Hiperlipidemia em cães: entenda como a nutrição pode ajudar
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A hiperlipidemia em cães pode ser um distúrbio primário ou resultar de diversas enfermidades subjacentes. Entenda melhor o assunto e conheça os benefícios do manejo nutricional!
A hiperlipidemia em cães, caracterizada por elevações anormais nos níveis de lipídeos séricos, é uma condição que pode ter sérias implicações na saúde dos cães. Por isso, a identificação precoce dessa enfermidade – junto ao manejo adequado do animal acometido – são essenciais para prevenir complicações graves, que podem comprometer a qualidade de vida e a longevidade do animal.
O tratamento dessa afecção envolve uma abordagem nutricional rigorosa a partir de uma dieta com baixos níveis de gordura, característica que é capaz de auxiliar na diminuição da hiperlipidemia, trazendo grandes benefícios ao paciente hiperlipidêmico.
Compreendendo o significado de hiperlipidemia
A hiperlipidemia em cães é uma alteração comum e definida como um aumento anormal nos lipídeos sanguíneos, incluindo triglicerídeos e/ou colesterol.
Tal aumento pode ser atribuído a um distúrbio primário no metabolismo de lipoproteínas no plasma ou como consequência de afecção sistêmica subjacente. Conforme a família de lipídeos envolvidos, pode-se utilizar os termos “hipertrigliceridemia” ou “hipercolesterolemia”.
A hiperlipidemia pós-prandial é fisiológica e desaparece em 7-12 horas após a refeição. Portanto, a hiperlipidemia é caracterizada como um problema quando são detectados valores de colesterol e/ou triglicerídeos acima da faixa de normalidade em amostra coletada após 12 horas de jejum.
Uma vez detectada a complicação, o médico-veterinário deve iniciar a investigação da origem da hiperlipidemia com o objetivo de classificá-la em primária ou secundária (como veremos a seguir) e, assim, instituir o melhor manejo para o paciente.
Principais complicações de hiperlipidemia em cães
As possíveis complicações de hiperlipidemia incluem (XENOULIS, STEINER, 2010):
- pancreatite;
- doença hepática ou biliar;
- aterosclerose;
- doença ocular (lipemia retinal, arcos lipóides córneos);
- crises convulsivas.
No Schnauzer miniatura (raça com predisposição genética para o aumento na produção de lipoproteínas) saudável, a hipertrigliceridemia idiopática é associada a um aumento na atividade das enzimas hepáticas séricas.
Por essa razão, com o objetivo de evitar tais complicações, é normalmente recomendado o controle da hipertrigliceridemia, com o objetivo de reduzir as concentrações séricas dos triglicerídeos para um nível abaixo de 500 mg/dL, mesmo quando os sinais clínicos não estiverem presentes (XENOULIS, STEINER et al., 2010).
Hiperlipidemia primária e secundária: quais as diferenças?
A hiperlipidemia secundária pode ter como causa:
- hipotireoidismo;
- diabetes mellitus;
- hiperadrenocorticismo;
- colestase;
- nefropatia com perda proteica;
- obesidade;
- uso de dietas ricas em gordura.
Ainda não se sabe se a hiperlipidemia em cães pode ocorrer como resultado de pancreatite ou ser uma causa dessa doença pancreática. No entanto, os caninos com histórico de pancreatite demonstram concentrações mais altas de triglicerídeos do que aqueles sem esse tipo de histórico.
Já a hiperlipidemia primária (ou familiar), diagnosticada quando todas as causas secundárias foram descartadas, é provavelmente decorrente de um aumento na produção de lipoproteínas ou de uma redução de sua degradação, sendo frequentemente relacionada a predisposição genética de algumas raças específicas, sobretudo o Schnauzer miniatura.
Os cães que sofrem de hiperlipidemia secundária geralmente exibem sinais clínicos inespecíficos de alguma doença subjacente, como diarreia, dor abdominal e vômito.
Já no caso de um distúrbio lipídico primário, o cão pode permanecer assintomático ou desenvolver doenças secundárias, o que vai depender do grau de acúmulo de lipídeos.
