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Coccidiose em cães e gatos: do diagnóstico ao tratamento

Coccidiose em cães e gatos: do diagnóstico ao tratamento
Publicado em 11 de outubro de 2024
Tempo de leitura: 8min
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A coccidiose é uma doença parasitária que acomete o trato gastrointestinal de cães e gatos e pode afetar significativamente a saúde do seu paciente. Entenda melhor! 

A coccidiose é uma enfermidade causada por protozoários do gênero Cystoisospora, conhecida há mais de um século e de ocorrência mundial. Essa parasitose ocorre principalmente em filhotes, causando sinais clínicos importantes, embora alguns animais (geralmente mais velhos) possam ser assintomáticos.  

Em 2023, um estudo retrospectivo constatou uma prevalência de 32,89% de Cystoisospora spp. em amostras de fezes de gatos e cães, detectando infecções simples que identificaram somente Cystoisospora, e infecções múltiplas, observando a presença de Cystoisospora e outro(s) parasita(s) gastrointestinal(s) (BUZATTI et al., 2023). 

Conheça os detalhes da coccidiose em gatos e cães, de seu agente causador, e saiba como conduzir o caso! 

O que é a coccidiose? 

A coccidiose é uma doença infecciosa provocada por protozoários intracelulares obrigatórios do filo Apicomplexa, gênero Cystoisospora (anteriormente conhecido como Isospora).  

O gênero Cystoisospora compreende cerca de 200 espécies. As espécies mais comuns em cães incluem Cystoisospora canis e Cystoisospora ohioensis, enquanto em gatos, Cystoisospora felis e Cystoisospora rivolta são as mais frequentes (COSTA, 2018).  

Estes parasitas afetam predominantemente o trato gastrointestinal, colonizando as células epiteliais do intestino grosso e/ou delgado dos animais infectados. 

Oocistos esporulados da coccidiose
Figura 1: Esquerda – oocisto esporulado de Cystoisospora canis com 2 esporocistos, cada um contendo 4 esporozoítos. Direita – oocisto esporulado de Cystoisospora felis. Fonte: TAYLOR et al., 2017.

Apenas cães e gatos podem ser acometidos? 

Embora a coccidiose seja uma doença predominantemente encontrada em caninos e felinos, outras espécies também podem ser acometidas por parasitas do mesmo grupo, como coelhos, roedores, porcos e canídeos selvagens.  

No entanto, é importante destacar que as espécies de Cystoisospora que infectam cães e gatos são altamente específicas, o que significa que a transmissão entre diferentes espécies animais é incomum. 

Outra ressalva é que humanos também podem apresentar coccidiose, nesse caso causada pela Cystoisospora belli. Porém, a enfermidade não é reconhecida como uma zoonose (CAPC, 2016).  

Como ocorre a infecção por coccidiose? Entenda o ciclo da doença. 

A infecção por coccidiose em cães e gatos ocorre pela ingestão de oocistos esporulados presentes no ambiente, principalmente através da ingestão de água e alimentos contaminados.  

Uma vez ingeridos, os oocistos liberam esporozoítos no intestino, que invadem as células epiteliais e se multiplicam, formando novos oocistos que serão excretados nas fezes. Os oocistos eliminados não são esporulados, e a esporulação ocorre no ambiente, dentro de um período de 8 a 40 horas. 

Assim, reinicia-se o ciclo biológico da Cystoisospora, com a ingestão de ooscistos esporulados por hospedeiros definitivos (cães, gatos), onde ocorre a reprodução sexuada do agente patológico.  

Vale citar que hospedeiros paratênicos (animais que não desenvolvem a doença, mas mantêm a viabilidade do parasita, como ruminantes) também podem eliminar as formas infectantes através das fezes parasitadas (TAYLOR et al., 2017). 

Ciclo Cystoisospora, que causa a infecção pela coccidiose

É importante lembrar que os oocistos são muito resistentes no ambiente, podendo manter a capacidade de infecção ​​por até dois anos, acumulando-se especialmente em ambientes com más condições higiênicas (CIUCA et al., 2022).  

Por isso, este ciclo pode ser intensificado em ambientes com alta densidade populacional, como canis e gatis, onde é mais difícil realizar o controle da contaminação ambiental. 

Consequências e riscos para a saúde de cães e gatos 

A coccidiose canina e felina pode ter um impacto significativo na saúde dos pacientes, especialmente em filhotes ou animais imunocomprometidos. A infecção pode levar a uma severa enterite, desidratação, perda de peso, e em casos extremos, pode ser fatal.  

O comprometimento do trato gastrointestinal também pode predispor os animais a infecções secundárias e à má absorção de nutrientes. 

Principais sinais clínicos de coccidiose em gatos e cães 

Os sinais clínicos da coccidiose em cães e gatos variam conforme a gravidade da infecção, mas geralmente incluem: 

  • diarreia, que pode ser aquosa ou sanguinolenta; 
  • desidratação; 
  • vômitos; 
  • hiporexia/anorexia; 
  • perda de peso; 
  • letargia; 
  • febre, em alguns casos. 

É importante ressaltar que alguns animais com coccidiose podem ser assintomáticos, apesar de estarem eliminando oocistos do parasita. 

Coccidiose em gatos e cães: a importância do diagnóstico 

O diagnóstico assertivo da coccidiose em cães e gatos é crucial para a implementação do manejo eficaz da doença. É baseado no histórico do paciente, na detecção de sinais clínicos da afecção e no exame físico completo que o médico-veterinário listará as possíveis causas e solicitará os exames complementares necessários. 

O diagnóstico laboratorial é realizado através do exame coproparasitológico, através da identificação de oocistos nas fezes dos animais infectados, utilizando técnicas de flutuação fecal. 

