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Principais causas de hipoglicemia em cães e gatos

Principais causas de hipoglicemia em cães e gatos
Atualizado em 6 de fevereiro de 2025
Tempo de leitura: 9min
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A hipoglicemia em cães e gatos é um distúrbio metabólico que pode causar vários sinais clínicos e, inclusive, representar uma emergência com risco de morte. Entenda sobre o assunto e saiba como conduzir o caso! 

A hipoglicemia é uma condição clínica que pode se manifestar em cães e gatos de diferentes idades e estados de saúde. Caracteriza-se por uma concentração de glicose no sangue abaixo dos valores considerados normais, o que pode levar a sinais clínicos variados que incluem desde letargia até convulsões e óbito.  

O entendimento das causas subjacentes e a intervenção precoce são essenciais para o manejo adequado do paciente, evitando complicações graves. Por isso, é essencial que o médico-veterinário esteja ciente sobre as principais causas de hipoglicemia em cães e gatos, atentando-se para os quadros que possam exigir intervenção médica.  

O que é hipoglicemia? 

A hipoglicemia é definida como a redução da glicose sanguínea a níveis inferiores aos valores de referência. O quadro pode ter origem por diferentes causas, sendo resultante de: 

  • uma captação excessiva de glicose por células normais ou células neoplásicas; 
  • gluconeogênese hepática e glicogenólise prejudicadas; 
  • uma ingestão alimentar inadequada de glicose e outros substratos necessários para a gluconeogênese hepática; 
  • uma combinação dos mecanismos citados anteriormente. 

A glicose é um substrato energético primordial para o funcionamento adequado dos órgãos, especialmente o cérebro, que depende quase exclusivamente da glicose para obter energia.  

Sendo assim, a hipoglicemia em gatos e cães é capaz de induzir a neuroglicopenia e estimular o sistema nervoso simpato-adrenal, de forma aguda ou crônica, levando ao aparecimento de sinais clínicos variados, como (NELSON, COUTO, 2015): 

  • convulsões; 
  • letargia/depressão; 
  • fraqueza; 
  • ataxia; 
  • colapso; 
  • cegueira; 
  • comportamento anormal; 
  • fasciculações musculares; 
  • coma. 

Quando não diagnosticada e tratada prontamente, a hipoglicemia em cães e gatos pode levar a complicações sérias, incluindo danos neurológicos permanentes e até a morte do animal. 

Entendendo os índices glicêmicos dos pacientes 

Os índices glicêmicos variam entre os pacientes, de acordo com sua espécie, porte e faixa etária, podendo ser influenciados por diversos fatores, fisiológicos e externos, que devem ser levados em consideração pelo médico-veterinário para evitar diagnósticos errôneos. 

Vale ressaltar que a glicemia pode estar elevada em situações de estresse, dor aguda, ou durante exames clínicos. Isso porque a liberação de hormônios do estresse, cortisol e adrenalina, podem aumentar os níveis de glicose no sangue sem, necessariamente, representar um risco para o paciente. 

Uma hiperglicemia pode, ainda, ser observada em pacientes que estejam fazendo uso de medicamentos corticosteroides.  

Por isso, é extremamente importante que o profissional conheça as particularidades que podem influenciar os índices glicêmicos em cada espécie atendida, para que seja capaz de identificar corretamente alterações como a hiperglicemia ou a hipoglicemia em cães e gatos.   

Valores de referência para glicemia em cães 

Os valores de referência para glicemia em cães variam conforme a idade. Em cães adultos, a glicemia normalmente varia entre 60 e 111 mg/dL (IDOWU, HEADING, 2018). Portanto, considera-se um quadro de hipoglicemia em cães quando os valores da glicose sanguínea forem menores que 60 mg/dL. 

Para os filhotes caninos, os valores de glicemia considerados normais devem estar no intervalo entre 90 e 200 mg/dL (FUCHS et al., 2024). Logo, mensurações abaixo de 90 mg/dL já representam um quadro de hipoglicemia em filhotes. 

