Principais causas de hipoglicemia em cães e gatos
Links rápidos:
- O que é hipoglicemia?
- Entendendo os índices glicêmicos dos pacientes
- Quais os riscos da hipoglicemia em gatos e cães?
- Principais causas de hipoglicemia em gatos e cães
- Hipoglicemia em cães e gatos: quando o médico veterinário deve intervir?
- A Royal Canin atua há mais de 50 anos promovendo saúde e bem-estar aos pets!
A hipoglicemia em cães e gatos é um distúrbio metabólico que pode causar vários sinais clínicos e, inclusive, representar uma emergência com risco de morte. Entenda sobre o assunto e saiba como conduzir o caso!
A hipoglicemia é uma condição clínica que pode se manifestar em cães e gatos de diferentes idades e estados de saúde. Caracteriza-se por uma concentração de glicose no sangue abaixo dos valores considerados normais, o que pode levar a sinais clínicos variados que incluem desde letargia até convulsões e óbito.
O entendimento das causas subjacentes e a intervenção precoce são essenciais para o manejo adequado do paciente, evitando complicações graves. Por isso, é essencial que o médico-veterinário esteja ciente sobre as principais causas de hipoglicemia em cães e gatos, atentando-se para os quadros que possam exigir intervenção médica.
O que é hipoglicemia?
A hipoglicemia é definida como a redução da glicose sanguínea a níveis inferiores aos valores de referência. O quadro pode ter origem por diferentes causas, sendo resultante de:
- uma captação excessiva de glicose por células normais ou células neoplásicas;
- gluconeogênese hepática e glicogenólise prejudicadas;
- uma ingestão alimentar inadequada de glicose e outros substratos necessários para a gluconeogênese hepática;
- uma combinação dos mecanismos citados anteriormente.
A glicose é um substrato energético primordial para o funcionamento adequado dos órgãos, especialmente o cérebro, que depende quase exclusivamente da glicose para obter energia.
Sendo assim, a hipoglicemia em gatos e cães é capaz de induzir a neuroglicopenia e estimular o sistema nervoso simpato-adrenal, de forma aguda ou crônica, levando ao aparecimento de sinais clínicos variados, como (NELSON, COUTO, 2015):
- convulsões;
- letargia/depressão;
- fraqueza;
- ataxia;
- colapso;
- cegueira;
- comportamento anormal;
- fasciculações musculares;
- coma.
Quando não diagnosticada e tratada prontamente, a hipoglicemia em cães e gatos pode levar a complicações sérias, incluindo danos neurológicos permanentes e até a morte do animal.
Entendendo os índices glicêmicos dos pacientes
Os índices glicêmicos variam entre os pacientes, de acordo com sua espécie, porte e faixa etária, podendo ser influenciados por diversos fatores, fisiológicos e externos, que devem ser levados em consideração pelo médico-veterinário para evitar diagnósticos errôneos.
Vale ressaltar que a glicemia pode estar elevada em situações de estresse, dor aguda, ou durante exames clínicos. Isso porque a liberação de hormônios do estresse, cortisol e adrenalina, podem aumentar os níveis de glicose no sangue sem, necessariamente, representar um risco para o paciente.
Uma hiperglicemia pode, ainda, ser observada em pacientes que estejam fazendo uso de medicamentos corticosteroides.
Por isso, é extremamente importante que o profissional conheça as particularidades que podem influenciar os índices glicêmicos em cada espécie atendida, para que seja capaz de identificar corretamente alterações como a hiperglicemia ou a hipoglicemia em cães e gatos.
Valores de referência para glicemia em cães
Os valores de referência para glicemia em cães variam conforme a idade. Em cães adultos, a glicemia normalmente varia entre 60 e 111 mg/dL (IDOWU, HEADING, 2018). Portanto, considera-se um quadro de hipoglicemia em cães quando os valores da glicose sanguínea forem menores que 60 mg/dL.
Para os filhotes caninos, os valores de glicemia considerados normais devem estar no intervalo entre 90 e 200 mg/dL (FUCHS et al., 2024). Logo, mensurações abaixo de 90 mg/dL já representam um quadro de hipoglicemia em filhotes.
Valores de referência em gatos
Assim como nos cães, os valores de referência para glicemia em gatos também se alteram conforme a idade do animal. Em felinos adultos, os valores normais de glicemia estão entre 70 e 150 mg/dL (TILLEY, SMITH JR., 2014), constatando-se hipoglicemia quando o paciente apresentar mensuração abaixo de 70 mg/dL.
Filhotes de gato, por sua vez, podem apresentar normoglicemia quando os valores de glicemia sérica estiverem entre 90 e 200 mg/dL (PEREIRA et al., 2022), sendo observado hipoglicemia em valores abaixo de 90 mg/dL, similar ao que observamos em filhotes caninos.
