Arboviroses: qual o papel do médico-veterinário no controle e prevenção dessas doenças?
Links rápidos:
- O que são arboviroses?
- Principais arboviroses
- Conhecendo o vetor Aedes aegypti
- Essas doenças podem acometer gatos e cães?
- A importância em proteger os gatos e cães contra ectoparasitas
- O papel do médico veterinário no controle de arboviroses
- A Royal Canin® apoia e facilita a rotina do médico-veterinário!
Arboviroses são afecções de caráter zoonótico que podem ser potencialmente fatais para os humanos. Entenda qual o papel do médico-veterinário na abordagem multidisciplinar para o controle dessas doenças!
As arboviroses são doenças virais transmitidas por vetores artrópodes, como mosquitos e carrapatos. Essas enfermidades representam desafios crescentes à saúde pública, devido a emergência e reemergência em diferentes regiões, inclusive no Brasil, onde as condições climáticas favorecem a proliferação de vetores (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020).
A Organização Mundial de Saúde Animal determina que a saúde humana e a saúde animal são interdependentes e vinculadas à saúde dos ecossistemas em que existem, de acordo com o conceito de Saúde Única (CRMV-PB, s.d.). Dessa forma, o médico-veterinário tem um papel indispensável na triagem e no diagnóstico de animais, além da orientação dos tutores e da participação em ações para prevenção das arboviroses com potencial zoonótico.
O que são arboviroses?
As arboviroses são um grupo de doenças infecciosas de caráter zoonótico, causadas por vírus pertencentes a diferentes famílias e gêneros que compartilham uma característica em comum: a transmissão ocorre por meio de vetores artrópodes hematófagos, como mosquitos, carrapatos e flebotomíneos.
O termo arbovirose deriva do inglês arthropod borne viruses, ou seja, vírus transmitidos por artrópodes. Os arbovírus são RNA vírus que apresentam grande plasticidade genética e alta frequência de mutações, o que permite adaptações a hospedeiros vertebrados e invertebrados. Geralmente, os humanos e os animais domésticos são hospedeiros acidentais ou amplificadores, dependendo da espécie viral (DONALISIO & ZUBEN, 2017).
Existem 545 espécies de arbovírus, sendo que 150 delas causam doenças em seres humanos. Os vírus mais importantes para a saúde humana são os transmitidos por mosquitos, principalmente aqueles dos gêneros Aedes, Culex, Anopheles e, também, pelo inseto do gênero Orthobunyavirus (FIGUEIREDO et al., 2017; MINISTÉRIO DA SAÚDE, s.d.).
Principais arboviroses
Veja detalhadamente as principais arboviroses que são descritas pelo Ministério da Saúde brasileiro:
1. Dengue
A Dengue é uma arbovirose causada por quatro sorotipos distintos do vírus DENV (1, 2, 3 e 4), pertencente à família Flaviviridae e ao gênero Flavivirus. Sua transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti.
A infecção pelo vírus da dengue em humanos pode se manifestar de forma variada, indo desde quadros assintomáticos ou leves até formas graves e fatais. A forma mais severa da doença já foi chamada de dengue hemorrágica, mas o termo foi atualizado e, agora, ela é classificada como dengue grave ou dengue com sinais de alarme.
A patogênese dessa doença está associada à resposta imune do hospedeiro, sendo que infecções secundárias por sorotipos diferentes aumentam o risco de complicações graves devido ao fenômeno de amplificação dependente de anticorpos.
A Dengue é uma das arboviroses mais prevalentes no Brasil e em outras regiões tropicais e subtropicais, sendo considerada um problema de saúde pública de magnitude global. A combinação de fatores como alta densidade populacional, condições inadequadas de saneamento básico e clima favorável à proliferação dos vetores contribui para a ocorrência de surtos epidêmicos no país (SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, 2020).
2. Zika
O vírus Zika, pertencente à família Flaviviridae e ao gênero Flavivirus, ganhou destaque internacional a partir de 2015 devido à sua associação com malformações congênitas graves, especialmente a microcefalia, bem como a síndrome congênita do Zika, que pode incluir alterações neurológicas, anormalidades visuais, problemas auditivos e atraso no desenvolvimento.
Além disso, em indivíduos adultos, o vírus pode desencadear complicações neurológicas raras, como a síndrome de Guillain-Barré.
A transmissão do Zika ocorre predominantemente pela picada do mosquito Aedes aegypti, mas transmissão vertical, sexual e por transfusão sanguínea também são relatadas.
A arbovirose Zika apresenta um quadro clínico que varia de infecções assintomáticas até quadros sintomáticos, com febre baixa, exantema maculopapular pruriginoso, conjuntivite não purulenta, mialgia e artralgia (DONALISIO & ZUBEN, 2017).
3. Chikungunya
Causada pelo vírus Chikungunya, pertencente à família Togaviridae e ao gênero Alphavirus., essa arbovirose é caracterizada por febre de início súbito, frequentemente alta, acompanhada de artralgia intensa e debilitante, que pode persistir por semanas, meses ou até anos em casos crônicos.
A transmissão da febre Chikungunya ocorre através da picada do mosquito Aedes aegypti, sendo também documentada a transmissão vertical exclusivamente no intraparto de gestantes virêmicas.
4. Febre Amarela
A Febre Amarela é uma arbovirose causada por um vírus do gênero Flavivirus.