Em casos de infecções mistas ou quando os sinais clínicos incluírem condições não relacionadas anteriormente, exames complementares como a histopatologia do tecido intestinal podem ser necessários para confirmar o diagnóstico. 

Diagnóstico diferencial com outras afecções 

O diagnóstico diferencial da coccidiose em cães e gatos deve incluir outras condições que afetam o trato gastrointestinal, como: 

  • verminoses; 
  • giardíase; 
  • parvovirose; 
  • criptosporidiose; 
  • amebiose; 
  • triconomose; 
  • infecções bacterianas. 

Em muitos casos, a coccidiose pode ocorrer concomitantemente com outras infecções, como a giardíase, o que complica o quadro clínico e o manejo do paciente. Portanto, é imprescindível a realização de exames complementares para identificar todas as causas potenciais dos sinais clínicos apresentados pelo paciente. 

Tratamento e prevenção 

O tratamento da coccidiose em cães e gatos envolve o uso de coccidiostáticos ou coccidicidas, como a sulfadimetoxina ou ponazuril, que são eficazes na redução da excreção de oocistos e na melhora clínica do paciente.  

Todos os animais contactantes devem ser tratados. Em casos graves, pode ser necessário o uso de fluidoterapia e suporte nutricional para combater a desidratação e a perda de peso.  

A prevenção é baseada na higiene ambiental rigorosa, incluindo a remoção imediata de fezes e a desinfecção regular dos locais onde os animais vivem.  

A Royal Canin atua há mais de 50 anos promovendo saúde e bem-estar aos pets! 

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Dentre os nossos produtos, oferecemos uma Linha de Nutrição Veterinária, com soluções nutricionais que buscam entregar com expertise os nutrientes necessários para apoiar no restabelecimento de pacientes convalescentes, com afecções no trato urinário inferior, sobrepeso/obesidade, doença renal, endocrinopatias, perturbações digestivas, perturbações hepáticas e reações adversas ao alimento. 

Gatos e cães com coccidiose podem requerer uma dieta que auxilie na redução de distúrbios agudos de absorção intestinal e na recuperação do estado nutricional saudável.  

Para isso, nossa recomendação é a linha Gastrointestinal, que conta com ingredientes de alta digestibilidade, nível aumentado de eletrólitos, alta concentração de nutrientes essenciais e alta densidade energética. 

Os alimentos Gastrointestinal Feline e Canine possuem uma fórmula altamente digestível, com fibras balanceadas para suportar a saúde digestiva e o trânsito intestinal, alto teor energético para ajudar a reduzir a quantidade de alimento oferecida por refeição, diminuindo assim a sobrecarga intestinal.  

As opções contam, ainda, com prebióticos selecionados para ajudar a promover um equilíbrio saudável do microbioma intestinal. Suas versões úmidas, ainda, são altamente palatáveis, ajudando a satisfazer apetites diminuídos.  

O nosso grande destaque é a Gastrointestinal Puppy, especialmente desenvolvida para filhotes, contendo todas as características do alimento gastrointestinal para oferecer o suporte à saúde digestiva e ao microbioma intestinal, além apresentar alto teor energético e níveis adaptados de nutrientes (incluindo proteína e cálcio) para atender às necessidades de um filhote em crescimento. 

Além disso, o alimento gastrointestinal puppy possui um croquete que pode ser facilmente reidratado, facilitando a ingestão de alimentos em filhotes com apetite reduzido, também ajudando na transição do leite materno para alimentos sólidos, quando necessário. 

Gatrointestinal Royal Canin Puppy, Cães e Felinos

Lembre-se que a nutrição também desempenha um papel importante na prevenção das mais variadas afecções, pois o aporte nutricional adequado é essencial para a manutenção da homeostase do organismo e o bom funcionamento do sistema imunológico. 

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Referências

ADOLPH, C. Coccidia. In: BRUYETTE, D. et al. Clinical Small Animal Internal Medicine. New Jersey:  John Wiley & Sons, Inc., 2 ed., 2020. 

BUZATII, A. et al. Prevalência de parasitismo gastrointestinal em cães e gatos de São Miguel do Oeste e avaliação de riscos à saúde humana e anima. Brazilian Journal of Development, v.9, n.12, 2023. Acesso em: 14 agosto 2024. 

CAPC – Companion Animal Parasite Council. Coccidia. 2016. Acesso em: 14 agosto 2024.  

CIUCA, L.; BOSCO, A.; RINALDI, L. Giardia and coccidia in dogs and cats. Summa, Animali da Compagnia, v.39, n.6, 2022. Acesso em: 14 agosto 2024. 

COSTA, P.D. Estudo de infeção por protozoários gastrointestinais em animais de companhia: os géneros Giardia e Cystoisospora. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2018. Acesso em: 14 agosto 2024. 

DUBEY, J.P. A review of Cystoisospora felis na C. rivolta-induced coccidiosis in cats. Veterinary Parasitology, v.263, 2018. Acesso em: 14 agosto 2024. 

DUBEY, J.P.; LINDSAY, D.S. Coccidiosis in dogs – 100 years of progress. Veterinary Parasitology, v.266, 2019. Acesso em: 14 agosto 2024. 

QURATULAIN, S.A. et al. Coccidiosis: Prevalence, Epizootiological Risk Factors, Hematological and Serum Biochemical Profile in Clinically Infected Pet Dogs. Pakistan Veterinary Journal, v.43, i.4, 2023. Acesso em: 14 agosto 2024. 

TAYLOR, M.A., COO, R.L., WALL, R.L. Parasitologia Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 4ed., 2017. 

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