Uma ressalva é que, tanto para filhotes de gatos quanto para filhotes de cães, a glicemia é um preditor de mortalidade em neonatos, e concentrações de glicose abaixo de 92 mg/dL nas primeiras 24 horas de vida aumentam o risco de morte durante o período neonatal (PEREIRA et al., 2022)
Quais os riscos da hipoglicemia em gatos e cães?
A hipoglicemia em cães e gatos pode acarretar uma série de complicações. Nos estágios iniciais, o animal pode apresentar sinais clínicos como fraqueza, letargia, tremores musculares e desorientação.
Se a hipoglicemia não for corrigida rapidamente, o quadro pode evoluir para convulsões, perda de consciência e, em casos graves, óbito. Além disso, a hipoglicemia prolongada pode causar danos neurológicos irreversíveis, mesmo após a normalização dos níveis de glicose.
Principais causas de hipoglicemia em gatos e cães
Diversas são as condições que podem causar hipoglicemia em cães e gatos. Confira, a seguir, as principais delas.
Período prolongado de anorexia ou jejum
A ingestão alimentar inadequada, como a falta de alimentação por períodos prolongados, pode levar à depleção das reservas de glicose e outros substratos necessários para a glucogênese hepática, resultando em hipoglicemia em cães e gatos.
Este quadro é comumente visto em raças miniatura, filhotes, idosos e animais com doenças debilitantes que comprometem a ingestão de alimentos.
Tríade neonatal
Neonatos são particularmente vulneráveis à hipoglicemia em gatos e cães devido aos seus mecanismos homeostáticos ainda não completamente desenvolvidos, com limitadas reservas de glicogênio e limitada capacidade de realizar glicogenólise e gliconeogênese.
Nesses indivíduos, a hipoglicemia pode estar associada à hipotermia e desidratação, caracterizando a tríade neonatal: uma condição crítica que exige intervenção rápida para prevenir complicações graves e, consequentemente, o óbito do paciente.
Embora a imaturidade fisiológica represente um risco para hipoglicemia e um desafio para a sobrevivência neonatal, é importante ressaltar que filhotes recém-nascidos são capazes de manter a homeostase glicêmica sob nutrição (amamentação) e condições de saúde adequadas (FUCHS et al., 2024).
Quadro de sepse
A sepse, uma resposta inflamatória sistêmica a infecções graves, pode levar à hipoglicemia em cães e gatos devido ao aumento do consumo de glicose pelos tecidos e à falha dos mecanismos compensatórios, como a gliconeogênese hepática.
Maior demanda do organismo
Em situações de alta demanda energética, como em casos de exercício extenuante, gestação ou lactação, o corpo pode consumir mais glicose do que o fígado é capaz de produzir ou liberar, resultando em quadros de hipoglicemia em cães e gatos.
Hipoglicemia iatrogênica
A administração excessiva de insulina em animais diabéticos é uma causa comum de hipoglicemia iatrogênica.
A dosagem errada, a não alimentação adequada após a aplicação de insulina, ou ainda a equivocada reaplicação de insulina após uma mensuração de hiperglicemia realizada pelo tutor são fatores de risco significativos, uma vez que, nesses casos, a hipoglicemia é mais preocupante que a hiperglicemia, e pode ser irreversível.
Outras possíveis causas
Além das causas mencionadas, outras condições também podem resultar em hipoglicemia em gatos e cães, assim como (IDOWU, HEADING, 2018):
- doença hepática grave (hepatite, cirrose, amiloidose);
- derivação portossistêmica congênita;
- hipoadrenocorticismo;
- hipopituitarismo;
- neoplasias pancreáticas (insulinomas);
- neoplasias extra-pancreáticas (carcinoma hepatocelular, hepatoma, leiomioma, entre outras);
- pancreatite;
- erro laboratorial (amostras inadequadas).
Hipoglicemia em cães e gatos: quando o médico veterinário deve intervir?
A hipoglicemia é uma condição que exige intervenção imediata sempre que identificada. Segundo Nelson e Couto (2015), os sinais clínicos associados à hipoglicemia em cães e gatos geralmente se desenvolvem quando a concentração de glicose no sangue é inferior a 45 mg/dL, mas isso pode variar de acordo com a gravidade e a duração da redução da taxa de glicemia sanguínea.
A intervenção precoce, seja por via oral ou intravenosa, é crucial para evitar consequências graves. A hipoglicemia deve ser sempre considerada uma emergência veterinária, especialmente em filhotes e em pacientes com sintomas neurológicos.
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Referências
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