Alergia alimentar em cães: entenda os 8 principais desafios na rotina clínica
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A alergia alimentar representa um desafio diagnóstico e terapêutico na clínica de cães. Saiba como enfrentá-los para conduzir o caso!
A alergia alimentar é uma das alergias ou hipersensibilidades mais comuns que afetam cães, sendo a terceira em importância quanto à frequência, dispondo-se logo após a dermatite alérgica à picada de pulgas e a dermatite atópica (Bhagat, 2017).
A confirmação do diagnóstico de alergia alimentar nos cães depende da redução ou resolução dos sinais clínicos enquanto o animal está sendo alimentado com uma dieta de eliminação específica. E a colaboração e a participação do tutor é parte crucial do processo.
Devido ao grande número de variáveis envolvidas no diagnóstico da alergia alimentar em cães, identificar e manejar essa afecção pode ser um desafio para o médico-veterinário.
O que é a alergia alimentar nos cães?
A alergia alimentar em cães ocorre quando há uma resposta imunológica, com envolvimento de imunoglobulinas do tipo IgE e IgG, a uma alérgeno ingerido pelo cão. Quando a reação adversa ao alimento não envolve o sistema imunológico ela é definida como intolerância alimentar.
Alguns exemplos de alérgenos comuns em cães são:
- aditivos alimentares artificiais;
- carne bovina;
- alimentos enlatados;
- milho;
- leite de vaca;
- laticínios;
- ovos;
- peixe;
- conservantes alimentares;
- carne de diferentes espécies – carne de porco, carneiro e cavalo;
- farinha de aveia;
- batata;
- arroz.
Entendendo a fisiopatogenia da alergia alimentar
A fisiopatogenia da alergia alimentar envolve, principalmente, reações de hipersensibilidades do tipo I, III e IV.
A hipersensibilidade intensa e imediata do tipo 1 ocorre quando glicoproteínas de alto peso molecular, entre 18 e 60 kdaltons, combinadas com IgE na membrana de mastócitos teciduais ou de basófilos circulantes, estimulam a degranulação mastocitária com liberação de cininas, serotonina e histamina. A IgE não é a única imunoglobulina envolvida, pois há relatos de hipersensibilidade alimentar com envolvimento de IgG.
As alergias alimentares também podem ser mediadas por mecanismos imunológicos tardios, definidos como hipersensibilidade do tipo III (devido a deposição de imunocomplexos) ou IV, (mediada por células), porém são patogenias não muito elucidadas.
Alergia alimentar em cães e dermatite trofoalérgica são a mesma coisa?
As nomenclaturas dermatite trofoalérgica, hipersensibilidade alimentar e alergia alimentar são sinônimos para descrever uma reação adversa ao alimento com envolvimento do sistema imune. Tal quadro ocorre quando há resposta imunológica mediada justamente pelo sistema imune do cão.
8 principais desafios no diagnóstico de alergia alimentar em cães
Como já mencionamos, o diagnóstico da alergia alimentar pode representar um desafio para o médico-veterinário. Além disso, o diagnóstico e tratamento da alergia alimentar caminham juntos, uma vez que a confirmação da doença se baseia na resposta à terapia.
Abaixo iremos abordar os 8 principais desafios do diagnóstico da alergia alimentar, que incluem diagnósticos diferenciais, sinais clínicos inespecíficos, reações cruzadas e ainda o comprometimento do tutor.
1. Outras doenças semelhantes
Apesar da alergia alimentar possuir uma fisiopatogenia específica, considerando o desencadeamento de uma resposta imunologia, os sinais clínicos apresentados pelos animais são inespecíficos, com destaque para prurido e eritema.
O diagnóstico diferencial das dermatopatias alérgicas passa, então, a ser um desafio ao médico-veterinário. Dentre as doenças que o médico-veterinário deve considerar são dermatite alérgica à picada de ectoparasitas (DAPE), dermatite atópica (ou atopia), piodermite, malasseziose e outras alergias.
