Lipoma em cães: a importância do diagnóstico diferencial e do suporte ao paciente
Links rápidos:
- O que é lipoma?
- Lipoma ou lipossarcoma? Saiba o que diferencia um tumor maligno de um tumor benigno!
- Lipoma em cães: sinais clínicos mais comuns
- Como é realizado o diagnóstico de lipoma em cães
- Diagnóstico diferencial com outras neoplasias é essencial
- Tratamento de lipoma em cães: como conduzir o caso?
- A importância do acompanhamento de rotina e nutrição adequada para a saúde dos pets
O lipoma em cães e gatos é definido por uma neoplasia benigna, porém pode gerar quadros de desconforto e restrição ao movimento. Entenda como conduzir o caso!
Lipomas são neoplasias benignas, que não apresentam potencial de metastizar outros tecidos, comumente diagnosticadas em pacientes da clínica de pequenos animais, especialmente em cães de meia-idade a idosos. Representam cerca de 16% das neoplasias cutâneas mesenquimatosas que afetam caninos e podem acometer qualquer raça (PARANHOS, 2016).
Apesar de raramente causarem sinais clínicos, é de suma importância que o médico-veterinário realize a correta identificação e caracterização, uma vez que outras neoplasias, inclusive malignas, podem se apresentar de forma similar. Sendo assim, o diagnóstico preciso é essencial para o manejo adequado e o bem-estar do paciente.
O que é lipoma?
O lipoma é uma neoplasia benigna de origem mesenquimal, composta predominantemente por adipócitos maduros, que se apresenta tipicamente como nódulo ou massa subcutânea, única ou múltipla, de crescimento lento, consistência macia a firme, aspecto flutuante e limites bem definidos (MORGAN, 2025).
A evolução é geralmente silenciosa, sendo muitas vezes identificado durante a realização de exames físicos de rotina ou observado pelo tutor ao realizar o manejo diário do animal.
O lipoma em cães pode ocorrer em diversas regiões do corpo, mas é comumente encontrado nas regiões torácica, esternal, abdominal e na região de flanco. Apesar de estar frequentemente localizado no espaço subcutâneo, também pode surgir em tecidos musculares ou cavitários, dificultando o diagnóstico clínico apenas com base na inspeção e palpação.
O lipoma pode, ainda, ser classificado como infiltrativo, quando há infiltração de tecido adiposo benigno em estruturas musculares, fasciais e, em alguns casos, nervosas. Apesar de histologicamente benigno, sua característica invasiva pode causar dor, claudicação e comprometimento funcional da região afetada, especialmente quando localizado em membros ou áreas de grande movimentação (HAUSER et al., 2024).
O que causa o lipoma nos cães?
A causa do lipoma canino ainda não foi elucidada, mas a literatura aponta a relação com anormalidades cromossômicas (MORGAN, 2025).
Cães de meia-idade a idosos são mais afetados. Já certas raças, como Labrador Retriever, Doberman, Schnauzer e Dachshund, apresentam maior predisposição, embora qualquer cão possa ser acometido (SILVA et al., 2020).
O excesso de peso e a obesidade também podem ser fatores predisponentes para o desenvolvimento de lipoma em cães (PARANHOS, 2016). No entanto, deve-se levar em consideração que o acúmulo de gordura localizada pode ser confundido com lipoma nesses animais (GLICETTI et al., 2022).
Gatos também podem apresentar a alteração? Entenda sobre o lipoma felino!
Os lipomas também podem ocorrer em gatos, mas a incidência nessa espécie é consideravelmente menor em comparação aos cães (DUARTE et al., 2024).
Quando presentes, seguem características semelhantes às observadas nos caninos, com comportamento benigno, e predominante afetam felinos de meia-idade a idosos.
A abordagem diagnóstica e terapêutica nesses casos deve seguir os mesmos princípios adotados na medicina veterinária canina, com exames complementares sendo fundamentais para excluir neoplasias agressivas.
Lipoma ou lipossarcoma? Saiba o que diferencia um tumor maligno de um tumor benigno!
A diferenciação entre lipoma e lipossarcoma é essencial no contexto clínico e oncológico, já que a primeira é uma neoplasia benigna e a segunda, maligna. A análise de dados de malignidade tumoral canina e felina pode ajudar o médico-veterinário a identificar pacientes de alto risco e tomar decisões mais precisas (PINELLO et al., 2022).
O lipoma geralmente apresenta crescimento lento, sem capacidade metastática, e pode ser infiltrativo em alguns casos. O lipossarcoma pode invadir estruturas adjacentes e metastatizar.
Na prática clínica, sinais como crescimento rápido, dor à palpação, ulceração da pele e aderência aos planos profundos devem levantar suspeita de malignidade.
O lipoma deve ser sempre devidamente investigado!
Apesar de o lipoma em cães apresentar características de benignidade, todo nódulo subcutâneo deve ser devidamente investigado. A avaliação física, embora importante, não permite estabelecer a natureza da neoplasia.
Como veremos a diante, a citologia aspirativa por agulha fina é uma ferramenta útil e minimamente invasiva para triagem, porém o diagnóstico definitivo depende da análise histopatológica, uma vez que somente a citologia pode não ser suficiente para o diagnóstico definitivo do tumor (SILVA et al., 2020).
Lipoma em cães: sinais clínicos mais comuns
Na maioria das vezes, o lipoma é um achado durante o exame físico minucioso da consulta veterinária. Massas subcutâneas palpáveis, geralmente indolor, de crescimento lento e sem sinais inflamatórios locais, são as apresentações mais típicas.
