Síndrome paraneoplásica em cães e gatos: o que é e como conduzir o caso
Links rápidos:
- O que é a síndrome paraneoplásica em gatos e cães?
- Principais neoplasias primárias que podem afetar cães e gatos
- Como identificar a síndrome paraneoplásica em gatos e cães?
- Principais consequências e prognóstico da síndrome paraneoplásica nos animais
- A importância do suporte adequado ao paciente oncológico
- Perguntas e respostas comuns sobre a síndrome paraneoplásica em gatos e cães
- A Royal Canin® atua há mais de 5 décadas promovendo saúde e bem-estar aos pets
Síndrome paraneoplásica em cães e gatos consiste em um conjunto de alterações sistêmicas que podem impactar na qualidade de vida de pacientes oncológicos. Saiba como conduzir o caso.
A oncologia veterinária tem avançado significativamente nas últimas décadas, permitindo diagnósticos mais precisos e a execução de terapias mais eficazes. Entretanto, mesmo com o manejo da neoplasia primária, muitas vezes os pacientes oncológicos apresentam manifestações clínicas sistêmicas não diretamente relacionadas à massa tumoral em si, mas, sim, ao seu impacto metabólico e imunológico.
Essas alterações compõem a chamada síndrome paraneoplásica, um conjunto de distúrbios que pode agravar o prognóstico e dificultar o manejo clínico desses animais. Por isso, é fundamental que o médico-veterinário saiba como identificar e como abordar um quadro de síndrome paraneoplásica em cães e gatos.
O que é a síndrome paraneoplásica em gatos e cães?
A síndrome paraneoplásica em gatos e cães é definida como um conjunto de sinais clínicos e laboratoriais associados a uma neoplasia, mas não diretamente causados pela invasão ou compressão tumoral.
Tais alterações decorrem da produção de substâncias bioativas pelos tumores, como hormônios, citoquinas, fatores de crescimento, ou ainda por reações imunomediadas desencadeadas pelo própria neoplasma, que podem causar alterações hematológicas e danos a tecidos e/ou sistemas distantes da massa tumoral (BROWN, 2020).
Entendendo os mecanismos fisiopatológicos da síndrome paraneoplásica
A fisiopatologia da síndrome paraneoplásica varia de acordo com o tipo de tumor e o tecido de origem.
Alguns autores afirmam que pode ocorrer a produção de uma substância com atividade biológica devido ao aumento da expressão de algum gene. Já outros acreditam que existe a chance da produção ectópica de um receptor pelo tumor ou, ainda, uma ativação do sistema imune por substâncias normais do corpo com formação de imunocomplexos (PARRA et al., 2024).
Sendo assim, os mecanismos fisiopatológicos da síndrome paraneoplásica em cães e gatos podem envolver:
- produção ectópica de hormônios ou peptídeos biologicamente ativos (como PTH-rP, responsável por hipercalcemia maligna);
- resposta inflamatória sistêmica exacerbada, com liberação de mediadores que afetam órgãos distantes;
- reações imunomediadas, como as observadas em algumas formas de anemia hemolítica associada a neoplasias hematopoiéticas;
- consumo ou interferência em processos hematopoiéticos, levando a leucocitose, trombocitopenia ou pancitopenia (PARRA et al., 2024).
Principais neoplasias primárias que podem afetar cães e gatos
As principais neoplasias primárias que podem afetar cães e levar ao desenvolvimento de síndrome paraneoplásica são:
- adenocarcinoma anal;
- carcinoma pulmonar;
- tumor de saco anal com secreção de pth-rp;
- hemangiossarcoma;
- mastocitoma;
- leucemias.
Já em gatos, as neoplasias mais importantes que podem estar relacionadas a síndromes paraneoplásicas incluem:
- linfoma;
- carcinoma mamário;
- fibrossarcoma;
- carcinoma de células escamosas;
- tumores endócrinos (como insulinoma);
- carcinoma pulmonar.
Como identificar a síndrome paraneoplásica em gatos e cães?
A síndrome paraneoplásica em gatos e cães pode se manifestar com sinais clínicos inespecíficos, que, em alguns casos, podem preceder o diagnóstico da neoplasia primária. Entre eles, os mais comuns são:
- letargia;
- vômitos;
- poliúria;
- polidipsia;
- hiporexia/anorexia;
- anemia não regenerativa ou hemolítica imune;
- caquexia;
- hipoglicemia;
- leucocitose persistente sem infecção aparente;
- trombocitopenia;
- dermatopatias paraneoplásicas, como dermatose necrótica superficial (BROWN, 2020; PARRA et al., 2024).
A identificação precoce da síndrome paraneoplásica em cães e gatos exige correlação entre manifestações clínicas, achados laboratoriais e exames de imagem para a confirmação do tumor subjacente.
Principais consequências e prognóstico da síndrome paraneoplásica nos animais
A presença de sinais clínicos ligados à síndrome paraneoplásica em cães e gatos geralmente está associada a quadros malignos, com piora do estado clínico geral do paciente e, consequentemente, um pior prognóstico, levando à maior morbidade.
Alterações hematológicas como linfocitose, neutrofilia, anemia e trombocitopenia, assim como condições metabólicas como hipoglicemia, caquexia, hiponatremia, hipercalcemia, hipoalbuminemia, hipercalemia e hipocalcemia são emergências clínicas e requerem intervenção imediata (CRINGANU et al., 2021).
