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Saiba o que é o prolapso retal em gatos e cães e como tratar

Saiba o que é o prolapso retal em gatos e cães e como tratar
Publicado em 6 de novembro de 2025
Tempo de leitura: 14min
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O prolapso retal em gatos e cães afeta significativamente o bem-estar do paciente. Entenda quais são as principais causas da enfermidade e saiba como conduzir casos assertivamente

O prolapso retal é uma afecção de grande importância clínica que frequentemente está associada a causas primárias digestivas. É uma condição que requer intervenção rápida e adequada para evitar complicações, como a necrose.

Trata-se ainda de enfermidade que pode ser observada em gatos e cães de qualquer idade, porém mais de 80% dos casos são relatados em filhotes no primeiro ano de vida. Em adição, observa-se que a taxa de ocorrência em animais do sexo masculino em comparação com os animais do sexo feminino é duas vezes maior (HEDLUND, 2008; SHIJU et al., 2016).

O que é o prolapso retal?

O prolapso retal em gatos e cães caracteriza-se pela exteriorização de uma ou mais camadas do reto através do esfíncter anal, geralmente em resposta a causas gastrointestinais que levam ao esforço defecatório intenso e repetido.

Pode ser classificado em prolapso parcial, quando apenas a mucosa retal é exteriorizada, e prolapso completo, no qual todas as camadas retais se exteriorizam (TILLEY & SMITH JR., 2014).

Essa condição, além de causar desconforto e dor, expõe o tecido retal à desidratação, traumas e até mesmo necrose. Por isso, o médico veterinário deve ser assertivo ao conduzir o caso, já que a abordagem terapêutica pode influenciar diretamente no prognóstico do paciente.

4 principais causas de prolapso retal em gatos e cães

O prolapso retal em gatos e cães é geralmente uma manifestação secundária a distúrbios que alteram a motilidade intestinal ou que aumentam a pressão intra-abdominal.

A identificação e a correção da causa primária da afecção são fundamentais, não apenas para o tratamento do episódio agudo de prolapso, mas também para a prevenção de recidivas (MORENO et al., 2022; SILVA et al., 2017).

Entre as principais causas de prolapso retal em gatos e cães destacam-se:

1. Constipação

A constipação representa uma das principais causas predisponentes ao prolapso retal em cães e gatos, uma vez que o trânsito intestinal dificultado leva ao esforço defecatório intenso e repetido, aumentando a pressão intraluminal sobre a mucosa retal. Esse processo favorece a exteriorização parcial ou completa do reto, especialmente em animais com episódios crônicos de tenesmo (NELSON & COUTO, 2015).

A constipação pode estar associada a múltiplos fatores, como dieta pobre em fibras, ingestão hídrica insuficiente, alterações neurológicas, obstruções intraluminais ou extrínsecas e uso de determinadas medicações (TILLEY & SMITH JR., 2014).

Em felinos, a constipação crônica pode evoluir para megacólon idiopático, aumentando ainda mais o risco de complicações como o prolapso retal (Nelson & Couto, 2015).

Saiba mais sobre a constipação em gatos e a constipação em cães

2. Hipermotilidade

A hipermotilidade intestinal constitui outro fator relevante para o desenvolvimento do prolapso retal em gatos e cães. Essa condição ocorre quando há aceleração do trânsito intestinal, frequentemente associada a distúrbios que provocam irritação ou inflamação da mucosa (MORENO et al., 2022).

Entre as principais causas de hipermotilidade nos caninos e felinos, destacam-se os quadros de diarreia crônica, colite, enterites infecciosas, parasitoses intestinais e distúrbios inflamatórios (SILVA et al., 2017).

Nessas situações, o aumento da motilidade promove evacuações frequentes acompanhadas de tenesmo persistente, resultando em sobrecarga mecânica na mucosa retal e favorecendo a sua exteriorização.

3. Uso de determinados medicamentos, como laxantes e outros

O uso indiscriminado de laxantes e fármacos que alteram a motilidade intestinal também pode atuar como fator predisponente para o prolapso retal em cães e gatos. Essas substâncias, quando administradas sem critério, podem desencadear episódios de hipermotilidade ou diarreia iatrogênica, aumentando a frequência do tenesmo e a pressão intraluminal, o que favorece a exteriorização da mucosa retal (TILLEY & SMITH JR., 2014; NELSON & COUTO, 2015).

