Principais fontes de carboidratos para cães e gatos e a importância na alimentação

Principais fontes de carboidratos para cães e gatos e a importância na alimentação
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O carboidrato é um nutriente essencial para a manutenção de funções fundamentais do organismo. Entenda a importância desse elemento na alimentação de cães e gatos.  

A nutrição adequada é um pilar essencial para promover saúde, bem-estar e longevidade para os pets. Os carboidratos são macromoléculas classificadas como simples ou complexas, que abrangem açúcares, amidos e fibras, e cuja função mais importante é o fornecimento de energia para o organismo, garantindo uma fonte de glicose para as atividades celulares. 

Compreenda quais são as particularidades sobre o fornecimento e a digestão das fontes de carboidratos para cães e gatos e saiba como orientar os tutores sobre a necessidade de instituir uma nutrição balanceada e de boa qualidade para os seus companheiros, bem como alertar sobre o risco do consumo excessivo de carboidratos. 

O que são os carboidratos e quais as suas principais funções no organismo? 

Os carboidratos, constituintes energéticos predominantes nos vegetais, são macronutrientes compostos por açúcares, amidos e fibras que desempenham diversas funções essenciais no organismo dos seres humanos e dos animais.  

Também são denominados como hidratos de carbono, pois sua estrutura é formada por moléculas de carbono, hidrogênio e oxigênio. 

As fontes de carboidratos para cães e gatos têm como principais funções: 

  • fornecer energia; 
  • melhorar o aproveitamento de proteínas; 
  • auxiliar na saúde do trato gastrointestinal; 
  • ajudar na sensação de saciedade. 

Sendo assim, os carboidratos são uma fonte importante de glicose, que é a principal fonte de energia para as células. 

Tipos de carboidrato 

Os carboidratos são classificados como simples (monossacarídeos e dissacarídeos) e complexos (oligossacarídeos e polissacarídeos), com base na sua estrutura física. 

  • Monossacarídeos: são os carboidratos mais simples, constituídos por uma única molécula. Exemplos: glicose, frutose e galactose; 
  • Dissacarídeos: são formados pela ligação de duas moléculas de monossacarídeos. Exemplos: sacarose (glicose + frutose), lactose (glicose + galactose) e maltose (glicose + glicose); 
  • Oligossacarídeos: são cadeias curtas de vários monossacarídeos, geralmente de 3 a 9 unidades. Incluem: rafinose e estaquiose, presentes em alguns vegetais; 
  • Polissacarídeos: são cadeias longas de monossacarídeos (≥ 10). Os principais são: amido, glicogênio e celulose. 
Fontes de carboidratos para cães e gatos
Figura 1: Diagrama de classificação dos carboidratos e seus exemplos. Adaptado de: RANKOVIC et.al., 2019.

As fibras, embora consideradas polissacarídeos, são muitas vezes agrupadas como uma categoria distinta de carboidratos. Sua estrutura pode incluir componentes como celulose, hemicelulose, pectina e lignina, e é encontrada em alimentos como frutas, vegetais, grãos integrais e legumes. 

Cães e gatos são capazes de digerir bem os carboidratos consumidos? 

Cães e gatos são capazes de digerir e usar os carboidratos da dieta, como todos os mamíferos. Afinal, a energia é fornecida pelo uso das proteínas, gorduras e carboidratos.  

No entanto, é importante notar que as duas espécies têm requisitos nutricionais específicos, e as necessidades de carboidratos podem variar. Cães, por exemplo, são considerados onívoros facultativos, ou seja, podem aproveitar bem os nutrientes, inclusive carboidratos, obtidos tanto de fontes animais quanto vegetais. 

Gatos, por outro lado, são carnívoros estritos, o que faz com que apresentem maior atividade de enzimas responsáveis pelo metabolismo de proteínas, resultando na digestão reduzida dos carboidratos. Vamos entender melhor as particularidades dos gatos a seguir. 

Particularidades dos felinos na digestibilidade de carboidratos 

Os gatos apresentam uma menor capacidade de digerir carboidratos devido a algumas particularidades no processo digestivo e metabólico da espécie. Uma delas é o fato de não apresentarem amilase salivar e possuírem pouca amilase pancreática, enzimas responsáveis pela metabolização do amido, quebrando a amilose de duas em duas moléculas de glicose e tendo a maltose como produto final. 

Além disso, os felinos apresentam uma baixa atividade da enzima glucoquinase no fígado, utilizada para fosforilar a glicose dentro das células, impedindo que haja um pico dessa substância na corrente sanguínea no período pós-prandial (SPRINGER et.al., 2009). 

É necessário que o alimento para cães e gatos forneça carboidratos na composição? 

Apesar de fontes de carboidratos para cães e gatos não serem essenciais na dieta – exceto durante o período de gravidez e lactação -, a maioria das células do organismo, normalmente, usa glicose como sua principal fonte de energia, especialmente as hemácias e as cerebrais, que necessitam de um fornecimento contínuo de glicose.  

A glicose é tão crítica para a sobrevivência que inúmeros sistemas estão em vigor para garantir o seu fornecimento consistente a nível celular. 

Quando o carboidrato não é provido em quantidades suficientes na alimentação, a proteína da dieta é usada como fonte primária de glicose via gliconeogênese. No entanto, esse processo constitui uma fonte de energia menos eficiente do que os carboidratos, devido à necessidade de o corpo excretar os resíduos nitrogenados (RANKOVIC et.al., 2019).  