2. O tempo de evolução da doença
Não há uma idade pré-determinada para que o animal desenvolva a alergia alimentar. A alergia alimentar em cães pode ocorrer em qualquer idade, inclusive animais jovens. A incidência é de 33% em cães com menos de 1 ano; 51% em cães entre 5 e 11 anos e 16% em animais entre 5 e 11 anos. (Bhagat, 2017, Jackson, 2023).
E há um fator que pode dificultar traçar o diagnóstico: podem se passar anos até o animal desenvolver alguma resposta alérgica a um alimento específico.
Após o desenvolvimento da sensibilidade alimentar, é provável que o cão seguirá alérgico por toda a vida. O ingrediente responsável pela resposta imunológica, quando identificado e isolado, deve ser retirado permanentemente da dieta do animal.
3. A causa que desencadeou o problema
Praticamente qualquer ingrediente alimentar pode produzir alergia em cães e o processo de identificar o que desencadeou o quadro é mais um desafio para o médico-veterinário.
As reações alérgicas são desencadeadas em resposta à presença de trofoalérgenos de alto peso molecular. Quando o cão ingere alimentos contendo essas substâncias, há envolvimento do sistema imunológico e manifestação sintomas.
As proteínas são os desencadores mais comuns, pois apresentam epítopos antigênicos bastantes expostos em sua superfície e geralmente são resistentes às enzimas digestivas, mas outras substâncias e aditivos também podem ser responsáveis pelo quadro.
4. A ausência de sinais clínicos patognomônicos
As reações desencadeadas no organismo do animal aos diferentes componentes alimentares desencadeiam uma série de sinais clínicos. Os sinais clínicos afetam muitos sistemas do corpo e podem se manifestar na pele, no trato gastrointestinal, no trato respiratório e no sistema nervoso central, não havendo sinais clínicos patognomônicos.
Entretanto, o médico-veterinário deve realizar anamenese e exames no paciente e buscar por sinais clínicos dermatológicos que costumam estar presentas na alergia alimentar em cães. São eles: pruridos, eritema e pápulas. Com frequência, ainda podem ser observados sinais gastrointestinais, foliculite estafilocócica secundária e otite externa – unilateral ou bilateral e urticária.
A prevalência de sinais gastrointestinais em cães com alergia alimentar varia entre os estudos, variando de 10% a 31% (Denis e Paradis, 1994; Loeffler et al., 2006; Favrot et al., 2010, Gaschen e Merchant, 2011) a até 50-60% da experiência de alguns autores (Jackson, 2007). Foi proposto que a intolerância ou alergia alimentar pode realmente ser a causa subjacente em alguns casos relatados de doença inflamatória intestinal.
Os sinais clínicos podem se referir a qualquer nível do trato gastrointestinal, embora o vômito seja talvez menos comum que diarreia, fezes amolecidas, flatulência e aumento da frequência de defecação (Loeffler et al., 2004). Os sinais podem ser leves ou indicar uma enterite ou colite. É provável que a suspeita seja despertada nos animais que exibem sinais crônicos (ou recidivante crônico).
Alguns animais provocam automutilação devido a casos pruriginosos intensos. Diante disso, escoriação, alopecia e pioderma superficial secundário também podem ser observados.
5. Colaboração do tutor para diagnóstico
A conformidade e colaboração do tutor pode representar um problema na obtenção do diagnóstico da alergia alimentar em cães.
A principal ferramenta diagnóstica da alergia alimentar é a dieta de exclusão durante o período de 8 semanas. A dieta de eliminação consiste em introduzir alimentos formulados com proteínas hidrolisadas e/ou inéditas para o paciente, ou seja, ingredientes os quais o animal tenha tido pouco ou nenhum contato prévio.
