Doenças parasitárias em filhotes caninos e felinos

Doenças parasitárias em filhotes caninos e felinos

Filhotes de gatos e cães são vulneráveis ao meio externo e ainda não apresentam capacidade imunológica adequada para combater possíveis agentes agressores. Por este motivo, tornam-se mais susceptíveis às doenças parasitárias. Saiba mais!

O filhote recém-nascido adquire imunidade passiva nas primeiras 24 horas de vida por meio da ingestão do colostro materno. A proteção inicial materna tem uma curta duração, e após este período, cabe ao filhote desenvolver imunidade com o objetivo de conferir proteção contra possíveis agentes agressores.

Chamamos de “janela imunológica” o período no qual simultaneamente a imunidade conferida pelos anticorpos maternos começa a declinar e o filhote ainda está desenvolvendo e amadurecendo sua própria competência imunológica. É neste período em que o filhote fica mais propenso a doenças como as parasitoses. Por isso, precisamos protegê-lo ao máximo de contato com possíveis patógenos e garantir a nutrição ideal para o fortalecimento de suas defesas naturais.

Neste artigo abordaremos quais são os principais grupos de parasitas de gatos e cães e entenderemos como a nutrição adequada pode auxiliar no tratamento e na recuperação de animais infectados.

Parasitoses mais comuns em filhotes de gatos e cães

As doenças parasitárias podem ser divididas em dois grandes grupos:

  • Endoparasitoses: são aquelas em que os parasitas se localizam dentro do organismo do animal, geralmente no trato gastrointestinal, mas que também podem migrar para outros órgãos como coração, estômago, rins e pulmões;
  • Ectoparasitoses: são aquelas nas quais os parasitas, como por exemplo os carrapatos e as pulgas, situam-se na parte externa do corpo. A dermatite alérgica à picada de ectoparasitas é uma enfermidade bastante frequente na clínica de pequenos animais.

Endoparasitoses

As parasitoses intestinais são as mais comumente encontradas em filhotes de gatos e cães e trazem sérios riscos à saúde do animal. A maior prevalência de carga parasitária massiva em filhotes é encontrada no período de cinco a oito semanas de vida.

As manifestações clínicas geralmente incluem:

  • Perda de apetite
  • Perda de peso (causada pela menor digestão e absorção de nutrientes)
  • Fraqueza muscular
  • Pelagem eriçada e sem brilho
  • Aumento de volume abdominal
  • Dor
  • Vômitos
  • Fezes amolecidas (algumas vezes com sangue)

Animais com alta infestação de parasitas podem chegar a óbito devido às consequências e evolução dos sinais clínicos.

Dentro deste grupo encontramos alguns parasitas de maior frequência, são eles:

1. Helmintos

Os helmintos constituem um grupo importante de endoparasitas. Observa-se com mais frequência os nematoides (ascarídeos, ancilóstomos, vermes pulmonares) e os cestóides (vermes achatados, tênias). Existe uma variação geográfica considerável em termos de distribuição das diferentes espécies de helmintos.

1.1. Nematóides

Os nematóides, também conhecidos como vermes redondos, têm formato cilíndrico e apresentam pele firme, elástica e sem divisões. Os maiores representantes deste grupo são:

  • Toxocara spp
  • Ancylostoma spp

O Toxocara spp vive no intestino do cão e do gato e é adquirido através da ingestão de ovos do parasita eliminados nas fezes de animais infectados. Gatos podem contrair o parasita pela ingestão de outros hospedeiros, como o rato. Dependendo da carga parasitária, animais jovens podem apresentar diarreia com sangue. A transmissão destes agentes também se dá através da placenta e durante a amamentação, na qual a larva do parasita é transmitida da mãe para o filhote.

A infecção por Ancylostoma spp também pode ocorrer por via oral, através da ingestão de larvas do parasita, ou também por contato das mesmas através da pele.

