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Prurido perianal em cães: 4 principais causas, diagnóstico e tratamento

Prurido perianal em cães: 4 principais causas, diagnóstico e tratamento
Atualizado em 30 de março de 2026
Tempo de leitura: 10min
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Entenda o que pode causar prurido perianal em cães e saiba como conduzir o diagnóstico assertivo para instituir o tratamento adequado desse sinal clínico.

O prurido perianal em cães é um sinal clínico relativamente frequente na prática veterinária, podendo ter causas dermatológicas e não dermatológicas. Trata-se de uma manifestação que impacta significativamente a qualidade de vida do animal, levando a desconforto, auto traumatismo e, em alguns casos, a complicações como infecções secundárias e fístulas.

A abordagem diagnóstica minuciosa, visando identificar a etiologia e instituir o tratamento mais adequado para cada caso, é essencial para que o médico-veterinário possa atingir o melhor resultado, devolvendo bem-estar ao paciente.

O que é o prurido perianal nos cães?

O prurido perianal em cães é caracterizado pela sensação de coceira localizada na região ao redor do ânus, desencadeando comportamentos como fricção da área contra superfícies, lambedura excessiva, mordedura ou, até mesmo, automutilação.

É uma manifestação clínica, e não uma doença em si, podendo estar relacionada a parasitoses, inflamações, processos alérgicos ou até neoplasias (MAINA; GALZERANO; NOLI, 2014).

Sinais clínicos comuns em cães com prurido perianal

Os sinais clínicos mais observados em quadros de prurido perianal em cães incluem:

  • prurido intenso, com mordedura ou lambedura da região;
  • esfregar a região no chão (“arrastar o traseiro”);
  • alopecia localizada;
  • eritema perianal (Figura 1);
  • edema perianal;
  • presença de crostas, escoriações ou secreção;
  • desconforto ao defecar.
Imagem mostra um cão com sinais que sofre com prurido perianal
Figura 1: Eritema perianal e perivulvar em uma paciente alérgica. Fonte: MILLER et al., 2023).

4 principais causas de prurido perianal em cães

As causas relacionadas ao prurido perianal em cães podem ser agrupadas em dermatológicas (ex.: alergias, infestações por ectoparasitas) e não dermatológicas (ex.: afecções anais, parasitas intestinais e neoplasias).

Veremos, detalhadamente, aquelas que são consideradas como principais.

1. Parasitas intestinais (verminoses)

Infecções por helmintos, especialmente pelo cestódeo (tênia) Dipylidium caninum, frequentemente associadas à presença de pulgas como hospedeiros intermediários, podem causar prurido perianal em cães devido à eliminação de proglotes móveis que irritam mecanicamente a região (ROUSSEAU et al., 2022).

Outros parasitas, como Trichuris vulpis, também podem estar envolvidos em casos atendidos de cachorro com coceira no ânus por causa da irritação decorrente da presença de vermes e ovos na região anal (MEHRA; CHOUDHARY; DESAI, 2024).

Quadros de verminoses podem ser tratados com anti-helmínticos específicos, de acordo com o parasita identificado. Em casos associados à puliciose, é fundamental instituir controle de ectoparasitas e, se necessário, manejo do prurido (ROUSSEAU et al., 2022).

2. Inflamação da glândula adanal (saculite)

A saculite é caracterizada pela inflamação das glândulas adanais, que pode ocorrer como resultado da impactação do conteúdo glandular e infecção bacteriana. Clinicamente, causa dor, edema e prurido perianal em cães, podendo evoluir para abscessos ou fístulas (CLINICIAN’S BRIEF, 2014).

Na maioria dos casos, o tratamento da inflamação da glândula adanal inclui o esvaziamento manual das glândulas e o uso de medicação tópica contendo fármacos antibióticos, anti-inflamatórios e antifúngicos. Porém, alguns casos mais graves podem exigir a administração de anti-inflamatórios e agentes analgésicos via oral.

Vale ressaltar que, ao atender um quadro de fistulação decorrente de saculite, o médico-veterinário deve se atentar em prevenir complicações como a miíase, monitorando a cicatrização e protegendo o paciente contra moscas.

3. Alergias

Reações de hipersensibilidade, como dermatite atópica, alergia alimentar e alergia a picadas de ectoparasitas (DAPE), podem se manifestar com prurido localizado ou generalizado, incluindo a região ao redor do ânus, desenvolvendo uma dermatite perianal.

