Entenda a relação de sinais gastrointestinais com as alergias alimentares em cães
Links rápidos:
- Quais sinais clínicos podem estar presentes nos casos de alergia alimentar canina?
- Por que essa relação existe entre sintomas gastrointestinais e alergias alimentares?
- Principais sinais clínicos de trofoalergia (alergia alimentar) em cães
- Quais outras doenças devem ser investigadas quando há sinais gastrointestinais?
- A nutrição como aliada da alergia causada por alimentos em cães
As alergias alimentares nos cães podem caracterizar uma das principais causas de manifestações clínicas cutâneas e gastrointestinais. Entenda!
Desde 1920 há relatos de reações adversas em animais a um componente alimentar da dieta (geralmente proteína), e eles foram responsabilizados por uma variedade de manifestações clínicas envolvendo a pele e o trato gastrointestinal.
A alergia alimentar em cães, também conhecida como hipersensibilidade alimentar ou trofoalergia, é uma condição comum, caracterizada pela resposta imunológica a componentes específicos dos alimentos.
Frequentemente, envolve uma variedade de sinais clínicos, gastrointestinais e dermatológicos, que podem ser confundidos com outras doenças, tornando o diagnóstico em um desafio para o médico-veterinário.
Compreender os sinais clínicos associados e os fatores que levam a sua manifestação é fundamental para o manejo adequado dos casos de alergia alimentar canina e para o desenvolvimento de estratégias nutricionais eficazes.
Quais sinais clínicos podem estar presentes nos casos de alergia alimentar canina?
Os sinais clínicos da alergia alimentar em cães podem ser diversos e variar em intensidade de acordo com cada paciente, sendo possível observar:
- prurido persistente, especialmente em áreas como orelhas, membros e região perianal;
- lambedura excessiva das patas;
- eritema;
- otite externa;
- pápulas e/ou pústulas;
- crostas;
- alopecia;
- diarreia crônica ou intermitente;
- vômitos ocasionais;
- flatulência e desconforto abdominal;
- possíveis infecções bacterianas secundárias.
Esses sinais clínicos refletem a resposta imunológica exacerbada aos alérgenos alimentares e podem variar de acordo com a predisposição individual do animal e a presença de outros fatores ambientais ou genéticos (ARAÚJO et al., 2021).
Por que essa relação existe entre sintomas gastrointestinais e alergias alimentares?
Além de suas funções essenciais relacionadas à digestão e absorção de nutrientes, o intestino desempenha importante papel imunológico. A mucosa intestinal é considerada uma importante barreira de proteção do organismo, uma vez que está constantemente exposta a potenciais agentes agressores presentes no lúmen.
O conceito de barreira intestinal consiste na integridade estrutural das camadas da mucosa representada por células epiteliais intactas e funcionais.
O muco contém componentes que atuam como inibidores de receptores de possíveis alérgenos alimentares, interferindo, assim, na fixação destes antígenos à superfície das microvilosidades.
A digestão completa das proteínas oriundas da dieta resulta em aminoácidos livres e pequenos peptídeos que são considerados antígenos fracos.
Já uma digestão proteica incompleta pode induzir uma resposta alérgica devido aos antígenos residuais em proteínas que não foram adequadamente digeridas e que apresentam alto peso molecular.
Estas proteínas são absorvidas nos enterócitos e apresentadas ao tecido linfóide localizado no intestino, de tal maneira que se desenvolva uma rápida e potente resposta imunológica contra essas substâncias que são consideradas estranhas e potencialmente nocivas ao organismo.
Em pacientes saudáveis, após absorção desses componentes alimentares ocorre atividade supressora dos linfócitos T, contribuindo para o que chamamos de tolerância oral.
Em animais alérgicos, ocorre uma resposta imunológica exagerada na qual há aumento da produção de IgE, que estimula a degranulação de histamina pelos mastócitos e desencadeia o surgimento das manifestações clínicas cutâneas.
O alimento ingerido representa a maior carga de antígenos externos aos quais a mucosa intestinal está exposta. Animais que apresentam distúrbios gastrointestinais que comprometam a integridade da mucosa intestinal frequentemente apresentam maiores chances de desenvolver alergia, devido ao aumento da sua permeabilidade e exposição antigênica.
Principais sinais clínicos de trofoalergia (alergia alimentar) em cães
A resposta alérgica frente a diferentes constituintes alimentares pode causar alterações em diversos sistemas orgânicos, todavia, as manifestações cutâneas e as gastrointestinais estão entre os principais sintomas clínicos apresentados pelo animal.
Quais os sinais clínicos que são mais frequentes: gastrointestinais ou dermatológicos?
Na alergia alimentar em cães, os sinais clínicos dermatológicos são frequentemente mais evidentes que os gastrointestinais, como prurido e lesões de pele.
No entanto, a alergia alimentar em gatos tende a exibir manifestações clínicas predominantemente gastrointestinais, como vômitos frequentes, em alguns casos relatados com frequência mensal (MUELLER, UNTERER, 2018).
