Piodermite em cães: o que é e qual a relação com a raça?
Links rápidos:
- O que é a piodermite canina?
- Identificando a piodermite nos cães: qual o aspecto das lesões?
- Quais outras alterações devem ser descartadas?
- 6 principais raças de cães mais afetadas pela piodermite
- O tratamento para piodermite é na maioria das vezes conservativo!
- Como o manejo nutricional pode auxiliar no controle da piodermite?
A piodermite é uma alteração dermatológica bacteriana muito relatada na rotina clínica veterinária, principalmente em algumas raças mais predispostas. Saiba mais!
A piodermite em cães caracteriza-se por uma infecção bacteriana cutânea, geralmente secundária a diversas possíveis causas, frequentemente associada à presença de bactérias do gênero Staphylococcus, sendo o Staphylococcus pseudintermedius o agente envolvido em mais de 90% dos casos (LIMA et al., 2022).
No entanto, nem toda piodermite implica infecção bacteriana que necessite de antibióticos sistêmicos, o que reforça a importância de se estabelecer um diagnóstico preciso, que inclua a detecção da sua causa base. Esta conduta possibilitará que o médico-veterinário adote um tratamento específico para cada paciente, ajudando a melhorar significativamente o controle de recidivas.
O que é a piodermite canina?
A piodermite em cães é uma infecção da pele, de natureza bacteriana, que pode ocorrer como resultado da perda da integridade superficial cutânea, de uma exposição crônica da pela à umidade, da alteração da flora bacteriana normalmente presente na pele, ou do comprometimento da imunocompetência do animal.
Segundo Carmona (s.d.), as infecções cutâneas, em geral, ocorrem secundariamente a uma quebra na barreira cutânea, podendo estar associadas a doenças subjacentes, como alergias, distúrbios hormonais ou fatores anatômicos predisponentes, como as dobras cutâneas em determinadas raças.
A piodermite, portanto, pode variar em profundidade e extensão. As piodermites superficiais são as mais comuns, caracterizadas pela presença de pústulas, crostas e áreas de alopecia. Já as piodermites profundas afetam camadas mais profundas da derme e podem provocar lesões mais graves e disseminadas.
Toda piodermite indica infecção bacteriana?
Embora a presença de bactérias seja uma característica marcante da piodermite em cães, a identificação bacteriana na pele não indica necessariamente a necessidade de antibioticoterapia sistêmica (LOEFFLER, LLOYD, 2018).
Em muitos casos, o manejo terapêutico da piodermite visando o controle das bactérias presentes pode ser realizado de forma tópica, reduzindo a exposição desnecessária a antibióticos sistêmicos, minimizando o risco de resistência bacteriana, um problema crescente na Medicina Veterinária.
Portanto, é muito importante que o médico-veterinário saiba reconhecer os quadros de piodermite em cães e descartar as causas primárias da infecção, adotando, consequentemente, o tratamento mais adequado ao paciente.
Identificando a piodermite nos cães: qual o aspecto das lesões?
Clinicamente, a piodermite em cães pode se manifestar através de lesões pustulares, eritema, colarinho epidérmico, áreas de alopecia e crostas. Na maioria das vezes, as lesões são pruriginosas, causando desconforto, e predispondo o animal a traumatismos por coceira e lambedura, o que pode piorar o quadro clínico.

A inspeção clínica deve ser cuidadosa, sendo a citologia cutânea um método diagnóstico valioso para identificar bactérias e determinar o tratamento adequado (SOUSA et al., 2021).
A cultura bacteriana e o antibiograma também podem ser utilizados na identificação do agente causador e de sua sensibilidade, ajudando na escolha correta do antibiótico.
Quais outras alterações devem ser descartadas?
A presença de lesões dermatológicas em cães exige um diagnóstico diferencial cuidadoso, uma vez que diversas condições podem mimetizar os sinais clínicos da piodermite em cães.
Por isso, é necessário descartar outras causas, como (TILLEY, SMITH JR., 2014):
- dermatite alérgica;
- dermatofitose;
- demodicose;
- endocrinopatias (hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo, desequilíbrio de hormônios sexuais);
- incompetência imune, inclusive por uso de corticoides;
- seborreia.
6 principais raças de cães mais afetadas pela piodermite
Determinadas raças de cães apresentam predisposição à piodermite devido a características anatômicas e genéticas específicas, como dobras cutâneas, densidade de pelos e predisposições imunológicas. Entre as raças mais afetadas, destacam-se:
1. Pug

Cães da raça Pug possuem muitas dobras faciais, que podem favorecer o acúmulo de umidade e detritos, ambiente ideal para proliferação bacteriana. Essa condição pode se agravar em indivíduos com sobrepeso, que apresentam dobras corporais adicionais, aumentando o risco de piodermite em múltiplas regiões.
2. Pastor Alemão

A raça Pastor Alemão tem uma predisposição genética a distúrbios cutâneos, incluindo a piodermite. Essa condição pode estar relacionada a deficiências imunológicas específicas da raça, que podem facilitar a colonização bacteriana crônica e recorrente na pele.
3. Bulldog Inglês

Devido à conformação anatômica e à presença de múltiplas dobras cutâneas, o Bulldog Inglês é propenso a desenvolver piodermite em áreas como a face, pescoço e membros. A umidade nas dobras pode promover o crescimento bacteriano, especialmente em animais que já apresentem histórico de sensibilidade cutânea.
4. Shar-Pei