A doença apresenta dois ciclos epidemiológicos distintos: o ciclo silvestre, onde o vírus é mantido entre primatas não humanos e mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e o ciclo urbano, em que a transmissão ocorre entre humanos por meio do mosquito Aedes aegypti. No Brasil, o ciclo silvestre é o mais comum, com surtos relacionados à exposição em áreas de mata.
Clinicamente, a Febre Amarela pode variar de casos assintomáticos a quadros graves, caracterizados por febre alta de início súbito, icterícia, hemorragias, disfunção hepática e renal. Em formas graves, a taxa de letalidade pode superar 50% em indivíduos não vacinados (MINISTÉRIO DA SAÚDE, s.d.).
5. Oroupouche
Endêmica na região Amazônica, a febre do Oropouche é uma arbovirose causada pelo vírus Oropouche, pertencente à família Peribunyaviridae e ao gênero Orthobunyavirus. A transmissão ocorre principalmente pelo flebotomíneo Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim.
A doença apresenta-se como uma febre aguda, com sinais clínicos que frequentemente se assemelham aos da dengue, incluindo febre alta de início súbito, cefaleia intensa, mialgia, artralgia, fotofobia e, em alguns casos, manifestações gastrointestinais como náuseas e vômitos.
Embora raramente evolua para formas graves, a febre do Oropouche pode causar surtos epidêmicos com alta morbidade, impactando significativamente a saúde pública nas regiões afetadas.
Conhecendo o vetor Aedes aegypti
O Aedes aegypti é um dos principais vetores de arboviroses, altamente adaptado aos ambientes urbanos, com hábitos diurnos e comportamento antropofílico, o que facilita a disseminação dessas enfermidades em áreas densamente povoadas.
Seu ciclo reprodutivo é dependente de água parada para a postura de ovos. A resistência dos ovos a condições adversas e a alta frequência de alimentação tornam esse vetor um dos mais eficientes na transmissão das arboviroses.
Além disso, durante períodos de chuva, a população do Aedes aegypti pode aumentar significativamente, intensificando ainda mais o risco de transmissão de arboviroses a ele relacionadas (SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, 2020).

Essas doenças podem acometer gatos e cães?
Embora gatos e cães não sejam hospedeiros para os vírus que causam as arboviroses acima descritas, não desenvolvendo essas afecções, o Aedes aegypti pode transmitir outras enfermidades que afetam significativamente a saúde desses pets, como a dirofilariose.
A dirofilariose é uma zoonose causada pelo parasita Dirofilaria immitis, que afeta cronicamente as paredes dos vasos sanguíneos, especialmente das artérias pulmonares caudais. Isso destaca a necessidade de medidas preventivas contra mosquitos também para os pets, como veremos na sequência (SILVA, 2016).
A importância em proteger os gatos e cães contra ectoparasitas
A proteção contra ectoparasitas em cães e gatos é de extrema importância, tanto para a saúde dos animais quanto para a segurança das pessoas com quem convivem.
Ectoparasitas como pulgas, carrapatos e mosquitos atuam não apenas como parasitas diretos, causando desconforto e reações alérgicas, mas também como vetores de diversas doenças de relevância na clínica veterinária, inclusive zoonoses.
A proteção contínua e abrangente é, portanto, um aspecto essencial no manejo da saúde de cães e gatos, refletindo diretamente na saúde pública e na convivência segura entre humanos e animais.
O papel do médico veterinário no controle de arboviroses
Os médicos-veterinários desempenham um papel essencial no controle de arboviroses, sendo agentes fundamentais na conscientização e educação de tutores e da sociedade sobre a prevenção dessas doenças.
A integração de seus conhecimentos em saúde animal e saúde pública os posiciona como aliados estratégicos na diminuição e no controle dos impactos das arboviroses.
Suas principais contribuições incluem:
- orientar sobre medidas de higiene domiciliar, como eliminação de criadouros do Aedes aegypti;
- reforçar a utilização de produtos preventivos contra ectoparasitas em pets, principalmente os que também apresentam ação contra mosquitos;
- atuar em campanhas de educação para saúde, destacando a relação entre humanos, animais e o ambiente na transmissão de arboviroses;
- vigilância epidemiológica, trabalhando de forma integrada a outros profissionais da saúde.
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Referências:
CRMV-PB. Diferenças entre zoonoses e arboviroses. Acesso em: 16 jan. 2025.
DONALISIO, M.R.; ZUBEN, A.P.B.V. Arboviroses emergentes no Brasil: desafios para a clínica e implicações para a saúde pública. Rev. Saúde Pública, v.51, n.10, 2017. Acesso em: 16 jan. 2025.
FIGUEIREDO, R.; PAIVA, C.; MORATO, M. Arboviroses. Fundação Oswaldo Cruz, 2017. Acesso em: 16 jan. 2025.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. O que são arboviroses. Acesso em: 16 jan. 2025.
SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Monitoramento dos casos de arboviroses urbanas transmitidas pelo Aedes Aegypti (dengue, chikungunya e zika), Semanas Epidemiológicas 1 a 26, 2020. Boletim Epidemiológico Ministério da Saúde, v.51, n.28, 2020. Acesso em: 16 jan. 2025.
SILVA, C S.P. O médico-veterinário e a dengue: sua crescente e atual interface. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v.14, n.3, 2016. Acesso em: 16 jan. 2025.
SOUSA, S.S.S. et al. Características clínicas e epidemiológicas das arboviroses epidêmicas no Brasil: Dengue, Chikungunya e Zika. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v.23, n.7, 2023. Acesso em: 16 jan. 2025.
