Sarna sarcóptica em cães: os principais desafios no diagnóstico da escabiose canina
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A sarna sarcóptica, também conhecida como escabiose, é considerada um importante problema de saúde global. Entenda sua importância na Medicina Veterinária!
As dermatopatias parasitárias representam uma parcela significativa dos casos de dermatologia veterinária atendidos na rotina clínica. Dentre elas, a sarna sarcóptica em cães é uma das mais conhecidas, pois além de causar prurido intenso no animal acometido, é uma enfermidade altamente contagiosa e com potencial zoonótico.
Fique por dentro dos principais aspectos da escabiose canina e felina, conheça os sinais clínicos e saiba como conduzir a diagnóstico e o tratamento dessa doença.
O que é a sarna sarcóptica (escabiose)?
A sarna sarcóptica em cães, também conhecida como escabiose, é uma doença cutânea altamente pruriginosa e contagiosa, que afeta principalmente caninos, mas também pode acometer gatos e outros animais.
A afecção, inclusive, pode ser transmitida para os humanos, sendo, portanto, caracterizada como uma zoonose.
A doença manifesta-se com intensa coceira na pele, lesões cutâneas e perda de pelo, sendo uma das principais causas de desconforto dermatológico em animais de companhia. Segundo Walton et al. (2008), a infecção desencadeia a produção de citocinas pró-inflamatórias. É a ativação da cascata de inflamação que pode levar à geração excessiva de oxidantes reativos, responsáveis por desempenhar um papel fundamental na defesa do organismo do hospedeiro contra o patógeno (BICKERS, ATHAR, 2006).
A escabiose em cães é transmitida pelo contato direto com um animal acometido ou ainda através de fômites. Os sinais clínicos (que veremos detalhadamente adiante) podem variar de acordo com a competência imune do indivíduo e a severidade da enfermidade está diretamente ligada à carga parasitária presente no hospedeiro.
Conhecendo o agente causador da sarna sarcóptica em cães e gatos
A sarna sarcóptica em cães é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade canis, pertencente ao filo Arthropoda, classe Arachnida, ordem Acari, família Sarcoptidae (ácaros escavadores).
Esses ácaros são microscópicos e vivem na camada superficial da pele do animal, porém, escavam galerias no estrato córneo da pele, processo que desencadeia reações inflamatórias, levando a um quadro de coceira intensa que causa grande desconforto o paciente acometido.
O agente patológico da escabiose em cachorro afeta, preferencialmente, áreas com pelos mais esparsos, como orelhas, focinho, cabeça, pescoço e membros.
A escabiose felina tem o mesmo agente patológico, mas é menos comum do que em cães, pois os gatos não são hospedeiros preferenciais do S. scabiei (VASCONDELOS et al., 2022). Nos felinos, as lesões costumam concentrar-se em face, pavilhão auditivo e plano nasal.
É importante ressaltar que, em gatos, observamos mais frequentemente a sarna notoédrica, causada pelo Notoedres cati, que pode causar sintomas semelhantes à escabiose.

Potencial zoonótico da escabiose
A sarna sarcóptica é uma zoonose de importância mundial, ou seja, é uma afecção que pode ser transmitida a um humano que tenha contato estreito com um animal acometido. Nesse caso, a pessoa pode desenvolver lesões cutâneas com característica de erupção papular, pruriginosas, em locais como: dedos, pulsos, cotovelos, axilas, ao longo da linha da cintura ou nas nádegas.
Geralmente, as lesões em humanos são transitórias e autolimitantes, ou seja, podem se resolver espontaneamente. Porém, pode ser necessária uma consulta ao dermatologista para a instituição de uma abordagem terapêutica devido ao grande desconforto causado pelo prurido intenso.
Quais animais são mais predispostos à sarna sarcóptica?
Embora a sarna sarcóptica em cães possa ser evidenciada em qualquer paciente, independentemente da raça, alguns fatores podem aumentar a predisposição à doença, como estado imunológico debilitado, má nutrição e estresse oxidativo.
Todos esses aspectos refletem diretamente no bom funcionamento da resposta imunológica do indivíduo, tornando-o mais suscetível a qualquer patologia, inclusive a infestações por ácaros.
Portanto, animais jovens, com menos de um ano de idade, podem ser acometidos pela escabiose canina com maior facilidade, devido ao seu sistema imunológico ainda em desenvolvimento.
Principais sinais clínicos de sarna sarcóptica em cães e gatos
Os principais sinais clínicos de sarna sarcóptica em cães e gatos incluem:
- hiperqueratose;
- prurido intenso e agudo;
- pápulas;
- alopecia;
- eritema;
- crostas;
- reação otopedal positiva;
As lesões cutâneas são encontradas especialmente na região facial, nas bordas das orelhas, abdômen e em membros. Além disso, o prurido intenso pode levar a escoriações e, consequentemente, infecções bacterianas secundárias.