1.2. Cestóides

Os cestóides também são conhecidos como vermes planos ou achatados. Sua aparência é semelhante a uma fita, e eles podem atingir até 60 cm de comprimento. O representante mais comum deste grupo é a tênia Dipylidium caninum, cuja infecção se dá através da ingestão de pulgas contaminadas com o parasita. A contaminação por contato direto entre os animais não é possível.

2. Protozoários

Os protozoários são parasitas microscópicos unicelulares. Os mais frequentes na clínica de pequenos animais são:

  • Isospora
  • Giardia
  • Cryptosporidium
  • Toxoplasma gondii
  • Tritrichomonas foetus

Devemos destacar a Giardíase, doença intestinal muito comum em gatos e cães filhotes. Trata-se de uma parasitose causada pelo protozoário Giardia spp que pode ser transmitida para o ser humano, ou seja, apresenta potencial zoonótico.

A contaminação ocorre através da ingestão de cistos eliminados por animais infectados e que contaminam água, alimentos e fômites. Sua disseminação é rápida e de difícil controle. Os sinais clínicos são bastante variáveis, sendo a diarreia intermitente ou persistente com odor rançoso e a presença de muco alguns dos sinais bastante frequentes.

Tritrichomonas foetus é causa importante de diarreia em gatos, com vestígios ocasionais de sangue e muco. Tanto o diagnóstico como o tratamento da tricomoníase são bastante difíceis, e os animais podem apresentar diarreia intermitente que persiste por um longo período.

Um estudo realizado na França com 239 cães filhotes de 25 canis diferentes constatou que a prevalência de Tritrichomonas foetus foi de 17% nesta população (Imagem 1).

presença de Tritrichomonas foetus em filhotes
Imagem 1: Levantamento da presença de Tritrichomonas foetus em filhotes de canis de reprodução na França. Fonte: GRELLET, A. et al. 2010.

Ectoparasitoses

São infestações causadas por parasitas que se localizam na região externa do corpo do animal e que podem causar alergia e dermatites, além da transmissão de doenças.

Pulgas e carrapatos são os principais representantes deste grupo. Estes artrópodes são hematófagos, ou seja, se alimentam do sangue do cão ou do gato. Infestações massivas podem levar a quadros graves de anemia em filhotes, além de alterações dermatológicas.

Atualmente, existe no mercado brasileiro ampla variedade de soluções farmacêuticas formuladas para combater as ectoparasitoses em pequenos animais, e o controle periódico deve ser recomendado para adequada profilaxia e manutenção da saúde nestes animais.

Como a nutrição pode ajudar em casos de doenças parasitárias em filhotes?

O objetivo específico da alimentação do filhote é de atender as altas demandas energéticas e nutricionais inerentes a esse estágio de vida, promovendo crescimento saudável e minimizando a probabilidade do desenvolvimento de doenças quando adultos. O crescimento adequado do filhote depende de uma combinação de fatores genéticos, nutricionais e ambientais, sendo a nutrição fator crítico nesse contexto.

Filhotes que apresentam distúrbios gastrointestinais causados por parasitoses podem se beneficiar do consumo de um alimento coadjuvante formulado com nutrientes específicos para promover saúde intestinal, ao mesmo tempo em que atende as altas demandas do período de crescimento.

Sabe-se que formulações que contenham proteínas de alta digestibilidade favorecem a absorção de aminoácidos e diminuem a fermentação no cólon, promovendo uma melhor nutrição e reduzindo a ocorrência de diarreias.

O alimento ROYAL CANIN® Gastrointestinal Puppy apresenta fórmula exclusiva para tratamento coadjuvante dos distúrbios gastrointestinais em filhotes caninos. Sua fórmula é composta com uma combinação de nutrientes como FOS, MOS, Psyllium, EPA e DHA. Suas propriedades funcionais favorecem a redução da inflamação, estimulam a microbiota, auxiliam na formação de fezes de bom aspecto e contribuem para um adequado trânsito intestinal em filhotes acometidos por endoparasitoses.

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