurança até a confirmação diagnóstica (FDA, 2022).

4. Solicite exames complementares

Exames complementares como função hepática, função renal e avaliação cardiológica permitem selecionar o fármaco mais seguro para cada caso e ajustar doses conforme o status clínico do paciente, tornando o tratamento com anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais mais seguro (GALLAHER et al., 2019; TAYLOR et al., 2024).

A importância do monitoramento do paciente durante o tratamento

Durante o tratamento com anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais, é essencial manter um monitoramento rigoroso, o que inclui reavaliações clínicas periódicas, para acompanhar parâmetros como dor, mobilidade, apetite, presença de vômitos, diarreia e alterações urinárias, como poliúria e polidipsia.

Em protocolos prolongados, a realização de exames laboratoriais seriados é indispensável para detectar precocemente alterações orgânicas, permitindo ajustes de dose ou até a substituição por terapias alternativas caso surjam sinais adversos (HILLIER et al., 2025).

Além dos anti-inflamatórios: algumas alternativas a esses fármacos

O manejo da dor e da inflamação, contudo, não deve se limitar ao uso de anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais.

A medicina integrativa oferece opções seguras e eficazes. Um exemplo é a laserterapia, que estimula o reparo tecidual e modula a inflamação local. Outra sugestão é a acupuntura, que auxilia no controle da dor crônica e melhora a função locomotora.

Além disso, nutracêuticos com ação anti-inflamatória podem contribuir para o controle da inflamação com menor risco de efeitos adversos. Produtos de origem natural (como o MOVE TM), representam alternativas promissoras, especialmente para pacientes com maior sensibilidade ou contraindicações ao uso de fármacos convencionais.

Todo paciente deve passar por uma avaliação criteriosa e individualizada antes da prescrição de qualquer medicamento ou tratamento.

Tire outras dúvidas sobre o uso de anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais

Restaram dúvidas? Confira abaixo mais alguns pontos sobre AINEs e AIE.

Por que não é indicado utilizar corticoide e AINE juntos?

Pelo risco elevado de ulceração gastrointestinal e perfuração devido ao efeito sinérgico sobre a mucosa.

Qual a diferença entre a prednisolona e a prednisona?

Prednisolona é o metabólito ativo. Prednisona precisa ser metabolizada pelo fígado para virar prednisolona, podendo estar associada a uma maior sobrecarga hepática.

Todo anti-inflamatório afeta os rins?

Os AINEs podem afetar os rins devido à inibição da síntese de prostaglandinas que mantêm a perfusão renal. Já os AIE não afetam diretamente os rins, mas podem agravar problemas renais preexistentes indiretamente, por exemplo, aumentando pressão arterial, causando retenção de sódio e água ou predispondo a infecções que impactam a função renal.

O uso de corticoide pode aumentar a fome?

Sim, é comum observar polifagia devido ao estímulo do centro da fome no hipotálamo, aumento da liberação de grelina e alteração do metabolismo de glicose e lipídios, promovendo maior apetite e ingestão alimentar.

É normal aumentar a quantidade de urina ao utilizar corticoides?

Sim. O corticoide causa poliúria porque interfere na ação da vasopressina nos túbulos renais e aumenta a filtração glomerular, resultando em maior volume urinário e excreção aumentada de água.

É normal o animal que utiliza corticoide ingerir bastante água (polidipsia)?

Sim, observa-se polidipsia acompanhando a poliúria, pois a perda de maior volume de água estimula a ingestão de líquidos.

Qual o tempo máximo do uso de meloxicam em gatos?

Até 4 dias consecutivos em dor aguda (TAYLOR et al., 2024).

Animais idosos podem utilizar anti-inflamatórios?

Sim, desde que com avaliação prévia de função renal, hepática e ajuste de dose.

Pode utilizar corticoide em filhotes de cães e gatos?

Sim, mas de forma cautelosa, apenas com doses mínimas e frequência limitada, se estritamente necessário, pois existe o risco de fechamento precoce das linhas de crescimento.

O uso de anti-inflamatórios pode causar imunossupressão?

Sim, o uso de corticoides em doses elevadas e/ou tempo prolongado pode ter efeito imunossupressor, pois esses fármacos inibem a ativação de linfócitos T e B, reduzem a produção de citocinas pró-inflamatórias e comprometem a função de fagócitos e células dendríticas, diminuindo a resposta imune.

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Referências:

BURIKO, Y.; TINSLEY, A. Controversies of and Indications for Use of Glucocorticoids in the Intensive Care Unit and the Emergency Room. Vet. Clin. North Am. Small Anim. Practice, v.55, n.3, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40316370/. Acesso em: 13 ago. 2025.

FDA. Get the Facts about Pain Relievers for Pets. 2022. Disponível em: https://www.fda.gov/animal-veterinary/animal-health-literacy/get-facts-about-pain-relievers-pets. Acesso em: 13 ago. 2025.

GALLAHER, H.M. et al. Effects of short‐ and long‐term administration of nonsteroidal anti‐inflammatory drugs on osteotomy healing in dogs. Veterinary Surgery, v.48, n.7, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31291009/. Acesso em: 13 ago. 2025.

HILLIER, T.N. et al. Dogs receiving cyclooxygenase-2–sparing nonsteroidal anti-inflammatory drugs and/or nonphysiologic steroids are at risk of severe gastrointestinal ulceration. Journal of the American Veterinary Medical Association, v.263, n.3, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.2460/javma.24.06.0430. Acesso em: 13 ago. 2025.

KUKANICH, B., BIDGOOD, T., KNESL, O.  Clinical pharmacology of nonsteroidal anti-inflammatory drugs in dogs. Veterinary Anaesthesia and Analgesia, v.39, n.1, 2012. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1467298716303762. Acesso em: 13 ago. 2025.

PIOTTI, P. et al. Inflammation and Behavior Changes in Dogs and Cats. Vet. Clin. North Am. Small Anim. Practice, v.54, n.1, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37722946/. Acesso em: 13 ago. 2025.

SAMUEL, S.; NGUYEN, T.; CHOI, H.A. Pharmacologic Characteristics of Corticosteroids. Journal of Neurocritical Care, v.10, n.2, 2017. Disponível em: https://www.e-jnc.org/upload/pdf/jnc-170035.pdf. Acesso em: 13 ago. 2025.

SANTIS, F. et al. Drug-Dosing Adjustment in Dogs and Cats with Chronic Kidney Disease. Animals, v.12, n.3, 2022. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-2615/12/3/262. Acesso em: 13 ago. 2025.

TAYLOR, S. et al. 2024 ISFM and AAFP consensus guidelines on the long-term use of NSAIDs in cats. J. Feline Med. Surg., v.26, n.4, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38587872/. Acesso em: 13 ago. 2025.

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