Além disso, determinados agentes farmacológicos, como procineticos e catárticos osmóticos, também podem induzir alterações no trânsito intestinal que culminam em esforço defecatório repetitivo (SILVA et al., 2017).

4. Verminose

As parasitoses intestinais representam uma das principais causas de distúrbios gastrointestinais em cães e gatos, sobretudo em animais jovens.

Helmintos como Ancylostoma spp., Toxocara spp. e Trichuris vulpis, bem como protozoários como Giardia duodenalis, podem provocar enterite, irritação da mucosa e diarreia persistente.

Essas alterações desencadeiam hipermotilidade intestinal em resposta à inflamação ou estímulo mecânico causado pelos parasitas que, como falado anteriormente, promove pressão intraluminal elevada e predisposição ao prolapso retal (NELSON & COUTO, 2020).

Além disso, as verminoses também podem estar associadas à constipação, também favorecendo o esforço abdominal excessivo, reforçando o risco de exteriorização do reto (SILVA et al., 2017; TILLEY & SMITH JR., 2014).

Outras possíveis causas de prolapso retal nos cães e nos gatos

Além dos fatores mencionados, o prolapso retal em gatos e cães também pode estar relacionado a deficiências nutricionais, como hipocalcemia, distúrbios neuromusculares e neoplasias intrapélvicas que causam esforço defecatório intenso e/ou repetitivo (NELSON & COUTO, 2015).

Atendimento de gato ou cão com prolapso retal: saiba como conduzir o caso

A condução clínica adequada de casos de prolapso retal em gatos e cães possibilita que o médico-veterinário aja de maneira rápida e assertiva, corrigindo não só o problema em si, mas também diagnosticando e tratando a causa base envolvida para evitar recidivas e complicações.

Veja sugestões práticas de abordagem do prolapso retal.

Histórico: pontos que devem ser levantados durante a consulta

A anamnese deve ser minuciosa, contemplando o tempo de evolução do prolapso retal e se é o primeiro episódio ou se é algo recorrente. Adicionalmente, a investigação deve abordar:

  • frequência e consistência das evacuações;
  • alterações dietéticas recentes;
  • ingestão de corpos estranhos;
  • uso de fármaco que alterem a motilidade intestinal;
  • histórico de vermifugação;
  • doenças concomitantes que possam influenciar o trânsito intestinal ou o estado inflamatório da mucosa (TILLEY & SMITH JR., 2014).

Exame físico: como avaliar o paciente com prolapso retal

No exame físico geral, deve-se avaliar estado de hidratação, dor abdominal e condição nutricional.

Especificamente em relação ao prolapso retal, é indispensável determinar o tamanho da porção exteriorizada, o aspecto da mucosa (cor, presença de edema, ulcerações) e a viabilidade do tecido. A viabilidade pode ser avaliada por meio da coloração e da presença de sangramento capilar à compressão digital suave; sinais de mucosa cianótica ou necrótica indicam necessidade de intervenção cirúrgica (SILVA et al., 2017; TILLEY & SMITH JR., 2014).

Exame mostra caso de prolapso retal em um gato filhote
Figura 1: Prolapso retal em um gato SRD com 2 meses de idade. A seta amarela aponta os pontos de necrose. Fonte: VILIOTTI et al., 2018.

Outro ponto crucial é a análise da possibilidade de redução manual do prolapso retal em gatos e cães. Prolapsos recentes, de pequeno volume, não edemaciados e sem comprometimento tecidual podem ser passíveis de reposição após lubrificação adequada.

É importante ressaltar que o controle da dor antes da manipulação é indispensável para evitar estresse, esforço abdominal adicional e risco de lesão tecidual durante o exame. Entre as opções analgésicas, destacam-se os opioides, como o tramadol, que além do efeito analgésico promove discreta redução da motilidade intestinal, proporcionando condições mais seguras para a avaliação clínica e o manuseio do paciente (NELSON & COUTO, 2015; HEDLUND, 2008).

Exames complementares: quais devem solicitados para completar a avaliação do paciente

O diagnóstico do prolapso retal em gatos e cães é clínico, entretanto exames complementares são necessários para identificar a causa primária e averiguar o estado geral do paciente. Portanto, pode ser recomendado:

  • Exame coproparasitológico para avaliar presença de parasitas.
  • Exames hematológicos e bioquímicos para investigar distúrbios metabólicos.
  • Ultrassonografia abdominal para descartar alterações estruturais do trato gastrointestinal e tecidos adjacentes (SILVA et al., 2017; MORENO et al., 2022).

