Papilomatose canina: o que é e como conduzir o caso do paciente acometido
Links rápidos:
- O que é papilomatose canina?
- Como ocorre a transmissão do papilomavírus nos cães
- Sinais clínicos da papilomatose canina
- Papilomatose canina: diagnóstico da doença e diagnóstico diferencial
- Tratamento para papilomatose canina: como conduzir o caso
- A importância da alimentação para a imunidade e saúde geral dos pets
A papilomatose canina é uma doença viral que pode afetar animais de todas as idades, sendo mais comum em cães jovens e imunossuprimidos. Saiba como conduzir o caso em clínica!
A papilomatose canina é uma doença viral causada pelo papilomavírus canino, caracterizada pela formação de lesões cutâneas proliferativas benignas, papilomas ou verrugas, que acometem principalmente a mucosa oral e a pele, mas também podem ser encontradas em outras regiões. A enfermidade pode ser transmitida entre os cães através de contato direto e indireto.
As verrugas transmissíveis em cães foram notadas pela primeira vez em 1898, com uma etiologia viral confirmada em 1959. Usando microscopia óptica e eletrônica, evidências de papilomatose foram sugeridas em 1969 e o primeiro Papilomavírus canino foi totalmente sequenciado em 1994 (MUNDAY et al., 2017).
Entenda todos os detalhes da papilomatose canina.
O que é papilomatose canina?
A papilomatose canina é uma afecção de etiologia viral, causada por diferentes tipos de Papilomavírus – pequenos vírus não envelopados, icosaédricos, que infectam o epitélio escamoso estratificado de muitas espécies de mamíferos, bem como algumas espécies de aves e répteis (MUNDAY et al., 2017).
Já foram relatados vinte tipos de Papilomavírus caninos (CPVs), que se encontram agrupados em três gêneros: Lambdapapillomavirus (CPV1, CPV6), Taupapillomavirus (CPVs 2, 7, 13, 17 e 19), e Chipapillomavirus (todos os outros CPVs) (THAIWONG et al., 2018).
No entanto, os tipos de Papilomavírus que mais comumente estão relacionados à papilomatose em cães são CPV1 e CPV2, que estão associados à formação de papilomas orais e cutâneos, respectivamente (LANGE et al., 2019). Essas lesões têm origem epitelial e, geralmente, são consideradas benignas.
Um estudo realizado por Chang et al. (2020) fornece uma evidência e relato de carcinomas de células escamosas associado a CPV 9 e tumores cutâneos pré-malignos associados a CPV 15 em cães.
A doença afeta principalmente cães jovens, com o sistema imunológico em desenvolvimento, e pode ser autolimitante, desaparecendo espontaneamente em semanas a meses. Alguns pacientes com papilomatose canina podem, inclusive, ser assintomáticos.

Além da boca, as lesões podem surgir em outros locais
Embora as lesões da papilomatose canina sejam mais comumente encontradas na cavidade oral, especialmente em lábios, gengivas e mucosa oral, elas também podem se manifestar em outras áreas do corpo, como a pele, membros, região ocular, e, em casos raros, na traqueia (GOMES, METÓDIO, 2022).
As lesões cutâneas podem variar de papilomas pedunculados a massas verrucosas planas, conforme descrito por GOULD et al. (2021), que estudaram casos de papilomas localizados nas patas de cães.
Como ocorre a transmissão do papilomavírus nos cães
A transmissão da Papilomavírus canino ocorre predominantemente por contato direto entre cães infectados e susceptíveis. O vírus, altamente contagioso, penetra na pele ou mucosas através de pequenas abrasões, cortes ou lesões superficiais, onde passa a se replicar, infectando o tecido epitelial (MUNDAY et al., 2022).
Além da transmissão direta, a transmissão indireta também desempenha um papel significativo na propagação da papilomatose canina. Superfícies contaminadas, como camas, comedouros, bebedouros, brinquedos, coleiras, e até mesmo roupas e equipamentos profissionais podem atuar como fômites, abrigando o vírus e promovendo infecções secundárias.
Segundo Gould et al. (2021), o Papilomavírus pode sobreviver no ambiente por um período considerável, especialmente em superfícies não higienizadas adequadamente, facilitando a transmissão para outros animais que compartilhem esses objetos ou áreas.
Fatores predisponentes
Diversos fatores contribuem para a predisposição à papilomatose canina.
Cães imunossuprimidos, seja por doenças sistêmicas ou por uso de medicamentos imunossupressores, apresentam maior risco de desenvolver a doença (CHANG et al., 2020).
Filhotes e cães jovens são particularmente suscetíveis devido ao sistema imunológico ainda em desenvolvimento, o que contribui para a maior prevalência da doença nessa faixa etária (MUNDAY et al., 2017).
Além disso, ambientes com alta concentração de animais, como canis, creches e até mesmo parques, podem promover uma maior exposição dos animais ao agente, aumentando o risco de infecção e facilitando a disseminação do Papilomavírus.
