Urolitíase em cães: saiba como diagnosticar e conduzir o caso
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Identificar as principais causas predisponentes para o desenvolvimento de urolitíases em cães é essencial para adotar medidas preventivas e que possam contribuir para a dissolução de alguns tipos de cálculos. Saiba mais!
A urolitíase em cães é um problema comum na clínica de pequenos animais. De acordo com Alford e colaboradores (2020), dados de prevalência levantados na América do Norte e na Europa ocidental mostram que as urolitíases são responsáveis por 15 a 20% das consultas relacionadas ao trato urinário inferior em animais domésticos.
O desenvolvimento de cálculos urinários está relacionado a diversos fatores de risco. Por isso, compreender a fisiopatogenia da formação dos cálculos e as diferenças na composição dos urólitos contribui para a melhor conduta médico-veterinária, permitindo o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas e preventivas.
Entenda todos os detalhes!
O que é a urolitíase em cães?
A urolitíase em cães – ou cálculo urinário – caracteriza-se pela formação de sedimento microscópico (conhecido como cristais) que pode se aglomerar em concreções macroscópicas chamadas urólitos.
Esses urólitos podem se formar em diferentes partes do trato urinário, incluindo rins, ureteres, bexiga e uretra, comprometendo a função normal desses órgãos. Em cães, comumente afetam o trato urinário inferior (bexiga e uretra) e estão frequentemente associados à dor e à dificuldade para urinar.
A urolitíase em cães é uma doença de etiologia multifatorial, com causas que envolvem fatores genéticos, ambientais e alimentares. A baixa ingestão de água e dietas ricas em certos minerais, por exemplo, podem contribuir para o desenvolvimento de urólitos.
Do ponto de vista clínico, a urolitíase manifesta-se por sinais como:
- disúria (dificuldade para urinar);
- polaciúria (aumento da frequência urinária);
- hematúria (presença de sangue na urina).
Tipos de urólitos comuns em cães
A urolitíase em cães é causada principalmente por cálculos urinários a base de fosfato de magnésio de amônio magnesiano (estruvita) e oxalato de cálcio. Porém, há também evidências da ocorrência de urólitos mistos, de urato de amônio e de cistina.
Um levantamento realizado pela Universidade de Minnesota (2019) constatou que os principais urólitos foram de estruvita (39%), oxalato de cálcio (36%) e cálculos compostos (10%) – sendo que o restante compreende urólitos de cistina, purina, fosfato de cálcio, mistos e de sílica.
Já uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia (com um total de 10.444 cálculos urinários de cães) durante o período de 2006 a 2018, demonstrou que os urólitos de oxalato de cálcio (OxCa) e de estruvita, juntos, compreendem 90,6% das urolitíases em cães, representando 47% e 43,6% da casuística, respectivamente (KOPECNY et al., 2021).
1. Oxalato de cálcio
Os cálculos de oxalato de cálcio são atualmente um dos tipos mais comumente relacionado à urolitíase em cães e geralmente possuem forma irregular.
Estão frequentemente associados a fatores dietéticos, como a ingestão excessiva de cálcio e oxalato, ou a desequilíbrios no metabolismo mineral, causando hipercalciúria, hiperoxalúria e alta saturação urinária.

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2. Estruvita
Os urólitos de estruvita, compostos por fosfato, amônio e magnésio, são outro tipo de cálculo frequentemente associados à urolitíase em cães. Geralmente, são brancos e duros ou amarelos e esfarelentos quando esmagados.
Em muitos casos, os cálculos de estruvita podem estar relacionados a infecções do trato urinário e alta saturação urinária.

