Hidronefrose em gatos: saiba diagnosticar, tratar e prevenir
Links rápidos:
- O que é hidronefrose?
- Principais causas de hidronefrose nos gatos
- Principais sinais clínicos da hidronefrose felina
- A importância do diagnóstico rápido e assertivo da hidronefrose em felinos
- Como diagnosticar a hidronefrose?
- Tratamento para a hidronefrose: como conduzir o caso?
- A importância da nutrição para a saúde dos rins
Hidronefrose é uma afecção severa que induz a atrofia progressiva do parênquima renal. Entenda quais são os impactos da enfermidade e saiba como agir de forma rápida para conduzir o paciente felino.
A hidronefrose em gatos é uma patologia de alta relevância na Medicina Felina e que demanda cuidados e atenção do médico-veterinário. Caracterizada pela dilatação da pelve e dos cálices renais devido à obstrução no fluxo de urina (causada por diversos fatores, incluindo urolitíases, neoplasias, traumas e infecções crônicas), a afecção pode evoluir para complicações graves como a perda funcional dos rins e o comprometimento de outros sistemas orgânicos.
Por isso, a detecção rápida e a instituição do manejo adequado são essenciais para evitar a progressão da doença e preservar a função renal.
Abaixo, compreenda todos os detalhes a respeito da hidronefrose e saiba como diagnosticar essa doença de forma rápida.
O que é hidronefrose?
A hidronefrose é uma condição patológica caracterizada pela dilatação da pelve e dos cálices renais que, geralmente, ocorre como resultado de uma obstrução parcial ou completa no fluxo de urina.
Essa obstrução leva ao acúmulo de urina no rim, aumentando a pressão intrarrenal e induzindo atrofia progressiva do parênquima renal.
A condição pode ser unilateral ou bilateral, dependendo se um ou ambos os rins estão afetados. Além disso, pode ocorrer em diferentes graus de severidade, variando de uma leve dilatação a uma expansão significativa, com degeneração do parênquima e consequente comprometimento da função renal.
Compreendendo o acometimento nos felinos
A hidronefrose em gatos é uma doença relativamente comum, mas o seu diagnóstico pode ser desafiador para o médico-veterinário. Isso porque, em muitos casos, a doença está associada a sinais clínicos sutis ou silenciosos, que dificilmente são identificados pelos tutores.
Por isso, a identificação da hidronefrose felina geralmente ocorre durante exames de imagem para investigar outras condições ou sinais clínicos inespecíficos, como perda de peso e apatia.
O diagnóstico tardio pode, então, revelar um significativo acometimento da estrutura do parênquima renal e déficit na função dos rins, o que também pode ocasionar a disfunção de outros órgãos e comprometer o prognóstico do animal acometido.
Sendo assim, a hidronefrose em gatos é uma situação que requer atenção imediata para evitar complicações graves e irreversíveis.
Principais causas de hidronefrose nos gatos
Diversas condições podem levar ao desenvolvimento de hidronefrose em gatos, incluindo obstruções físicas e alterações funcionais do trato urinário. Entre elas, as mais comuns são:
- urolitíase: a presença de cálculos renais ou ureterais pode obstruir o fluxo urinário, totalmente ou parcialmente, resultando em hidronefrose. Os cálculos podem se formar devido a uma série de fatores, incluindo dieta inadequada e predisposição genética;
- neoplasias: tumores que obstruem o ureter ou a pelve renal podem impedir o fluxo urinário normal, levando ao acúmulo de urina e dilatação do rim;
- traumas: lesões que afetam o trato urinário podem causar obstruções físicas que resultam em hidronefrose;
- infecções crônicas: cistites recorrentes também podem levar à formação de tecido cicatricial, e isso pode gerar obstrução do fluxo de urina;
- estreitamentos congênitos do ureter: malformações congênitas podem predispor a quadros de obstrução urinária, como em casos de ureter retrocava (que é originado por uma falha na formação embriológica da veia cava caudal), resultando no aprisionamento do ureter;
- obstrução ureteral por ligadura acidental: a obstrução ureteral iatrogênica é uma causa significativa de hidronefrose. Pode ocorrer durante procedimentos cirúrgicos abdominais, onde a ligadura inadvertida do ureter resulta em obstrução urinária e subsequente hidronefrose.