Sinais clínicos da papilomatose canina
Os sinais clínicos da papilomatose canina variam conforme a localização das lesões. Na cavidade oral, os papilomas podem causar:
- dificuldade para mastigar;
- hiper salivação;
- halitose;
- sangramento oral.
Lesões cutâneas podem ser múltiplas e, dependendo do tamanho e localização, podem ulcerar e causar desconforto ao animal (GOULD et al., 2021).
Em casos de papilomatose traqueal, podem, ainda, ser evidenciados disfagia, tosse e dispneia (GOMES, METÓDIO, 2022).
Papilomatose canina: diagnóstico da doença e diagnóstico diferencial
O diagnóstico de papilomatose canina é baseado nos sinais clínicos característicos, especialmente a presença de múltiplos papilomas orais ou cutâneos. Todavia, a confirmação pode ser feita por meio de biópsia.
Neste caso, o exame histopatológico revela hiperplasia epitelial com paraqueratose e a presença de células coilocíticas, abauladas, vacuolizadas, com núcleos na periferia das células, típicas de infecção por Papilomavírus (MUNDAY et al., 2022).

O diagnóstico diferencial da papilomatose canina deve incluir:
- neoplasias malignas, como carcinoma de células escamosas;
- outras lesões verrucosas, como hiperplasia sebácea e fibropapilomas.
Orientações que o médico veterinário deve passar aos tutores de animais positivos
Os tutores de pacientes acometidos pela papilomatose canina devem ser orientados a tomar precauções para evitar a disseminação do vírus. Entre as medidas recomendadas estão o afastamento do animal de ambientes coletivos, como creches e parques, até a resolução das lesões.
Utensílios e brinquedos do cão acometido devem ser higienizados regularmente para prevenir a reinfecção e transmissão a outros animais.
É importante informar, inclusive, sobre a possibilidade de recorrência da papilomatose canina e a importância de manter o sistema imunológico do animal fortalecido para evitar recidivas.
Tratamento para papilomatose canina: como conduzir o caso
O tratamento da papilomatose canina varia conforme a gravidade e extensão das lesões. Em muitos casos, a doença é autolimitante e as lesões desaparecem espontaneamente em um período de 1 a 5 meses. No entanto, em casos persistentes ou quando as lesões causam desconforto ao animal, pode ser necessário intervenção médica (LANGE et al., 2019).
Sendo assim, a abordagem terapêutica pode incluir o uso de antivirais, como a azidotimidina, e imunomoduladores, como a interferona. Em 2015, a Thuya occidentalis foi proposta como um tratamento alternativo, com propriedades antivirais e imunomoduladoras (QUEIROZ et al.).
A remoção cirúrgica pode ser indicada em casos de lesões grandes, persistentes ou em locais que interferem com a execução normal das funções vitais do paciente, como a alimentação em casos de papilomas na cavidade oral. Para isso, técnicas de crioterapia e eletro cauterização constituem algumas opções viáveis.
A importância da alimentação para a imunidade e saúde geral dos pets
A alimentação desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde geral e da imunidade dos cães, o que é essencialmente desejado em pacientes com papilomatose canina.
Dietas balanceadas, ricas em antioxidantes e ácidos graxos ômega-3, ajudam a fortalecer o sistema imunológico, permitindo uma resposta mais eficaz contra infecções virais (CHANG et al., 2020).
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Referências
CHANG, C. et al. The Detection and Association of Canine Papillomavirus with Benign and Malignant Skin Lesions in Dogs. Viruses, v.12, n.2, 2020. Acesso em: 19 setembro 2024.
GOULD, A.P. et al. Canine pedal papilloma identification and management: a retrospective series of 44 cases. Veterinary Dermatology, v.32, n.5, 2021. Acesso em: 19 setembro 2024.
GOMES, V.R.; METÓDIO, F.W.F. Papilomatose traqueal em um canino: relato de caso. UNICEPLAC, 2022. Acesso em: 19 setembro 2024.
LANGE, C.E. et al. Canine papillomavirus types 1 and 2 in classical papillomas: High abundance, different morphological associations and frequent co-infections. The Veterinary Journal, v.250, 2019. Acesso em: 19 setembro 2024.
MUNDAY, J.S.; KNIGHT, C.G.; LUFF, J.A. Papillomaviral skin diseases of humans, dogs, cats and horses: A comparative review. Part 1: Papillomavirus biology and hyperplastic lesions. The Veterinary Journal, v.288, 2022. Acesso em: 19 setembro 2024.
MUNDAY, J.S.; THOMSON, N.A.; LUFF, J.A. Papillomaviruses in dogs and cats. The Veterinary Journal, v.225, 2017. Acesso em: 19 setembro 2024.
QUEIROZ, F.F. et al. Thuya occidentalis CH12 como tratamento alternativo da papilomatose canina. Rev. Bras. Pl. Med, v.17, n.4, 2015. Acesso em: 19 setembro 2024.
THAIWONG, T. et al. Malignant transformation of canine oral papillomavirus (CPV1)-associated papillomas in dogs: An emerging concern? Papillomavirus Research, v.6, 2018
