Otite externa em cães e gatos

Otite externa em cães e gatos
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Conheça os principais detalhes da otite externa, afecção que acomete o sistema auditivo de cães e gatos. Saiba como realizar o diagnóstico e prevenir a doença

As otites em cães e gatos podem ser unilateral ou bilateral e são caracterizadas por um processo inflamatório de caráter agudo, crônico ou ainda recidivante, que afeta o conduto auditivo de forma parcial ou total (LIMA et al, 2022).

No Brasil, de 5 a 20% dos pacientes caninos que são atendidos na clínica veterinária recebem diagnósticos de otites, mesmo não sendo a queixa principal durante a consulta (LIMA et al, 2022). Corroborando com esse dado, sabe-se que cerca de 76,7% das otopatias em cães são otites externas crônicas (TEIXEIRA et al, 2019). A enfermidade também acomete os gatos, mas em menor proporção (LIMA et al, 2022).

Diversos fatores predisponentes, primários e perpetuantes podem ter influência no surgimento e no desenvolvimento da otite externa em cães e gatos, visto que é uma enfermidade multifatorial (LIMA et al, 2022; TEIXEIRA et al, 2019).

Nos casos mais graves, devido ao manejo ou tratamento inadequado, a otite externa pode evoluir e também comprometer o ouvido interno e o médio (TEIXEIRA et al, 2019).

Geralmente, o prognóstico para quadros de otites externas é favorável quando o tratamento é realizado da forma correta, mas seu sucesso dependerá de outros fatores como a causa subjacente à afecção, as adequações de manejos visando evitar recidivas, entre outros.

Neste artigo abordaremos os detalhes da enfermidade, quais são as principais formas de prevenção, diagnóstico e tratamento da otite externa em cães e gatos.

O que é a otite externa?

A otite pode ser externa, média ou interna. No caso da otite externa, a inflamação ocorre no epitélio do conduto auditivo externo e acomete as estruturas anatômicas do pavilhão auricular, os canais verticais e horizontais e a parede timpânica, podendo atingir o pavilhão auricular (AMORIM, 2020).

O processo patológico tem caráter multifatorial, e a otite pode se manifestar de forma primária, quando não há relação com outras afecções ou de forma secundária, quando há outras doenças preexistentes responsáveis pelo surgimento da otite (LIMA et al, 2022).

Na afecção pode haver a presença de diversos agentes etiológicos, como bactérias, fungos e ácaros, que contribuem para o agravamento do caso (TEIXEIRA et al, 2019).

Os principais fungos e bactérias causadores da otite externa em cães e gatos incluem (TEIXEIRA et al, 2019):

  • casos de otite fúngica: Malassezia pachydermatis;
  • casos de otite bacteriana: Streptococcus sp., Pseudomonas sp., Proteus sp., Enterococcus sp., Staphylococcus sp. e Corynebacterium sp;
  • casos de Otite por ácaros: Otodectes cynotis.

Pode haver a presença concomitante de mais de um agente na afecção.

Predisposição racial e fatores predisponentes

A enfermidade acomete gatos e cães, mas a otite externa em cães é mais frequente.

O ouvido externo dos animais possui uma microbiota constituída por bactérias do tipo cocos gram-positivos e que, devido à resistência da própria microbiota, podem dar início a um processo inflamatório. Isso pode ocorrer devido a falha no processo de regulação dessa microbiota.

Além disso, algumas raças de cães são acometidas de forma mais frequente devido às características fenotípicas. Alguns exemplos são Dachshund, Poodle, Cocker Spaniel, Shih Tzu, Labrador e outros que possuem orelhas pendulares, proporcionando aumento de umidade e temperatura na região, além de má aeração, canal auditivo estenótico e pregas cutâneas e presença de pelos no canal auditivo externo, tornando o ambiente favorável para a proliferação de fungos e bactérias (AMORIM, 2020).

Entre os principais fatores que podem predispor o surgimento de otite externa estão (AMORIM, 2020):

  • alergias ou hipersensibilidade alimentar;
  • atopia;
  • doenças imunológicas;
  • umidade (clima úmido, natação ou banhos podem causar umidade excessiva no conduto auditivo, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento bacteriano e fúngico);
  • presença de ácaros oportunistas ou outros parasitas;
  • características fenotípicas de raças;
  • hiperprodução de cerúmen (podendo ser idiopática e de caráter primário ou secundária a outros processos, além de falhas na queratinização);
  • causas obstrutivas (neoplasias, pólipos e granulomas por agentes infecciosos ou presença de corpo estranho);
  • doenças sistêmicas: imunossupressão, viroses, endocrinopatias e outras;
  • dermatopatias crônicas.

Otite em cães x otite felina

Como já mencionamos, a enfermidade é mais frequente em cães.

As otites em gatos enquadram cerca de 2 a 6% dos atendimentos em clínicas veterinárias (LIMA et al, 2022). Porém, é importante ressaltar a importância da inspeção completa do animal durante o exame físico, visando identificar este e outros problemas durante a consulta.

Sinais clínicos de otite externa

Entre as manifestações clínicas mais observadas nos pacientes com otite externa estão (LIMA et al, 2022):

  • otalgia (dor) e desconfortos;
  • prurido na região;
  • head tilt ou meneios cefálicos;
  • aumento na produção de material ceruminoso;
  • odor fétido;
  • eritema;
  • edema;
  • descamação do epitélio;
  • inflamação;
  • hiperemia.

Além disso, outros sinais clínicos podem ser observados de acordo com cada caso, visto que a otite externa pode ser secundária a outras afecções.