Como tratar o prolapso retal em gatos e cães

O tratamento do prolapso retal em gatos e cães depende da exteriorização retal, da viabilidade tecidual e da condição clínica do paciente.

Abaixo, detalhamos as opções de tratamento.

Redução manual

Nos casos iniciais, de pequena extensão e com mucosa viável, a redução manual pode ser uma opção. O procedimento envolve lubrificação abundante, controle de dor e contenção do paciente. Frequentemente associa-se à sutura em bolsa no ânus para evitar recorrência (TILLEY & SMITH JR., 2014; VILIOTTI et al., 2018).

Correção cirúrgica

Nos casos que apresentam muito volume exteriorizado, recorrentes ou que apresentem necrose tecidual, a correção cirúrgica é necessária. As técnicas incluem ressecção da mucosa, colopexia incisional ou laparoscópica (SECCHI et al., 2012; GUADALUPI et al., 2024).

O acesso minimamente invasivo tem se mostrado eficaz, reduzindo complicações e tempo de recuperação.

Atenção: é importante fazer o controle da dor do paciente

Em casos de prolapso retal em gatos e cães, o manejo analgésico deve acompanhar qualquer abordagem terapêutica, seja manual ou cirúrgica. A analgesia adequada reduz o tenesmo, o estresse e a motilidade intestinal excessiva, promovendo maior conforto ao paciente e facilitando intervenções como redução manual ou manipulação cirúrgica (NELSON & COUTO, 2015; HEDLUND, 2008).

Opioides como tramadol ou buprenorfina são frequentemente indicados, podendo ser combinados com anti-inflamatórios quando não houver contraindicações, sempre considerando o estado clínico e possíveis alterações hepáticas ou renais.

Durante todo o processo, também é essencial manter o paciente adequadamente hidratado, através de fluidoterapia, visto que a desidratação pode potencializar a constipação, dificultar a cicatrização e agravar o estado geral do paciente (SILVA et al., 2017).

O papel da nutrição para gatos e cães com prolapso retal

A nutrição desempenha papel fundamental no manejo do prolapso retal em cães e gatos. O fornecimento de alimentos de alta qualidade e balanceados contribui para a manutenção do trânsito intestinal adequado, homeostase do organismo, boa imunidade e estado nutricional geral, fatores essenciais para a recuperação do paciente (MORENO et al., 2022; NELSON & COUTO, 2015).

Em casos cuja causa primária esteja relacionada à constipação, dietas específicas com teor adaptado de fibras podem auxiliar na normalização do trânsito intestinal. O alimento Royal Canin® Gastrointestinal Fibre Response Feline possui formulação específica (incluindo alto teor de psyllium) para auxiliar no manejo da constipação felina, níveis de energia adequados para manutenção de um peso corporal saudável e fórmula altamente digestível com fibras balanceadas para suportar a saúde digestiva e o trânsito intestinal.

Já o alimento Gastrointestinal High Fibre Canine tem fórmula altamente digestível com fibras balanceadas, incluindo prebióticos, visando favorecer a saúde digestiva e o trânsito intestinal dos cães, além de contar com uma mistura adequada de fibras para ajudar a regular o trânsito intestinal. Também fornece níveis de energia de manutenção apesar do alto teor de fibras.

Alimentos que podem ser indicados em casos de prolapso retal relacionado à constipação

Quando a causa base do prolapso retal está atribuída à hipermotilidade, com quadros de diarreia, pode-se recomendar a utilização de dietas altamente digestíveis, com fibras balanceadas para suportar a saúde digestiva e o trânsito intestinal, alto teor energético para ajudar a reduzir a quantidade de alimento oferecida por refeição, diminuindo assim a sobrecarga intestinal, e com prebióticos selecionados para ajudar a promover um equilíbrio saudável do microbioma intestinal.

As linhas Royal Canin® Gastrointestinal Feline (seca e úmida), Gastrointestinal Puppy e Gastrointestinal Canine (seca e úmida) são fórmulas que contêm todas essas características, além de possuírem alta palatabilidade para ajudar a satisfazer apetites diminuídos, auxiliando na redução de distúrbios agudos de absorção intestinal e na recuperação do estado nutricional saudável em animais convalescentes.