3. Cálculos mistos e outros
Além dos cálculos puros, os urólitos mistos, que combinam dois ou mais tipos de cristais, também podem ser encontrados na urolitíase em cães. Pode-se, também, evidenciar outros tipos de cálculos como:
- urato de amônia;
- cistina;
- sílica;
- fosfato de cálcio;
- xantina.
6 Principais fatores para a formação de cálculos urinários:
Os fatores de risco para urolitíase em cães variam de acordo com a composição do urólito e incluem ainda raça, idade, sexo, estado de castração e, em alguns casos, presença de infecção do trato urinário – especialmente quando há urólitos contendo estruvita e presença de bactérias produtoras de urease.
Confira, em detalhes, quais são os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de urolitíase em cães.
1. Supersaturação urinária
A supersaturação urinária é pré-requisito para a formação de um cálculo. Neste estágio, a cristalização pode ocorrer, pois a concentração dos íons cristalizantes é maior que seu produto de solubilidade (p. Ex.: a concentração em que os componentes de um cristal precipitarão em um solvente [como a água] em uma determinada temperatura e – dependendo da natureza do cristal – em um determinado pH).
Com base na saturação, podemos classificar a urina em:
- solução estável (subsaturada): é aquela onde as condições físico-químicas da urina não permitem a formação de cristais;
- solução metaestável (moderadamente saturada): possui como característica a não formação espontânea de cristais, mas também não promove a dissolução de precipitados já formados;
- solução instável (supersaturada): que se caracteriza por permitir a formação e a agregação de cristais e, consequentemente, a geração dos urólitos.
2. Alteração do pH urinário
O pH da urina é um fator que contribui para a formação de determinados tipos de cálculos. Urólitos de oxalato de cálcio apresentam tendência de formação em pH ácido, enquanto cálculos de estruvita geralmente se formam em pH mais alcalino.
A interpretação do pH de forma isolada, no entanto, não é um fator determinante para o desenvolvimento de urolitíase em cães, visto que alguns aspectos podem exercer maior influência no desenvolvimento da enfermidade, como a saturação urinária, os hábitos alimentares e a frequência de micção.
3. Frequência urinária
Animais que passam muito tempo dentro de casa e que urinam apenas em momentos de passeio com seus tutores (ex: cães pequenos que vivem em ambiente indoor e tutores que passam a maior parte do dia fora de casa), apresentam maior tempo de retenção urinária, condição que favorece a precipitação e a aglutinação dos cristais presentes na urina.
Portanto, adotar estratégias que estimulem a diurese e incentivem o animal a urinar mais vezes contribui para que os cristais sejam eliminados, diminuindo a tendência de desenvolvimento de urolitíase canina.
4. Alimentação e ingestão de água
A dieta pode influenciar diretamente a composição da urina e os fatores dietéticos, portanto, desempenhando um papel significativo no aumento do risco de urolitíase em cães.
Alimentos formulados com excesso de minerais podem predispor ao aumento da secreção destes compostos minerais na urina, favorecendo a supersaturação e a precipitação dos cristais.
A ingestão de alimento em quantidades maiores do que as recomendadas também pode exercer impacto negativo para a saúde do animal – seja por aumentar a concentração de minerais eliminados na urina ou por aumentar o risco de desenvolvimento de sobrepeso e obesidade.
A baixa ingestão de água ainda exerce papel significativo na predisposição ao desenvolvimento de cálculos. Sendo assim, aumentar a diurese é um ponto-chave para diminuir o risco de urolitíase em cães.
5. Cães de pequeno porte
Cães de raças pequenas tendem a desenvolver urolitíase com maior frequência do que cães de raças grandes. Além da predisposição racial, isso pode ser explicado por alguns fatores como o menor volume de urina produzido pelos cães menores e o estilo de vida indoor, que muitas vezes faz com que os animais urinem apenas nos momentos de passeio, aumentando o tempo de retenção da urina na bexiga, como já citado.
Além disso, cães que passam muito tempo dentro de casa e que são pouco ativos tendem a apresentar sobrepeso e obesidade, fatores considerados de risco para o desenvolvimento de urolitíase em cães.
6. Predisposição genética
A predisposição genética constitui um dos principais fatores para o desenvolvimento de urolitíase em cães.
Cálculos de estruvita são frequentemente diagnosticados em fêmeas de raças pequenas, sendo algumas das raças mais afetadas:
- Bichon Frisé;
- Schnauzer miniatura;
- Pequinês.
Urólitos de oxalato de cálcio, por sua vez, são muito comuns nas raças:
- Bichon Frisé;
- Shih Tzu;
- Lhasa Apso;
- Schnauzer Miniatura.
Cães das raças Dálmata e Bulldog Inglês apresentam maior risco para o desenvolvimento de cálculos de urato devido a mutação do gene SLC2A9, que leva à hiperuricosúria.
Já algumas mutações genéticas identificadas que resultam em cistinúria predispuseram algumas raças a desenvolverem urolitíase por cistina, como Mastiff, Bull Terrier, Bulldog e Rottweiller.
Como diagnosticar a urolitíase em cães
O diagnóstico da urolitíase em cães deve ser baseado no histórico do paciente, exame físico detalhado e exames complementares. Os sinais clínicos mais comumente observados são hematúria, disúria e polaciúria – porém, alguns animais podem ser clinicamente assintomáticos.
Exames complementares como cultura da urina e de imagem (radiografia simples, contrastada e/ou ultrassonografia) são necessários para confirmar a afecção e investigar seus fatores predisponentes.
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Vale ressaltar que o tipo de cristal que pode ser evidenciado no exame de urina I nem sempre coincide com o tipo de mineral encontrado nos urólitos, quando presentes no paciente.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial para urolitíase em cães deve incluir:
- cistite;
- neoplasia;
- obstrução;
- anomalias congênitas (ureter ectópico, ureterocele);
- doenças renais.
Tratamentos para urolitíase em cães
A terapia eficaz da urolitíase em cães depende do conhecimento da composição mineral dos cálculos, possibilitando um manejo terapêutico e nutricional específico e personalizado.
Caso o paciente se apresente obstruído, deve-se proceder uma abordagem emergencial para promover alívio imediato da obstrução e dos sinais clínicos.
A desobstrução poderá ser feita de formas diferentes, de acordo com a localização do cálculo e, em muitos casos, a intervenção cirúrgica se faz necessária (principalmente nos casos de cálculos de oxalato de cálcio, que não são passíveis de dissolução por meio de dieta).
O tratamento medicamentoso pode incluir analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos, quando constatada a respectiva necessidade pelo médico-veterinário. Dependendo do estado geral do cão, pode ser estabelecida, inclusive, uma terapia de suporte.
Manejo nutricional: como a alimentação pode ajudar nos casos de urolitíase
A supersaturação relativa da urina (RSS) é uma metodologia que considera o pH urinário, o volume urinário e a concentração de 10 solutos responsáveis pela formação dos principais cálculos em cães (cálcio, magnésio, oxalato, citrato, fosfato, sódio, potássio, amônio, sulfato e urato) da amostra.
Quanto mais baixo for o valor de RSS para um dado cristal, mais subsaturada estará a urina e menor a probabilidade de um cálculo ser formado.
Por isso, o manejo nutricional é um importante aliado no tratamento coadjuvante da urolitíase em cães, pois a alimentação especificamente desenvolvida para este caso promoverá maior ingestão hídrica, fazendo com que a urina fique mais diluída.
Dessa forma, evita-se a ocorrência de supersaturação urinária e, consequentemente, a formação espontânea de cristais e cálculos.
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Além de todas essas qualidades, a Urinary Small Dog ainda conta com um nutriente que sequestra o cálcio salivar, ajudando no controle da formação do tártaro.

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Referências
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