Esta diferença pode ser atribuída a variações fisiológicas e imunológicas entre as espécies e deve ser considerada na avaliação de pacientes com suspeita de alergia alimentar.
Quais outras doenças devem ser investigadas quando há sinais gastrointestinais?
A presença de sinais gastrointestinais em cães com suspeita de alergia alimentar exige uma investigação cuidadosa para descartar outras doenças que apresentam sintomatologia semelhante.
Entre as condições a serem consideradas no diagnóstico diferencial, destacam-se as seguintes.
- Giardíase;
- Coccidiose;
- Hemoparasitoses;
- Pancreatite;
- Hepatopatias;
- Doença inflamatória intestinal.
A nutrição como aliada da alergia causada por alimentos em cães
A nutrição desempenha papel crucial no manejo da alergia alimentar canina. Dietas especialmente formuladas para animais com trofoalergia, contendo proteínas hidrolisadas ou novas fontes proteicas, podem minimizar a resposta imunológica aos alérgenos (LESPONNE et al., 2018).
A hidrólise fragmenta as proteínas em pequenos polipeptídeos de baixo peso molecular, que não são reconhecidos pelo sistema imunológico, auxiliando no diagnóstico e tratamento da alergia alimentar canina.
Além disso, o uso de prebióticos e probióticos pode contribuir para a melhora da saúde intestinal, promovendo uma microbiota equilibrada e reduzindo o risco de disbiose, que muitas vezes pode agravar os sinais clínicos.
A ROYAL CANIN® possui alimentos específicos indicados para o tratamento coadjuvante das alergias alimentares.
Para cães, o mais indicado é a linha Royal Canin® Hypoallergenic, em suas versões Small Dog, Hypoallergenic Canine e Canine Patê, especialmente desenvolvidas para auxiliar na redução de intolerâncias a ingredientes e nutrientes, com fontes de proteínas hidrolisadas e carboidratos selecionadas.
A Hypoallergenic Small Dog possui proteína hidrolisada com baixo peso molecular, assegurando um alimento hipoalergênico; baixo RSS, ajudando a diminuir a concentração urinária de íons que contribuem para a formação dos cristais; contém nutrientes que auxiliam no suporte à barreira protetora natural da pele e ingredientes que ajudam na manutenção da boa saúde oral.
Por sua vez, a Hypoallergenic Canine também possui proteína hidrolisada com baixo peso molecular, combinando ingredientes que auxiliam no suporte à barreira cutânea, ácidos graxos EPA/DHA que ajudam na manutenção da saúde digestiva e cutânea, e nutrientes que apoiam um sistema digestivo equilibrado.
Ainda na linha Hypollergenic, contamos com o alimento Hypoallergenic Moderate Calorie, que além de conter as qualidades de um alimento com baixo potencial alergênico descritas acima, que apoia a manutenção da barreira cutânea, possui conteúdo calórico moderado para ajudar o paciente com tendência ao sobrepeso a manter um peso ideal.
Para complementar, nos casos de alergia alimentar em gatos, nossa recomendação é o novo alimento Royal Canin® Gastrointestinal Hydrolysed Protein, uma vez que os felinos comumente apresentam manifestações clínicas associadas ao trato gastrointestinal.

Por isso, o Hydrolysed Protein é composto por proteína hidrolisada de soja de alta digestibilidade, possui alto teor de energia, ingredientes altamente digestíveis, fibras balanceadas, incluindo prebióticos, sendo um alimento coadjuvante indicado para ajudar na compensação da má digestão e na redução de intolerâncias a ingredientes e nutrientes da dieta.
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Referências:
ARAÚJO, A.P. et al. Dermatite alérgica alimentar em cães. Brazilian Journal of Development, v.7, n.8, 2021.
COLOMBO, S. Feline Allergy. Feline Dermatology, 2020.
LESPONNE, I. et al. DNA and Protein Analyses to Confirm the Absence of Cross-Contamination and Support the Clinical Reliability of Extensively Hydrolysed Diets for Adverse Food Reaction-Pets. Vet. Sci., v.5, n.3, 2018.
MUELLER, R.S.; UNTERER, S. Adverse food reactions: Pathogenesis, clinical signs, diagnosis and alternatives to elimination diets. The Veterinary Journal, v.236, 2018. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1090023318301321?via%3Dihub. Acesso em: 28 outubro 2024.
PRELAUD, P.; HARVEY, R. Nutritional Dermatoses and the contribution of dietetics in dermatology. In: PIBOT, P.; BIOURGE, V.; ELLIOT, D. Encyclopedia of Canine Clinical Nutrition. Royal Canin, 2006.
ROUDEBUSH, P.; GUILFORD, W.; JACKSON, H. Adverse Reactions to Food. Small Animal Clinical Nutrition. p.609-635, 2010.