Diagnóstico

O diagnóstico é composto pelo conjunto de anamnese, exames físicos e complementares (como citologia ou raspado parasitológico cutâneo), conforme suspeita do profissional em cada caso (LIMA et al, 2022). Outros exames poderão ser solicitados conforme necessidade individual

A identificação do agente presente na infecção é de suma importância para evitar o uso de medicamentos inadequados, o que poderia gerar resistência dos agentes infecciosos aos compostos ativos utilizados sem necessidade ou de forma incorreta.

No exame físico, o Médico-Veterinário poderá palpar a região, avaliando a consistência e aspecto da estrutura e identificar se há a presença de odor, calor na região, edemas, entre outros sinais que indiquem otite externa.

Tratamento de otite externa em cães e gatos

O tratamento irá depender da etiologia da doença, porém geralmente casos de otites externas não demandam do uso de medicamentos sistêmicos.

Caso a origem da otite externa seja decorrente de alergia ou hipersensibilidade alimentar, é recomendado que o Médico-Veterinário direcione o tratamento também para a causa de base da doença. Essa recomendação se estende para todas as outras possíveis doenças de base ou concomitantes.

Para o tratamento de otite externa em cães e gatos geralmente é preconizada a terapia tópica com ceruminolíticos para a limpeza auditiva e, em alguns casos, o uso de medicamentos tópicos contendo antimicrobianos, antifúngicos e antiinflamatórios esteroidais (de acordo com a avaliação individual do caso), de forma combinada ou não. Mas, em alguns casos em que a infecção passe a ser recidivante e crônica ou atinja outras estruturas do ouvido, a terapia sistêmica também pode ser indicada pelos profissionais após avaliação do caso (TEIXEIRA et al, 2019).

Caso o tratamento seja realizado sem a correta identificação do agente infeccioso causador da otite externa, o tratamento pode se tornar ineficaz, podendo agravar ainda mais a doença, resultando no acometimento do ouvido médio e interno, aumentando a resistência aos fármacos e, até mesmo, podendo contribuir para a cronicidade da otite (TEIXEIRA et al, 2019).

Formas de prevenção e recomendações aos tutores

O Médico-Veterinário deve orientar o tutor sobre as formas corretas de manejos do pet, visando a prevenção dos diversos tipos de otite e também de outras enfermidades. Essas orientações podem variar de acordo com as necessidades individuais de cada paciente, mas as principais recomendações envolvem:

  • higienização: deve-se ter cautela e utilizar produtos apropriados para evitar irritações na região;
  • suporte nutricional balanceado e hídrico adequado;
  • ambiente limpo, com temperatura e ventilação adequadas, sem umidade e correntes de vento;
  • natação e banhos: manter o conduto auditivo protegido;
  • vermifugação, quando necessário;
  • manejo nutricional adequado, contribuindo para o fortalecimento da imunidade;
  • cuidados com a pele e o pêlo: utilizar apenas produtos dermatológicos recomendados pelo Médico-Veterinário.

Vale ainda ressaltar que as consultas veterinárias de rotina são essenciais para manter a saúde do pet em dia.

Importância da adequação dos manejos

Além das recomendações de manejo ambiental já compreendidas, como evitar banhos sem proteger o ouvido e manter a limpeza das orelhas do pet em dia, o tutor deve receber orientações quanto à importância do manejo nutricional.

Mais de 75% dos casos de otite externa estão relacionados à alergia, incluindo a alimentar. Sabe-se que os principais alérgenos alimentares são as proteínas (especialmente as de laticínios), carne bovina, frango, ovos, soja. Tendo em vista a correlação entre a otite externa e a alergia alimentar, é importante que o Médico-veterinário oriente o tutor sobre a necessidade de adequação da dieta do pet, quando necessário.

A ROYAL CANIN@ conta com um portfólio completo para afecções dermatológicas em gatos e cães, incluindo os alimentos Hypoallergenic e Anallergnic, indicados para quadros de dermatite associados à hipersensibilidade alimentar e casos refratários, respectivamente.

Alimentos Hypoallergenic e Anallergenic da Royal Canin

Para animais saudáveis, uma dieta com excelentes níveis de antioxidantes naturais, vitaminas, fibras, prebióticos e minerais é essencial para a manutenção da saúde, bem-estar e fortalecimento da imunidade do pet, prevenindo o surgimento de diversas enfermidades, incluindo a otite externa.

Utilize ainda Calculadora para Prescrições para fazer a recomendação nutricional ideal para seus pacientes.

Referências bibliográficas

TEIXEIRA, Mariana Graciano Furtado et al. Diagnóstico citológico de otite externa em cães. Braz. J. Anim. Environ. Res., v. 2, n. 5, p. 1693-1701, 2019. Disponível em: https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJAER/article/view/4113. Acesso em: 28 ago. 2022.

LIMA, Evilda Rodrigues et al. Avaliação clínica dos casos de otite externa em cães atendidos no hospital veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Braz. J. Anim. Environ. Res., v. 5, n. 2, p. 1661-1667, 2022. Disponível em: https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BJAER/article/view/46551. Acesso em: 28 ago. 2022.

AMORIM, Daniela Ribeiro Cazelato. Otite externa: um relato de caso em cão. 2020, p. 12-33. Dissertação (UNIS-MG) – Bacharel em Medicina Veterinária – Centro Universitário do Sul de Minas, Varginha, 2021. Disponível em: http://repositorio.unis.edu.br/handle/prefix/1839. Acesso em: 29 ago. 2022.