Alopecia em Lulu da Pomerânia: um desafio na clínica veterinária

Alopecia em Lulu da Pomerânia: um desafio na clínica veterinária

De pelagem longa e exuberante, cães da raça Spitz Alemão apresentam tendência ao desenvolvimento de alopecia; saiba mais detalhes dessa condição

O Spitz Alemão anão, também conhecido como Pomerânia, é uma das raças caninas mais populares no Brasil. Temperamento, tamanho, beleza e personalidade desses animais conquistaram o coração dos brasileiros na última década. De acordo com clubes de cinofilia, a raça é atualmente a mais registrada em território nacional.

A pelagem densa e exuberante do Lulu da Pomerânia requer cuidados e atenção por parte de tutores e médicos-veterinários, pois a raça apresenta tendência ao desenvolvimento de alopecia X, uma doença ainda não completamente esclarecida pela ciência, mas que compromete a saúde da pele e da pelagem do animal.

Estrutura da pele e da pelagem

A pele é o maior órgão do corpo tanto em termos de área de superfície (1 m2 para um cão de 35 kg) quanto em características funcionais, pois desempenha diversos papéis na manutenção da homeostase e na relação do organismo com o ambiente externo. A pele se renova constantemente, e para isso mobiliza grande parte dos macro e micronutrientes fornecidos pela dieta. Sua estrutura é formada por células, lipídeos e proteínas, que juntos formam o extrato córneo, responsável por conferir uma barreira mecânica de proteção ao organismo (Figura 1).

detalhes da barreira cutânea
Figura 1: Ilustração das estruturas que garantem a integridade da barreira cutânea.
Fonte: ROYAL CANIN®, 2016.

A pelagem exuberante é uma das principais características do Lulu da Pomerânia. Do ponto de vista fisiológico, 95% da composição do pêlo é feita de proteínas, o que reforça a necessidade de aporte proteico em quantidade e qualidade adequadas na dieta. A presença de grande quantidade de pêlos, assim como camadas de subpêlos, tornam a raça mais predisposta a sensibilidades dermatológicas.

O que é alopecia?

A alopecia é o nome dado para a ausência de pelos em determinada região do corpo, e ela geralmente surge secundariamente a outra causa subjacente. A alopecia em cães e seres humanos é bastante comum e possui inúmeras possíveis causas. A ausência de pêlos pode ser localizada, generalizada, temporária ou permanente.

A alopecia X é uma dermatopatia não-inflamatória e não-pruriginosa, simétrica e bilateral, de etiopatogenia desconhecida, que afeta principalmente cães da raça Spitz Alemão. Estudos estimam que cerca de 15% dos Spitz apresentam a doença, que parece acometer mais os machos do que as fêmeas.

A doença caracteriza-se por um distúrbio de interrupção do ciclo capilar que causa a perda progressiva do pelame, poupando apenas a cabeça e os membros em seus estágios mais avançados.

Diferença entre alopecia e rarefação pilosa

Diversas são as potenciais causas que comprometem o ciclo do pêlo e a estrutura da pelagem. É preciso, no entanto, diferenciar a alopecia, que é a ausência total de pêlos, da rarefação pilosa, que é uma falha na pelagem em determinada região do corpo.

Possíveis causas de alopecia em spitz alemão

A alopecia pode ser causada por doenças endócrinas, como o hipotireodismo e o hiperadrenocorticismo, ou por doenças dermatológicas, como por exemplo a sarna demodécica. Há ainda fatores genéticos envolvidos.

É fundamental descartar outras doenças e investigar possíveis diagnósticos diferenciais antes de fechar o diagnóstico da alopecia X.

A alopecia pode ter causa genética?

Evidências científicas sugerem que essa afecção em Lulus da Pomerânia possa ter como causa de base a genética destes cães.

A pelagem intacta é mantida pelo ciclo constante dos folículos capilares, por meio dos estágios anágeno, catágeno e telógeno, que são estimulados e inibidos por uma série de complexas interações metabólicas que possivelmente podem estar alteradas nesses cães.

E como identificar uma alopecia por causa endócrina?

As endocrinopatias são causas importantes de alterações dermatológicas em cães. O diagnóstico da alopecia X é baseado nos achados da anamnese e do exame físico e no descarte de outras endocrinopatias e displasias foliculares.

Doenças endócrinas como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e endocrinopatias relacionadas a hormônios sexuais devem ser triadas e descartadas através de exames hematológicos e bioquímicos, assim como testes endócrinos adequados. A biópsia de pele perante a suspeita de alopecia de gênese endócrina deve ser feita em diversos locais em que a perda de pelo se encontra em estágio avançado.

Há algum risco em realizar tricotomia no spitz alemão?

Muitas vezes os tutores têm certo receio em permitir o procedimento de tricotomia em seus cães da raça Spitz Alemão, com medo de que os pelos não voltem a crescer. Para cães saudáveis, no entanto, esta preocupação não tem embasamento científico. O risco dos pelos não nascerem na região tricotomizada é bastante individual, porém a tricotomia por si não causará o desenvolvimento da alopecia no animal.

Como evitar a alopecia nos cães

A condição da pele e da pelagem dos animais reflete seu estado de saúde e a qualidade de sua dieta. Desequilíbrios na ingestão de aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas e minerais interrompe a integridade da barreira cutânea, a competência do sistema imunológico e a estrutura e função da pelagem.

Para evitar esse problema em cães, é importante se atentar à condição da pelagem do animal e observar se não há falhas, queda e/ou aspecto quebradiço nos pelos. Banhos devem ser realizados periodicamente com produtos adequados para pelagem sensível e os pelos devem ser secados muito bem após o enxágue. Adotar uma dieta específica que contenha aporte extra de nutrientes que atuam na pele e na pelagem auxilia na manutenção de sua integridade. Saiba mais a seguir.

Como cuidar dos pelos do Lulu da Pomerânia

Em cães com pelagem densa, como acontece com o Spitz Alemão ou Lulu da Pomerânia, a quantidade de pelo é tão grande que a manutenção da integridade da pele e da pelagem requer cerca de 30-35% da necessidade diária de proteínas. É possível que as exigências proteicas dos cães com pelagem longa e subpelo denso excedam as exigências das raças de pelagem curta. Fornecer alimento adequado com proteínas de alta qualidade é fundamental para suprir tais exigências e contribuir para a manutenção da pelagem exuberante da raça.

Além disso, cães da raça Spitz também apresentam algumas outras particularidades, como:

  • Sensibilidade de ossos e articulações;
  • Menor tempo de trânsito gastrointestinal;
  • Baixa fermentação colônica;
  • Predisposição ao cálculo dental.

Para atender todas as particularidades desta raça, a ROYAL CANIN® apresenta a fórmula exclusiva POMERANIAN® nas versões seca e úmida, desenvolvida para promover ótima saúde para cães adultos e maduros da raça Lulu da Pomerânia. O alimento POMERANIAN® fornece nutrientes que, além de contribuírem para a saúde da pele e da pelagem, auxiliam no cuidado com ossos e articulações, regulam o funcionamento do trânsito intestinal e diminuem a tendência à formação de cálculo dental.

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Referências bibliográficas

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