Esse momento é crucial para manejo de um animal com alergia alimentar, mas só será bem-sucedido se contar com a colaboração do tutor. Portanto, o médico-veterinário deve orientar o tutor e ressaltar sobre alguns postos-chaves. São eles:
- suspensão de qualquer outro tipo de alimento que eventualmente seja fornecido adicionalmente durante o período de dieta de exclusão;
- rigor na condução do manejo alimentar por parte do tutor, e todas as pessoas que convivem com o animal devem estar cientes da importância disso;
- manutenção de um diário para registrar a alimentação do cão – é uma forma de engajar o tutor no acompanhamento ao animal;
- além do registro alimentar, o tutor deve observar se houve melhora dos sinais clínicos;
- compreensão e paciência do tutor: é preciso alertar os tutores que os cães respondem de diferentes formas à dieta de exclusão. Apesar de alguns cães apresentam resposta positiva já nas primeiras semanas, outros podem demorar mais. Dessa forma, é importante o tutor estar ciente e envolvido para cumprir as 8 semanas da dieta de exclusão.
6. Reações cruzadas
Reações cruzadas podem ocorrer quando há introdução de proteína inédita na dieta do animal. Isso acontece devido à presença de epítopos alergênicos comuns em proteínas diferentes.
A literatura veterinária já relatou diversas reações cruzadas entre proteínas de origem bovina, suína, de frango, peixes, leite e derivados e inclusive entre fontes mais comuns nas dietas (como carne bovina e de frango) com fontes não-habituais, como carne de rã e de cordeiro.
7. Alimentação caseira x alimento comercial
Seguindo com os desafios diante de um cão com alergia alimentar, podemos falar sobre algumas opiniões dos tutores. Alguns querem, por exemplo, manter uma alimentação caseira na rotina do animal.
A alimentação caseira feita com ingredientes restritos pode ser uma opção para o diagnóstico terapêutico. Entretanto, o médico-veterinário deve ressaltar que as dietas, quando não balanceadas e completas, preparadas pelos tutores em ambiente domiciliar, com ingredientes e nutrientes limitados, não devem ser utilizadas por tempo prolongado, uma vez que podem causar severo desequilíbrio nutricional, além da maior probabilidade de ocasionar reações cruzadas no cão.
Vale ressaltar ainda a importância de consultar um médico-veterinário nutricionista para a formulação de uma dieta completa e balanceada, evitando que o paciente seja siga alimentações baseadas em receitas caseiras encontradas na internet.
Se ainda assim for feita uma alimentação caseira, alguns cuidados devem ser reforçados ao tutor, como:
- cuidados no preparo;
- manipulação adequada dos alimentos;
- custo envolvidos – não se deve substituir ingredientes por conta do custo, correndo o risco de uma dieta desbalanceada;
- disponibilidade de tempo para preparo.
Já as dietas hipoalergênicas coadjuvantes comerciais são importantes ferramentas para diagnóstico e tratamento de alergias alimentares em cães. Elas são formuladas com uma fonte única de proteínas e carboidratos.
Para driblar o risco de reações cruzadas, utiliza-se proteínas hidrolisadas. Trata-se de peptídeos alimentares menores do que 10 kDaltons, o que diminui expressivamente a exposição delas ao sistema imunológico. Além disso, são completas e balanceadas, ou seja, podem ser utilizadas por tempo prolongado sem predispor o paciente a possíveis deficiências nutricionais.
Para completar, há mais chance de sucesso e adesão do tutor. Isso porque, ao pensarmos em uma dieta hipoalergênica coadjuvante comercial, temos:
- praticidade;
- segurança alimentar;
- fórmulas com aporte extra de nutrientes que atuam na integridade da barreira cutânea, geralmente comprometida em pacientes alérgicos.
Falaremos mais sobre esse tipo de alimento ainda neste artigo.