Os exemplares da raça Shar-Pei apresentam numerosas dobras cutâneas naturais e uma pele espessa, o que pode favorecer o aumento da umidade e, consequentemente, da proliferação bacteriana. Essa condição colabora com a maior vulnerabilidade desses cães em desenvolver piodermite.
5. Golden Retriever

Cães da raça Golden Retriever podem apresentar piodermite devido à predisposição a doenças alérgicas, tais como dermatite atópica e alergia alimentar, o que pode influenciar na integridade da barreira cutânea, criando um ambiente propício à infecção bacteriana.
6. Labrador Retriever

Assim como o Golden Retriever, o Labrador Retriever também pode ser considerado um paciente mais predisposto a apresentar piodermite associada a alergias e à produção excessiva de sebo, especialmente em regiões interdigitais (LEMOS et al., 2024).
O tratamento para piodermite é na maioria das vezes conservativo!
Em muitos casos, o tratamento da piodermite em cães é realizado de forma conservadora, com o uso de agentes tópicos, como xampus antimicrobianos, e de substâncias que auxiliem na restauração da barreira cutânea.
Para piodermites superficiais, o uso de antibióticos sistêmicos deve ser evitado sempre que possível. Sendo assim, a antibioticoterapia sistêmica deve ser reservada para casos de infecções bacterianas profundas ou para casos em que o tratamento tópico não é efetivo.
Vale ressaltar que o tratamento da piodermite em cães requer não apenas o controle dos sinais clínicos, mas também a identificação e a correção das causas primárias da infecção bacteriana.
Portanto, além do tratamento das lesões, é imprescindível a identificação e o controle da causa subjacente, seja ela alérgica, endocrinológica ou anatômica. Isso não só melhora o prognóstico, mas também evita a recorrência da condição (KESKİN YILMAZ, BAŞ, 2024).
Lembre-se, também, que o uso criterioso de antibióticos e a individualização do tratamento são essenciais para garantir a eficácia terapêutica e minimizar os riscos de resistência bacteriana na prática veterinária.
Como o manejo nutricional pode auxiliar no controle da piodermite?
O manejo nutricional desempenha um papel importante no controle da piodermite em cães, especialmente em animais com sensibilidades cutâneas, com alergias alimentares ou atopia. Logo, uma dieta balanceada e específica para a pele pode ajudar a melhorar a função da barreira cutânea e auxiliar na redução da inflamação (PELLERIN, 2014).
A imunidade, assim como o bom funcionamento do organismo como um todo, também é favorecida quando há um suporte nutricional adequado, diminuindo a suscetibilidade aos problemas dermatológicos relacionados à infecção bacteriana secundária.
Por isso, pacientes com piodermite recorrente podem se beneficiar de uma dieta específica que ofereça um suporte a saúde cutânea, melhorando, assim, a resposta imunológica e a resistência natural a infecções bacterianas.
O controle do peso em raças com dobras cutâneas, como o Pug e o Bulldog Inglês, é essencial para evitar o acúmulo de umidade e a fricção entre as dobras, condições que favorecem o desenvolvimento da piodermite.
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Já o Skin Care Adult Small Dog é um alimento coadjuvante seco indicado para cães adultos de porte pequeno (peso até 10 kg), formulado para ajudar no suporte à função da pele no caso de dermatoses e queda excessiva de pelos, com um complexo sinérgico de antioxidantes para auxiliar na neutralização de radicais livres, indicado para ajudar no manejo de pacientes com dermatite atópica.

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*A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.
Referências:
CARMONA, R. Piodermites na era da resistência bacteriana. Boletim DermaExperience Zoetis, ano 2, 3 ed.
KESKİN YILMAZ, N.; BAŞ, B. Superficial pyoderma in cats and dogs: A retrospective clinical study. Ankara Univ. Vet. Fak. Derg., v.71, n.2, 2024. Disponível em: https://vetjournal.ankara.edu.tr/tr/pub/auvfd/article/1239626. Acesso em: 05 novembro 2024.
LARSSON, C.E.; LUCAS, R. Tratado de Medicina Externa: Dermatologia Veterinária. 2ª Ed, 2020.
LEMOS, V.L. et al. Identificação e perfil de resistência a antimicrobianos em cães com piodermite superficial por Staphylococcus Pseudointermedius. Cuadernos de Educación y Desarrollo, v.16, n.7, 2024. Disponível em: https://cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/4739. Acesso em: 05 novembro 2024.
LIMA, D.A. et al. Staphylococcus SP. resistentes em casos de piodermite superficial canina. Brazilian Journal of Development, v.8, n.1, 2022.
LOEFFLER, A.; LLOYD, D.H. What has changed in canine pyoderma? A narrative review. The Veterinary Journal, v.235, 2018. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1090023318301047. Acesso em: 05 novembro 2024.
PELLERIN, J.L. Antibacterial sensitivity of pathogenenic bacteria in dogs: epidemiological surveillance. Revue Vétérinaire Clinique, v.49, n.4, 2014. Disponível em: https://www.cabidigitallibrary.org/doi/full/10.5555/20153042340. Acesso em: 05 novembro 2024.
SOUSA, S.K.S. et al. Susceptibilidade dos Staphylococcus spp. isolados da pele de cães com piodermite recidivante. Research, Society and Development, v.10, n.4, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/13648. Acesso em: 05 novembro 2024.
TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies canina e felina. São Paulo: Manole, 5 ed., 2014.