Valores de referência em gatos 

Assim como nos cães, os valores de referência para glicemia em gatos também se alteram conforme a idade do animal. Em felinos adultos, os valores normais de glicemia estão entre 70 e 150 mg/dL (TILLEY, SMITH JR., 2014), constatando-se hipoglicemia quando o paciente apresentar mensuração abaixo de 70 mg/dL. 

Filhotes de gato, por sua vez, podem apresentar normoglicemia quando os valores de glicemia sérica estiverem entre 90 e 200 mg/dL (PEREIRA et al., 2022), sendo observado hipoglicemia em valores abaixo de 90 mg/dL, similar ao que observamos em filhotes caninos.  

Uma ressalva é que, tanto para filhotes de gatos quanto para filhotes de cães, a glicemia é um preditor de mortalidade em neonatos, e concentrações de glicose abaixo de 92 mg/dL nas primeiras 24 horas de vida aumentam o risco de morte durante o período neonatal (PEREIRA et al., 2022) 

Quais os riscos da hipoglicemia em gatos e cães? 

A hipoglicemia em cães e gatos pode acarretar uma série de complicações. Nos estágios iniciais, o animal pode apresentar sinais clínicos como fraqueza, letargia, tremores musculares e desorientação.  

Se a hipoglicemia não for corrigida rapidamente, o quadro pode evoluir para convulsões, perda de consciência e, em casos graves, óbito. Além disso, a hipoglicemia prolongada pode causar danos neurológicos irreversíveis, mesmo após a normalização dos níveis de glicose. 

Principais causas de hipoglicemia em gatos e cães 

Diversas são as condições que podem causar hipoglicemia em cães e gatos. Confira, a seguir, as principais delas.

Período prolongado de anorexia ou jejum 

A ingestão alimentar inadequada, como a falta de alimentação por períodos prolongados, pode levar à depleção das reservas de glicose e outros substratos necessários para a glucogênese hepática, resultando em hipoglicemia em cães e gatos.  

Este quadro é comumente visto em raças miniatura, filhotes, idosos e animais com doenças debilitantes que comprometem a ingestão de alimentos. 

Tríade neonatal 

Neonatos são particularmente vulneráveis à hipoglicemia em gatos e cães devido aos seus mecanismos homeostáticos ainda não completamente desenvolvidos, com limitadas reservas de glicogênio e limitada capacidade de realizar glicogenólise e gliconeogênese. 

Nesses indivíduos, a hipoglicemia pode estar associada à hipotermia e desidratação, caracterizando a tríade neonatal: uma condição crítica que exige intervenção rápida para prevenir complicações graves e, consequentemente, o óbito do paciente. 

Embora a imaturidade fisiológica represente um risco para hipoglicemia e um desafio para a sobrevivência neonatal, é importante ressaltar que filhotes recém-nascidos são capazes de manter a homeostase glicêmica sob nutrição (amamentação) e condições de saúde adequadas (FUCHS et al., 2024). 

Quadro de sepse 

A sepse, uma resposta inflamatória sistêmica a infecções graves, pode levar à hipoglicemia em cães e gatos devido ao aumento do consumo de glicose pelos tecidos e à falha dos mecanismos compensatórios, como a gliconeogênese hepática. 

Maior demanda do organismo 

Em situações de alta demanda energética, como em casos de exercício extenuante, gestação ou lactação, o corpo pode consumir mais glicose do que o fígado é capaz de produzir ou liberar, resultando em quadros de hipoglicemia em cães e gatos. 

Hipoglicemia iatrogênica 

A administração excessiva de insulina em animais diabéticos é uma causa comum de hipoglicemia iatrogênica.  

A dosagem errada, a não alimentação adequada após a aplicação de insulina, ou ainda a equivocada reaplicação de insulina após uma mensuração de hiperglicemia realizada pelo tutor são fatores de risco significativos, uma vez que, nesses casos, a hipoglicemia é mais preocupante que a hiperglicemia, e pode ser irreversível. 