Sarna Sarcóptica: etapas do diagnóstico da escabiose canina e felina
O diagnóstico da sarna sarcóptica em gatos e cães envolve uma combinação de anamnese, exames clínicos e testes laboratoriais. O diagnóstico definitivo é feito através do exame parasitológico de pele, pela visualização por microscopia do Sarcoptes scabiei ou de seus ovos em material coletado por raspado cutâneo superficial do pavilhão auricular ou de outras regiões acometidas.
O material a ser submetido à microscopia também pode ser obtido pelo método da fita adesiva, no qual se utiliza fita adesiva para capturar ácaros na superfície da pele.

Vale ressaltar que o teste parasitológico para diagnóstico da sarna sarcóptica em cães e gatos através do raspado cutâneo é falso negativo em muitos casos confirmados de sarna, pois possui em média 50% de especificidade. Por isso, levando em conta os limites da raspagem, o diagnóstico terapêutico é comumente realizado. (MORAILLON et al., 2013).
Diagnóstico diferencial
No diagnóstico diferencial da escabiose canina, outras condições que causam um quadro clínico semelhante devem ser consideradas pelo médico-veterinário, incluindo:
- dermatite alérgica;
- infecções bacterianas ou fúngicas, como a dermatofitose;
- outras parasitoses, como a demodicose, causada por ácaros Demodex que vivem em folículos pilosos.
A exclusão das condições citadas acima resulta em um diagnóstico mais preciso e, consequentemente, na possibilidade da adoção de um tratamento eficaz.
Tratamento para a escabiose canina e felina
O tratamento da sarna sarcóptica em cães e gatos geralmente envolve o uso de acaricidas específicos, como os da classe das isoxazolinas (lotilaner, fluralaner, afoxolaner, sarolaner), que têm se mostrado altamente seguros e eficazes no controle da doença.
As lactonas macrocíticas (selamectina, moxidectina, ivermectina) também podem ser utilizadas, porém, com cautela em raças que possam apresentar a mutação do gene MDR1 e suas cruzas, como o Border Collie e o Pastor de Shetland.
Além disso, é de suma importância tratar todos os animais em contato com o infectado para prevenir a reinfestação. A higiene ambiental e dos fômites também deve ser considerada no manejo terapêutico, pois também podem ser fontes ácaros que podem sobreviver por curtos períodos fora do hospedeiro.
O tratamento deve ser acompanhado de cuidados de suporte para aliviar os sinais clínicos, conforme o médico-veterinário julgar necessário, incluindo banhos medicinais e terapias para controlar a inflamação e prevenir infecções secundárias.
Confira, no vídeo a seguir, todos os detalhes de um caso clínico de sarna sarcóptica em cães.
A importância da alimentação para a saúde dos pets!
A alimentação desempenha um papel primordial na manutenção da saúde da pele e pelagem, e deve ser considerada nos quadros de sarna sarcóptica em cães e gatos.
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Referências
ANDRADE, G.M. et al. Eficácia da ivermectina comprimido no tratamento da sarna sarcóptica em cães naturalmente infestados. Pesq. Vet. Bras., v.37, n.4, 2017. Acesso em: 19 junho 2024.
BARROS, F.C.P. et al. A importância da sarna sarcóptica na medicina veterinária: Revisão. PUBVET, v.13, n.7, 2019. Acesso em: 19 junho 2024.
BEIGH, S.A.; SOODAN, J.S., BHAT, A.M. Sarcoptic mange in dogs: Its effect on liver, oxidative stress, trace minerals and vitamins. Veterinary Parasitology, v.227, 2016. Acesso em: 19 junho 2024.
BICKERS, D.R.; ATHAR, M. Oxidative stress in the pathogenesis of skin disease. J. Invest. Dermatol., v.126, i.12, 2006. Acesso em: 19 junho 2024.
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MOOG, F. et al. Clinical, Parasitological, and Serological Follow-Up of Dogs with Sarcoptic Mange Treated Orally with Lotilaner. Case Reports in Veterinary Medicine, v.2021, i.1, 2021. Acesso em: 19 junho 2024.
MORAILLON et al.Sarnas e Pseudossarnas. Manual Elsevier de Veterinária – Diagnóstico e Tratamento de Cães, Gatos e Animais Exóticos, 7 ed., 2013.
VASCONCELOS, J.S. et al. Aspectos clínicos, epidemiológicos e terapêuticos da sarna sarcóptica diagnosticada em felinos domésticos na região metropolitana de João Pessoa, Paraíba, Brasil. Research, Society and Development, v.11, n7, 2022. Acesso em: 19 junho 2024.
WALTON, S.F. et al. New insights into disease pathogenesis in crusted (Norwegian) scabies: the skin immune response in crusted scabies. Brit. J. Dermatol., v.158, i.6, 2008. Acesso em: 19 junho 2024.