Por isso, as fontes de proteínas e carboidratos para cães e gatos devem ser de boa qualidade, adequadamente balanceadas, com o intuito de atender às necessidades nutricionais específicas de cada espécie e do indivíduo. Para isso, devem levar em conta fatores como: 

  • idade; 
  • porte; 
  • composição corporal; 
  • saúde; 
  • e atividade física. 

A fibra dietética também não é considerada um requisito essencial para cães. No entanto, a adição de fibras à dieta ajuda a manter um trato gastrointestinal saudável, promove movimentos intestinais regulares, regula o pH no cólon e contribui para o crescimento de bactérias benéficas no trato gastrointestinal (CAMPOS-VEGA et.al., 2016).  

A relação entre a ingestão de carboidratos e a obesidade em gatos e cães 

O principal contribuinte para a obesidade é um balanço energético positivo, ou seja, quando a energia consumida é maior do que a energia gasta (RANKOVIC et.al., 2019). As calorias são fornecidas não só pelas fontes de carboidratos para cães e gatos, mas, principalmente, pelas gorduras e, de forma menos representativa, pelas proteínas. 

Além disso, o maior consumo de fibras alimentares – como exemplo o uso do psyllium para os cães -, pode refletir na perda de peso, uma vez que esse ingrediente aumenta a viscosidade do conteúdo digestivo e ajuda na diminuição da absorção da glicose no intestino dos animais dessa espécie.  

OLIVEIRA et. al. (2008) mostraram que o carboidrato dietético tem ainda menos impacto sobre a glicose pós-prandial e resposta à insulina em gatos saudáveis do que em cães ou humanos. No entanto, o avanço da idade e a obesidade (devido a um estilo de vida pouco ativo e ingestão excessiva de calorias) são os maiores fatores para o aparecimento do Diabetes mellitus. 

Enquanto gatos saudáveis são capazes de utilizar os carboidratos oferecidos em uma alimentação de boa qualidade, gatos diabéticos não produzem insulina suficiente ou não conseguem utilizá-la normalmente. Logo, para esses casos, oferecer uma dieta com alto teor de proteína (para a manutenção da massa muscular) e baixo teor de amido, pode ser um meio eficaz de retardar a liberação de glicose na corrente sanguínea, auxiliando na redução da necessidade de insulina exógena e na melhora do controle glicêmico.

Diabetic Feline da Royal Canin®, pode ser um meio eficaz de manter os níveis sanguíneos de glicose dentro de uma faixa segura ao longo do dia, pois é um alimento que ajuda na diminuição da variação glicêmica pós-prandial.   

Assim como os felinos, os casos de Diabetes mellitus canina também se beneficiam de uma alimentação rica em proteínas e com baixo teor de amido, que possua uma formulação específica para ajudar na glucomodulação, mantendo o nível de glicemia em um intervalo seguro e evitando picos glicêmicos, como a Diabetic Canine da ROYAL CANIN®.  

Inclusive, tanto para cães quanto para gatos é indicado manter o tipo de alimento e o racionamento diário o mais consistente possível.  

Portanto, as fontes de carboidratos para gatos e cães como parte de uma dieta nutricionalmente completa e balanceada – de acordo com as necessidades energéticas de cada indivíduo – podem ser utilizadas sem efeitos adversos, uma vez que podem oferecer o suporte às exigências fisiológicas de glicose sem a necessidade de inclusão de alta quantidade de proteína para gliconeogênese.  

Afinal, é o excesso de calorias (seja de gorduras, proteínas ou carboidratos) em conjunto com o baixo gasto energético que contribuem para a obesidade e os problemas a ela relacionados.  

Quais as principais fontes de carboidratos para cães e gatos? 

As fontes de carboidratos para cães e gatos podem incluir açúcares simples, carboidratos de digestão rápida, carboidratos de digestão lenta e fibras. Os amidos constituem a principal fonte de energia dos alimentos comerciais, sendo adicionado através de ingredientes como:  

  • arroz; 
  • trigo; 
  • aveia; 
  • milho; 
  • batata; 
  • mandioca; 
  • cevada; 
  • sorgo; 
  • lentilha. 

É importante ressaltar que o processamento do amido, incluindo sua moagem e cozimento durante o processo de extrusão, é fundamental para aumentar sua digestibilidade para os carnívoros (MURRAY et. al., 2001). 

A importância de alertar os tutores sobre o risco de ingestão de carboidratos em excesso 

Alertar os tutores sobre os riscos associados à ingestão de carboidratos em excesso é essencial para promover saúde e bem-estar aos animais de estimação, uma vez que o desequilíbrio nutricional pode levar ao desenvolvimento de problemas como obesidade, diabetes, distúrbios metabólicos e gastrointestinais, entre outros. 

Assim, é importante promover uma alimentação equilibrada, considerando, inclusive, a quantidade administrada e a oferta de petiscos comerciais e frutas (já que essas, geralmente, são produzidas para consumo humano e podem conter excesso de frutose, com índices de glicose bem maiores quando comparadas às frutas silvestres).  

Vale também ressaltar a conscientização sobre a realização de consultas regulares com o médico-veterinário, nas quais o profissional pode monitorar a saúde do pet, estabelecer protocolos preventivos e detectar precocemente uma afecção.   

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