Outras possíveis causas 

Além das causas mencionadas, outras condições também podem resultar em hipoglicemia em gatos e cães, assim como (IDOWU, HEADING, 2018): 

  • doença hepática grave (hepatite, cirrose, amiloidose); 
  • derivação portossistêmica congênita; 
  • hipoadrenocorticismo; 
  • hipopituitarismo; 
  • neoplasias pancreáticas (insulinomas); 
  • neoplasias extra-pancreáticas (carcinoma hepatocelular, hepatoma, leiomioma, entre outras); 
  • pancreatite; 
  • erro laboratorial (amostras inadequadas). 

Hipoglicemia em cães e gatos: quando o médico veterinário deve intervir? 

A hipoglicemia é uma condição que exige intervenção imediata sempre que identificada. Segundo Nelson e Couto (2015), os sinais clínicos associados à hipoglicemia em cães e gatos geralmente se desenvolvem quando a concentração de glicose no sangue é inferior a 45 mg/dL, mas isso pode variar de acordo com a gravidade e a duração da redução da taxa de glicemia sanguínea.  

A intervenção precoce, seja por via oral ou intravenosa, é crucial para evitar consequências graves. A hipoglicemia deve ser sempre considerada uma emergência veterinária, especialmente em filhotes e em pacientes com sintomas neurológicos. 

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A alimentação adequada, indicada conforme a espécie, idade, porte ou raça, ou ainda de acordo com as exigências apresentadas por pacientes com condições específicas de saúde, desempenha um papel fundamental na qualidade de vida e na longevidade do animal. 

Embora não haja um produto específico para hipoglicemia em cães e gatos, os pacientes em recuperação podem necessitar de um aporte nutricional durante sua convalescência. 

Para isso, a linha Recovery é uma excelente opção de alimentação que possui alta densidade de energia, permitindo atender os requerimentos energéticos enquanto ajuda a reduzir a quantidade de alimento oferecido ao paciente crítico.  

embalagem do alimento úmido Recovery 

Seu alto nível de proteína ajuda na manutenção da massa muscular e sua textura permite uma fácil administração, seja via sondas ou seringas. 

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Referências

BEHREND, E. et al. Diretrizes AAHA 2018 para o Manejo do Diabetes em Cães e Gatos. AAHA, 2018. Acesso em: 22 agosto 2024. 

FUCHS, K.M. Correção da hipoglicemia neonatal com suplemento hipercalórico em cães nascidos por cesariana. UNESP Botucatu, 2023. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/items/4bf3b0f1-73c1-45f2-bf0d-34b6125f5c71. Acesso em: 22 agosto 2024. 

FUCHS, K.M. et al. Neonatal hypoglycemia in dogs—pathophysiology, risk factors, diagnosis and treatment. Front. Vet. Sci., v.11, 2024. Acesso em: 22 agosto 2024. 

IDOWU, O.; HEADING, K. Hypoglycemia in dogs: Causes, management, and diagnosis. Can. Vet. J., v.59, n.6, 2018. Acesso em: 22 agosto 2024. 

JERICÓ, M.M.; NETO, J.P.A.; KOGIKA, M.M. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan LTDA., 2015. 

LOPES, J.L.X. et al. Avaliação da acurácia de três glicosímetros portáteis para uso humano em cães. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2024. Acesso em: 22 agosto 2024. 

NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. Rio de Janeiro: Elsevier, 5 ed., 2015.  

PEREIRA, K.H.N.P. et al. Neonatology: Topics on Puppies and Kittens Neonatal Management to Improve Neonatal Outcome. Animals, v.12, n.23, 2022. Acesso em: 22 agosto 2024. 

PERES, C.; ARIAS, M.V.B. Manifestações neurológicas causadas por doenças sistêmicas em cães e gatos. Medvep Pequenos Animais e Animais de Estimação, ed.48, v.2, 2018.  

RHETT, N. Hypoglycemia in Patients without Diabetes Mellitus – Evaluation and Management. In: BRUYETTE, D.S. et al. Clinical Small Animal Internal Medicine, New Jersey: John Wiley & Sons, Inc., 2020. 

TIILEY, L.P.; SMITH JR.; F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies Canina e Felina. Barueri: Manole; 5 ed., 2014. 

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