Alimentos que podem ser indicados quando a causa base do prolapso retal está ligada à hipermotilidade

Em casos de prolapso retal nos quais o paciente esteja extremamente debilitado, pode ser necessário a instituição de uma dieta de alta densidade de energia e alto nível de proteína, como a Royal Canin® Recovery, que permite atender os requerimentos energéticos enquanto ajuda a reduzir a quantidade de alimento oferecido ao paciente crítico e auxilia na manutenção da massa muscular durante a hospitalização e convalescença. Além de todas essas qualidades, esse alimento também apresenta textura que facilita a administração via seringas ou sondas.

Alimento Recovery é uma alternativa em casos de prolapso retal nos quais o paciente esteja extremamente debilitado

Prognóstico e principais complicações do prolapso retal

O prognóstico do prolapso retal em cães e gatos depende diretamente de fatores como tempo de evolução, extensão do prolapso, viabilidade tecidual e presença de condições predisponentes subjacentes. Casos tratados precocemente, com mucosa viável e sem sinais de necrose, geralmente apresentam bom prognóstico (SILVA et al., 2017; NELSON & COUTO, 2015).

Entretanto, complicações podem surgir, especialmente em episódios prolongados. Entre as mais relevantes estão: necrose ou ulceração da mucosa, estenose anal secundária a cicatrização inadequada e infecções locais (VILIOTTI et al., 2018).

Em casos mais graves, perda de tônus esfincteriano pode comprometer a função fecal a longo prazo, ressaltando a importância do diagnóstico precoce, tratamento da causa primária e suporte clínico adequado.

Perguntas frequentes sobre prolapso retal em gatos e cães

A seguir, reunimos as dúvidas frequentes sobre prolapso retal em cães e gatos.

Como tratar prolapso retal em gatos e cães?

O tratamento do prolapso retal nos animais pode ser feito através de correção manual ou cirúrgica, dependendo da avaliação do médico-veterinário.

Existe remédio para tratar prolapso retal em cães e gatos?

Não há um remédio específico para tratar o prolapso retal. A correção deve ser manual ou cirúrgica, dependo da avaliação do médico-veterinário, e os medicamentos, principalmente os analgésicos, são usadas como suporte.

Qual exame faz diagnóstico de prolapso retal em gatos e cães?

O diagnóstico de prolapso retal nos animais é clínico, realizado durante a consulta veterinária.

O que causa prolapso retal em gatos e cães?

Constipação, hipermotilidade intestinal, verminoses e uso de certos medicamentos estão entre as principais causas de prolapso retal em cães e gatos.

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Referências:

GUADALUPI, M. et al. Total Laparoscopic Colopexy for the Treatment of Recurrent Rectal Prolapses in Three Cats. Vet. Sci., v.11, n.8, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39195809/. Acesso em: 24 set. 2025.

HEDLUND, C.S. Cirurgia dos sistemas reprodutivo e genital. In: FOSSUM, T.W. Cirurgia de pequenos animais. Elsevier, Rio de Janeiro, 2008.

MORENO, A.A. et al. Dietary fiber aids in the management of canine and feline gastrointestinal disease. J. Am. Vet. Med Assoc., v.260, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36288203/. Acesso em: 24 set. 2025.

NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. Elsevier Editora, Amsterdan, 2015.

SECCHI, P. et al. Laparoscopic-assisted incisional colopexy by two portals access in a domestic cat with recurrent rectal prolapse. J. Feline Med. Surg., v.14, n.2, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22314097/. Acesso em: 24 set. 2025.

SHIJU, M.S. et al. Rectal prolapse associated with intussusception and prophylactic colopexy in dogs – A review of five cases. Indian Vet. J., v.93, n.02, 2016. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/304877577_Rectal_prolapse_associated_with_intussusception_and_prophylactic_colopexy_in_dogs_-_A_review_of_five_cases. Acesso em: 24 set. 2025.

SILVA, T.R.O. et al. Prolapsos em pequenos animais. Pubvet, v.11, n.3, 2017. Disponível em: https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/article/view/1360. Acesso em: 24 set. 2025.

TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies Canina e Felina. Editora Manole, Barueri, 5 ed., 2014.

VILIOTTI, T.A.A. et al. Abordagem cirúrgica do prolapso retal em felino: Relato de caso. Pubvet, v.12, n.3, 2018. Disponível em: https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/article/view/1155. Acesso em: 24 set. 2025.

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