A hiperlipidemia afeta cães e gatos da mesma forma?
A hiperlipidemia em gatos também pode ser observada na rotina clínica veterinária, no entanto é menos frequente do que em cães. Um dos desafios diagnósticos da hiperlipidemia em gatos são as 12 horas de jejum necessárias para o exame.
Assim como nos cães, sua origem pode ser primária (decorrente de um defeito genético na atividade da lipase lipoproteica) ou secundária (como resultado de distúrbios endócrinos, obesidade ou ingestão de uma alimentação com alto índice de gordura).
Nessa espécie, sinais clínicos como vômito, diarreia e sensibilidade abdominal também podem estar presentes. Em quadros de hipertrigliceridemia grave, frequentemente são observados xantomas cutâneos.
Daí a importância da realização de consultas periódicas com um médico-veterinário que conheça as especificidades dos felinos para um check-up completo. Isso porque a partir da realização dos exames complementares que o profissional julgar necessário, é possibilitada uma intervenção precoce e prevenindo complicações indesejadas.
Exames que auxiliam a identificar a hiperlipidemia em cães
A hiperlipidemia em cães é identificada a partir de exames laboratoriais sanguíneos para a mensuração dos níveis de colesterol e triglicerídeos.
Para um diagnóstico assertivo, evitando resultados falso-positivos decorrente de hiperlipidemia pós-prandial, é fundamental respeitar o tempo de jejum de 12 horas para a coleta da amostra de sangue do paciente.
Vale ressaltar que os exames complementares devem ser solicitados de acordo com o que o médico-veterinário julgar necessário, após uma anamnese detalhada e exame clínico completo do animal.
Quando detectada a hiperlipidemia, deve-se iniciar a investigação da sua causa base, determinando se é uma desordem primária ou secundária, excluindo, assim, a presença de enfermidades coexistentes.
Como a nutrição pode auxiliar nos casos de hiperlipidemia canina?
O primeiro passo no tratamento da hiperlipidemia é a readequação da dieta através da recomendação de uma alimentação com baixo teor de gordura (com uma relação de gordura-energia estabelecida em um limiar teórico de 20% de energia derivada da gordura) (CESQUINI, 2019).
A redução de gorduras na alimentação tem se mostrado eficaz para a diminuição dos níveis lipídicos séricos, tanto dos triglicerídeos quanto do colesterol, ajudando, portanto, no controle da hiperlipidemia em cães (XENOULIS et al.1, 2010)
A dieta gastrointestinal, formulada para auxiliar o processo de digestão e a absorção de nutrientes, também pode conter níveis reduzidos de gorduras. Em seu rótulo, o nível de gordura é declarado como extrato etéreo.
A recomendação e monitoramento da utilização de uma dieta com baixos teores de gordura devem ser realizados pelo médico-veterinário, garantindo uma abordagem individualizada e eficaz no tratamento da hiperlipidemia em cães.
O alimento Gastrointestinal Low Fat como coadjuvante no tratamento de hiperlipidemia em cães
Um estudo realizado em 2020 por XENOULIS e sua equipe teve como objetivo avaliar o efeito de uma dieta com baixo teor de gordura disponível comercialmente nas concentrações séricas de triglicerídeos, colesterol e perfis de lipoproteínas em Schnauzer miniatura com hipertrigliceridemia.
Os 16 cães inscritos foram submetidos a quatro análises de suas concentrações séricas de triglicerídeos e colesterol: 1-2 meses antes da mudança de dieta, no dia anterior à mudança da dieta, 2 e 3 meses após os cães serem alimentados com a referida alimentação coadjuvante.
As concentrações de triglicerídeos e colesterol revelaram uma diminuição bastante expressiva dentro de dois/três meses. Além disso, a proporção de cães com hipertrigliceridemia e/ou hipercolesterolemia foi significativamente mais baixa após a troca da dieta.
Dessa forma, foi clinicamente comprovado que uma dieta reduzida em gordura como a Gastrointestinal Low Fat (com 50 g de gordura/kg) melhora o perfil lipídico sérico, auxiliando, também, na melhora clínica do paciente com hiperlipidemia.
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Referências
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