A inflamação crônica leva à perda da integridade da barreira cutânea, favorecendo a instalação de infecções secundárias, agravando o quadro (MILLER et al., 2023).

A abordagem terapêutica de quadros alérgicos que podem desencadear prurido perianal em cães inclui o controle da inflamação e da coceira a partir do uso de agentes tópicos ou sistêmicos, podendo envolver a administração de corticoides em curto prazo e o manejo da causa base, diminuindo a exposição do paciente aos alérgenos.

Dietas de eliminação podem ser indicadas para alergia alimentar, assim como a eliminação de ectoparasitas (ambiental e no animal) deve ser orientada em casos relacionados à DAPE. Além disso, pode ser necessária a antibioticoterapia quando for detectada infecção secundária.

4. Neoplasias

Os tumores das glândulas perianais, como adenomas e adenocarcinomas, podem estar associados a massas palpáveis na região ao redor do ânus e gerar desconforto ao desencadear prurido perianal em cães e dor (BRODZKI et al., 2023). A presença de secreção sanguinolenta ou ulceração aumenta o risco de infecção secundária.

O tratamento de neoplasias perianais depende do tipo histopatológico e estágio da lesão, podendo incluir cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Quadros em que há ulceração podem necessitar de manejo tópico da lesão, com uso de medicamentos anti-inflamatórios e antibióticos, de analgésicos, de anti-inflamatórios e de antibióticos sistêmicos, caso o profissional julgue necessário.

O acompanhamento multidisciplinar com um médico-veterinário oncologista é fundamental para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida do paciente acometido.

Prognóstico e possíveis complicações

O prognóstico dos quadros de prurido perianal em cães varia conforme a etiologia. Em casos como alergias e saculite, ele tende a ser favorável com manejo adequado. Em neoplasias malignas, o prognóstico é reservado e depende do estágio da doença.

Já entre as complicações possíveis, destacam-se:

  • formação de fístulas perianais;
  • automutilação;
  • infecções bacterianas secundárias;
  • miíase;
  • dor crônica e desconforto persistente (BRUET et al., 2025; CLINICIAN’S BRIEF, 2014).

Atendendo cães com prurido perianal: guia prático para a consulta

Ao atender um caso cujas manifestações clínicas sinalizem prurido perianal em cães, o médico-veterinário pode seguir o passo a passo abaixo.

1. Histórico e anamnese

Na anamnese detalhada, pode-se incluir perguntas-chave, como:

  • Há puliciose ou infestação por ectoparasitas?
  • As fezes apresentam aspecto normal?
  • Há presença prévia de verminoses?
  • Já teve alterações anais anteriores (saculite)?
  • Possui alergias cutâneas ou alimentares?
  • Tem ou já teve ocorrência de massas ou nódulos?
  • Como são os hábitos de higiene e banho (incluindo frequência e locais, como pet shop)?

2. Avaliação física

Ao atender um caso de prurido perianal em cães, o médico-veterinário deve realizar o exame físico completo, aferindo todos os parâmetros vitais e inspecionando todo o paciente.

Posteriormente, deve-se iniciar a inspeção minuciosa da região anal, avaliando a presença de eritema, alopecia localizada, edema, secreção, úlceras ou fístulas. A observação da pele adjacente e da base da cauda também é importante, já que infecções secundárias e auto traumatismo podem estar presentes.

Em seguida, a palpação externa das glândulas anais permite identificar áreas de dor, aumento de volume, abscessos ou sinais de saculite. A palpação retal digital é indispensável para verificar impactações, consistência e simetria das glândulas, bem como a presença de formações nodulares ou massas sugestivas de processos neoplásicos.

3. Exames complementares

Para a investigação diagnóstica do prurido perianal em cães, a escolha dos exames complementares deve ser guiada pelos achados clínicos do exame físico e pelo histórico do paciente.

O exame coproparasitológico de amostras seriadas, por exemplo, é fundamental para a detecção de suspeita de verminoses, sendo indicado inclusive em casos com histórico de puliciose.

Quando há presença de nódulos ou massas perianais, a citologia aspirativa por agulha fina permite uma avaliação inicial da natureza inflamatória ou neoplásica da lesão, enquanto a biópsia incisional ou excisional é necessária para confirmação histopatológica.

A cultura bacteriana e o antibiograma, por sua vez, são recomendados em casos de secreção, abscessos ou fístulas, auxiliando na escolha racional da antibioticoterapia.