Cães também podem desenvolver hidronefrose? Entenda as diferenças
A hidronefrose em cães acomete a estrutura renal da mesma forma que na espécie felina, manifestando quadros semelhantes que podem ter as mesmas causas relacionadas para os gatos.
Porém, os sinais clínicos apresentados pelos caninos geralmente são mais evidentes devido à maior propensão dos cães a exibir desconforto, modificando rapidamente o comportamento do animal.
Principais sinais clínicos da hidronefrose felina
Como citado anteriormente, os sinais clínicos da hidronefrose em gatos podem ser silenciosos, pois esses animais, muitas vezes, não manifestam tão nitidamente algumas alterações como dor, ou ainda, o tutor pode não perceber alterações urinárias devido ao hábito da espécie em utilizar caixas sanitárias.
Por isso a importância de o médico-veterinário saber identificar as alterações comportamentais sutis que os felinos podem demonstrar durante a consulta e o exame físico, especialmente aquelas que podem ajudar a constatar a presença de dor. Além disso, exames complementares são essenciais para o diagnóstico precoce e assertivo.
Os sinais clínicos mais evidenciados em casos de hidronefrose em gatos incluem:
- letargia;
- anorexia (intermitente ou contínua);
- inquietação;
- perda de peso;
- poliúria;
- polidipsia;
- sensibilidade abdominal;
- hematúria;
- taquipneia.
A importância do diagnóstico rápido e assertivo da hidronefrose em felinos
A hidronefrose felina representa uma condição de evolução potencialmente silenciosa, mas com risco elevado de perda funcional renal irreversível (SEMEVOLOS & BAHR, 2021; OLIVEIRA, 2021). Portanto, o diagnóstico precoce e assertivo da condição, respaldado por exames de imagem e laboratoriais, é essencial para a definição do prognóstico e para a implementação de terapias eficazes e seguras.
É de suma importância ter a ciência de que medicar o paciente felino sintomático — por exemplo, com analgésicos ou antibióticos — sem a devida investigação diagnóstica pode retardar condutas emergenciais, levando a complicações severas e, até mesmo, à morte do paciente.
Como diagnosticar a hidronefrose?
O diagnóstico da hidronefrose em gatos é baseado na combinação de história clínica, exame físico criterioso e a realização ágil de exames complementares, incluindo testes hematológicos (hemograma, função renal), urinálise e exames de imagem como ultrassonografia, radiografias, e/ou tomografia computadorizada.
Entre esses, a ultrassonografia destaca-se como o exame de primeira escolha, principalmente em casos com suspeita clínica aguda ou quando há limitação de tempo ou recursos no momento da consulta.
A ultrassonografia abdominal é uma das principais ferramentas para a avaliação da hidronefrose em gatos, permitindo a visualização direta da dilatação do sistema coletor renal, a identificação de obstruções ureterais e outras alterações estruturais, sendo fundamental para diferenciar a hidronefrose de outras nefropatias ou massas retroperitoneais (JONES & HULSE, 2018; KIM et al., 2021).
Além disso, possibilita a detecção de causas subjacentes, como urolitíase, estenoses, compressões extrínsecas e anomalias congênitas, o que a torna uma ferramenta indispensável tanto para diagnóstico como para o planejamento terapêutico imediato.
Exames radiográficos, simples e/ou contrastados, e a tomografia computadorizada podem ser indicados especialmente quando há necessidade de localizar litíases radiopacas ou de detalhar malformações anatômicas complexas (ALBERNAZ et al., 2019; IOANNIDI et al., 2019).
Principais alterações ultrassonográficas encontradas em um paciente felino com hidronefrose
Dentre as principais alterações ultrassonográficas observadas em casos de hidronefrose em gatos, destaca-se a dilatação da pelve renal. A pelve dilatada pode apresentar-se com espessura variável, sendo medida em milímetros, e sua extensão está diretamente relacionada à gravidade da obstrução urinária (ABDEL-SAEED et al., 2021).