A importância do suporte adequado ao paciente oncológico
Dado a gravidade das repercussões sistêmicas da síndrome paraneoplásica em cães e gatos, o suporte adequado ao paciente oncológico é tão importante quanto o tratamento da neoplasia em si. Nesse caso, o médico-veterinário deve visar a qualidade de vida e o tempo de sobrevida do animal.
Por isso, a abordagem terapêutica deve ser individualizada e multidisciplinar, considerando também controle dos sinais clínicos, suporte nutricional e manejo de complicações secundárias (AMARAL et al., 2024).
Também é essencial se atentar aos pontos citados abaixo.
Manejo nutricional
A síndrome paraneoplásica em cães e gatos frequentemente levam a hiporexia ou anorexia e sarcopenia, o que agrava o quadro clínico. A intervenção nutricional precoce é fundamental para preservar a massa magra, melhorar a resposta imunológica e terapêutica, e ajudar na manutenção das funções vitais (AMARAL et al., 2024).
É indicado, portanto, que o profissional priorize alimentos de alta digestibilidade, alta palatabilidade e alta densidade energética. Produtos como Royal Canin Recovery® e Royal Canin Gastrointestinal® Canine e Feline podem ser recomendados por conterem as qualidades citadas anteriormente, além de terem nível adequado de proteína para ajudar a manter a massa muscular.

Ambiente de acolhimento
Devido à gravidade das manifestações clínicas da síndrome paraneoplásica em cães e gatos, que inclusive podem ser classificadas como emergências médicas, muitos pacientes acometidos permanecem internados. Essa condição requer cuidados especiais que objetivam promover um ambiente acolhedor durante esse período.
Com isso, alguns cuidados podem ser tomados pela equipe médica e de enfermeiros, tais como:
- monitoramento contínuo (parâmetros clínicos, balanço hídrico, dor);
- manutenção da temperatura corporal (uso de manta térmica, aquecimento do ambiente);
- conforto físico (troca de decúbito regular para evitar escaras);
- redução de estresse (ambiente silencioso, iluminação natural, feromonioterapia).
Acompanhamento multidisciplinar especializado
O manejo completo do paciente oncológico com síndrome paraneoplásica exige a integração de diferentes áreas da Medicina Veterinária. A depender do tipo de neoplasia primária e das manifestações clínicas paraneoplásicas, além do clínico geral, intensivista e oncologista, muitas vezes é necessária a colaboração de:
- gastroenterologista (em casos com anorexia, vômitos ou enteropatias);
- dermatologista (para síndromes cutâneas paraneoplásicas);
- ortopedista ou neurologista (quando há dor ou alterações locomotoras associadas à neoplasia primária);
- especialista em medicina integrativa ou paliativa, contribuindo com acupuntura, fisioterapia e controle da dor crônica.
Perguntas e respostas comuns sobre a síndrome paraneoplásica em gatos e cães
O reconhecimento precoce de uma síndrome paraneoplásica em cães e gatos é fundamental para a rápida abordagem médico-veterinária. Confira mais algumas dúvidas sobre o tema:
Todo paciente oncológico irá evoluir para um quadro de síndrome paraneoplásica?
Não. A síndrome paraneoplásica em cães e gatos ocorre em uma parcela dos pacientes oncológicos, especialmente em casos de tumores produtores de hormônios ou imunomoduladores. Sua ocorrência depende da biologia tumoral e do estágio da doença (BROWN, 2020).
Existe algum exame específico para diagnóstico de síndrome paraneoplásica?
Não há exame único. O diagnóstico é baseado na correlação entre sinais clínicos, alterações em exames laboratoriais e a presença de uma neoplasia, excluindo outras causas possíveis causas (PARRA et al., 2024).
Quais os sinais clínicos mais comuns da síndrome paraneoplásica?
Os sinais clínicos mais comuns da síndrome paraneoplásica em cães e gatos incluem: perda de peso e sarcopenia, hipercalcemia, anemia não regenerativa, hipoglicemia, leucocitose inexplicada, dermatopatias.
A síndrome paraneoplásica é reversível?
Em alguns casos, sim — especialmente quando a neoplasia primária é tratada com sucesso. No entanto, em muitos pacientes, o controle da síndrome paraneoplásica é apenas paliativo, buscando minimizar os sinais clínicos e melhorar a qualidade de vida (CRINGANU et al., 2021).
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Referências:
AMARAL, A.R. et al. Connection between nutrition and oncology in dogs and cats: perspectives, evidence, and implications—a comprehensive review. Front. Vet. Sci., v.11, 2024. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/veterinary-science/articles/10.3389/fvets.2024.1490290/full. Acesso em: 14 jul. 2025.
BROWN, C. Paraneoplastic Syndromes. In: BRUYETTE, D.S. et al. Clinical Small Animal Internal Medicine, cap. 132, 2020. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/9781119501237.ch132. Acesso em: 14 jul. 2025.
CRINGANU, D. et al. Therapeutic approach in veterinarian oncological emergencies. Scientific Works. Series C. Veterinary Medicine, v.LXVII, n.2, 2021. Disponível em: https://veterinarymedicinejournal.usamv.ro/pdf/2021/issue_2/Art5.pdf. Acesso em: 14 jul. 2025.
PARRA, P.C.; PIROLA, J.C.; VARZIM, F.L.S.B. Alterações hematológicas na síndrome paraneoplásica em caninos e felinos: uma revisão de literatura. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v.22, 2024. Disponível em: https://www.revistamvez-crmvsp.com.br/index.php/recmvz/article/view/38507/42798. Acesso em: 14 jul. 2025.