Em situações específicas, exames de imagem, como ultrassonografia abdominal e perineal ou até tomografia computadorizada, podem ser úteis para investigar alterações profundas, abscessos ocultos ou infiltrações neoplásicas.

Tratamento de prurido perianal em cães

O manejo do prurido perianal em cães deve ser direcionado tanto para o alívio dos sinais clínicos quanto para a resolução da causa primária.

O controle sintomático pode incluir o uso de anti-inflamatórios e analgésicos, administrados por via tópica ou sistêmica, conforme a gravidade do quadro e o grau de desconforto apresentado pelo paciente. No entanto, a abordagem não deve se limitar à supressão do prurido, sendo fundamental identificar e tratar a causa desencadeante (MILLER et al., 2023).

Manejo alimentar pode ajudar em casos de prurido perianal em cães

O paciente com tendência à irritação cutânea, coceira generalizada e prurido perianal pode necessitar de um alimento formulado para apoiar o cuidado da pele sensível e manter a pelagem abundante e saudável.

Nesse caso, a linha Royal Canin® Dermaconfort é especialmente desenvolvida com ácidos graxos ômega 3 & 6, incluindo gla, epa e DHA que ajudam a nutrir a pele sensível, apresentando uma fórmula reduzida em alérgenos destinada para cães com pele sensível que respondem a irritantes ambientais, sazonais e relacionados à dieta.

Alimentos da linha Dermaconfort podem ser indicados para cães com prurido perianal

Como prevenir o prurido perianal em cães

A prevenção do prurido perianal em cães envolve um conjunto de medidas voltadas ao manejo sanitário, nutricional e clínico dos animais, tais como:

  • consultas veterinárias regulares, permitindo a detecção precoce de quaisquer alterações e possibilitando intervenção antes da progressão do quadro;
  • controle efetivo de ecto e endoparasitas, já que muitos desses seres podem estar associados ao prurido perianal (ROUSSEAU et al., 2022; MEHRA; CHOUDHARY; DESAI, 2024);
  • alimentação balanceada e de alta qualidade, que contribui para a manutenção da integridade da pele e do sistema imunológico (MILLER et al., 2023).

O controle populacional também pode desempenhar um papel indireto na prevenção do prurido perianal em cães, uma vez que ajuda no controle de parasitoses (ROUSSEAU et al., 2022).

A Royal Canin® atua há mais de 50 anos promovendo saúde e bem-estar aos pets

A Royal Canin® há mais de cinco décadas dedica-se ao desenvolvimento de soluções nutricionais de alta qualidade, fundamentadas em ciência e inovação, para promover a saúde e o bem-estar de gatos e cães.

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Referências:

BRODZKI, A. et al. Pharmacological Treatment of Perianal Gland Tumors in Male Dogs. Animals, v.13, n.3, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9913509/. Acesso em: 15 ago. 2025.

BRUET, V. et al. Literature review and authors’ consensus recommendations for the medical management of perianal fistulae in dogs. Veterinary Dermatology, 2025. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/vde.13354. Acesso em: 15 ago. 2025.

CLINICIAN’S BRIEF. Perianal Pruritus: What a Drag. 2014. Disponível em: https://www.cliniciansbrief.com/article/perianal-pruritus-what-drag. Acesso em: 15 ago. 2025.

MAINA, E.; GALZERANO, M.; NOLI, C. Perianal pruritus in dogs with skin disease. Vet Dermatol., v.25, n.3, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24797215/. Acesso em: 15 ago. 2025.

MEHRA, M.; CHOUDHARY, G.; DESAI, J. Diagnostic Perspectives of Parasitic Diseases in Dogs and Cats. In: RANA, T. Principles and Practices of Canine and Feline Clinical Parasitic Diseases. Nova Jersey: John Wiley & Sons, 2024.

MILLER, J. et al. 2023 AAHA Management of Allergic Skin Diseases in Dogs and Cats Guidelines. JAAHA, 2023. Disponível em: https://www.aaha.org/wp-content/uploads/globalassets/02-guidelines/2023-aaha-management-of-allergic-skin-diseases-in-dogs-and-cats-guidelines/resources/2023-aaha-management-of-allergic-skin-diseases-guidelines.pdf. Acesso em: 15 ago. 2025.

ROUSSEAU, J. et al. Dipylidium caninum in the twenty-first century: epidemiological studies and reported cases in companion animals and humans. Parasit Vectors, 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9088078/. Acesso em: 15 ago. 2025.

O conteúdo do Portal VET da Royal Canin® é destinado à profissionais de saúde veterinária.