Problemas urinários são comuns em gatos: saiba mais

Problemas urinários são comuns em gatos: saiba mais

Conheça as principais causas das doenças do trato urinário inferior em felinos e como tratá-las

As doenças do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF) são causas frequentes de visitas ao médico-veterinário, e se referem a um grupo heterogêneo de desordens urinárias caracterizadas por manifestações clínicas como hematúria, disúria, estrangúria, polaquiúria, periúria e obstrução parcial ou total das vias urinárias. Em adultos, as urolitíases e a cistite idiopática felina são os tipos de DTUIF mais frequentes e acometem grande parte da população felina.

Urolitíases

As urolitíases são caracterizadas pela presença de concreções macroscópicas chamadas urólitos ou cálculos urinários na bexiga ou na uretra de gatos, de composição predominantemente mineral. Mais de 90% dos urólitos em gatos são dos tipos:

  • Oxalato de cálcio: formado pela agregação de cristais de oxalato e de cálcio e que não são passíveis de dissolução, sendo muitas vezes necessária a intervenção cirúrgica para sua remoção;
  • Estruvita: também chamado de fosfato de amônio magnesiano, se formam em pH alcalino e podem ser dissolvidos com modificações dietéticas específicas.

De modo geral, alguns fatores são amplamente conhecidos como favoráveis ao desenvolvimento de urólitos:

  • Urina supersaturada com compostos calculogênicos;
  • Estase urinária causada pelo menor número de micções espontâneas;
  • Baixa ingestão hídrica característica da espécie felina.

Cistite idiopática felina

Acredita-se que a cistite idiopática (ou intersticial) felina seja uma desordem psiconeuroendócrina inflamatória não-infecciosa. Geralmente de causa multifatorial, pode ocorrer por estresse agudo ou crônico, mudanças na alimentação, falta de enriquecimento ambiental, baixa ingestão de água e até mesmo a introdução de um novo pet na casa.

O estresse é uma resposta do corpo a algum agente nocivo ou estressante. Esse agente pode ser físico, químico, ou de caráter psicológico. Acredita-se que em gatos com cistite, o estresse leva à liberação excessiva de catecolaminas pela ativação direta do sistema nervoso central, e pelo aumento do cortisol através da estimulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal.  O termo “Síndrome de Pandora” tem sido utilizado para definir gatos com sinais de doença do trato urinário inferior.

Manejo dietético

O manejo dietético coadjuvante associado à terapia farmacológica e ao enriquecimento ambiental tem como objetivo proporcionar bem-estar ao gato e diminuir fatores de risco para o desenvolvimento das doenças urinárias, sendo ponto-chave para o tratamento e prevenção das DTUIF.

Algumas estratégias nutricionais devem ser adotadas nestes casos, como:

  • ESTÍMULO À INGESTÃO HÍDRICA

A baixa ingestão de água pelos felinos resulta em menor diluição urinária e favorece a precipitação e agregação de cristais na urina, aumentando as chances da formação de cálculos e do desenvolvimento da cistite.

A ingestão de água é uma das estratégias mais importantes e deve ser estimulada. O uso de alimento úmido, que contém entre 60 e 87% de água em sua composição, é uma das medidas mais eficazes para auxiliar a ingestão hídrica. Outra estratégia importante é posicionar diversas tigelas de água fresca e limpa pela casa, ou ainda fazer uso de fontes de água específicas para os felinos.

  • DIETA COADJUVANTE

O uso de dieta coadjuvante ao tratamento de problemas urinários já é bastante consagrado na medicina veterinária. O perfil nutricional específico desenvolvido especialmente para esta condição contribui para a eficácia do tratamento e a prevenção de recidivas das DTUIF.

Pensando nisso, oferecemos em nosso portfólio da linha veterinária os alimentos URINARY®, formulados especificamente para tratamento e prevenção de recidivas de problemas urinários comuns em gatos. Sua formulação estimula a ingestão hídrica e adota a metodologia de supersaturação relativa da urina (RSS) para criar um ambiente urinário desfavorável ao desenvolvimento das DTUIF.

O que é o método RSS e como ele auxilia na abordagem terapêutica das doenças urinárias?

A metodologia de Supersaturação Relativa da Urina (RSS) surgiu na medicina humana como um eficaz método para avaliação da probabilidade de formação de cálculos urinários, e, posteriormente, foi adaptado para a medicina veterinária. Este método considera três fatores de risco para a formação de urólitos:

  • pH urinário
  • Volume urinário
  • Concentração de solutos

A combinação dos fatores acima para a avaliação do ambiente urinário apresenta maior eficácia se comparado a qualquer um dos fatores analisados isoladamente. Sabe-se que o pH é um indicador importante, porém sua análise isolada não determina a formação do cálculo. Ainda que haja pH compatível com a formação de um tipo de urólito, é necessário que haja precipitação destes cristais, o que acontece quando há baixo volume urinário com presença excessiva de compostos calculogênicos.

A análise do RSS gera um índice que pode estar compreendido em uma das seguintes zonas:

  • Supersaturação Instável: apresenta RSS acima do produto de solubilidade, com alta probabilidade de formação de cálculos;
  • Supersaturação Metaestável: RSS acima do produto de solubilidade, porém sem precipitação espontânea de cristais. Ausência de dissolução de urólitos pré-existentes;
  • Subsaturação: RSS abaixo do produto de solubilidade. Ausência de formação de novos cristais e possível dissolução de urólitos pré-existentes.

Os alimentos URINARY® são formulados para promover subsaturação urinária, e com isso, promover a dissolução de urólitos de estruvita e evitar recidivas de formação de novos cálculos.

A ROYAL CANIN® oferece a linha URINARY FELINE nas versões seca e úmida, para auxiliar o médico-veterinário no tratamento coadjuvante das DTUIF em seus pacientes. Os alimentos Urinary Feline e Urinary High Dilution agora são uma fórmula única, com alta performance e a mesma eficácia. Promovemos melhoria contínua de nossas fórmulas para facilitar a alimentação do paciente com distúrbios urinários.

 

Referências bibliográficas

ELLIOTT, D.; HOUSTON, D. Nutritional management of feline lower urinary tract disorders. Encyclopedia of feline clinical nutrition. Royal Canin, 2006.

JUSTEN, H.; SANTOS, C. Cistite idiopática felina: aspectos clínicos, fisiopatológicos e terapêuticos. Disponível em: <https://www.vetsmart.com.br/cg/estudo/13629/cistite-idiopatica-felina-aspectos-clinicos-fisiopatologicos-e-terapeuticos>. Acesso em 08 Ago 20.