Em casos de massas volumosas ou em determinadas regiões anatômicas, como axilas ou membros, o paciente pode apresentar desconforto na locomoção, dificuldade para deitar e alterações posturais (NOVIANI et al., 2023).
Como é realizado o diagnóstico de lipoma em cães
O início do diagnóstico baseia-se na anamnese e no exame físico do paciente. Ao suspeitar de lipoma em cães, o médico-veterinário poderá solicitar um exame de citologia aspirativa com agulha fina, técnica de baixo custo e minimamente invasiva que pode sugerir a presença de um lipoma pela identificação de adipócitos maduros.

No entanto, o diagnóstico definitivo de lipoma canino é obtido somente por exame histopatológico, que avalia a arquitetura tecidual da neoplasia, confirmando a benignidade do tumor (HAUSER et al., 2024).

B) Aumento da densidade celular dispostas em pequenos grupos, com poucas células bem diferenciadas, e algumas pleomórficas, lembrando mesenquimais. Em detalhe, havia algumas células isoladas com citoplasma bem corado e apresentando várias vacuolizações. (Panótico, Obj 40x.). Fonte: SILVA et al., 2020.
Vale ressaltar que, mesmo após a excisão completa da massa, a avaliação histológica é recomendada para confirmar o diagnóstico de lipoma em cães e descartar a possibilidade de neoplasia mista.
Diagnóstico diferencial com outras neoplasias é essencial
Diversas neoplasias podem se apresentar como massas subcutâneas, logo, o diagnóstico diferencial preciso é fundamental para a definição da conduta terapêutica.
A diferenciação entre lipoma em cães, lipossarcoma, hemangiolipoma e outras neoplasias mesenquimais permite estabelecer o prognóstico, a necessidade de excisão cirúrgica, qual técnica que será utilizada e o estabelecimento das margens cirúrgicas.
Além disso, o diagnóstico definitivo da neoplasia também possibilita a indicação de tratamento adjuvante (como radioterapia e quimioterapia), através do acompanhamento pelo especialista em oncologia veterinária.
Tratamento de lipoma em cães: como conduzir o caso?
Na maioria dos casos, o lipoma em cães pode ser acompanhado com monitoramento veterinário periódico, no qual será avaliado o tamanho/crescimento da neoplasia e o aparecimento de sinais clínicos que prejudiquem a qualidade de vida do paciente.
A excisão cirúrgica é indicada quando detectado crescimento progressivo, interferência com funções locomotoras, sinais de desconforto ou suspeita de malignidade (NOVIANI et al., 2023).
Nos casos de lipomas infiltrativos, que invadem musculatura e tecidos adjacentes, é necessário realizar excisão com ampla margem cirúrgica e considerar tratamentos adjuvantes, como a radioterapia fracionada, que demonstrou melhorar o controle de recidivas e a sobrevida dos pacientes (HAUSER et al., 2024).
A importância do acompanhamento de rotina e nutrição adequada para a saúde dos pets
Consultas veterinárias periódicas são essenciais para a avaliação do estado geral de saúde do animal e para a identificação precoce de tumores subcutâneos, dentre eles o lipoma em cães, possibilitando a adoção de procedimentos médicos para a correta diferenciação entre neoplasias benignas e malignas.
Dessa forma, o médico-veterinário consegue traçar a melhor conduta para o tratamento, melhorando o prognóstico do paciente.
Além disso, a nutrição adequada, que contenha ingredientes de alta qualidade, é uma aliada indispensável na manutenção da saúde dos pets, contribuindo para a homeostase do organismo, para o suporte ao sistema imunológico, para a manutenção do bom escore de condição corporal e de massa muscular.
A Royal Canin® oferece ao médico-veterinário uma linha de alimentos específicos para diferentes necessidades nutricionais. São alimentos completos e balanceados para atender as demandas nutricionais de gatos e cães em diferentes fases e estilos de vida.
Conheça melhor o nosso portfólio e as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Utilize a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional, que tem como objetivo facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente.
* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.
Referências:
DUARTE, O.; KUCI, C.C.; SCHRAN, R.G. Lipoma em membro pélvico de gato -Relato de caso. Pubvet, v.18, n.08, 2024. Acesso em: 28 abril 2025.
GLICETTI, K.B. et al. Achados ultrassonográficos em paciente com lipoma. Congresso de Iniciação Científica – UFPEL, 2022. Acesso em: 28 abril 2025.
HAUSER, A. et al. A retrospective study evaluating the outcomes of conventionally fractionated radiation therapy as a treatment for infiltrative lipomas in twenty-one dogs. Veterinary and Comparative Oncology, v.22, n.4, 2024. Acesso em: 28 abril 2025.
MORGAN, L.W. The Ubiquity of Lipomas: Seven cases illustrating pathology of subcutaneous tumors with a presumptive diagnosis of lipoma based on physical examination. The European Society of Medicine, v.13, n.2, 2025. Acesso em: 28 abril 2025.
PARANHOS, C.A. Neoplasias cutâneas caninas: um estudo descritivo de 4 anos. Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, 2016. Acesso em: 28 abril 2025.
PINELLO, K. et al. Vet-onconet: Malignancy analysis of neoplasms in dogs and cats. Vet. Sci., v.9, n.10, 2022. Acesso em: 28 abril 2025.
SILVA, J.F. et al. Aspectos citopatológicos da evolução de um lipoma em cão – relato de caso. Revista de Agroecologia no Semiárido, v.4, n.3, 2020. Acesso em: 28 abril 2025.
SILVA, T.S. et al. Lipoma subcutâneo abrangendo as regiões cervical e peri-auricular de um canino: Relato de caso. Pubvet, v.11, n.04, 2017. Acesso em: 28 abril 2025.