Outro achado importante é a perda da relação córtico-medular, normalmente definida pela diferenciação clara entre o córtex renal hipoecogênico e a medula discretamente mais ecogênica. Em casos de hidronefrose avançada, essa relação pode ser distorcida ou completamente ausente, indicando destruição ou atrofia progressiva do parênquima renal.
Também é comum observar redução da espessura cortical, especialmente nos estágios mais crônicos, e alteração na ecogenicidade do parênquima renal.
Além disso, a ultrassonografia pode evidenciar acúmulo de conteúdo anecoico ou hipoecoico no interior da pelve renal, compatível com urina represada, e, em alguns casos, hidroureter, quando a dilatação do ureter também é visível, indicando obstruções mais distais.
É importante salientar que a presença de rins com dimensões normais não exclui o diagnóstico de hidronefrose felina, uma vez que a dilatação pode ocorrer de forma compensatória, sem causar aumento de volume renal significativo nos estágios iniciais ou em quadros de obstruções parciais. Dessa forma, a avaliação criteriosa da arquitetura interna renal e da pelve é mais relevante do que a simples mensuração do tamanho renal (ABDEL-SAEED et al., 2021; JONES & HULSE, 2018).

Além da hidronefrose: outras afecções relacionadas para diagnóstico diferencial
Para um diagnóstico preciso de hidronefrose em gatos, é fundamental considerar outras enfermidades que podem estar relacionadas aos mesmo achados clínicos. Assim, a lista de diagnóstico diferencial deve incluir (TILLEY, SMITH, 2014):
- causas de renomegalia: amiloidose, neoplasia, granuloma, cistos e pseudocistos perinéfricos;
- causas de dor abdominal: pancreatite, peritonite;
- pielonefrite sem obstrução.
Tratamento para a hidronefrose: como conduzir o caso?
O tratamento da hidronefrose felina deve ser conduzido de forma rápida, individualizada e multidisciplinar, considerando-se a causa subjacente, o grau de comprometimento funcional do rim acometido e a condição clínica geral do paciente.
Sendo assim, o manejo terapêutico do animal acometido deve seguir alguns pilares, como:
- Estabilização e suporte clínico inicial: reidratação intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos e acidobásicos, controle da dor abdominal, suporte antiemético, quando necessário. Antibioticoterapia é recomendada caso haja confirmação de infecção.
- Restabelecimento do aporte nutricional.
- Desobstrução do trato urinário: colocação de stent ureteral (geralmente temporário), by-pass ou desvio ureteral subcutâneo, intervenção cirúrgica (ARONSON, 2022).
Quando há perda total da função renal unilateral, especialmente na presença de alterações irreversíveis como necrose, abscessos ou neoplasias, a nefrectomia (remoção cirúrgica do rim) pode ser recomendada. É imprescindível, entretanto, assegurar que o rim contralateral esteja funcionalmente preservado antes da nefrectomia.
Grande parte dos gatos que apresentam hidronefrose desenvolvem doença renal crônica, seja por acometimento bilateral, seja por sobrecarga funcional do rim contralateral. Portanto, o acompanhamento com médico-veterinário nefrologista é indispensável.
A importância da nutrição para a saúde dos rins
A nutrição exerce papel fundamental na manutenção da saúde renal de gatos. Uma alimentação balanceada, formulada com base nas exigências fisiológicas dos felinos, contribui diretamente para a homeostase orgânica, além de promover longevidade e qualidade de vida.
O manejo nutricional e hídrico adequados em gatos saudáveis, incluindo o uso de sachês, pode prevenir o aparecimento de doenças do trato urinário e reduzir a incidência de condições predisponentes à hidronefrose, como a formação de urólitos.
Por outro lado, a dieta adequada também pode auxiliar no manejo da hidronefrose em gatos que seja decorrente de obstrução por cristais/urólitos. Nesse caso, o alimento Royal Canin® Urinary S/O Feline pode ser indicado para auxiliar na dissolução de cálculos urinários de estruvita e oferecer um manejo nutricional para urólitos de estruvita e oxalato de cálcio recorrentes usando uma única dieta.