8. A retomada da dieta anterior
Após as 8 semanas de dieta de eliminação, mesmo após a melhora do cão, o diagnóstico definitivo da alergia alimentar ocorre mediante exposição provocativa, que consiste no fornecimento do alimento que o cão estava habituado antes da dieta de eliminação. A partir da reexposição, deve-se observar se haverá o reaparecimento dos sinais clínicos apresentados inicialmente – como intensidade do prurido e presença de lesões cutâneas.
A reexposição alimentar deve ocorrer por um período de até 2 semanas. Se o cão, com a dieta de eliminação, deixou de apresentar os sinais clínicos e, com a dieta de exposição, voltar a apresentar tais sinais, o diagnóstico de alergia alimentar é confirmado.
Essa etapa do diagnóstico terapêutico é em grande desafio para o médico-veterinário, uma vez que os tutores relutam em realizar a reexposição, pois a reintrodução do alimento suspeito implica na possibilidade de retomada dos sinais clínicos, com grande desconforto ao animal.
Diante disse, é de suma importância o acompanhamento do médico-veterinário para conduzir o tutor ao longo desse processo.
A importante escolha do alimento ideal para diagnóstico de alergia alimentar em cães
Como citamos, a dieta de exclusão é uma etapa fundamental no diagnóstico de um cão com alergia alimentar. E a maneira mais simples de fazê-la é com alimentos comerciais balanceados e indicados para isso.
A Royal Canin® oferece em seu portfólio de soluções nutricionais alimentos específicos para o diagnóstico terapêutico e tratamento da alergia alimentar para cães.
Os alimentos Anallergenic são formulados com 100% de proteína extensamente hidrolisada, com aminoácidos exclusivamente livres e oligopeptídeos de peso molecular muito baixo, e amido purificado, como fonte única de carboidrato. Eles são opção para realizar a dieta de exclusão e, se necessário, fazer parte da dieta do animal. Os alimentos dessa linha ainda fornecem suporte à saúde da pele e pelagem, contando com um complexo de nutrientes que atua na integridade da barreira cutânea, como ômegas-3 EPA & DHA, ômega-6 (GLA), vitaminas, minerais e antioxidantes.
O cuidado com a segurança alimentar por parte da ROYAL CANIN® durante o processo de fabricação dos alimentos hipoalergênicos é extremo. A fábrica deixa de produzir os outros alimentos do nosso portifólio e passa por 48 horas para limpeza minuciosa dos equipamentos fabris para prepará-los adequadamente para o ciclo de produção exclusivo da linha Anallergenic e Hypoallergenic . O objetivo da limpeza é garantir que o alimento não possua traços de outras fontes de proteínas utilizadas, evitando uma contaminação durante o processo de fabricação do alimento.
A linha Royal Canin Hypoallergenic é composta por alimentos em versões secas para animais de pequeno, médio e grande porte (Hypoallergenic Canine), além de um alimento com calorias moderadas (Hypoallergenic Moderate Calorie) e a versão úmida (Hypoallergenic Canine Wet).

Existem animais que são considerados refratários para hipersensibilidade alimentar – eles representam cerca 6% dos cães. São animais que desencadeiam reações imunológicas mesmo quando alimentados com uma dieta com proteínas de baixo peso molecular. Nesses casos, para auxiliar o médico-veterinário, a ROYAL CANIN® dispõe em seu portfólio o alimento Anallergenic.

O alimento Anallergenic Canine possui em sua composição oligopeptídeos de baixo peso molecular e proteína extensamente hidrolisada para evitar o risco do desencadeamento de reações alérgicas. Conta ainda com nutrientes que contribuem para o fortalecimento da barreira cutânea e a saúde da pele.
Esse é o alimento de escolha para o teste de eliminação, para traçar o diagnóstico, e pode ser utilizado posteriormente ao diagnóstico nos casos refratários.
Conheça mais sobre o nosso portfólio acessando o nosso catálogo de produtos Royal Canin®. E lembre-se de utilizar a nossa Calculadora de Prescrições para facilitar a sua rotina na clínica.
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