Em casos de confirmação do diagnóstico de doença renal crônica, e de acordo com as recomendações do estadiamento IRIS, há indicação de recomendação de uma dieta renal, assim como a Royal Canin® Renal Feline e a Renal Special Feline, formuladas com baixo teor de fósforo e teor moderado de proteína de alta qualidade para apoiar a função renal, ajudando na qualidade de vida desse paciente.

Para mais detalhes, veja o infográfico abaixo que detalha o que é a DRC e todo o manejo nutricional para gatos e cães acometidos por essa afecção:

Adicionalmente, durante períodos de internação de um animal com hidronefrose, especialmente em pacientes com anorexia ou comprometimento do estado geral, pode ser necessária a introdução de uma dieta altamente energética e digestível, que permita a administração por sonda, como o Royal Canin® Recovery, para auxiliar na recuperação clínica.

É importante ressaltar que a recomendação de uma dieta específica não substitui o tratamento clínico, sendo o manejo alimentar considerado um coadjuvante no processo de reestabelecimento do animal.
Vale lembrar ainda que a Royal Canin® oferece uma linha de alimentos específicos para diferentes necessidades nutricionais. São alimentos completos e balanceados para atender as demandas nutricionais de gatos e cães em diferentes fases e estilos de vida.*
Conheça melhor o nosso portfólio e as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Utilize também a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional que tem como objetivo facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente.
* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.
Referências:
ABDEL-SAEED, H.; TAHON, R.R.; ALI, M.E. Diagnostic and anatomical studies on unilateral hydronephrosis in domestic cats. Advances in Animal and Veterinary Sciences, v.9, i.10, 2021. Acesso em: 23 abril 2025.
ALBERNAZ, V.G.P. et al. Type II retrocaval ureter causing hydronephrosis in a cat: case report. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.71, n.3, 2019. Acesso em: 23 abril 2025.
ARONSON, L.R. Urolitíase do trato urinário superior. Vetfocus, v.30.1, 2022. Acesso em: 23 abril 2025.
ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E.C. Textbook of Veterinary Internal Medicine: Diseases of the Dog and Cat. St. Louis: Elsevier, 8 ed., 2017.
IOANNIDI, O.M. et al. Congenital unilateral ureteral stenosis with hydronephrosis in a kitten. Topics in Companion Animal Medicine, v.36, 2019. Acesso em: 23 abril 2025.
JONES, B.R.; HULSE, D.A. Ultrassonografia em Pequenos Animais: Aplicações e Interpretações. VetRadiology, v.25, n.4, 2018.
KIM, J. et al. Recurrent hydronephrosis and spontaneous renal rupture caused by lymphoplasmacytic inflammation in a cat. Vet Med (Praha), v.66, n.2, 2021. Acesso em: 23 abril 2025.
LEE, K. et al. Retroperitoneal granuloma in a cat caused by Nocardia brasiliensis resulting in bilateral ureteral entrapment and unilateral hydronephrosis. Australian Veterinary Joournal, v.103, n.1-2, 2024. Acesso em: 23 abril 2025.
LIMA, J.C.S.J. et al. Hidronefrose unilateral por urólito em pelve renal de felino –relato de caso. Ver. Ciências Exatas e da Terra e Ciências Agrárias, v.14, n.1, 2019. Acesso em: 23 abril 2025.
MERINDOL, I. et al. Benign ureteral obstruction in cats: Outcome with medical management. Journal of Veterinary Internal Medicine, v.37, n.3, 2023. Acesso em: 23 abril 2025.
OLIVEIRA, V.B. Aspectos da hidronefrose em pequenos animais. Revista Multidisciplinar em Saúde, v.2, n.3, 2021. Acesso em: 23 abril 2025.
SAYILKAN, B.U.; MERAL, Y.; DALGIN, D. A rare anomaly: advanced congenital hydronephrosis in a cat. Turkish Journal of Veterinary Internal Medicine, v.2, i.1, 2023. Acesso em: 23 abril 2025.
SEMEVOLOS, S.A.; BAHR, A. Hidronefrose: Diagnóstico e Tratamento em Pequenos Animais. Veterinary Medicine, v.16, n.2, 2021.
TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies canina e felina. São Paulo: Manole, 5 ed., 2014.
